Archive for the 'web economy' Category

netvibes goes bigtime…

Tuesday, August 15th, 2006

netvibes, o quase-webtop [francês!], acaba de conseguir 15 milhões de dólares de venture capital. é uma das maiores quantias investidas em um negócio europeu de web 2.0 até agora. e, segundo innovation creators, é o fim dos enterprise dashboards também. pode ser. até porque há tempos mabuse pensava em botar coisa muito parecida nos sites do c.e.s.a.r, o que criaria a dinâmica necessária para cada leitor mapear o site como quisesse… netvibes, a companhia, vai acabar vendendo o servidor [que faz o serviço netvibes] pra companhias que queiram fazer exatamente isso. e, de resto, vai aparecer algum projeto open source que faça o mesmo [ou melhor... será?].

google: free cash flow 2006 = US$2B. ruim?

Friday, July 21st, 2006

GOOG, MSFT e NASDAQ, 5 diasse eu e o leitor tivéssemos uma companhia capaz de gerar um fluxo de caixa livre de dois bilhões de dólares por ano… acho que nós não íamos achar ruim não. mas e se o mercado, detentor de 70% das ações de nossa empresa, tivesse feito a previsão [baseada em comportamento histórico...] de que tal fluxo, este ano, iria ser de três bilhões, 50% a mais do que o ano passado? aí é onde os problemas de google começam, com um número importante, este ano, igual ao do ano passado. coisa pra sair vendendo todas as ações de google agora? certamente que não, a companhia pode surpreender muito, ainda. mas, hoje, está tendo que gastar uma quantidade muito grande de seu caixa na aquisição e construção de infra-estrutura essencial para suas operações. há quem diga que a maior parte destes gastos vai ocorrer uma só vez [ou então muito de vez em quando].

mas há quem ache que é bom dar adeus a crescimento, muito acima do mercado, das margens operacionais e que a conseqüência óbvia será a compressão das razões [como preço sobre receitas, hoje em astronômicos 32, para 2007!]… levando a novas avaliações da companhia [que vale o dobro da time-warner... sendo que a última tem quase quatro vezes fluxo de caixa livre!] e a uma nova e mais estável realidade no negócio.

resultado na ponta da linha? as ações vão cair. quanto? o gráfico desta nota é dinâmico, feito por yahoo finance, e compara GOOG [em azul] a MSFT [em vermelho] e ao índice NASDAQ [em verde], em porcentagem, nos últimos cinco dias. hoje, na hora que esta nota foi publicada, GOOG caiu 1.5%. confira você mesmo e/ou clique no link da figura pra mudar as comparações e visões. e venda algumas ações… pra comprar outras da microsoft, que tá parecendo cada vez melhor [como investimento].

microsoft: multas, corações e mentes

Monday, July 17th, 2006

depois de uma semana completamente fora do ar [e da internet], tô de volta aqui, pra dar meus pitacos na vida dos outros. enquanto eu tava desaparecido, a microsoft foi multada pela união européia em mais de 350 milhões de dólares. brad smith [o chefe do jurídico de lá] vai apelar da multa, que vem no topo de outras, de mais de 600 milhões, já aplicadas à empresa antes, pela união européia. a razão de todas, na base, é a mesma: práticas anti-competitivas [em excesso] da empresa de redmond, interpretadas pela europa como uma tentativa [bem sucedida, pelo tamanho das multas] de dizimar a competição. a msft tem quase 35 bilhões de dólares em caixa [obtidos em parte como resultado, de acordo com a união européia, de seu lock-in sobre o mercado de plataformas de mesa] e as multas não vão fazer a empresa perder o prumo ou a capacidade de competir e, muito menos, atrasar [ainda mais] o lançamento de windows vista, que está destinado a mudar novamente a cena dos sistemas operacionais de mesa [e móveis e o resto, no futuro].

dinheiro não é mesmo o problema de uma empresa rica como a msft. mas há problemas muito difíceis de resolver por lá. uma pesquisa de itwire perguntou, depois da multa mais recente“Are EU antitrust regulators being overly zealous in prosecuting Microsoft?” o resultado?… 69.2% answered no, 30.8% answered yes. The clear implication is that more than 2 out of 3 readers who bothered to respond to the poll believe that Microsoft is getting what it deserves from EU regulators. mês passado, fêz-se uma pergunta sobre se a união européia deveria fazer algo contra a apple por causa do casamento itunes-ipod, que é um lock-in de fato [música vendida pelo itunes só toca no ipod]… “Should Apple be forced to make iTunes compatible with portable players other than iPod?” a resposta?… 56.4% answered no, while 43.6% answered yes. ou seja: 70% do público acha que a msft está levando porrada porque merece, enquanto só 40% acham que a apple deveria tornar o itunes compatível com aparelhos que competem com o ipod.

a beligerância com que a microsoft tem tratado a competição [e, certas horas, seu próprio público] é certamente uma das razões para tamanha desconexão entre a companhia e seus usuários. vale lembrar que mais de 90% dos desktops usam windows… logo são os próprios usuários que estão “julgando” e “condenando” a empresa. a microsoft é uma grande companhia. sempre foi. senão não teria chegado onde chegou e não contaria com a competência de tanta gente boa trabalhando nela, e com e para ela. mas é preciso entender os sinais do mundo fora de seus campi e salas de reunião e decisão. isso vale para qualquer empresa, da padaria da minha esquina até as maiores companhias do mundo. sem fazer um esforço diuturno para continuar merecendo o respeito e as transações de todos os elos de sua rede de valor, pra cima, pra baixo e pros lados, não há negócio que se sustente. taí a varig que não me deixa mentir [e a vasp e tantas outras, antes dela], e nossa previdência federal, que vai falir.

sem os corações e as mentes dos consumidores, não há reserva de caixa que sustente o futuro de uma companhia, por mais dominante que ela seja. a apple, uma das companhias mais fechadas de todos os tempos [no mercado de informática], sempre soube fazer isso. a msft não. parece que tá na hora de começar. se eu estivesse lá, estaria dizendo isso bem alto pros ouvidos que decidem. da mesma forma que digo no centro de informática da ufpe, c.e.s.a.r, porto digital… onde passo: clientes, usuários, parceiros, fornecedores… e até competidores, em muitos casos… todos são parte de nosso negócio. é bom, pois, cuidar de forma interessada, sincera e transparente da nossa relação com eles, para que estejam do nosso lado, de forma crítica e construtiva, quando precisarmos deles. senão a ladeira da vida da empreitada vai ser sempre muito mais difícil do que poderia ser com o “povo” do nosso lado…

kosmix: vem aí?

Tuesday, June 27th, 2006

altavista, na idade da pedra da internet, era o que de melhor se podia ter como engenho de busca. um dia, apareceu um certo competidor de nome idiota [descartado por muitos inicialmente, pelo nome, justamente, porque não era "sério"] que acabou, como se sabe, dominando o espaço de negócios de busca na web, apesar dos bilhões de dólares investidos pelos atuais concorrentes. ocorre que estes têm que competir agora; quando google começou, não era pra já, mas sim pra daqui a algum tempo. kosmix pode ser pra daqui a algum tempo também: sua tese central é a de que “um sapato serve para todos os pés” não é exatamente o que uma sapataria [web] deveria estar oferecendo no mercado.

kosmix já juntou, em duas rodadas de investimento, cerca de 25 milhões de dólares, o que o torna, como start-up, algo perto do que google era no mesmo estágio de desenvolvimento. e, saindo de uma busca especializada apenas em saúde [tente: seu médico pode ser pior do que os resultados da primeira página], já tem opções de finanças, vídeo games, viagens e política americana. a página de resultados usa uma técnica de clustering [classes de resultados] que a torna mais prática e útil, em um bom número de casos, do que as respostas de yahoo ou google. pode até não dar certo. mas promete. e minhas consultas médicas nunca mais foram as mesmas.

video POR todos

Wednesday, June 21st, 2006

você nunca esteve em youtube.com nem nunca viu um vídeo pela web. talvez você tenha estado em vênus até ontem ou, como a maior parte dos brasileiros [90+% de todos nós] não tem banda larga. no mundo civilizado, lá fora, as taxas de penetração de banda larga estão acima de 3/4 da população. breve, não será mais possível comprar acesso “discado”… com banda larga pra todos, blogs [de texto] viram vlogs [de vídeo], porque todos querem ter mais do que seus cinco segundos regulamentares de fama na tv [normal]… e o resultado é youtube servindo mais de 40 milhões de vídeos por dia… é muito? pelas contas do cnn/money, youtube poderia embutir anúncios nos vídeos que serve, cobrando aí por US$1 para cada 1.000 “views”, o que daria uns 15 milhões de dólares por ano, hoje. ruim demais para um negócio que tem o perfil de youtube, que nos estados unidos, onde banda é de graça comparada ao brasil, poderia estar gastando cinco milhões de dólares só pra servir vídeos. sem falar nos outros custos do negócio, como hosting, software, etc. o problema adicional, pra youtube, é que há setenta e três negócios como eles hoje, no mercado. menos de dez estarão vivos em um ano. quem há de sobrar?

enquanto isso, nós -aqui no brasil- estamos fora do jogo, não porque não temos idéias ou competências para implementá-las, mas porque não temos banda, e sem ela, usuários para os novos modelos de serviços e negócios que exigem altas taxas de transmissão de informação, com usuários sempre “no ar”. é mais uma janela de oportunidade que passa, na web, e nos dá, sem prestar muita atenção, um leve adeus… no fust, aquele fundo que deveria universalizar, agora, banda larga, pois a definição atual de acesso é acesso em banda larga, repousam, impávidos, mais de cinco bilhões de reais… temos a responsabilidade patriótica de descobrir como fazer com que tais recursos, nos próximos meses, ao invés de anos, conectem o país de verdade. em banda larga. senão estaremos fora do jogo. e por muito tempo… mesmo.

Technorati : ,

um vício chamado moola?

Monday, June 19th, 2006

website fácil de assinar promete… dinheiro a troco de… nada. eu sei, você já viu isso antes e este pode muito bem ser um a mais. mas pelo menos moola é adoravelmente viciante. trata-se de uma instigante forma de vender anúncios on-line [e uma em que o velho google ainda não havia pensado]. você abre uma conta e nela cai, grátis, um centavo. pra jogar um dos dois jogos que já existem no beta [contra outro humano que também está perdendo tempo, como você], é preciso assistir um comercial [os meus eram todos da dell...] e, depois, responder uma perguna sobre o comercial [e, se errar, ver o vídeo de novo pra descobrir a resposta]. isto feito, você pode apostar o que tem [tudo ou parte] contra outro alguém. e fazê-lo quantas vezes quiser, em joguinhos que duram algumas dezenas de segundos. um verdadeiro killer app dos jogos na web… e capaz de aparecer como uma forma de entretenimento em tv digital [veja o comercial {em um canal fechado, só pra comerciais}, responda uma pergunta {pra fixar o anúncio} e ganhe um centavo {a mais} pra apostar contra alguém que está caindo no mesmo lance...].

nao sei se vai pegar, mas vicia muito rápido e, afinal, trata-se de dinheiro de verdade. principalmente se você acreditar em dinheiro dado por uma companhia registrada em barbados e que tem, nos termos em condições do site, a seguinte ameaça, em juridisquinglês: …In order to ensure that your activities on this website are not considered to be gambling, you are not able to risk your own money or valuable property. This is why your account balance has to be legally worthless until we actually give it to you. If your account legally had value, there is a small risk that some government somewhere could unjustly claim that you are gambling even though you never deposited your own money into the game. While we realize that it may sound harsh that we have the legal right to pay you at our sole discretion, it is for your and our protection. Please understand that we want the website to be a fun experience that is available to all people who are legally permitted to play. We intend to pay you provided that (i) we are legally permitted to pay you, and that (ii) you do not breach this Agreement or our policies. We are not aware of any reason why we would be legally prevented from paying anyone who we allow to sign up an account. However, that said, the following statement establishes your agreement that your account balance has no value until we pay you…

ah, sim: também está escrito que tudo o que houver no beta pode ser zerado quando o sistema entrar mesmo no ar. dito isto, bem vindo, aposte e divirta-se!

Technorati :
Del.icio.us :

ozzie who?…

Saturday, June 17th, 2006

olhando pra nota anterior, talvez você não saiba quem é o cara [ray ozzie] que vai assumir o espaço de bill gates como chief architect da microsoft. pois tá’qui uma excelente análise dele, e da situação da msft, feita por smartmoney… que acha que ele tem uma boa chance de fazer com que uma microsoft 2.0 tenha o mesmo brilho que a companhia teve nos seus dias de glória…

kill bill?

Thursday, June 15th, 2006

bill gates anuncia que começa a deixar a microsoft; o plano de transição de dois anos entra no ar já; ray ozzie assume imediatamente como chief software architect e craig mundie é o novo chief of research & strategy. e não é primeiro de abril… deve ser por isso [e outras] que ozzie não tem tempo pra atualizar seu blog desde o… primeiro de abril. steve ballmer continua como ceo. o anúncio causou uma leve subida nas ações da microsoft [0.9%], que estão levando pancada em wall street desde o fim de abril, quando a companhia anunciou que iria usar vários bilhões de dólares[a mais] do lucro para radicalizar o combate a google, yahoo, amazon e e-bay. problemas de incumbente: o quase monopólio da microsoft tem um preço, pago em lealdade a seus antigos [às vezes muito antigos] clientes. a companhia não pode simplesmente mandar todo mundo trocar windows xp por um “beta qualquer”. não dá. simplesmente não dá. o que significa custos de arrasto muito grandes… uma espécie de custo de “ser” uma microsoft.

gates sempre teve competência [e sorte] em fazer algo que poucos dirigentes conseguem: elicitar [dos ditos e não ditos do mercado] uma estratégia emergente para a microsoft, permitindo que a empresa, gastando alguns poucos bilhões de seu caixa, sempre chegasse à frente dos adversários, mesmo saindo muito depois. no caso de vários deles, causando inclusive a destruição do oponente e seu dna, para sempre. desta vez [sempre há um desta vez...] a maioria dos analistas concorda que a microsoft tem problemas demais e que o número de frentes de competição é tão grande que o controle [maior ou menor, mais maior do que menor] de centro [e de gates?] sobre o resto da companhia tem afetado seriamente sua capacidade de, senão antecipar tendências, pelo menos segui-las tão rapidamente como no passado. ballmer, ao timão, avisa que “só precisa de 5 anos” e alguns bilhões [a mais] por ano para chegar nos lugares e nas marcens de lucro onde hoje está a concorrência. os acionistas aguardam, algo impacientes. o caixa está lá, os técnicos estão lá, o ânimo parece estar lá… só falta o mercado esperar…

se eu estivesse na foto [na foto acima, de hoje, em redmond: gates, mundie, ozzie, ballmer]: transformaria a microsoft numa holding, separaria o que hoje são meras divisões [e, em casos, produtos] em várias companhias [completamente] diferentes [e com dinâmicas idem] e partiria pra adquirir propriedade intelectual e, principalmente, gente, que estivesse construindo a web 2.0 -a informaticidade- de daqui a 5 anos. ballmer & co. não parecem acreditar que innovation happens elsewhere. mas numa companhia do tamanho da microsoft, é a pura verdade. aliás, é verdade numa companhia do tamanho de google, também. basta ver quanta coisa [ruim, boa e mais ou menos] eles compraram recentemente. mas eu não estou na foto; nem scoble, by the way, está mais. quanto mais eu, que nunca estive…


WoW: mais um monopólio à vista?

Friday, June 2nd, 2006

world of warcraft, o jogo na rede, multiplayer, da blizzard, já tem mais da metade de todos os assinantes de jogos on-line da terra. no total, os jogadores do planeta ainda são poucos, ao redor de 13 milhões, possivelmente contando, em duplicata ou mais, gente que tem tempo pra participar de mais de um. mais de 90% do mercado é RPG e, se juntarmos wow, lineage 1 e 2, os três têm 75% do mercado. oligopólio à vista? talvez… um rpg [como wow e lineage] é um ecossistema; pessoas assumem papéis e interagem com outras pessoas em outros papéis, a troco de alcançar objetivos nem sempre assim tão vagos… pois há gente que diz viver disso e parece que a máfia chinesa emprega escravos-jogadores pra vender os bens virtuais por eles conquistados em e-bay!…

o que torna uma ecologia interessante é a sua diversidade e intensidade e, numa mesma ecologia [virtual, onde não problemas de escassez de espaço ou recursos], quando mais gente, e quão mais diversa, melhor. o efeito de rede, aqui, é conhecido como winner-takes-all: quanto mais jogadores num ambiente, mais jogadores vão pra lá, o que atrai ainda mais e, no fim, quase todos estarão lá. neste sentido, windows é um destes winner-takes-all [com mais de 90% de todos os pcs rodando o sistema operacional da microsoft].

no fundo, no fundo, há pouca gente jogando on-line. treze milhões é menos de 2% da internet, responsáveis por um mercado de US$2 bilhões ano passado [e que pode chegar a US$6.8B em 2011]. o mercado de software, no mundo, ano passado, foi de US$600 bilhões… faça as contas. mas faça outras contas, também… e se uma empresa brasileira tivesse 15% do mercado de jogos on-line, hoje? resposta: ela, sozinha, faturaria tanto quanto a soma de todas as exportações de software do país em 2005…  e isso pode ser pouco: há quem fale de mais de 80 milhões de jogadores on-line, só na china, em 2010! pra chegar lá, é só pensar alto, no mercado mundial, ao invés de, como quase sempre fazemos, olhar só pro nosso próprio quintal.

rumores, office2007, ODF, previsões…

Thursday, June 1st, 2006

uns quinze anos antes de mark twain morrer de verdade, o que de fato aconteceu em 1910, pelo menos um jornal americano publicou que o grande escritor tinha se mandado desta para a melhor. samuel langhorne clemens [o verdadeiro nome do gênio] declarou a outro jornal que… “Rumors of my death have been greatly exaggerated”… ou seja, o boato da minha morte é um baita exagero… entra ano, sai ano, e ainda por cima a cada atraso da microsoft [o que não é raro], parte da comunidade de informática, especialmente a que está por trás de outras ferramentas de escritório, abertas ou fechadas, decreta que office, o carro chefe de produtividade corporativa do planeta, vai morrer em breve. muito breve, se a gente acreditar em certas fontes.

office 2007 beta está disponível para quem quiser testar. primeiro, é preciso passar pelo crivo de várias páginas e formulários, num processo longo e confuso como só a microsoft parece saber fazer. depois de tudo preenchido, haja banda pra trazer 440 megabytes pra casa. sem banda larga, tchau. não dá. no primeiro dia, 200 mil pessoas foram até redmond, na web, e copiaram a coisa pros seus drives, algo que espanta qualquer um. será que este povo todo tem algo a dizer de volta, pra msft melhorar o produto? ou é só curiosidade sobre como o padrão de fato das suites de escritório vai ficar no fim do ano, quando for lançado de verdade [se não atrasar?...].

microsoft office é [parte de] uma plataforma de compatibilidade. estradas, carros, mecânicos, postos de gasolina, ruas, garagens… são parte da plataforma de compatiblidade de transporte privado. pense em mudar isso e comece a imaginar as dificuldades: a vasta maioria das pessoas que anda de carro nem pensa em ir de ônibus e “o sonho” da maioria absoluta de quem usa ônibus é ter o seu carro, também, pra aumentar ainda mais o caos nas nossas urbes. a plataforma de compatibilidade “carro” só vai mudar radicalmente frente a alguma catástrofe de grande porte. no caso de software de produtividade, o prospecto para a plataforma office é parecido, e não vai ser pirataria que há de mudar o cenário. porque pirataria é parte do processo educacional: em casa, pirata, no escritório [se o escritório não for informal e for visível], licenciado.

mas parece que, algum dia, office, e a microsoft inteira, vão ter que abrir-se para o mundo; no caso de office, tratar documentos que codificados em padrões abertos acordados por muitos, como ODF [open document ] pode vir a ser mandatório para continuar no mercado. a organização internacional de padrões [iso] tornou ODF o padrão XML para codificação de documentos no começo de maio e a sun, ibm, adobe e outros têm mais uma vitória do campo de padrões abertos a cantar. massachussets [aka peter quinn] já tornou mandatório o uso de ODF [antes da decisão da iso] e chuta-se que 50% do governo e 20% das corporações forçará o uso de ODF ao redor de 2010. office 2007 usa xps, um formato próprio [em xml] da microsoft.

há padrões iso [como o OSI] que deram errado no passado. mas a organização aprendeu muito e ODF leva jeito, e muito, de coisa que vai dar certo ainda dentro desta década. a msft, parece, está perdendo tempo [como a ibm perdia no passado, enquanto era monopólio] ao tentar impor “seus” padrões ao mundo; melhor seria partir para a disputa no campo das aplicações, onde seu poder de fogo é imenso, mas não totalitário. redmond poderia recompensar a boa vontade de seus usuários, 200 mil dos quais aparecem no primeiro dia pra testar um download de 440 mega, abrir-se para um mundo de, pelo menos, padrões verdadeiramente abertos e competir de fato, ao invés de tentar monopolizar. não só não custava nada, mas era também capaz de economizar dinheiro e tempo que se perde em tentar fechar espaços competitivos e, no topo, era capaz de gerar ainda mais dinheiro pra companhia. algo, um dia, vai mudar aqui.

à medida em que a rede se distribui e o poder passa pras pontas, os poucos centros que hão de sobreviver não são aqueles que ditam regras, mas os que entendem desejos e realizam expectativas. se você, aliás, tá criando uma companhia ou produto hoje, pense nisso: o mundo mudou e não é você que está no comando, mas seus clientes e usuários. se isso for, só, uma frase bonita no site de seu negócio, a gente se encontra -pra lamentar- depois da falência…

[ps: office 2007 beta é mesmo uma variante bem mais resolvida e elegante de office; coisa de gente grande, rodou legal no meu laptop, destruiu pouca coisa ao redor [o que não é mau pra um beta], tem funcionalidades muito interessantes na interface, roda acoplado com windows live e… só dançou de verdade quando pedi pra ler uma apresentação -em office 2003- que tinha fontes OpenType dentro. ah, sim: quando desinstalei a coisa, ela matou também meu office 2003, que precisou ser instalado do zero. se você não está afim de trabalho, não teste betas…]

eita! o mercado encolheu…

Thursday, May 25th, 2006

imagine que você vende [ou melhor, vendia] uma foto de qualidade por 100 dólares. antes da internet e de mercados virtuais de imagens, claro. hoje, com muita sorte você vai vender a mesma foto por US$1, a menos que suas lentes tenham a fama alcançada por um helmut newton, que por si só “tem” um preço. independente da foto. quando um número muito grande de fornecedores, com mecanismos radicais de distribuição [internet rápida, engenhos de busca, mecanismos de pagamento...] à mão, aparece no mercado de imagens, se você não é um newton, seu mercado acaba de encolher. os 100 que você ganhava por foto viraram 1, para todo mundo. os 99 de diferença sumiram, ninguém os verá jamais. ao mesmo tempo, seu mercado acaba de crescer: estudantes secundários comprarão fotos suas, de boa qualidade, para trabalhos escolares. por 1, dá; por 100, nem pensar. a este mecanismo econômico, a wired está dando o nome de crowdsourcing: um monte de gente, “sem nome”, vendendo o que sabe [e gosta] de fazer, numa economia informal em rede, em larga escala. pra muita, mas muita coisa mesmo.

inovações radicais, de ruptura, arrasam barreiras à competição e forçam, sempre que o novo entra em contato com o velho, a perda da receita e da margem do segundo para um novo, e normalmente muito mais baixo, nível de remuneração do primeiro. é a comoditização das [outrora] especialidades. mas muitos negócios se apegam a suas velhas receitas, margens e modelos de negócio. e se afogam, no mar revolto da inovação, agarrados neles, ao invés de fazer um severo regime de adaptação aos novos tempos. exemplo? as teles e voz-sobre-IP [VOIP]. voip não é uma nuvem passageira, até porque as teles têm toda sua infra-estrutura implementada e operando, muito bem obrigado, sobre IP. seu tráfego de tudo é sobre IP. voz inclusive. a diferença, entre elas e nossos telefones é que, depois da digitalização de toda plataforma de lá, do lado de cá ainda somos cobrados como se o sistema fosse analógico, por tempo de conversação. como, se tudo, do lado de lá, são pacotes?…

algumas operadoras começam a acordar [tomara que dê tempo para atingirem consciência plena antes do fim...] e levar a sério a competição de VOIP e de skype, que tem, para a china [qualquer celular!] a tarifa de 5 centavos de real por minuto… quando há operadoras “normais” cobrando 100 vezes mais. há muito, muito mesmo, nenhuma delas vê nenhum dos meus tostões. quanto mais gente descobrir que o mercado encolheu, melhor será para todos, e principalmente para os “novos” incumbentes… até que, não mais que de repente… eles sofrerão da mesma síndrome, daqui a alguns anos, de achar que o mercado só se expande. e é verdade: só que, às vezes, cresce por encolhimento…

software: argentina encosta no brasil

Tuesday, May 16th, 2006

argentina: levando a sério a exportação de software
a cessi, associação argentina das empresas de software, avisa que vai exportar, este ano, US$290 milhões, mais ou menos o mesmo que se espera da performance brasileira, segundo os dados do observatório do softex. alias, 80% da nossa exportação é feita por empresas estrangeiras baseadas no brasil. imaginem pra onde vai a margem de lucro…

pode até parecer curioso, mas os argentinos têm o brasil como um de seus mercados-alvo. como pode? ocorre que, no plano deles, o governo está retornando, em crédito fiscal, 70% das contribuições patronais [clt+inss] sobre o trabalho e perdoando 60% do IR das empresas que investem em pesquisa na área de e/ou que exportam produtos e serviços de software. aí… eles são competitivos até dentro do nosso mercado…

brasscomaqui, muito se falou, pouco se fez: o setor continua tão desamparado e como sempre esteve, apesar de haver uma “política industrial” para ele. a boa nova é que parte dos empresários resolveu transformar a variável governo em uma constante e está tentando enfrentar o mercado como pode… através de alianças como a brasscom. a politec, uma das associadas, tá no noticiário internacional, ganhando contratos. vamos ver como o efeito, sem as condições ambientaisdos outros competidores, escala.

olhando longe e atacando de fato os problemas que têm que ser resolvidos antes de dar um salto no setor de software, a argentina espera exportar US$1 bilhão em software em 2014. é capaz de chegarem lá, até porque estão tratando o problema profissionalmente, incluindo o estímulo à formação universitária em software! aqui, parece que vai aparecer um “catálogo” dos cursos “de tecnologia” lá no site do mec.

o fato é que o brasil é um gigante adormecido: há uns quinze anos que se tenta mostrar ao poder central os benefícios que um setor de software pujante poderia ter na economia, tanto direta como indiretamente. mas nada de concreto, de impacto duradouro, foi feito nesta década e meia.

índia: mudando muito rápido para o brasil acompanhar?pra citar o exemplo de sempre, que tal ver o impacto de software na economia indiana? quatro das cinco empresas que mais geram renda na índia já são de software: wipro, infosys, tcs e satyam, pagaram sete bilhões de reais em salários em 2005, contra praticamente zero há 15 anos. a tata steel, que esteve no primeiro lugar do ranking por décadas, está fora dos dez primeiros lugares. nova economia é isso aí.

depois de levar gás da bolívia, seremos ultrapassados pelos argentinos. parabéns para eles, competência é pra ser comemorada mesmo. choro e vela pra nós, quando o assunto for mudança na infra-estrutrua nacional de competitividade, e salve-se quem puder.