o orçamento brasileiro de TI aumenta, este ano, 8.3%, contra 3.1% no resto do planeta, segundo a IDC. olhando só para software e serviços, o mercado brasileiro cresceu 13% em 2006 e vai continuar crescendo, em média, 12% ao ano até 2010. danado vai ser achar gente pra rodar esta máquina toda. não só já falta gente no brasil mas há uma demanda mundial absurda por capital humano especializado em TICs, com a china [por exemplo] fazendo feiras, mundo afora, pra atrair engenheiros de software, analistas, gente de qualidade e arquitetura para lá.

mas a falta de capital humano no setor é uma boa notícia que deve ser espalhada aos quatro ventos. primeiro, porque havendo um mercado contratador de curto, médio e longo prazo, nos interessa, a todos, atrair mais gente para aprender e adquirir competências e certificações [dentro e fora do sistema formal de educação] em informática. se isso acontecer, vai aumentar a presença do país no cenário internacional e aumentar as chances de exportarmos mais serviços e menos gente. segundo, porque havendo mais gente "de" informática na sociedade como um todo, certamente haverá mais gente empreendendo em e com informática. e isso pode ter conseqüências muito interessantes para a economia nacional.
pode até não parecer, mas está começando a sobrar dinheiro para investir em boas propostas de negócios de TICs no brasil. as grandes empresas e investidores estão conversando com praticamente todo mundo pequeno que está precisando de investimento e/ou pode ser ser comprado para fazer parte de uma rede de negócios mais sofisticada. mas o fato é que não há uma densidade de novos empreendimentos de informática, na economia, que permita uma seleção de oportunidades com a qualidade que os investidores acham aceitável.
só que atrair mais gente para informática não vem sendo um problema trivial. em muitos centros, as mulheres estão desaparecendo. há muitos cursos [são mais de 1400, no total, segundo o último censo publicado pelo inep] mas o números de professores com doutoramento é baixo e o número de candidatos por vaga, país afora, é bem abaixo do que deveria ser para -face às deficiências da formação secundária no brasil- fazermos uma seleção de gente que tenha uma base de conhecimento apropriada para uma boa formação em TICs. em ciências da computação, os números de 2005 eram de 149.257 candidatos para 88.846 vagas, mas só 42.653 se matricularam. em processamento de informação, houve 107.472 candidatos para 69.220 vagas, mas só 37.977 novas matrículas no primeiro ano.
em grandes números, 250 mil candidatos, 160 mil vagas, 80 mil matriculados. metade das vagas boiou. precisamos MESMO ter políticas e ações, nas empresas, escolas e instituições de ensino superior, para atrair mais gente para informática. mas o danado mesmo é o que o número de formados, em 2005, foi de 15.604 em ciências da computação e outros 14.050 em processamento de informação. pelo menos nessa conta simples [o cálculo real é um pouco mais complexo, pois estes formados são da entrada de 4-5 anos atrás] 80 mil na entrada viraram 30 mil na saída. é muito, muito pouco.
tudo isso, claro, é uma grande oportunidade. para levar mais e melhor matemática ao secundário. para incluir lógica lá, também. para migrar programação -básica- também para o secundário. para usar jogos no processo de atração da galera pra estudar informática. fazer o mesmo com mídia e graphics. envolver mais a universidade no ensino pré-universitário dos fundamentos da computação [que não são, por sinal, este mistério todo]…
software e serviços podem ser uma gigantesca oportunidade de mercado local e mundial, numa área de negócios que, hoje, cresce como a china e é intensiva em capital humano. precisamos ligar empresas, governo, academia e terceiro setor para criar uma política pública [e não só de governo] para capital humano em TICs no brasil. esta gente, em particular, vira dinheiro, e muito, no mercado mundial. mas precisa existir, na quantidade e qualidade que o mercado necessita. e o melhor é que ainda é tempo de acelerar e aprofundar as ações de formação de capital humano nesta área. senão vai faltar MUITO mais gente, no futuro.