Archive for the 'peopleware' Category

vida digital: vigiada [para sempre?]

Tuesday, August 21st, 2007

sim, você olhou a figura acima e entendeu tudo. a partir de dezembro, a tokyu security vai oferecer um serviço [custo: 10 reais a cada seis meses] que há de avisar os pais sempre que os filhos passarem numa catraca do metrô [em tokyo]. num lugar onde as pessoas só se movem de metrô, os menores movimentos dos filhos, fora das atividades programadas pelos pais, serão vigiados, notados e, muito provavelmente, controlados. e isso está proposto como vigilância até o ensino médio…

mas será que é isso mesmo que queremos que aconteça em todas as situações?… consigo me lembrar de centenas de vezes, na vida, em que meus pais não deveriam ter me vigiado enquanto eu fugia das regras estabelecidas e tratava de alguma inovação [pra minha vida, pelo menos].

o mundo lá fora é perigoso e diferente da minha vida de criança no interior de pernambuco e paraíba nos anos 50-70 do já tão distante século passado? é. mas precisamos tomar cuidado, muito, para não criarmos gerações inteiras de crianças de granja… que terão muito pouca capacidade de reinterpretar o mundo ao seu redor. precisamos de mais meninas e meninos de capoeira, que apareçam com novas decodificações e proposições do e pro mundo, capazes pois de apagar o que de errado seus pais e avós estavam fazendo e de reescrever um novo mundo…

mas como isso vai rolar, se esse povo for vigiado o tempo todo, a cada detalhe?… complicado, viver neste quase novo mundo…

xuxa e “amor estranho amor”

Sunday, August 19th, 2007

de andré petry, na veja, citado na íntegra pelo blog do noblat:  Quem não quiser, sendo figura pública, ver-se flagrado em cenas de incandescente intimidade que trate de protagonizá-las em recintos privados. Quem não quiser ver-se filmado em cenas eróticas com um garoto de 12 anos que não as faça. Ninguém forçou Daniella Cicarelli ou Xuxa a fazer o que fizeram. Ao bisbilhotar as cenas de ambas, uma na vida real e em público, outra interpretando uma personagem para o consumo público, ninguém lhes viola a intimidade ou a privacidade – se alguém o fez, foram elas próprias.

xuxa está tentando [e não vai ter nenhum sucesso nisso] evitar que partes de [ou toda] sua performance com adolescentes, no cinema [cartaz do file ao lado], fora do esquema [para consumo da faília brasileira] "rainha dos baixinhos" circule por aí. parece ignorar que o mundo está conectado. e que qualquer um pode publicar links pra sua performance. se não quisesse mais vê-la, ou deixar que interferisse em sua carreira, deveria assumir o passado e partir pro futuro.

estamos, por enquanto, livres da censura, em boa parte. bem vinda ao presente, xuxa. o futuro pode até ser mais livre do que isso, se a gente cuidar dele. daqui pra frente, um recado pra quem quiser preservar sua imagem pública… favor não cometer besteiras em público ou para consumo público…

não é por nada não, mas…

Sunday, August 12th, 2007

um time de pernambuco ganhou a imagine [world] cup de novo. pelo terceiro ano consecutivo, times de pernambuco têm aparecido no primeiro e segundo lugares mundiais da competição. este ano, nas finais brasileiras, havia times da upe [universidade de pernambuco] e ufpe [federal de pernambuco]. ambos foram pra final mundial. um time de pernambucanos [interestadual, com um aluno da usp], levou um dos prêmios mundiais, na categoria sistemas embarcados. exemplo da qualidade da educação em informática do estado, uma das razões essenciais pelas quais o porto digital está aqui.

vez por outra me perguntam como fazer pra resolver os problemas de um lugar qualquer. um lugar que precisa de capital humano, pra comecar. minha resposta é a mesma há mais de vinte anos: educar gente e criar oportunidades. lembrando duas coisas adicionais: 1] leva décadas; 2] os alunos são mais importantes do que os professores.

tá cheio de lugar, por aí, cheio de professores brilhantes, de classe internacional. sem alunos. ou com alunos que não conseguem ver que o verdadeiro impacto da academia TEM QUE ser sentido na sociedade. nós, da universidade, trabalhamos em prol de um bem comum que está muito além dos nossos muros. quando isso não acontece, a academia se vira pra própria e, no longo prazo, incrua.

o brasil precisa de bons alunos. TODOS precisamos ser -cada vez mais- aprendizes. nossos maiores problemas não são descobrir a solução de qualquer coisa, mas encontrar, definir, especificar, detalhar qual é o problema. sempre que se faz isso, com esmero e aplicação, as soluções aparecem. naturalmente.

aos alunos de todos os lugares e, em especial, aos brasileiros da imagine cup, parabéns. se este combalido país dependesse apenas da criatividade e trabalho de vocês, estaria resolvido. tomara que vocês sirvam de exemplo pra muito mais gente. porque vocês não são diferentes… são apenas brasileiros, inteligentes e capazes como muitas dezenas de milhões de outros, que apostaram nas suas competências e possibilidades, foram lá, enfrentaram o mundo e… venceram. qualquer um pode fazer isso. é só ter a mesma garra, foco, vontade, determinação e capacidade de trabalho de vocês. parabéns. boa sorte. apostem, arrisquem. a vida só começou…

seu celular não funciona? reclame! [se conseguir...]

Wednesday, August 8th, 2007

a anatel lançou uma pesquisa on-line [o formulário está aqui] sobre a satisfação dos usuários da telefonia móvel. nas relações entre agentes reguladores, empresas e nós, usuários, é muito importante que todos aqueles que não estão [genuinamente] satisfeitos com os serviços públicos apareçam e digam suas razões. só assim será possível um diálogo realmente construtivo entre o regulador e as operadoras. em nosso benefício [tomara].

a tradição brasileira, por sinal, é fazermos muito barulho em mesa de bar e assemelhados, o que raramente leva a alguma atitude mais construtiva de cada indivíduo em prol da sociedade como um todo. talvez seja o país da piada pronta, como diz zé simão. depois da piada, a gente bebe mais uma e vai pra casa, tranquilo… e o mundo continua a mesma porcaria de antes.

até aí, tudo bem. o problema é que o formulário da anatel não roda em firefox [2.0.0.6]… só consegui usar a coisa em ie. a reclamação de primeira ordem, pois, vai pra anatel: levem em conta a diversidade do povo, aqui fora, ao escrever software que vai rodar na web. aliás, não é nem tão software assim, é apenas um formulário… e deveria ser um processo padrão, em órgãos governamentais, garantir acesso universal às funcionalidades públicas, habilitadas por software ou não, essenciais à cidadania.

e o formulário pra reclamar da própria anatel, claro, também só roda [direito] em ie. bem que eu tentei reclamar do formulário pra reclamar dos celulares, mas ele se recusa a validar meu endereço a partir do cep. fica pra próxima vez, talvez…

revista info: campeões da inovação

Sunday, August 5th, 2007

a revista info de agosto publica uma lista de 50 nomes que estão na linha de frente da inovação em tecnologias de informação e comunicação no brasil.

o autor deste blog está lá. junto com muita gente boa. grato, info…

mas o bom mesmo é que o brasil está começando a acordar para o fato de que COMPETITIVIDADE deriva de INOVAÇÃO e que a última, por sua vez, não pode ser aferida usando as métricas da revolução industrial, como instalação de novas máquinas em linhas de fabricação de alguma coisa. acredite se quiser, esta ainda é uma das medidas que o país usa.

nós fizemos muito no que toca ao aumento da performance da ciência brasileira nos últimos 25 anos. mais doutores e mestres, mais papers, mais recursos e instituições. mas o descasamento do esforço acadêmico com a iniciativa privada, tanto do ponto de vista das empresas como investidores pôs o brasil, também, numa posição única.

pra se ter uma idéia do fosso entre papers e prática, residentes no brasil obtiveram 2490 patentes nos estados unidos [procure no uspto.gov] de 1976 pra cá. a galera da áfrica do sul, no mesmo período, garantiu 3639. a boa notícia é que, nos últimos cinco anos, tivemos duzentas patentes a mais. o que é parte da solução, apenas.

peter drucker ensinava que inovação não é ciência ou tecnologia, nem pesquisa ou desenvolvimento. inovação é sociedade & economia, é mudança de comportamento de pessoas, fornecedores e consumidores. às vezes, fornecedores e consumidores de tecnologia. mas pode muito bem ser de modelos de negócio, de processos…

precisamos criar, aqui, as verdadeiras bases da inovação. isso passa por um ambiente mais convidativo ao empreendedorismo, onde o risco possa ser bem remunerado e o fracasso aceito, inclusive por quem fracassou, como aprendizado e ponto de partida para uma nova tentativa. é preciso mudar regras, na sociedade e economia [leis trabalhistas e tratamento fiscal do capital empreendedor, por exemplo] que nos levem a pensar -vez por outra- como empregadores e não, permanentemente, como empregados.

aqui no nordeste, uma das regiões do país onde mais se precisa de risco e empreendedorismo pra mudar o estado quase indigente da economia privada na maioria dos estados, uma renomada estatal fez um concurso público [para vagas futuras... não há nenhuma vaga agora] e mais de 850 mil pessoas se inscreveram. conversei com umas duas dúzias de candidatos e muitos me disseram que estavam fazendo o concurso porque entrar lá "era como se aposentar"… e performance? e inovação? e risco? num lugar onde se quer gente nova para oxigenar o negócio, muitos estão tentando entrar para "se aposentar"?… onde foi que erramos?

o sistema de equações que define inovação, no brasil, é de alta ordem e muito complexo. e vai levar décadas até que tenhamos realmente criado as bases para um país internacionalmente competitivo. não vai ser pouco trabalho, pois vamos precisar de muita mudança em todos os recantos da vida nacional. incluindo novas e muito mais sofisticadas noções de perfomance [humana, inclusive] no setor público. e uma redefinição quase completa do relacionamento entre investidores, academia, empreendedores e governo.

nesta corrida, ainda estamos no comeco do começo…

blade runner: para[normal]

Sunday, July 15th, 2007

uma dúvida assola competições como o pan, olimpíadas e campeonatos mundiais de esportes, principalmente atletismo: daqui a quanto tempo atletas com dificuldades de locomoção ou sentidos terão, com auxílio tecnológico, superado seus problemas e, também, humanos [supostamente] normais?

a linha divisória do campo está vindo para o presente cada vez mais depressa… esta semana, oscar pistorius, sul-africano nas imagens, 20 anos, que nasceu sem as fíbulas [o antigo "perônio"] e teve suas pernas [abaixo dos joelhos] amputadas aos onze meses de vida, chegou em segundo lugar nos 400m rasos, contra corredores olímpicos na golden league, em roma.

pistorius corre sobre implantes removíveis de fibra de carbono. seu tempo foi 49.60s, 0.18s atrás do vencedor. o recorde mundial é de michael johnson, 43.18s, marca de 1999, no mundial de sevilha.

mas rola um problema: a International Association of Athletics Federations (IAAF) está pensando em desclassificar pistorius, que corre atrás do tempo de 45.95s [sua melhor marca é 46.34s; sanderley parrela faz a distância em 46.02s] para poder correr no mundial de osaka. boa sorte a pistorius e bom senso, associação das federações atléticas. se pistorius não pode correr, ninguém de óculos poderia atirar, tampouco. sem falar na pilha de atletas que está bombada, sob todo tipo de [bio]química e que só vez por outra aparece nas listas de dopados.

pistorius corre atrás da vaga para osaka hoje, domingo 15, em sheffield, uk. eu tô em duas torcidas: pela sua marca e para que a IAAF aceite o corredor no meio dos "normais".

CEOs must be… DESIGNERS!

Monday, July 9th, 2007

bruce nussbaum, na business week desde 1977 [ano em que me graduei...] é um dos principais jornalistas americanos na advocacia de design como um meio essencial dos negócios. segundo ele, pra entender isso é so pensar steve jobs e conectar com o iphone. nenhuma outra empresa, hoje, conseguiria o feito que se conseguiu com o iphone: 100 mil celulares por dia na primeira semana. e muitos mais no porvir. e olha que há anti-clones [coisas que já existiam, antes] do iphone, aos montes. mas ninguém, nos outros fabricantes, nenhum visionário, líder, polêmico e maverick, com quem seus compradores e usuários se relacionem na intensidade em que isso acontece com jobs.

vá ler, com atenção, a palestra que nussbaum deu, recentemente, em londres, o centro do mundo segundo ele próprio, no royal college of art. uma pérola. eu assino quase cada parágrafo dela… como este aqui: Innovation is no longer just about new technology per se. It is about new models of organization. Design is no longer just about form anymore but is a method of thinking that can let you to see around corners. And the high tech breakthroughs that do count today are not about speed and performance but about collaboration, conversation and co-creation.

não perca. valerá cada pequeno grande segundo do tempo que você dedicar à leitura e reflexão… there is Design as Peter Drucker or Design as Management Methodology. Design is popular today also because Design Thinking—the methodology of design taken out of the small industrial design context and applied to business and social process…

e se você tem ou está montando um negócio de TICs, talvez deva [se chegou até aqui] voltar e ler a palestra de nussbaum todinha [de novo], se perguntando a cada trecho como você pode ser o designer dos desejos de seus clientes, sejam eles gente ou empresas. isso pode ser fundamental pro seu negócio sobreviver…

em recife, colégio vira lan house

Wednesday, July 4th, 2007

o colégio cícero dias, em recife, que já tinha um prêmio internacional pela arquitetura de seu espaço, ganhou uma fábrica de jogos e virou uma lan house, onde os alunos passam a aprender jogando. a coordenação da operação é do meu [literalmente] brother, luciano meira, que está sorridente na foto ao lado, da matéria de arede.

a idéia é trazer mesmo a lan house para dentro do colégio e aliar o processo de aprendizado das outras disciplinas ao da construção de jogos, preparando ainda por cima os alunos para trabalhar nas empresas de jogos do porto digital.

o processo de desenvolvimento de jogos envolve um grande número de competências e só uma pequena parte dos membros de um projeto qualquer programa: há designers, escritores, compositores, animadores, coloristas, roteiristas… e o mercado mundial de jogos já é mais de três vezes o tamanho da indústria de cinema. no topo disso, custa muito menos fazer um jogo do que um filme.

no caso de jogos e escolas, há que se convir que a maioria dos alunos não acha as aulas de matérias como física muito estimulantes. em tal cenário, o desenvolvimento de jogos pode vir a ser usado na escola como parte do processo de aumentar o interesse por matérias complexas, mas absolutamente necessárias para o desenvolvimento de um jogo. no futebol, por exemplo, a bola existe em um espaço newtoniano… que tem que ser entendido, para ser codificado. ou seja: sem querer, muito mais gente vai ter que acabar aprendendo física mesmo. pra sempre, pois vai ter que programar a bola, vai ter que escrever a física da bola..

o cícero dias é a primeira escola no país [e uma das primeiras no mundo] com uma proposta destas; ano que vem, haverá outra escola no rio e talvez uma terceira, em belo horizonte. o projeto é uma parceria da fundação procentro, da escola cícero dias, cesar.edu e do instituto oi futuro. por trás do projeto, a certeza [e a prática] de que a melhoria significativa da qualidade da educação, combinada com a criação de oportunidades para os educandos, é uma das únicas formas sustentáveis de combate à exclusão e violência sociais.

sap reconhece “acesso” a código da oracle

Tuesday, July 3rd, 2007

confusão de grande porte entre empresas de informática de muito grande porte: a sap está reconhecendo que uma de suas unidades de negócio, a tomorrownow, meteu a mão em código fonte da oracle. o tamanho do problema está só começando a ser entendido. as empresas competem no mesmo mercado e seus líderes, larry ellison e henning kagermann, são inimigos pessoais de muito longa data. numa regata, em 1996, quase a água pega fogo.

segundo reportagem da bloomberg, "SAP CEO Henning Kagermann has now admitted to the repeated and illegal downloading of Oracle’s intellectual property. Oracle filed suit to discover the magnitude of the illegal downloads and fully understand how SAP used Oracle’s intellectual property in its business." esse bicho vai pegar.

são joão em campina!

Friday, June 22nd, 2007

são joão é natal no nordeste, é carnaval no sertão.
 este ano, são joão é campina.

web+mobile, EUA: 59% por fora

Thursday, June 21st, 2007

relatório recente do PEW INTERNET & AMERICAN LIFE PROJECT classifica usuários de TICs nos EUA [A Typology of Information and Communication Technology Users] e descobre que…

  • 8% of Americans are deep users of the participatory Web and mobile applications
  • Another 23% are heavy, pragmatic tech adopters – they use gadgets to keep up with social networks or be productive at work
  • 10% rely on mobile devices for voice, texting, or entertainment
  • 10% use information gadgets, but find it a hassle
  • 49% of Americans only occasionally use modern gadgetry and many others bristle at electronic connectivity

ou seja… quase 60% dos americanos quer comunicação muito mais simples do que têm hoje. taí uma grande oportunidade para quem desenvolve e provê serviços e aplicações de TICs… e mais uma evidência de que nós de TICs, temos que avançar na direção de informaticidade: informática cada vez mais simples, transparente e calma, invisível para o usuário comum. senão ele fica de fora…

será que vale em qualquer canto e para qualquer faixa de idade? parece que não. na coréia, por exemplo, há uma corrida mortal, entre fabricantes e operadores, para oferecer mais serviços e interfaces… e deixar o público, darwinianamente, escolher o que vai sobreviver. a informaticidade, na coréia, ainda fica por trás da interface. de qualquer forma, os eua são um mercado gigantesco e sistemas periférios como o nosso dependem muito de lá. daí porque é bom estudar os resultados deles, nem que seja para refutá-los.

precisamos esquecer. mesmo? como?

Wednesday, June 20th, 2007

viktor mayer-schönberger anda preocupado com a nossa incapacidade [nova, web-based] de esquecer. depois da internet, do internet archive, de google [veja este editorial do ft.com] e outras ferramentas de armazenamento e busca, tudo o que há de registro nosso, aqui na terra, está sendo gravado para sempre. incluindo todas as suas e minhas transações comerciais, em qualquer lugar onde andamos comprando qualquer coisa, na web, nos últimos muitos anos. e isso pode levar a todo tipo de problema novo, na sociedade, já que o esquecimento paulatino dos acontecimentos tem sido a base sobre a qual nossa história é montada. segundo mayer-schönberger…

As humans we have the capacity to remember –and to forget. For millennia remembering was hard, and forgetting easy. By default, we would forget. Digital technology has inverted this. Today, with affordable storage, effortless retrieval and global access remembering has become the default, for us individually and for society as a whole… I analyze this shift and link it to technological innovation and information economics. Then I suggest why we may want to worry about the shift, and call for what I term data ecology. In contrast to others I do not call for comprehensive new laws or constitutional adjudication. Instead I propose a simple rule that reinstates the default of forgetting our societies have experienced for millennia, and I show how a combination of law and technology can achieve this shift.

o texto acima é parte de Useful Void: The Art of Forgetting in the Age of Ubiquitous Computing, onde se  propõe que…

…we shift the default when storing personal information back to where it has been for millennia, from remembering forever to forgetting over time. I suggest that we achieve this reversal with a combination of law and software. The primary role of law in my proposal is to mandate that those who create software that collects and stores data build into their code not only the ability to forget with time, but make such forgetting the default. The technical principle is similarly simple: Data is associated with meta-data that defines how long the underlying personal information ought to be stored. Once data has reached its expiry date, it will be deleted automatically by software, by Lessig’s West Coast Code.

east coast code é o sistema de leis dos eua [criado e depurado na costa leste] e west coast code é o código, o software, que criou a arquitetura da rede, nascido na costa oeste, no silicon valley, que em última análise está nos gravando pra sempre. a distinção foi celebrizada no livro de larry lessig code and other laws of cyberspace.

a proposta de mayer-schönberger é interessante e deveria ser objeto de discussão nos legislativos mundiais. talvez já seja muito tarde para protegermos nosso presente e futuro do nosso passado. mas, por outro lado, parece razoável que, mesmo querendo entregar muitos de nossos dados a um site qualquer, para uma determinada transação, queiramos garantir que os mesmos sejam destruídos quando nós, e não o site, achemos que não seja mais necessário. resta saber quando tal agenda vai acontecer em fins-de-mundo como o nosso…