mark zuckerberg, 23: facebook’s CEO

January 14th, 2008

entrevista do garoto de 23 anos que vale US$3B [desde que a microsoft comprou 1.6% de sua companhia, botando o valor de facebook em astronômicos US$15B]. transcrição aqui e vídeo aqui. ele não diz quase nada durante quase toda a entrevista, e o pouco que diz não é nenhuma revelação fundamental sobre a vida na web2.0 ou as razões do sucesso das redes sociais. e muito menos de facebook.

o que reforça muito minha tese de que quase qualquer um, com a dose certa de paixão, pode criar um facebook. claro que ser um dropout de harvard [bill gates passou pela mesma trilha…] e montar seu negócio em palo alto ajuda muito… mas sem o cara estar certo de que pode criar um negócio como facebook, ele não o criaria em lugar nenhum. e estando muito certo e sendo muito empreendedor, poderia criar em qualquer lugar.

época de faculdade: tempos de PAIXÃO

January 14th, 2008

em março deste ano vou fazer trinta anos de ensino na ufpe. muito mais que uma vida inteira, ou quase. e ainda me exaspero quando vejo jovens inteligentes e espertos [no bom sentido, de “smart“] perdendo a melhor parte de seu tempo na universidade com preocupações que não vão lhes ajudar a construir um mundo melhor e tampouco uma vida e carreira que valham a pena. e do que se arrependerão amargamente muitos anos depois.

o brasil, talvez por nossa história recente de instabilidade econômica, em que tudo caía aos pedaços na primeira curva de 270 graus, a 270km/h, que os governos faziam, ainda é o lugar onde jovens sonham com a “casa própria”, pra qual precisam de um “emprego seguro”, diga-se de passagem quase sempre público, onde não se ganhe muito, mas não se tenha riscos, muito menos os de trabalhar muito ou ser demitido por incompetência.

ainda acho que o tempo do ensino de terceiro grau é o tempo da paixão, de se fazer as coisas que queremos fazer, e tão bem quanto possível. e achei um post [no information arbitrage] exatamente sobre isso, e que vale a pena ler do começo ao fim. começa assim:

College. The best of times, the worst of times. The best because of the friends I made (including my future wife), the fun I had, the independence it afforded me and the credential it gave me to pursue the career of my choice. The worst because I was academically immature, spiritually unable to take advantage of a once-in-a-lifetime learning opportunity, too focused on getting my yah yahs out and insecure both as a person and as a contributing member of society. And the worst has nothing to do with grades (mine were quite good) and everything to do with why I think someone should be in college: to learn, to explore, to develop as a person and as an independent thinker.

vá ler.

start-ups & biz-plans

January 11th, 2008

deu no wall street journalBusiness schools and consultants have long preached that writing a formal business plan greatly improves a start-up’s odds of success. But a growing number of academics are questioning whether that’s really the case. eu tô entre estes tais acadêmicos aí, pelo menos desde 1995. meu estilo sempre foi fazer e depois de feito ver como vira negócio. acho que não se faz negócio só com gente de tecnologia. mas muito menos com graduados de escolas de negócios especializados em powerpoint, excel e discounted cash flow.

conclusão do venerando wsj? just do it: parte da razão? A study recently released by Babson College analyzed 116 businesses started by alumni who graduated between 1985 and 2003. Comparing success measures such as annual revenue, employee numbers and net income, the study found no statistical difference in success between those businesses started with formal written plans and those without them. The study concludes that “unless you need to raise external start-up capital from institutional sources or business angels, you do not need to write a formal business plan.”

e tem mais: Amar Bhidé, a Columbia University entrepreneurship professor, found that 41% of Inc. magazine’s 1989 list of the 500 fastest-growing private firms didn’t have business plans and 26% had only rudimentary plans. A follow-up by the magazine in 2002 found the numbers without a plan have remained pretty much the same. Many business concepts are “transitional in nature,” meaning there are competitive advantages to starting the business quickly and by the time you write a full business plan “the opportunity will be gone.”

ou seja: seu negócio não é um plano de negócios. isso é coisa de consultores. se você vai mesmo criar um negócio, comece a criar um e aprenda com seus potenciais clientes e usuários. à medida em que aprende, monte um plano de negócios baseado na prática. conheço de perto companhias que sairam de dezenas de milhões para bilhões de reais de faturamento em alguns anos e só o fizeram porque não tinham um plano de negócios. e muito menos consultores para lhes dizer que jamais conseguiriam…

claro que a regra não vale pra todo mundo mas, se seu negócio é de ruptura e, por natureza, de transição, não perca muito tempo com um “plano”. ele só vai ajudar você a fracassar mais rápido. ou, no pior caso, mais lentamente…


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pra ler: vale tudo!

January 8th, 2008

vale tudo, o som e a fúria de tim maia, por nelson motta. dificilmente outro alguém teria a autoridade e competência para descrever um dos mais geniais, geniosos e controvertidos artistas brasileiros de todos os tempos. nelson motta dá o recado. grande leitura para todos os tempos e ainda mais pra nós que continuamos ouvindo o velho tim gritar… “Mais grave! Mais agudo! Mais eco! Mais retorno! Mais tudo!”… sem falar que no cenário musi-pop brasileiro de hoje tá faltando tim e [mais] gente como tim. sem querer ser saudosista, mas já sendo, cadê os tims da hora?

boeing 787: liner que era “dream” vira “nightmare”?

January 7th, 2008

a FAA, agência que dá o OK pra aviões voarem nos EUA [e em boa parte do mundo], está formalmente solicitando à boeing uma prova de que… “certain 787 flight critical domains - digital systems and networks that for the first time will be accessible externally via wireless and other links to airline operations and maintenance systems - cannot be tampered with.” em portugês corrente, a FAA quer que a boeing mostre que não há como um passageiro, a bordo, com um laptop, game ou celular [ou relógio, ou máquina fotográfica, ou qualquer coisa em rede], invadir os sistemas vitais do avião e [por exemplo] assumir seu controle [ou derrubá-lo]. pense…

se você [que voa por aí, como eu, toda semana] quiser mesmo saber os detalhes, continue lendo: The proposed architecture of the 787 is different from that of existing production (and retrofitted) airplanes. It allows new kinds of passenger connectivity to previously isolated data networks connected to systems that perform functions required for the safe operation of the airplane. Because of this new passenger connectivity, the proposed data network design and integration may result in security vulnerabilities from intentional or unintentional corruption of data and systems critical to the safety and maintenance of the airplane.

bem vindo à verdadeira convergência digital. o avião voa-por fios [fly-by-wire] e não há mais sistemas hidráulicos ou mecânicos que são acionados diretamente pelo piloto, na cabine. o avião é uma rede de computadores que voa. boa parte das decisões é tomada por esta rede e o papel do piloto é, cada vez mais, indicar o que deve ser feito, e não fazê-lo diretamente. imagine se alguns passageiros têm idéias diferentes. breve, num vôo perto de você. e de mim…

2008: graffitti in rio

January 7th, 2008

o Marketing & Strategy Innovation Blog proclama: graffitti nas ruas é mais uma razão pra visitar o rio de janeiro. muuitas fotos lá. vá ver. o graffitti é classificado entre os melhores do mundo e como mais uma prova da criatividade brasileira. legal…

pra ler: the engineer [reconditioned]

January 5th, 2008

…terran science spaceship schrödinger’s box, deep down in space, sights, intercepts and recovers an spherical escape pod. inside it, in stasis… an engineer. of the kind capable of redefining the orbit of stars.

ficção científica do primeiro time, da pena de neal asher [outra entrevista com o autor aqui]. o texto é antigo, escrito dez anos atrás [sf que vale a pena ler não fica velho com o tempo]. pense numa coisa que vale a pena ler… [o livro se chama "the engineer reconditioned"].

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2008: previsões de josé carlos cavalcanti

January 5th, 2008

previsões de josé carlos cavalcanti [da creativante] para a indústria de TICs no brasil estão bem aqui. entre elas…

…a indústria brasileira de TICs terá que se acostumar com uma nova cultura de fazer negócios, já que o Mercado de Capitais passa a ser o locus das negociações mais relevantes e sinalizará as tendências futuras. Palavras de ordem daqui para frente serão, fusões, aquisições, private equity, IPO, governança corporativa, BOVESPA, acionistas, dividendos, enfim, um novo vocabulário que terá que ser digerido pelos players do setor…

uma hora o país ia crescer; começou anos atrás, com a organização da economia. as conseqüências estão começando a ser sentidas agora. quem não tiver competência para viver a nova realidade de mercado [ou para se mover num espaço econômico onde o governo começa a se tornar cada vez menos relevante] não se estabelecerá. ou se desestabelecerá. veremos e viveremos MUITAS mudanças no setor de informática nos prózimos anos. a consolidação do setor, em larga escala, está só começando a dar sinal de vida. quem viver verá.

second [mostly out of any] life

January 5th, 2008

second life continua na inexorável rota de ter sido um excelente experimento sobre como um mundo virtual deve ser… ou não. em agosto, no G1, escrevi um texto [duramente criticado por fãs do quase ex mundo virtual], perguntando se a coisa estava mesmo indo pro brejo ou não. minha conclusão [a imagem acima é a ilustração do texto] era que sim, o brejo era o destino.

pois bem: acaba de ser anunciado que um terço dos desenvolvedores da electric sheep evaporou. ES era o maior parceiro da linden labs no processo de desenvolvimento do mundo virtual. o software que iria garantir a gestão de anúncios de SL, o virtual world ad net, também foi pras cucuias. pra quem sabe o que rola dentro de um start-up…

nada errado nisso. muito pelo contrário. economias vivem em ciclos. coisas nascem e dão certo. e morrem depois. outras nem saem do chão. outras saem mas morrem na praia, que nem times de futebol da periferia que chegam, a duras penas, na primeira divisão. second life é, ou foi e continua sendo, um excelente processo de aprendizado sobre o que mundos virtuais poderão vir a ser. e só.

quando a gente aprender muito mais sobre isso, vai rolar um conjunto de mundos virtuais verdadeiramente interoperáveis, que todos vamos usar o tempo inteiro. até lá, se você gastou um monte de horas [e algum $$$] com SL, não desespere: jogue na conta mais preciosa dos humanos, a do aprendizado. e prepare-se pra próxima rodada.

edge: “What have you changed your mind about? Why?”

January 4th, 2008

EDGE, que tradicionalmente faz na noite de ano sua “pergunta do ano”, resolveu olhar pra trás e perguntar sobre 2007: no ano passado, sobre o que você mudou de idéia? e por quê?

pensando bem, trata-se de uma mega pergunta. humanos não mudam [muito] de idéia [sobre muitas coisas]. a maioria de nós se mantém firmemente agarrada aos preconceitos e falsas teorias [e pior, dados fuleiros] que nos [enganarão e] acompanharão até à morte. seria menos mal se fosse só a morte de cada um: não mudar de idéia, quando se lidera algo [ou quando se é ouvido por muita gente], sempre significa sofrimento adicional pra muitos. em muitos, muitos casos, quer dizer a destruição de empresas e empregos, que de outra forma [com seus donos e ceos mudando de opinião] estariam por aí, boazinhas da silva. isso quando não se deixa sociedades inteiras no lixo por muitos anos ou décadas. a lata de lixo da história está lotada dos “pensadores de idéias fixas”.

mas idéias são, depois de um certo ponto, quando se tornam fixas, fixações. é aí que emburrecem o dono e seus seguidores e, ao invés de servirem a seu propósito inicial, de mudar o mundo, são vetores para matar o debate, conter o desenvolvimento, tolher mentes e espíritos. e pra conduzir idiotas a matar gente, sem falar no uso de textos milenares fora de contexto, como se fossem notícia de ontem, e como se nosso entendimento do mundo fosse o mesmo desde a idade média. ou antes. edge é o contrário disso. precisamos muito de edges mundo afora. e tá faltando um deles no brasil.

enquanto não aparece um, vá ver o original. para a pergunta e o reasoning ao redor dela…

When thinking changes your mind, that’s philosophy. When God changes your mind, that’s faith. When facts change your mind, that’s science. WHAT HAVE YOU CHANGED YOUR MIND ABOUT? WHY? Science is based on evidence. What happens when the data change? How have scientific findings or arguments changed your mind?

algumas das respostas que constam do site são assinadas por tim o’reilly, que mudou sua idéia sobre social software [que ele achava que não ia rolar], james geary, que passou a achar que neuroeconomia realmente explica muita coisa no mercado, e brian eno, que mudou de idéia sobre revoluções e passou a acreditar em evolução. segundo ele…

Maoism, or my disappointment with it, also changed my feelings about how politics should be done. I went from revolutionary to evolutionary. I no longer wanted to see radical change dictated from the top - even if that top claimed to be the bottom, the ‘voice of the people’. I lost faith in the idea that there were quick solutions, that everyone would simultaneously see the light and things would suddenly flip over into a wonderful new reality. I started to believe it was always going to be slow, messy, compromised, unglamorous, bureaucratic, endlessly negotiated - or else extremely dangerous, chaotic and capricious. In fact I’ve lost faith in the idea of ideological politics altogether: I want instead to see politics as the articulation and management of a changing society in a changing world, trying to do a half-decent job for as many people as possible, trying to set things up a little better for the future.

como se vê, um primor [de tão básico e óbvio] de análise de qualquer realidade social e política ao nosso redor, daqui até o casaquistão, passando pela finlândia e quênia. não adianta, como este blog bem quis alguns meses atrás, querer simplesmente se livrar de renan calheiros. renan é parte do sistema. e o sistema é uma medusa complexa, confusa e onipresente. e cheio de renans aqui e em todo lugar. tirante uma guerra geral contra o estado das coisas, feita por todos, nenhum messias irá nos salvar. esta foi uma das idéias das quais eu não desisti nos últimos dez anos.

e sobre o que eu mudei de idéia em 2007? muitas coisas. a principal delas? deixei de acreditar que as pessoas aprendem de qualquer jeito. mesmo as melhores pessoas, mais bem preparadas, nos melhores lugares, nos mercados mais competitivos, precisam dos desafios, questionamentos, metas e objetivos apropriados pra aprender sempre e [cada vez mais] rápido. senão ficam perdidas em questiúnculas do dia-a-dia e disputas de poderes que não existem ou se, não servem pra nada. isso não foi só uma mudança de idéia de minha parte, foi um longo aprendizado [de alguns anos] que fechou um ciclo em 2007.

na verdade, como muitos de vocês podem perceber de pronto, eu simplesmente havia deixado de acreditar, temporária [e incrivelmente] na segunda lei da termodinâmica, uma interpretação livre da qual é que todos os sistemas fechados, deixados por aí, sem a devida atenção, migram, paulatinamente, para o caos. bem feito pra mim. eu acreditava bem mais no que se costuma chamar de “natureza humana”. até 2007. estou de volta, agora, crendo nas leis gerais do universo. e procurando entender quais outras se aplicam, ipsis litteris, às coisas, pessoas, grupos, instituições, mercados e empresas ao meu redor. mudanças, portanto, à vista em 2008. de idéia. de idéias. também.


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fractal: shuttered windows

January 3rd, 2008

[coisa estranha: quando fiz  este post, em 3/1/09, muitos sites faziam links pras imagens vencedoras do concurso, sem nenhum problema, botando a própria imagem como fonte do link . de repente, o pessoal lá do concurso resolveu que estávamos "roubando" as imagens {ao invés de estarmos promovendo a coisa}  e começou a responder aos links com uma imagem  preta onde se lia ‘theft’… pense numa babaquice!… mantenho o post porque acho o concurso duca e as imagens mais ainda. aos promotores do evento, bem, vão à…]

shuttered windows, by susan chambless. uma das imagens vencedoras do concurso mundial [2007] de imagens fractais, conduzido por ninguém menos do que benoit mandelbrot, um dos "redescobridores" dos fractais e de suas aplicações no estudo de fenômenos naturais, da forma das árvores e comportamento das nuvens até a corrosão de canos que conduzem líquidos pelo mundo afora, como oleodutos. tudo, inclusive sua [e minha] pele, parece ser um fractal. vá ver.

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chaos redefined: tokyo traffic control center

January 3rd, 2008

um dia -e não vai demorar muito tempo- as cidades vão se informatizar por completo. o painel acima é o controle de tráfego urbano de tokyo, um dos mais complicados do planeta, talvez logo atrás do cairo. só que o do cairo é completamente sem controle [e provavelmente impossível de se controlar]. no brasil, vamos ter RFIDs nos carros muito em breve. e aí vamos saber o que significa a expressão “controle de tráfego”…


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