phil harrison, o desenhista-chefe de jogos da sony, deu uma longa entrevista ao spiegel, onde afirma, sem meias palavras, que o ps3 não é um console e sim um computador. e dos que “toca” discos blu-ray, tem 60 GB de disco, browser e, claro, está na rede. sem falar que seu coração é feito dos novos chips cell, do consórcio sony-toshiba-ibm, que estão custando algo entre US$400 milhões e US$1 bilhão pra projetar. aí é onde o ps3 vira um super-computador: em média, segundo estudos recentes, o chip é oito vezes mais mais rápido e oito vezes mais eficiente [na relação consumo/velocidade] do que as atuais ofertas de 64 bits da intel [itanium] e amd [opteron]. e avanços na arquitetura e densidade dos circuitos integrados poderão multiplicar sua capacidade atual por 10, nos próximos anos. o preço do chip vai ser competitivo porque será fabricado, espera-se, em grande volume, para alimentar os ps3.
daí, pode ser que nosso próximo desktop não seja um mac ou pc [hoje, aliás, a mesma coisa], mas um console. console não: como harrison diz, o ps3 é um computador. o xbox360 que se cuide. a intel e a amd também: a ibm vai lançar “blades” feitos com o chip, o que possibilitará a criação de “pcs” muito envenenados. o que deixa no ar a pergunta… porque a apple trocou os powerpc que estavam no coração dos mac [o cell é um membro hard core da família powerpc] pelos intel? mercado e comoditização da plataforma de hardware da atual geração de pcs é certamente uma das respostas. mas, olhando pra frente, hoje, a hora é de projetar um computador [ou console] sobre o cell, rodando um sistema operacional multimídia, de tempo real, que bem poderia ser a plataforma de computação, comunicação e controle do futuro próximo. de onde ela virá?… beos, haiku e cosmoe estão mortos ou quase. nada do que as empresas de software oferecem hoje parece ser o sistema operacional do futuro… e pouco do que se vê na academia mundial aponta nesta direção.
taí, certamente, uma grande oportunidade pra [em tv digital interativa, banda larga?…] lançar esforços de software e tentar leapfrog o estado da arte internacional. poderia acontecer no brasil, inclusive. mas algo me diz que não; segundo a lógica [!] do desenvolvimento [científico, tecnológico, de inovação] nacional, continuaremos seguindo de longe, e com muito menos recursos, os que aparentemente estão na frente. isso nos dá um ponto por cento, ou pouco mais, das publicações científicas na área e, claro, face ao dinheiro que investimos [comparado com o resto do mundo] é um grande sucesso. pena… porque é bem capaz da próxima geração dos consoles ser tv, dvd, pc, internet appliance, home control center, tudo junto. e isso é igual a muitas dezenas, provavelmente centenas, de bilhões de dólares… por ano. muito mais do que o harware de tv digital ou de consoles vai representar. conseqüência? daqui a 15 anos, é só olhar a balança comercial…