Archive for the 'peopleware' Category

trip: transformadores

Tuesday, November 20th, 2007

a revista trip fez de 2007 o ano da transformação, dedicando as edições a temas quentes do nosso dia-a-dia e às mudanças que precisamos operar sobre nossas atitudes em relação aos mesmos. como parte do processo, a cada edição foram indicados três nomes para concorrer ao prêmio trip transformadores… e o autor do blog é um dos indicados na categoria TRABALHO. vá ver quem concorre.
tem muita gente boa na lista e você pode ajudar a eleger os indicados… a entrega é na quinta à noite e o blog estará lá.

[ps {quinta, 23h}: jorge gerdau, muito merecidamente, foi o ganhador do prêmio trip na categoria trabalho. parabéns a gerdau e a trip, pelos 21 anos de história não-conformista na mídia brasileira.]

liberdade e privacidade: chegando ao fim?

Monday, November 12th, 2007

um longo artigo na economist considera os efeitos de estarmos vivendo, de fato, não na sociedade da informação, mas na da observação, onde todos vasculham a vida de todos os outros e os [mais variados pedaços dos] governos estão de olho, ainda por cima, uns nos outros. segundo a revista… These days, data about people’s whereabouts, purchases, behaviour and personal lives are gathered, stored and shared on a scale that no dictator of the old school ever thought possible. Most of the time, there is nothing obviously malign about this. Governments say they need to gather data to ward off terrorism or protect public health; corporations say they do it to deliver goods and services more efficiently. But the ubiquity of electronic data-gathering and processing—and above all, its acceptance by the public—is still astonishing, even compared with a decade ago. Nor is it confined to one region or political system.

pense em tal contexto e reflita sobre as declarações de Donald Kerr, um dos principais responsáveis pela espionagem americana, dadas neste fim de semana ao guardian: Privacy no longer can mean anonymity… Instead, it should mean that government and businesses properly safeguard people’s private communications and financial information. uau…

a reportagem do guardian continua… Millions of people in this country - particularly young people - already have surrendered anonymity to social networking sites such as MySpace and Facebook, and to Internet commerce. These sites reveal to the public, government and corporations what was once closely guarded information, like personal statistics and credit card numbers, dando uma grande levantada de bola para kerr anunciar seu juízo final: “Those two generations younger than we are have a very different idea of what is essential privacy, what they would wish to protect about their lives and affairs. And so, it’s not for us to inflict one size fits all. Protecting anonymity isn’t a fight that can be won. Anyone that’s typed in their name on Google understands that.”

pois vez por outra em teclo meu nome em google [e yahoo, e liveSearch] só pra saber o que há por aí sobre mim que eu nem imagino. ao contrário do que mr. kerr pensa, minha vida pessoal ainda não vazou pra internet e nem eu espero que isso aconteça tão cedo. este blog, por exemplo, pode ser considerado muito pessoal, um apanhado das minhas opiniões sobre os mais variados temas, mas não há nada aqui que eu já não andasse dizendo em aulas, reuniões e telefonemas e, por sinal, na velha mídia, em tvs, rádios e jornais. a diferença é que agora eu não posso dizer que não disse, pois vai estar registrado para sempre em algum lugar da internet, mesmo que eu desmonte este site. e esta é -por acaso- a idéia deste blog mesmo.

o que dá, por sua vez, uma boa idéia do cuidado que os mais novos devem ter na web: seus antigos cadernos de adolescência e rabiscos no mural do colégio agora estão publicados para sempre em algum blog ou comunidade. com um detalhe radical: estudos científicos [relatados no guardian] mostram que os "amigos" virtuais em uma rede social não passam de conhecidos [e podem nos levar a revelar MUITO mais do que iríamos querer, no futuro]… o que pode fazer muita gente nova e esperta a entrar, por inexperiência, nas maiores roubadas do século 21. o que, por certo, já está acontecendo agora…

essa eu não sabia: tatuagens & copyright

Tuesday, October 30th, 2007

a batalha entre tattoo masters, tatuados, donos de copyright de fotos e arte em geral está começando a pegar onde detentores de propriedade intelectual têm à sua disposição um arsenal de advogados interessados em transformar qualquer coisa em processo legal. num caso recente, um atleta está sendo processado por um tatuador porque a imagem de seu braço está aparecendo em primeiro plano em uma cena de propaganda na TV. coisa de louco.

o próximo passo talvez  envolva os cirurgiões plásticos cobrando royalties por peitos, narizes e outras partes do corpo, no cinema e na televisão… depois, certamente pagaremos por cada aparição pública de cada roupa que compramos, no mais puro roupa-como-serviço non-sense. depois, talvez, nossos nomes serão registrados por algum aproveitador e cada assinatura precisará de sua autorização e um depósito de alguns centavos em suas contas.

em última análise, talvez os professores, ao fazerem a chamada na sala de aula, tenham que pagar pelo "uso", literalmente, da palavra. claro que não chegaremos nem perto disso. SE tomarmos MUITO cuidado. o mundo, lá fora, está ficando ao mesmo tempo estranho, protegido e litigioso. todo cuidado -na presevação de nossas liberdades e sanidades essenciais- é pouco.

ABL APRESENTA: o homem na era das novas mídias

Tuesday, October 23rd, 2007

pra quem estiver no rio, na quinta, às 17:30h, na abl.

informática: falta gente. e vai faltar mais.

Wednesday, October 17th, 2007

o orçamento brasileiro de TI aumenta, este ano, 8.3%, contra 3.1% no resto do planeta, segundo a IDC. olhando só para software e serviços, o mercado brasileiro cresceu 13% em 2006 e vai continuar crescendo, em média, 12% ao ano até 2010. danado vai ser achar gente pra rodar esta máquina toda. não só já falta gente no brasil mas há uma demanda mundial absurda por capital humano especializado em TICs, com a china [por exemplo] fazendo feiras, mundo afora, pra atrair engenheiros de software, analistas, gente de qualidade e arquitetura para lá.

mas a falta de capital humano no setor é uma boa notícia que deve ser espalhada aos quatro ventos. primeiro, porque havendo um mercado contratador de curto, médio e longo prazo, nos interessa, a todos, atrair mais gente para aprender e adquirir competências e certificações [dentro e fora do sistema formal de educação] em informática. se isso acontecer, vai aumentar a presença do país no cenário internacional e aumentar as chances de exportarmos mais serviços e menos gente. segundo, porque havendo mais gente "de" informática na sociedade como um todo, certamente haverá mais gente empreendendo em e com informática. e isso pode ter conseqüências muito interessantes para a economia nacional.

pode até não parecer, mas está começando a sobrar dinheiro para investir em boas propostas de negócios de TICs no brasil. as grandes empresas e investidores estão conversando com praticamente todo mundo pequeno que está precisando de investimento e/ou pode ser ser comprado para fazer parte de uma rede de negócios mais sofisticada. mas o fato é que não há uma densidade de novos empreendimentos de informática, na economia, que permita uma seleção de oportunidades com a qualidade que os investidores acham aceitável.

só que atrair mais gente para informática não vem sendo um problema trivial. em muitos centros, as mulheres estão desaparecendo. há muitos cursos [são mais de 1400, no total, segundo o último censo publicado pelo inep] mas o números de professores com doutoramento é baixo e o número de candidatos por vaga, país afora, é bem abaixo do que deveria ser para -face às deficiências da formação secundária no brasil- fazermos uma seleção de gente que tenha uma base de conhecimento apropriada para uma boa formação em TICs. em ciências da computação, os números de 2005 eram de 149.257 candidatos para 88.846  vagas, mas só 42.653 se matricularam. em processamento de informação, houve 107.472 candidatos para 69.220  vagas, mas só 37.977 novas matrículas no primeiro ano.

em grandes números, 250 mil candidatos, 160 mil vagas, 80 mil matriculados. metade das vagas boiou. precisamos MESMO ter políticas e ações, nas empresas, escolas e instituições de ensino superior, para atrair mais gente para informática. mas o danado mesmo é o que o número de formados, em 2005, foi de 15.604  em ciências da computação e outros 14.050 em processamento de informação. pelo menos nessa conta simples [o cálculo real é um pouco mais complexo, pois estes formados são da entrada de 4-5 anos atrás] 80 mil na entrada viraram 30 mil na saída. é muito, muito pouco.

tudo isso, claro, é uma grande oportunidade. para levar mais e melhor matemática ao secundário. para incluir lógica lá, também. para migrar programação -básica- também para o secundário. para usar jogos no processo de atração da galera pra estudar informática. fazer o mesmo com mídia e graphics. envolver mais a universidade no ensino pré-universitário dos fundamentos da computação [que não são, por sinal, este mistério todo]…

software e serviços podem ser uma gigantesca oportunidade de mercado local e mundial, numa área de negócios que, hoje, cresce como a china e é intensiva em capital humano. precisamos ligar empresas, governo, academia e terceiro setor para criar uma política pública [e não só de governo] para capital humano em TICs no brasil. esta gente, em particular, vira dinheiro, e muito, no mercado mundial. mas precisa existir, na quantidade e qualidade que o mercado necessita. e o melhor é que ainda é tempo de acelerar e aprofundar as ações de formação de capital humano nesta área. senão vai faltar MUITO mais gente, no futuro.

 

viaje, ouça, durma… é longe

Monday, October 1st, 2007

há meio século, o que costumava ser a união soviética assustava o mundo -e principalmente os estados unidos- lançando o primeiro satélite artificial e, com ele, uma corrida-quase-querra pelo domínio dos céus. coisa de marte mesmo, briga de meninos pra ver quem tinha o maior foguete. foi no quatro de outubro de 1957. a resposta americana, como se sabe, foi mandar homens, em carne e osso, à lua. disputa de garotos, resultado de gente grande, que guiou boa parte do avanço tecnológico [inclusive da informática] por quase duas décadas. pena que não foi um feito da Terra, em conjunto, mas parte de uma disputa entre territórios [e sistemas políticos] para ver quem era mais capaz. ou, na pior das hipóteses, quem chegava primeiro…

durante muito tempo, ficamos por aqui. até porque a américa não tinha com quem competir. desde o fim dos anos 80 a USSR deixou de existir, graças à a ineficiência e ineficácia de uma economia sem mercado [entre muitas outras coisas]. mas parece que chegou a hora [até porque os competidores começam a aparecer…] de estabelecer alguma meta espacial [que tal marte em 2037?]do tamanho da humanidade, e o novo alvo tem tudo para ser marte. seis meses cada perna da viagem, com a tecnologia de hoje.  ou uma semana daqui a algum tempo. de qualquer modo, vai custar uma fortuna [as estimativas oscilam entre 40 e 400 bilhões de dólares]. que talvez fosse melhor aplicada aqui mesmo, pra resolver o aquecimento global, por exemplo.

mas um dia vamos ter que sair daqui. pode ser daqui a muito tempo, quando o sol ferver os oceanos ou a via láctea se desorganizar [bote tempo nisso]. ou então quando descobrirmos que um asteróide irá detonar -literalmente- o planeta. mesmo que você não vá a marte nem tão cedo, e tampouco a algum centro de lançamento de onde vai sair algum foguete para lá, dá pra ouvir uma trilha sonora pra viajar pra marte [ou muito mais longe] aqui. o contexto, no site, é… Most people who underwent cryosleep have reported that the mind seems to naturally retreat into a place of infinite tranquility, where the experience of Time itself is distorted in a subtle way. Although there is no trace of conscious activity in the brain of sleepers, it appears that Experience itself never ceases, creating atemporals bubbles of memories of transcendental calm when the subject awakes. It may be possible that chemicals used in the cryosleep process alter the outer cortex in a way that is not yet understood, however we believe cryosleep is a perfectly safe means of interstellar travel.

esqueça a ficção. simplesmente ouça. pra decolar, nenhuma química adicional é necessária, a não ser a sua e a de quem eventualmente esteja curtindo com você. divirta-se boa viagem. a marte [na foto, a cratera victoria, de 800m de diâmetro], ao parque ou, quem sabe, a você mesmo. boa chegada.

 

quanto vale uma [grande] rede social?

Tuesday, September 25th, 2007

bilhões. muitos. de dólares. há dois anos, parecia um absurdo rupert murdoch ter investido US$580M para se tornar o único dono de mySpace. a história que está se desenrolando agora é a possibilidade da microsoft gastar quase a mesma coisa para adquirir apenas 5% de facebook, a outra rede social de muito grande porte que há por aí.

mark zuckerberg, 23, fundador e ceo de facebook, tá precisando de meio bilhão de dólares pra investir em compras [de empresas de tecnologia] que aumentariam o poder de fogo de sua plataforma de redes sociais. vai casar com alguém. vamos ver se a galera de redmond joga suas cartas direito desta vez.

quinhentos milhões pode ser um precinho de ocasião [para a microsoft] por cinco por cento de facebook e acordos privilegiados para acesso aos usuários e gestão de propaganda na comunidade. a alternativa é tentar construir um "facebook" do zero, cooisa que nem google, que tem muito mais dna de internet do que a microsoft, conseguiu.

todos pela educação

Monday, September 24th, 2007

você sabia que 9 entre cada 10 alunos da oitava série, no brasil, não sabem que 9/10 é o mesmo que 90%? este é um dos problemas que estão sendo tratados pelo compromisso todos pela educação, uma ampla articulação em prol da universalização e melhoria da qualidade da educação primária e secundária no país.

um país que não anda nada bem quando o assunto é educação: pesquisa recente da OECD, levando 34 países em conta, não só deixa o brasil na zona de rebaixamento mas nos aponta como os lanternas.

o compromisso todos pela educação reúne um monte de gente para ajudar o país a atingir cinco -só cinco- metas. uma delas está na figura que acompanha este texto e que refleta nossa assustadora realidade. o tempo médio de cada passada sua, leitor, neste blog, é suficiente para um aluno do ensino médio abandonar a escola. cada um de nós pode fazer algo. apareça na página do movimento pra ver no que você pode participar.

mais um fim do mundo [como ele é]

Monday, September 17th, 2007

pense numa data para escrever um artigo sobre o fim do mundo. achou: 11 de setembro. o título é… Will Super Smart Artificial Intelligences Keep Humans Around As Pets?, ou… será que inteligências artificiais realmente muito inteligentes vão manter os humanos por aqui, só para tê-los como animais de estimação?

pode parecer brincadeira de mau gosto, mas não é. o assunto foi discutido seriamente no último singularity summit, evento dedicado a prescrutar quando [e não se] a inteligência de máquina vai ultrapassar [em muito] a humana.

o texto de ron bailey, correspondente de ciência do reason magazine, descreve os debates do simpósio e tem bons links pra quem quiser saber mais sobre o assunto. há quem discorde [radicalmente] da qualidade das discussões, apesar dos mais de 600 especialistas em futuro lá no evento. stephen luttrell, que acompanhou de longe, acha que tudo não passou de desfile de opiniões para a imprensa leiga. o debate continua.

[para saber mais sobre "singularity", clique na figura acima, que leva a uma palestra do criador do conceito -vernor vinge, autor de RAINBOWS END- dada em 1993. o resumo, pra lhe animar a ir lá ver o texto inteiro, tem uma linha: Within thirty years, we will have the technological means to create superhuman intelligence. Shortly after, the human era will be ended.]

cruise, the [open] reuse book: 1500 downloads…

Wednesday, September 12th, 2007

CRUISE [component reuse in software engineering], the open reuse book written collaboratively by the RiSE [Reuse in Software Engineering] Group at c.e.s.a.r, has clocked 1.500 downloads from all over the world [and a few other places as well]. from the book’s homepage, CRUISE is… an extremely through review and analysis of the software reuse field, by collecting and organizing the major research works into a picture of the state-of-the-art. However, this book is much more than just a very thorough compendium of reuse research: this book focuses on issues ranging from technology to management and even human behavior. Each issue was reviewed by many experts, and with the benefit of the lessons and detailed information contained in the book, readers will step to a new level of understanding of the systematic processes and tools that are needed in order to successfully promote reuse in their organization.

vida real se complica no mundo virtual

Sunday, September 9th, 2007

um monte de gente está na rede. bem mais gente, pelo que sempre pareceu, do que o povo real que está usando a rede. uma parte da galera concreta, de carne e osso, que mora aqui no planeta terra, tem mais de uma vida virtual e pode, nela, dar vazão a sonhos, instintos e aspirações irrealizáveis no velho e bom dia-a-dia.

pense na confusão em que thomas montgomery se meteu. ex-fuzileiro naval americano de 45 anos, casado, pai, montou um avatar de 18 anos, também fuzileiro, um deus grego. filho de alguém que parecia, sim, o próprio thomas. isso começou em pogo.com, um site de jogos muito usado nos eua. foi por lá que o "jovem" marine conheceu jessi, 17 anos, uma deusa [também]. que era na verdade a mãe da verdadeira jessica, uma "bem-casada" e quarentona dona de casa. montgomery -o piloto do avatar do jovem fuzileiro- se apaixonou -por jessi, na verdade, a dona de casa- e pôs tudo a perder.

rolo após rolo, um colega de trabalho bem mais novo [brian barrett] descobriu jessi on-line [e armou um rolo virtual com ela…], a mulher de montgomery descobriu [inclusive peças íntimas juvenis enviadas por emeio, por "jessi" a montgomery…], barrett espalhou pela fábrica onde os dois trabalhavam que estava "com" jessi e montgomery [?] andava com um par de chifres [virtuais?…] e, por fim, montgomery, o próprio, esmagado pela descoberta da mulher e pela humilhação que achava estar sofrendo do colega, matou barrett com três tiros. na vida real. está preso, esperando julgamento. bizarro.

pense numa confusão. pense quanta gente está metida em coisas parecidas, nem tão graves quanto [espero], mas potencialmente tão ou mais alopradas do que a quase ficção aí acima. as personas virtuais provavelmente serão, para sempre, válvulas de escape para uma legião de oprimidos que quer mudar de vida, aqui fora, mas não consegue. sem falar nos que querem voltar ao passado e enfrentam a impossibilidade nua e crua da realidade. montgomery talvez seja um destes casos. que deu completamente errado. deve haver muitos, bem mais do que talvez se imagine, que estão dando mais ou menos certo. capaz de você e eu conhecermos um monte, na vida real, sem nem imaginar o que eles estão fazendo enquanto dormimos…

educação superior: centralizada demais

Sunday, September 2nd, 2007

o título deste texto é o tema de um bom artigo do professor daltro nunes, da ufrgs, porto alegre, sobre o excesso de controle exercido pelo poder público federal sobre a educação superior no brasil. o texto de daltro começa assim: Nos países mais desenvolvidos como, por exemplo, os Estados Unidos, o Estado não se envolve diretamente com políticas de educação superior. Há uma regulamentação mínima nos estados da federação que difere de estado para estado. Igual constatação observa-se nos paises mais desenvolvidos da Europa. Em alguns paises da América Latina, no Peru por exemplo, o Estado já deixou de regular a educação superior.

dito por daltro, que está na estrada, há 30 anos, batalhando por qualidade na educação superior em informática, no país, o texto merece séria reflexão. a sociedade brasileira de computação, graças aos esforços continuados de daltro, roberto bigonha [ufmg] e muitos outros, tem sustentado, também por décadas, uma relativa independência do processo educacional superior em informática, sempre ameaçado por tentativas intervenção da burocracia federal, de regulamentação da profissão e criação de fábricas de diplomas e conselhos federais e regionais que assolam, atravancam e atrapalham o verdadeiro avanço do aprendizado de mais alto nível em pindorama.

citando timothy mulholland, reitor da unb, daltro diz que o brasil ainda é napoleônico pois, como na frança de 1800, todas as decisões vêm desta paris dos trópicos chamada brasília. ora paris… seria o caso se a política daqui fosse tão suja como a francesa. nas condições atuais, brasília é para ser comparada a harare ou caracas. mas isso é outra história.

em educação superior e muitas outras áreas, o brasil precisa sair de sua era napoleônica, ou pré-histórica, para o século 21, para aumentarmos as chances de nossa juventude competir globalmente na economia do conhecimento, que é o nome do jogo que está sendo jogado agora [e por muito tempo no futuro]. enquanto forças muitas do obscurantismo cartorial brasileiro tentam empurrar o país, o povo e sua economia ainda mais para o passado, é de se louvar o trabalho de gente como daltro e de instituições como a sbc, que tentam arduamente -e o tempo todo- empinar o papagaio do futuro por aqui. alvíssaras, daltro. tomara que muito mais gente como você ajude a encontrar um waterloo pra brasília. enquanto ainda houver brasil aqui fora.