Archive for the 'política industrial' Category

indianos cortejados…

Wednesday, January 30th, 2008

as grandes companhias de software da índia, que dominam o cenário mundial de serviços de desenvolvimento de sistemas de informação, resultado de uma longa e bem sucedida estratégia de formação de capital humano e de criação de processos e negócios, estão sendo ostensivamente cortejadas por vários países latino-americanos e do caribe.

a idéia básica é oferecer o que os indianos pedirem pra faclitar a instalação de centros de desenvolvimento pelo lado de cá do mundo, no mesmo fuso horário dos maiores contratadores, os EUA, em países ou locais onde houver capital humano qualificado e custos -incluindo salários, encargos e impostos- menores do que na índia, onde há uma grande escassez de capital humano, resultando em salários mais altos e grande rotatividade. e onde a  moeda local passa pelas mesmas agruras do real: está por demais valorizada frente ao dólar.

quem reporta é o telegraph de calcutta, citando principalmente o embaixador do méxico. as maiores companhias indianas já estão no brasil; e vieram por causa de contratos de prestação de serviços [de contratos globais] para filiais de multinacionais ou atrás de contratos em grandes empresas brasileiras. as indianas de grande porte, em software] são empresas quase dez vezes maiores que as maiores brasileiras, com a maior delas [tata TCS] empregando cerca de 100.000 profissionais. coisa, realmente, de gente grande. isso porque eles estão lá no fim do mundo, com todo tipo de problema, a maioria dos quais muito maiores que os nossos.

imaginem se a índia fosse aqui. pensando bem, talvez não existisse, em software. nossos custos trabalhistas não permitiriam, como não estão fazendo surgir grandes [no cenário internacional] empresas brasileiras de software. o custo brasil -principalmente de capital humano- está fazendo o país perder muitas janelas de oportunidade no mercado mundial. não que as pessoas, aqui, ganhem muito. é que o trabalho, com tantos impostos, é muito caro. e, depois da índia, vem aí a china. com tanta gente quanto e metade do preço, por homem-hora, do brasil. e aí?…

 

2008: previsões de josé carlos cavalcanti

Saturday, January 5th, 2008

previsões de josé carlos cavalcanti [da creativante] para a indústria de TICs no brasil estão bem aqui. entre elas…

…a indústria brasileira de TICs terá que se acostumar com uma nova cultura de fazer negócios, já que o Mercado de Capitais passa a ser o locus das negociações mais relevantes e sinalizará as tendências futuras. Palavras de ordem daqui para frente serão, fusões, aquisições, private equity, IPO, governança corporativa, BOVESPA, acionistas, dividendos, enfim, um novo vocabulário que terá que ser digerido pelos players do setor…

uma hora o país ia crescer; começou anos atrás, com a organização da economia. as conseqüências estão começando a ser sentidas agora. quem não tiver competência para viver a nova realidade de mercado [ou para se mover num espaço econômico onde o governo começa a se tornar cada vez menos relevante] não se estabelecerá. ou se desestabelecerá. veremos e viveremos MUITAS mudanças no setor de informática nos prózimos anos. a consolidação do setor, em larga escala, está só começando a dar sinal de vida. quem viver verá.

informática: falta gente. e vai faltar mais.

Wednesday, October 17th, 2007

o orçamento brasileiro de TI aumenta, este ano, 8.3%, contra 3.1% no resto do planeta, segundo a IDC. olhando só para software e serviços, o mercado brasileiro cresceu 13% em 2006 e vai continuar crescendo, em média, 12% ao ano até 2010. danado vai ser achar gente pra rodar esta máquina toda. não só já falta gente no brasil mas há uma demanda mundial absurda por capital humano especializado em TICs, com a china [por exemplo] fazendo feiras, mundo afora, pra atrair engenheiros de software, analistas, gente de qualidade e arquitetura para lá.

mas a falta de capital humano no setor é uma boa notícia que deve ser espalhada aos quatro ventos. primeiro, porque havendo um mercado contratador de curto, médio e longo prazo, nos interessa, a todos, atrair mais gente para aprender e adquirir competências e certificações [dentro e fora do sistema formal de educação] em informática. se isso acontecer, vai aumentar a presença do país no cenário internacional e aumentar as chances de exportarmos mais serviços e menos gente. segundo, porque havendo mais gente "de" informática na sociedade como um todo, certamente haverá mais gente empreendendo em e com informática. e isso pode ter conseqüências muito interessantes para a economia nacional.

pode até não parecer, mas está começando a sobrar dinheiro para investir em boas propostas de negócios de TICs no brasil. as grandes empresas e investidores estão conversando com praticamente todo mundo pequeno que está precisando de investimento e/ou pode ser ser comprado para fazer parte de uma rede de negócios mais sofisticada. mas o fato é que não há uma densidade de novos empreendimentos de informática, na economia, que permita uma seleção de oportunidades com a qualidade que os investidores acham aceitável.

só que atrair mais gente para informática não vem sendo um problema trivial. em muitos centros, as mulheres estão desaparecendo. há muitos cursos [são mais de 1400, no total, segundo o último censo publicado pelo inep] mas o números de professores com doutoramento é baixo e o número de candidatos por vaga, país afora, é bem abaixo do que deveria ser para -face às deficiências da formação secundária no brasil- fazermos uma seleção de gente que tenha uma base de conhecimento apropriada para uma boa formação em TICs. em ciências da computação, os números de 2005 eram de 149.257 candidatos para 88.846  vagas, mas só 42.653 se matricularam. em processamento de informação, houve 107.472 candidatos para 69.220  vagas, mas só 37.977 novas matrículas no primeiro ano.

em grandes números, 250 mil candidatos, 160 mil vagas, 80 mil matriculados. metade das vagas boiou. precisamos MESMO ter políticas e ações, nas empresas, escolas e instituições de ensino superior, para atrair mais gente para informática. mas o danado mesmo é o que o número de formados, em 2005, foi de 15.604  em ciências da computação e outros 14.050 em processamento de informação. pelo menos nessa conta simples [o cálculo real é um pouco mais complexo, pois estes formados são da entrada de 4-5 anos atrás] 80 mil na entrada viraram 30 mil na saída. é muito, muito pouco.

tudo isso, claro, é uma grande oportunidade. para levar mais e melhor matemática ao secundário. para incluir lógica lá, também. para migrar programação -básica- também para o secundário. para usar jogos no processo de atração da galera pra estudar informática. fazer o mesmo com mídia e graphics. envolver mais a universidade no ensino pré-universitário dos fundamentos da computação [que não são, por sinal, este mistério todo]…

software e serviços podem ser uma gigantesca oportunidade de mercado local e mundial, numa área de negócios que, hoje, cresce como a china e é intensiva em capital humano. precisamos ligar empresas, governo, academia e terceiro setor para criar uma política pública [e não só de governo] para capital humano em TICs no brasil. esta gente, em particular, vira dinheiro, e muito, no mercado mundial. mas precisa existir, na quantidade e qualidade que o mercado necessita. e o melhor é que ainda é tempo de acelerar e aprofundar as ações de formação de capital humano nesta área. senão vai faltar MUITO mais gente, no futuro.

 

kaospolitik: governo revoga a mp380

Tuesday, September 18th, 2007

pouco menos de três meses atrás, o governo federal mandou uma mp [a de número 380], para o congresso, "legalizando" a fronteira com o paraguai. como a maior parte do contrabando, naquela fronteira, tem a ver com bits e bytes,  este blog comentou o assunto neste link.

em si, a mp deixava claro que o país não tem -ou não tinha- nenhuma política industrial, por mínima que fosse. agora, face às dificuldades que o próprio governo criou no senado, lutando com unhas e dentes para salvar [por enquanto, espera-se] renan, dando mais uma demonstração de que estamos muito longe de fazer política industrial ou qualquer outra, o executivo revogou a mp, na esperança de que setores da economia mais afetados pela 380 -como informática e eletro-eletrônicos de alto valor agregado- diminuam sua reação à continuidade da cpmf.

a cpmf, como se sabe, não é contribuição, muito menos temporária. é imposto, permanente, até agora. é bitributação para as burras sem fundo do gasto público sem controle. o presidente era contra. fora do governo. como presidente, é a favor… porque as "pessoas, sabe, mudam de idéia".

o governo mudou de idéia quanto à mp380. por enquanto. talvez fosse o caso de avisar ao setor de informática e eletro-eletrônica que, uma vez reaprovada a cpmf, pela via da farta distribuição de benesses no mercado da representação política, essa vergonha nacional, alguma coisa muito parecida como a mp380 vai voltar ao congresso. e como medida provisória. se eu estivesse na indústria, lutaria contra a cpmf até o fim. depois, contra 380 e similares até o fim. o preço da liberdade, como sempre se soube, é a eterna vigilância. até porque… "pessoas, sabe, mudam de idéia".

contrato “king size”: US$50B

Friday, August 3rd, 2007

o governo americano acaba de anunciar contratos no valor de 50 bilhões de dólares para prestação de serviços de informática ao serviço público de lá. que eu saiba, é o maior contrato de informática do planeta, em bloco, por cinco anos, extensíveis por mais cinco.

na lista de companhias ganhadoras, só há empresas americanas, líderes mundiais em seus respectivos setores, como eds, ibm, csc e outras. muitas delas estão por aqui e em todo lugar.

Martin Campbell-Kelly, em um estudo de 1995 [Development and Structure of the International Software Industry, 1950-1990] discute porque os EUA se tornaram líderes do mercado mundial de software [por que não algum país da europa ou o japão, por exemplo?] e o resultado da análise é que o governo americano, suas encomendas estratégicas e contratos de risco, inovação e, por fim,  pura e simples aquisição de sistemas de informação e software americanos, ainda não provados no mercado, foram a pedra fundamental e, ao mesmo tempo a mola propulsora da indústria de software de lá.

que, aliás, fatura um bocado por aqui. e em todo lugar. procura-se, mundo afora, governos que tenham tamanha visão de futuro e habilitem, de formas parecidas, suas indústrias, principalmente aquelas que têm conhecimento por base. um dia destes é capaz até de rolar por aqui.

STBs: R$200 ou… R$600?

Tuesday, July 10th, 2007

o ministro das comunicações anunciou que um set top box [STB] para tv digital vai custar R$200. isso como se o governo decretasse preços. a indústria, que é quem deve fabricar aqui os STBs que não forem contrabandeados do paraguai, insiste que o preço mínimo de R$600, com alguns fabricantes anunciando que os seus estarão na casa de R$800.

segundo o ministro… “Eu acho inacreditável alguém falar de um conversor custando R$ 600,00, quando na realidade um televisor de 22 polegadas custa cerca de R$ 350,00”. ocorre, ministro, que toda a tecnologia de um televisor de 22" está amortizada, paga há muito, muito tempo. é só "imprimir" a coisa e botar no mercado. e o STB brasileiro, novinho em folha, vai ser o único no mundo que terá [por exemplo] um chip pra decodificar MPEG4, pois nós resolvemos ter tal tecnologia de imagem nesta geração de TVD, ao contrário do resto do mundo.

ou seja: o tamanho do mercado brasileiro é quem vai definir o preço do STB brasilero, que não terá as vantagens das economias de escala do resto do planeta. aliás, se nenhum outro país adotar o modelo japão+MPEG4, que nós escolhemos, ficaremos sozinhos neste mercado. no nosso mercado. qualquer semelhança com PAL-M não será, claro, mera coincidência.

mas o ministro pode ficar tranquilo. no país das prestações, o que vai definir quem vai ter um STB não é o preço, mas qual é a prestação. há muito que estamos transformando produto em serviço. um televisor que custa X [grande] mil reais não é um produto, mas um serviço de entretenimento pelo qual se paga y [pequeno] reais por mês. se um STB de R$800 "custar" 40 prestações de R$30… e se alguém resolver transmitir uma programação exclusiva só em formato digital [quem não tiver o STB não vê]… presto! está criada a demanda, o mercado… e o preço será irrelevante. desde que seja muito menor do que o de acesso real ao entretenimento que será transmitido exclusivamente em formato digital. à cabeça, pra começar, me vem futebol. que mais? façam suas apostas…

deu na folha: país se comoditiza

Monday, June 18th, 2007

cerca de 70% da indústria brasileira é de produtos de baixa ou média-baixa tecnologia, um aumento de 9% em dez anos. por outro lado, as empresas de maior conteúdo tecnológico encolheram19% no mesmo período e respondem, hoje, por 30% da indústria nacional. no setor de material eletrônico, a queda foi de 43% e o déficit comercial, só nos primeiros quatro meses deste ano, foi de US$4 bilhões, 27% a mais do que no mesmo período de 2006. pra gente se balizar, a indústria mineral nacional cresceu 100% nos últimos dez anos. exportamos pedras, importamos chips. e importamos software. e não conseguimos exportar.

fazer o quê? uma nova reserva de mercado e fechar os portos às nações "amigas"? não deu certo antes, por que daria agora? economistas alertam para a esclerose da indústria nacional. mas ninguém, nem na política industrial nem nos planos de crescimento, aponta alguma direção para renovar a indústria nacional.  isso quando já se sabe que vai ser muito dificil sustentar o país baseando nossa balança de pagamentos em commodities… seria de esperar que, face à gravidade dos dados, o governo estivesse dizendo que vai investir pesadamente em inovação [incluindo design], marca e reputação. para agregar valor. para ser desejado e, sendo, poder competir com a china, índia e os outros reis do pedaço fabril e de serviços. será que dá?

como este blog trata de tecnologias da informação, vamos olhar software, como exemplo das possibilidades nacionais de competir. não temos gente em quantidade suficiente, para começar. parte do software que está sendo feito para o brasil vem de fora, hoje. software é, em boa parte, gente educada, entendimento de problemas, mercados, empresas e cadeias de valor e a capacidade de resolver tais problemas no prazo, no preço, com a qualidade requerida pelo cliente. software é inovação. software é sociedade do conhecimento e métodos, regras, processos e ambiente de negócios de classe mundial, para competir globalmente.

aqui, além de não estarmos educando gente como deveríamos, nós ainda não fechamos a porta para que a lei de inovação inclua o setor de tecnologias da informação. parece brincadeira, mas é verdade. a política industrial do país é feita pela receita federal, pela dívida pública e pela ineficácia do estado. resultado: pouco investimento privado, baixas taxas de inovação e perda de competitividade. falando nisso, perdemos nove posições no último índice do fórum econômico mundial, o que nos põe em 66o. posição, 21 lugares atrás da áfrica do sul. lugar de onde, por sinal, vem ubuntu. breve, numa tela perto de você.

convergência: perigo à vista?…

Thursday, June 7th, 2007

depois do senado, onde eduardo azeredo quer acabar com o sigilo das comunicações digitais, a câmara quer "acelerar"uma legislação específica sobre conteúdo convergente. senhoras deputadas e deputados, cuidado: o mundo anda se movendo muito rápido e a maioria dos sites, fluxos e serviços que realmente importa é mundial… não só seus endereços web, mas seu controle e conteúdo, podem vir de e estar em qualquer lugar. e nós, daqui, queremos estar lá fora: o mercado mundial é muito maior e mais interessante do que qualquer mercado local. tratem de construir a possibilidade do brasil ter mais mercado no mundo, ao invés de nos sujeitar a guetos e reservas de mercado setoriais e locais que tiveram, em nossa história, eficácia bastante discutível. por favor, deixem nas gavetas qualquer idéia de exercer controles indevidos sobre o que hoje [ainda] é um ambiente cultural [e de negócios] livre, pelo menos em países civilizados. coisa muito desejável por aqui, por sinal. e notem bem que este país ainda é uma democracia, ao contrário da situação imaginada por certos assessores do presidente. um deles, que acha tudo natural, nem desconfia que a venezuela [que tem seu apoio amplo, geral e irrestrito] está decaindo rapidamente para uma ditadura, também pela via do controle da mídia e comunicações por chávez, o paradigmático idiota latino-americano. portanto, muito cuidado aqui, senhores e senhoras.

[ps 1: declaração entre aspas do assessor citado acima: “Temos que dar a impressão de que somos democratas. Inicialmente temos que aceitar certas coisas, porém isso não durará muito”].

[ps 2: depois que escrevi a nota acima, a coisa complicou um bocado... num governo com os assessores descritos, o presidente, ele próprio, disse que acha "normal" quem "dá" uma concessão "cassá-la", basicamente a seu bel prazer. peraí, presidente, e as regras do jogo democrático?... veja aqui, no blog do noblat. enquanto isso, o país, sua cultura e inteligência continuam anestesiados, achando que nada disso é "muito" sério, que são apenas "deslizes" de expressão. será mesmo? se a gente não se cuidar, será que a onda das ditaduras vai varrer a pobre américa latina de novo?]

lei mercadante dá mais um passo

Wednesday, May 16th, 2007

ontem foi dia digital no senado: o projeto de lei do senador aloizio mercadante que prevê o uso de 75% dos recursos do fust para inclusão digital das escolas foi aprovado na comissão de educação. segundo a proposta, qualquer empresa de telecom poderá usar os recursos, além das concessionárias. a legislação, que anda rápido na casa, prevê um computador com acesso à internet para cada 10 alunos por turno da escola e recursos para treinar os professores. próxima parada: câmara dos deputados, onde se espera passagem tranqüila. estimado em R$6 bilhões até 2010, será o maior projeto de inclusão digital de toda a américa latina. se sair do papel.

por outro lado, o senado também aprovou ontem o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (Padis) e do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Equipamentos para a TV Digital (PATVD), que zera um monte de impostos para fomentar a indústria de semicon e TVD. este vai direto a sanção presidencial.

lá vem a china, missão software

Thursday, May 3rd, 2007

não chega a ser nenhuma surpresa, mas parece que a china vai entrar pesado no mercado mundial de software. 15.000+ companhias de software, governo focado no mercado mundial, índia como exemplo, exportações já consideráveis de hardware pra servir como plataforma…

After hardware, China is now fuelling its software industry. Though 70% of china’s IT business still comes from hardware manufacturing, you cannot ignore the 40% year on year growth which its software industry is witnessing.

por aqui, os dados mostram que estamos crescendo bem menos, ao redor de 15%. e um número cada vez maior de fábricas de software internacionais está conseguindo grandes contratos nacionais, sem que estejamos conseguindo grandes contratos internacionais para fábricas brasileiras ou, por outro [muito mais difícil] lado, sem ver software empacotado, nacional, aparecer no mundo.

a janela de oportunidade para o brasil, no mercado mundial, ainda não se fechou. mas seria muito bom se o governo federal resolvesse dar uma ajudazinha, de porte, criando condições para competirmos no maior mercado do mundo, o americano. a primeira parte do processo e fomentar a criação de grandes companhias nacionais, essenciais para dominar uma parte do mercado nacional… martin campbell-kelly, em estudo fundamental para o entedimento do assunto, concluiu [há muito tempo, o artigo é de 1995] que o governo americano teve um papel fundamental, estratégico e político, no estabelecimento de uma indústria nativa, dominante e mundial em território americano. coisa de quem tem governo, talvez.

software: o que vem por aí

Monday, November 6th, 2006

a kanbay, uma fábrica de software indiana [umas 7.000 pessoas] especializada em serviços para o setor financeiro, quase que completamente desconhecida no mundo mais amplo de informática e certamente no brasil, acaba de ser adquirida pela CapGemini, um dos gigantes do setor [em 2005, quase 70.000 pessoas e faturamento de 7 bilhões de euros]. a transação foi totalmente em dinheiro e os acionistas da kanbay botaram US$1.25 bilhões de dólares [três vezes o faturamento corrente] no bolso.

as grandes companhias indianas já estão todas no brasil e devem ocupar o que que se chama o primeiro nível de contratos e serviços, se tornando fornecedores preferenciais ou exclusivos, mesmo, das grandes companhias globais e nacionais em território brasileiro. um monte de companhias indianas de médio porte também está fazendo seu desembarque por aqui e suas plataformas de serviço global, na índia, devem torná-las fornecedores de peso para o segundo nível de contratos da economia de software, empurrando as empresas brasileiras de serviços de software para os mercados de médio e pequeno porte [o terceiro e quarto níveis], onde as demandas [e as margens de lucro e a competição] são muito mais baixas e não sustentam companhias de classe e impacto [e valor] mundial

é preciso reagir de várias formas, antes que o mercado nacional, literalmente, vá pra índia. mas pra isso é preciso engenheiros, programadores, empreendedores, investidores, visão e política industrial de país grande, como a deles. a continuarmos pensando na escala “brasileira” [onde só nós pensamos que somos grandes...], não iremos muito longe. e nem perto, pelo visto.

cada vez mais longe…

Saturday, October 14th, 2006

ibm move sua divisão de compras inteira para shenzhen, na china. o diretor, john paterson, vai junto: é a primeira vez que a ibm manda alguém tão senior, junto com toda sua turma, para fora do país. por que? a ásia tem 3.000 fornecedores da ibm, responsáveis por US$12B dos US$40 bilhões que a empresa gasta em compras todo ano e shenzhen está se tornando a capital das cadeias de suprimento do mundo. enquanto isso, num certo país da américa latina, continuamos mendigando fábricas de chips, por não termos realizado o dever de casa que poderia ter trazido, para cá, e por boas razões, muito mais coisas.

minha previsão: o jogo de produção de qualquer coisa física cuja razão preço/peso seja [muito] alta está perdido para a ásia e, em particular, para a china, e para sempre. e, em breve, eles terão design e venderão, aqui, [por exemplo] carros tão bons quanto os coreanos. é só esperar. nós, por outro lado, continuaremos esmolando investimentos, protegendo negócios ineficientes com reservas de mercado baseadas em alguns dos impostos mais altos do mundo… o que não nos levará, em nenhum prazo, a lugar nenhum.