Archive for the 'noponto' Category

arquivo noponto: mudando o mundo. como?

Saturday, March 17th, 2007

comecei a escrever um texto sobre tecnologia e sociedade e me lembrei que havia publicado um artigo relevante para o que viria a ser a discussão na finada noponto. uma busca nos meus alfarrábios digitais produziu um texto de primeiro de setembro de 2000 sobre mudanças e tecnologia, onde c. p. snow [e seu livro “the two cultures”] são o ponto de partida para uma digressão sobre como “mudar o mundo”. o texto de 2000 vai a seguir e, algum dia na semana que vem, o artigo sobre tecnologia e sociedade aparece…

MUDANDO O MUNDO. COMO?

Tecnologia é cultura, é uma das três culturas. C. P. Snow falava de duas, apenas: ciência e humanidades. Mas prefiro um espaço tridimensional onde a ciência é o eixo da verdade (da descoberta, do entendimento do mundo em que vivemos); a arte é o domínio da estética, da procura da beleza e a tecnologia, ao invés de ser uma (não tão) simples conseqüência das descobertas científicas e sua aplicação no mundo real é, de fato, o domínio da possibilidade. Parte significativa do que a tecnologia faz vem da experiência, às vezes não muito bem explicada, da montagem de “legos” de conhecimento, às vezes apenas prático.
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arquivo noponto: os invasores

Thursday, March 1st, 2007

a foto abaixo mostra o paciente [e os médicos] de uma operação inovadora que introduz um coração artificial total temporário em pacientes cardíacos terminais. TAH-t é uma evolução dos corações jarvik da década de oitenta e pode vir, no futuro, a substituir corações, virando simplesmente TAH [o -t é pra temporário].

isso lembrou meus arquivos na extinta revista eletrônica noponto, onde há um pequeno texto que me deixou [depois que li o que havia escrito] apavorado com algumas das possibilidades futuras de sistemas de computação e controle em rede.

publicado em 29 de setembro de 2000, a história é sobre a relação entre um sujeito ranzinza e uma galerinha de um mega condomínio no futuro. leia. assuste-se (ou não)… um dia vai ser verdade e está sete anos mais perto…

OS INVASORES

Um dia, teve uma dor de matar, aliás de quase. Acordou no hospital sentindo o peito e tendo um médico à cabeceira, perguntando, pausadamente, se estava a se sentir bem. O sim, meio trêmulo, demorou. Mas saiu. Recuperado, aprendeu que tinham reconstruído seu coração, agora composto, em parte, por um dos novos modelos IntelliBeat, que já incorporava um pequeníssimo servidor web para monitoração, avaliação e controle cardíaco. E isso há três anos.

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arquivo noponto: 1001 noites na rede

Tuesday, October 31st, 2006

dos meus arquivos na extinta revista eletrônica noponto, um artigo sobre a rede e o tempo -e nele, os nossos tempos e os tempos para fazer, ou não, as coisas- publicado em 18 de agosto de 2000, chamado 1001 noites na rede [se você andou lendo este blog recentemente, este texto está relacionado com este outro, sobre vida e morte de start-ups de tecnologia]:

Eu era menino em Arcoverde, em 1966, e os tempos, tirante a gente ter perdido a copa da Inglaterra, eram muito bons. O ano era dividido em três partes: férias, escola e férias, com os dias de escola compostos por aulas (pela manhã) e futebol (todo o resto do dia, incluindo parte da manhã). Eu não lembro, mas deveria ser um fenômeno futebolístico inusitado pois, dono do campo e da bola, mal conseguia jogar no gol, onde, no sertão do Nordeste, não nasce nada mesmo.

O tempo foi se acelerando e acabamos na era do conhecimento, onde os economistas estão nos convencendo que o recurso escasso é a atenção -não devem estar levando em conta a atenção que dezenas de milhões dedicam aos programas de domingo à tarde na TV. Ou então entendem que o entretenimento do povo brasileiro é dar um reset na vida depois da macarronada com galeto-de-tonel. Sem paciência para a TV e sem tempo para mais nada, resolvi por meu tempo em ordem e tomei um bocado de decisões, que incluem situar o infinito temporal daqui a 1000 dias - até porque são as 1001 noites que tornam poético o título deste artigo.

Minha escala começa em segundos, passa para horas e acaba em dias, sempre em potências de dez, e define quanto tempo se gasta - e eu gasto - com coisas da internet e da nova economia. 1 segundo é tempo máximo para uma página começar a carregar no browser e também o tempo gasto varrendo seu conteúdo, na diagonal, para ver se merece 10 segundos de atenção. 10 segundos é o tempo, também, dedicado a cada email que aparece: a trezentos deles por dia, no meu caso, me deixa uma hora no PowerBook, clicando delete e ganhando uma lesão de esforço repetitivo.

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arquivo noponto: o fim de um dos fins do papel

Tuesday, September 26th, 2006

durante dois anos, entre 2000 e 2002, escrevi exatamente 100 colunas em um dos melhores “movimentos” que o brasil já experimentou, na rede, a revista eletrônica NO., sob direção de marcos sá corrêa. até um tempo atrás, o site ainda estava no ar, mas parece que desapareceu para sempre, o que me levou a pensar em armazenar, aqui, aquelas colunas todas, algumas apenas de valor histórico e outras tão atuais que eu poderia tê-las escrito hoje. como a primeira da série, uma espécie de profissão de fé na convivência pacífica da rede e do papel, publicada em 28 de abril de 2000, chamada o fim de um dos fins do papel:

Não passa um dia em que não haja uma frase de efeito, em algum lugar da mídia, sobre o fim do papel, da tinta e do livro. Só que, ao invés de um fato acontecido ou iminente, anuncia-se na verdade um debate, quase briga, quando bibliófilos estão por perto. Sem falar nos fabricantes de papel e plantadores de eucalipto.

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