Archive for the 'singularity' Category

amor [e sexo]… com robôs!

Tuesday, January 22nd, 2008

love_and_sex_with_robots.jpgLove and Sex with Robots, de David Levy, sai pela Harper Collins e analisa as possibilidades de relacionamento emocional e físico entre seres humanos e robôs [ou coisas], das velhas e cansadas “dolls” até os animais virtuais. segundo o editor… “Using examples drawn from around the world, David Levy shows how automata have evolved from the mechanical marvels of centuries past to the electronic androids of the modern age, and how human interactions with technology have changed over the years… [and discusses] why we form emotional attachments to animals and to virtual pets and why these same attachments could extend to love for robots.”

levy prevê que a interação emocional e sexual humano-robô vai estar rolando livre, leve e solta em 2050: “love with robots will be as normal as love with other humans, while the number of sexual acts and lovemaking positions commonly practised between humans will be extended, as robots teach more than is in all of the world’s published sex manuals combined.” uau!

do jeito que o mundo vai, é bom não duvidar. mas não vai ser assim tão simples. segundo o próprio levy“There are lot of questions here that need a great deal of discussion and consideration from people who are much wiser than I am in the field of ethics, philosophy and law. Clearly the law makers and the lawyers are going to have a field day debating these issues.” sem falar no que as igrejas vão dizer. pelo menos os robôs [se tudo correr bem e higiênicamente] não devem transmitir AIDS. tomara.

pra ler: the engineer [reconditioned]

Saturday, January 5th, 2008

…terran science spaceship schrödinger’s box, deep down in space, sights, intercepts and recovers an spherical escape pod. inside it, in stasis… an engineer. of the kind capable of redefining the orbit of stars.

ficção científica do primeiro time, da pena de neal asher [outra entrevista com o autor aqui]. o texto é antigo, escrito dez anos atrás [sf que vale a pena ler não fica velho com o tempo]. pense numa coisa que vale a pena ler… [o livro se chama "the engineer reconditioned"].

Technorati :
Del.icio.us :

para ler: the black swan

Wednesday, January 2nd, 2008

what we know about what we don’t know. leitura fundamental pra tempos que passam muito rápido, sem que a gente saiba de onde estão vindo e pra onde, na maioria das vezes, estão indo. sem falar que, muitas vezes, não sabemos onde estamos…

vírus computacionais: 25 anos depois, para sempre

Saturday, September 15th, 2007

há um quarto de século, um aluno do segundo grau chamado richard skrenta escreveu e começou a disseminar o primeiro vírus de computador, para o apple ][. "elk cloner" era benigno, do tipo "boot sector". e foi o primeiro de uma longa, infinita série. em todos os tipos de dispositivos computacionais: PCs, celulares, TVs digitais e, se tudo correr mal, painéis de automóveis, robôs, casas… qualquer coisa programável. até você, um dia. pra saber um pouco do que está acontecendo, veja a dissertação de mestrado de xin li. li trabalhou na suécia, em linköping, de onde vem o trabalho de martin karresand, que tenta uma ontologia [uma "classificação"] para software weapons, ou malware. leitura interessante para os mais inclinados ao estudo dos vírus computacionais.

pra gente não gastar muito tempo com teoria, história e futuro, há duas coisas que precisamos saber, na prática: em 1987, fred cohen demonstrou que é impossível construir um detector [um algoritmo] que encontre, de forma perfeita, todos os vírus possíveis. em 2000, pra fechar o milênio velho e abrir o novo, david chess e steve white, do ibm t j watson research center, escreveram um pequeno paper [oito páginas] que piora em muito, e definitivamente, o cenário: segundo eles… This brief paper adds to the bad news [Cohen’s], by pointing out that there are computer viruses which no algorithm can detect, even under a somewhat more liberal definition of detection.

o resultado, em bom português, é que na vida virtual, como na real, viveremos com vírus; eles em nós e nossas máquinas, para sempre. somos hospedeiros. talvez seja da nossa natureza, humana e virtual. no lado das máquinas, nós mesmos fabricamos as coisas. no mundo real. ainda não. pelo menos não em escala industrial. resta saber por quanto tempo.

pensando bem, não é preciso fabricar nenhuma coisa nova: procurando, você encontra, na rede, o genoma do vírus da gripe espanhola de 1918, aquela que matou mais de 20 milhões de pessoas [há quem ponha a conta em 50 milhões, por causa dos efeitos colaterais, na economia, da pandemia]. bill joy e ray kurzweil escreveram um editorial do ny times, em 2005, dizendo que publicar o genoma do vírus tinha sido uma grande besteira e que "despublicá-lo" era mais ou menos como tentar reconduzir as abelhas à colméia, depois de deitar fogo pra assanhá-las. isso porque um porta voz da revista science, onde o genoma foi publicado, disse que "Both the authors and Science’s editors acknowledge concerns that terrorists could, in theory, use the information to reconstruct the 1918 flu virus" . notícia bem pior, por sinal, do que a de chess & white aprofundando o resultado de cohen. estima-se que, só nos eua, uma epidemia do tipo da gripe de 1918 mataria dois milhões de pessoas.

resta trabalharmos todos para estabelecer padrões de comportamento, GLOBAIS, que não levem o conhecimento cada vez maior sobre vírus -reais e virtuais- a causar impactos destrutivos e de muito grande porte no ambiente. terminais, talvez. o que exige reflexão e pensamento mundiais sobre o assunto e não controles dispersos, aqui e ali, enquanto acolá uns malucos possam estar achando que podem salvar o mundo pela via da destruição. para os computadores e redes, há backups e podemos dar um reboot. já o planeta…

feriando na web: william gibson no washington post

Friday, September 7th, 2007

"When I wrote ‘Neuromancer’ " almost 25 years ago, he [W. Gibson] says, "cyberspace was there, and we were here. In 2007, what we no longer bother to call cyberspace is here, and those increasingly rare moments of nonconnectivity are there. And that’s the difference. There’s no scarlet-tinged dawn on which we rise and look out the window and go, ‘Oh my God, it’s all cyberspace now.’ "

este é um dos parágrafos da entrevista [de 6/set] de william gibson ao washington post. segundo bruce sterling, é uma das melhores entrevistas de gibson em todos os tempos. cory doctorow concorda. humildemente, assino embaixo. vá ler. pode ser que tenha que assinar o WP, mas é grátis. e se você não sabe quem é gibson e porque ele é muito importante para a literatura mundial [moderna, de e sobre o mundo virtual], tá na hora de ler neuromancer, o livro que ajudou a criar um gênero e  influenciou toda uma geração de leitores e autores. ou idoru, que é uma viagem que pode acontecer a qualquer hora. ou já está acontecendo agora, aqui, com nossos "ídolos", fabricados, da e na tv. ou na rede.

gibson tem uma bola de cristal de verdade. duvido que alguém ainda chame, a sério, o espaço de ciber-espaço. é simplesmente o espaço, plano, interligado, com pedaços do mundo de cada um em todo lugar.  hoje, muita gente poderia escrever neuromancer. um quarto de século atrás, uns poucos. e ele era um dos melhores, entre estes.

se você não quiser ler, pode ouvir. há uma coleção de coisas cyberpunk por aí. vale a pena. bom feriado a todos. volto segunda, ou a qualquer momento, em edição extraordinária.

máquinas de guerra: qual é o limite?

Monday, June 25th, 2007

o pentágono planeja substituir um terço de seus veículos de guerra por robôs até 2015. competições entre veículos automotores não tripulados, como a darpa grand challenge, que promovem tecnologias autônomas, são apenas um pequeno exemplo do plano, que passa por sistemas aéreos não tripulados e até por cães mecânicos, capazes de carregar 40kg, em condições de batalha, e por muito tempo.

por trás de todos estes sistemas, existe software. no software, regras: de mobilidade, de combate, regras genéricas e específicas, mas aparentemente nenhuma que responde, de forma segura, aos questionamentos que começam a ser feitos sobre o impacto de tais sistemas de combate autônomos dentro do ambiente onde coisas vivas, entre elas nós, humanos, estamos.

sobre as armas inteligentes, pesquisadores falam de um certo multidimensional mathematical decision-space of possible behaviour actions”, que tornaria possível tomar decisões de eliminar alvos dentro de condições "éticas". será suficiente?… o assunto vai ser muito discutido em futuro próximo, e não só por causa de armas "inteligentes". o resumo de um artigo científico recente diz que"Machine ethics, machine morality, artificial morality, and computational ethics are all terms for an emerging field of study that seeks to implement moral decision-making faculties in computers and robots. Machine ethics is not merely science fiction but a topic that requires serious consideration given the rapid emergence of increasingly complex autonomous software agents and robots". para entender e estudar o assunto [em muitos links!] clique aqui.

breve, perto de você, uma máquina anti-ética. isso como se já não nos bastasse, com raras exceções, a classe política…

previsões, cem anos depois

Tuesday, May 15th, 2007

um tema recorrente do presente, principalmente quando ele está mudando muito como agora [ou como sempre] é o futuro. que tal ver como as previsões falham? veja esta lista de 29 previsões para 2000, feitas em… 1900! algumas, apesar de errarem a tecnologia, acertam o resultado. por exemplo…

Prediction #9Photographs will be telegraphed from any distance. If there be a battle in China a hundred years hence snapshots of its most striking events will be published in the newspapers an hour later. Even to-day photographs are being telegraphed over short distances.  Photographs will reproduce all of Nature’s colors.

claro, deu internet ao invés de jornais e web ao invés de jornais. fora isso, a previsão é quase exata. e esta, sobre telefones [móveis]?…

Prediction #18: Telephones Around the World. Wireless telephone and telegraph circuits will span the world. A husband in the middle of the Atlantic will be able to converse with his wife sitting in her boudoir in Chicago. We will be able to telephone to China quite as readily as we now talk from New York to Brooklyn. By an automatic signal they will connect with any circuit in their locality without the intervention of a “hello girl”.

quase lá no fim, há uma cujo começo, infelizmente, tá se tornando verdade…

Prediction #28: There will be no wild animals except in menageries. Rats and mice will have been exterminated. The horse will have become practically extinct. A few of high breed will be kept by the rich for racing, hunting and exercise. The automobile will have driven out the horse. Cattle and sheep will have no horns. They will be unable to run faster than the fattened hog of today. A century ago the wild hog could outrun a horse. Food animals will be bred to expend practically all of their life energy in producing meat, milk, wool and other by-products. Horns, bones, muscles and lungs will have been neglected.

faça seu teste: deixe de herança, para sua família, suas previsões para 2107. se forem tão precisas como as duas primeiras, vão achar que você era um nostradamus do seu tempo.

RAINBOWS END

Tuesday, August 15th, 2006

rainbows end é o novo livro de vernor vinge, o criador da noção de singularidade [pra nós, em particular, a região do espaço-tempo em que as máquinas -em rede- sobrepujarão a inteligência humana]. a tradução do título não é “o fim do arco-íris”. não há apóstrofo: a tradução é “os arco-íris terminam”. leitura obrigatória pra quem está discutindo as convergências tecnológicas [não só as de informação, mas as biológicas e físicas, também] e seus impactos na vida humana no futuro próximo [até, digamos, 2025]. que tal, por exemplo, “voltar” de alzheimer via reengenharia de seu “velho” corpo? ótimo! mas… pensando bem, voltar pra [e por] quê, se seu mundo não estiver mais lá?… que tal ter skins na realidade ao seu redor, virtualizando suas visões de mundo, literalmente?… leitura compulsiva, de perder o sono… e continuar acordado depois de acabar.

componentes molhados [e abertos!]

Thursday, June 8th, 2006

a BioBricks Foundation (BBF) fundada por gente do MIT, Harvard e UCSF, está no ar promovendo BioBricks, trechos padrão de DNA que codificam funções biológicas básicas [componentes biológicos reutilizáveis!], e seu uso para construção de funcionalidades biológicas a partir de tijolos de DNA já devidamente entendidos e depositados em um repositório público. vem aí, em breve, a fusão silício-carbono. ave, admirável mundo novo… morituri te salutant!

o mundo é plano. e complexo.

Monday, May 22nd, 2006

leia, aqui, um resumo bem resumido [e coerente, pois resultado de uma fala do autor] d’o mundo é plano, o hit de thomas friedman, auto-descrito como uma breve história do século 21. num espaço geográfico, econômico, social e temporal onde distâncias ficam mais curtas a cada dia, friedman identifica três globalizações. a dos países [de 1500 a 1800] e a das companhias [1800-2000] são antigas e até óbvias, hoje. a globalização da hora [2000-], certas horas imperceptível para seus sujeitos e objetos, é a globalização das pessoas, que começa agora e acaba sabe-se lá quando. no fundo, não acabará nunca.

o mundo [e não foi friedman que o descobriu] é plano porque feito de conceitos, capacidade e conexões, representados por pessoas, hoje globalizadas por redes de comunicação [onde elas, pessoas, são atores de primeira classe, ao contrário das “antigas” redes de TV]… mas as pessoas estão globalizadas em pequena escala: muito pouca gente pode, realmente, ser global. todos sofrem os efeitos da globalização das pessoas, como já sofríamos a das companhias, mas somente quem tem conhecimento e capacidade de aprendizado de classe [e, às vezes, em língua] mundial é realmente global.

os críticos da globalização terão pouco a fazer “contra” o estado de coisas que começa a se instalar: defenderão o isolamento das pessoas [enquanto capacidade de trabalho] ou, por outro lado, a capacitação de todos [ou tantos quanto possível] para participar da globalização das pessoas?… se as organizações [globalizadas] começam a se tornar meros meios de “organizar” o trabalho, ao invés do local onde ele é executado, resta tentar fazer com que todos tenham real acesso às oportunidades de trabalho. ou seja, resta globalizar -como negócio- tudo e todos. e manter local o maracatu de cada um

estamos perto de um ponto de inflexão. estamos?

Sunday, May 14th, 2006

fim de semana em bagdá: trinta mortos. em são paulo, pelo menos cinqüenta. em stanford, um debate sobre o fim da hegemonia humana na face da terra, pilotado por ninguém menos do que ray kurzweil. o debate sobre singularidade [veja aqui o verbete na wikipedia], tema do mais novo livro de rk, teve de tudo. e está muito bem relatado aqui.

enquanto uma parte do mundo discute se [e como] hardware e software estão provavelmente criando uma nova sociedade, outras, como aqui, tentam escapar da barbárie mais pura e simples. são paulo teve um fim de semana de bagdá, tanto quanto todos os anos do brasil são parecidos com o vietnã, o vietnã da guerra. lá, pelo menos, morria-se por um ideal, pelo menos do lado “mais fraco”. aqui, tentamos nos salvar da combinação de banditismo e cleptocracia, e os mortos não fazem nenhum sentido. é provável que seu fim em nada melhore os prospectos de sobrevivência da sociedade que os cercava.

ao correr do tiroteio, o mundo muda, o tempo passa e, em pindorama, as palavras voam de um lado para outro, sem que nenhuma mudança nacional, fundamental, pareça estar em andamento. acorda, povo!…

neuron-powered CPU… genetically-powered hard disk [?]

Tuesday, March 28th, 2006

neuro-rato-chippesquisadores europeus do projeto NACHIP acabam de anunciar que conseguiram “colar” um chip [de 16.000 componentes] a neurônios humanos. o grupo mexe com transistores e cérebros de ratos desde o meio da década de 90 e, pelo visto, decidiu tentar algo [bem] maior. o título do post vem do press-release algo fantasioso publicado pelo site de resultados do programa europeu information society technologies [de resto, muito bom de visitar].

a imagem [feita pelo grupo] é de um conjunto de neurônios de rato colado numa linha de transistores [FET]. não achei os tais neurônios humanos colados num chip. de qualquer forma, o futuro vem aí. quero meu hard-disk [estático e de baixa potência, pra não dar dor de cabeça] logo.