Archive for the 'web economy' Category

google 1 X yahoo 1. microsoft 0.

Saturday, April 14th, 2007

google comprou doubleclick, de dois fundos privados, por US$3.1B em dinheiro vivo, tirando a microsoft do jogo [parece que redmond queria pagar US$2.xB]. google pagou o dobro da conta de YouTube. a doubleclick faturou US$300M ano passado e havia sido comprada, em 2005, por US$1.1B. o alvo não era só redmond e mas também yahoo: google não tinha [até ontem] uma rede de servidores de banners [sim, banners], a prática do negócio e seus clientes.

agora tem. o que vai fazer com isso é outra história. pode haver conflito entre seus modelos de negócio para anúncios. google pode querer tirar as agências de publicidade do jogo de uma vez por todas, e pode haver confusão entre os acionistas… pois eric schmidt prometeu, em março, que iria usar os recursos da companhia de forma “responsável” [desde quando pagar 10x é responsável, neste caso?]. o fato é que agora google pode competir com yahoo na mesma plataforma de anúncios. e a microsoft fica ainda mais distante.

mas a corrida ainda não acabou. façam suas apostas… apostem também quando google vai ser processado, por monopólio, em alguma destas coisas, como anúncios na web, onde está eliminando toda a competição.

quem vale mais [um ano depois]?

Thursday, April 12th, 2007

imagine que você tivesse dinheiro, com D maiúsculo, há um ano. suficiente pra botar um milhão, verde, na bolsa, com o propósito específico de comprar para vender. se houvesse CINCO escolhas [apple {aapl}, google {goog}, microsoft {msft}, yahoo {yhoo} e a “velha” vale do rio doce {rio, o que mais poderia ser?}] você botaria seus nem tão minguados dinheirinhos em qual delas? assim para, com o resultado, comprar DUAS ferrari scaglietti, um lambo gallardo e ainda sobrar um troco?

pense, por favor, antes de clicar na resposta [dinâmica e válida, obviamente, à época deste post…]. o resultado poderá lhe surpreender. se você estivesse comprando para guardar e viver do retorno das ações, o resultado seria outro. mas aí era, também, outra conversa…

virtual worlds 2007…

Tuesday, April 3rd, 2007

pesquisa mundo virtualtrecho de um painel em vw2007 [Virtual World Consumer Behaviors and The Evolution of Social Networking - How to Plan for it], relatado por tony walsh: 1. Second Life received 12M usage hours in February, with 7B Linden Dollars in transactions. 45% of users are from the USA, 55% international; 2. People in There project their real selves rather than an ideal self… Users are projecting their identities through brands; 3. Brand planners and marketers have to seriously engage the virtual world before seriously engaging virtual-world residents. We are using virtual worlds to retribalize.

sobre o último ponto, entre neste site pra pegar um relatório sobre os pioneiros do second life, onde você vai descobrir que 52% da galera usa entre 2 e 8 horas de internet por dia e 14% está na rede 12 ou mais horas/dia; 18% estão no second life entre 6 e 10 horas por semana e 14% estão lá por 40 ou mais horas por semana. ou sejam, moram por lá mesmo. os dois mais importantes temas de pesquisa entre os consultados [o painel tinha 550 pessoas] são desenvolvimento de produtos [19%: como fazer isso nos mundos virtuais?] e preocupações e problemas sociais [14%: como os mundos virtuais vão se desenrolar?] e o interesse primário de 29% é explorar e experimentar o universo virtual, enquanto apenas 4% estão lá para “jogar”.

este último dado é interessante: mundos virtuais estão sendo aparentemente levados a sério por quem está lá e por empresas aqui fora. o relatório da social research foundation é intitulado, não por acaso… how you company can develop real value in a virtual world. mesmo? cuidado… nós já falamos disso aqui antes.

10 anos de blogs: a [r]evolução da expressão

Sunday, April 1st, 2007

os blogs fazem dez anos neste abril [este aqui fez um ano em março!]… meu texto analisando o assunto, no G1, começa assim…

Maio é o mês das noivas e abril é o mês dos blogs. Há dez anos, num dia de abril, Dave Winer começou a publicar um diário em rede que viria a ser considerado por muitos o primeiro blog. Claro que ninguém nunca saberá exatamente quem foi o primeiro, até porque muitos dos milhões de usuários que tinham páginas na web em 1997 publicavam coisas que pareciam com o que hoje nós chamamos de blog. À maioria daqueles “sites”, porém, faltava interação, a possibilidade do leitor dar sua opinião no rodapé do texto do autor, transformando cada entrada em uma discussão. Mas tudo bem: quase a totalidade dos blogs de hoje também não tem interação, seja porque a audiência não se interessa em comentar ou porque o autor não se interessa ou não tem energia para manter um diálogo com seus leitores.

vá lá ver. será um prazer…

internet vai virar “programação”?

Monday, December 4th, 2006

está circulando no congresso um projeto de lei que vai tentar regular o “conteúdo nacional” nos meios de comunicaçao, incluída aí a internet. trata-se do projeto de lei 4.209, de 2004, do deputado luiz piauhylino, cujo substitutivo -do deputado nélson marquezelli- acabou de passar, sem emendas, pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara. até aí, tudo bem. o problema é que o texto trata de [no artigo 1]…

  • Programação e provimento de conteúdo: é a atividade de seleção, organização ou formatação de conteúdo para canais, sítios em redes interligadas de computadores ou qualquer outra modalidade de apresentação de conteúdo, bem como a sua oferta ou disponibilização para posterior distribuição a usuários através de qualquer meio eletrônico, próprio ou de terceiros, incluindo aí a definição de condições de sua exploração comercial e de interatividade, e a venda de publicidade

e diz que…

  • Art. 2º A produção e a programação e provimento de conteúdo nacional a ser distribuído por qualquer meio eletrônico e independentemente das tecnologias de que faça uso, somente poderão ser explorados por brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou por pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras, nas quais ao menos 70% do capital total e do capital votante deverão pertencer, direta ou indiretamente, a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos.

não vou nem dizer aqui, agora, minha opinião sobre o assunto. voltarei ao assunto em breve. mas -como o pequeno exemplo acima deixa antever- há um grande número de perguntas que deveriam estar sendo feitas sobre esta proposta de legislação, antes que seja tarde. para mim, é preocupante que esteja passando por comissões da câmara, aparentemente sem debates e emendas…

bill gates na rússia: falta gente em TI

Tuesday, November 7th, 2006

gates diz, em moscou, que falta gente de TI no ocidente. falta gente, na verdade, em todo lugar. o insumo fundamental da sociedade da informação é cérebros, educados, preparados para pensar em problemas complexos e entregar soluções de boa qualidade e performance na lata, sem piscar. quem tiver mais e melhor deste povo, leva a copa do mundo da economia do conhecimento pra casa e, com ela, os grandes prêmios de trabalho e emprego, geração de renda e riqueza, criação de novos negócios… em suma, daí é que vão sair os verdadeiros países do futuro. os outros serão produtores de commodities, ao sabor da intempéries e dos mercados. e da incompetência de não haverem se preparado para o futuro.

start-ups: the start and… the end?

Friday, October 27th, 2006

se você estiver começando um negócio e pensando em apresentar suas mal traçadas idéias pra alguém que você acha que vai lhe ajudar, t’aqui uma boa regra: a 10/20/30 de guy kawasaki. pelamordedeus, não apareça numa apresentação sobre seu negócio usando 50 transparências; a regra é sobre isso. você não precisa segui-la à risca, mas ao fugir dela, seja preciso e criativo, sem ser chato ou detalhado demais.

a segunda coisa que você deveria saber é… porque seu start-up vai dar errado? paul graham tem uma lista muito boa, explicando direitinho porque você vai falir [e eu concordo com quase toda a lista de 18 pontos dele]. verifique cada ponto e tenha pelo menos uma desculpa muito convincente se você cair em um caso que seja. antes de sair falando que seu negócio é realmente radical, olhe ao redor e considere o que os outros estão fazendo [ou pensando em fazer] e, principalmente, se não há ninguém tentando algo parecido com o seu em outra situação geográfica, de mercado e investimento muito mais favorável….

se você conseguiu apresentar seu caso com sucesso e [acha que] não vai falir, é bom pensar em marketing: ter tecnologia é apenas a condição necessária -mas não suficiente- para se começar um negócio e quem vai trazer os cobres pra casa são as vendas. john dodds tem uma lista de 10 pontos chamada geek marketing 101 que certamente vai lhe ajudar muito. na minha experiência de dez anos com start-ups, quase nenhum nerd com idéias geniais faz a menor idéia de como vender nada: acha que os usuários teriam que ficar naturalmente loucos por sua tecnologia, de tão boa que é.

mas isso não é tudo: a kleiner perkins [um dos maiores movimentos de capital empreendedor no silicon valley] tem outra lista, de 7 regras mágicas que seus start-ups têm que seguir [no caso deles, você tem que passar por 5 delas]. vá lá ver quais são… a primeira é crie valor instantâneo para o usuário: resolva alguma coisa ou crie valor no primeiro uso!

criar um novo negócio vai demandar muito de qualquer um que seja tentado a tal aventura; o caos na vida pessoal é invevitável e torna-se essencial ter algumas regras básicas de como viver no mundo conectado, talvez reprogramando sua vida. cada um cria suas regras, claro, mas o economist tem umas idéias pra você ser mais produtivo on-line, como decretar “dias verticais”: desligue-se da web, emeio, telefone e todos os meios de comunicaçao e dedique-se, por um dia inteiro, a um projeto importante.

taí: você passou pela apresentação, arranjou investidores, não vai falir, sabe fazer marketing e vender e, como se não bastasse, seu produto, processo, serviço ou negócio ainda serve pra alguma coisa e você não vai se auto destruir no processo! agora, é só preparar a primeira oferta pública de ações… e se tudo correr bem, ficar rico. e, depois, passar pro outro lado da mesa e ver se os criadores potenciais de empresas de tecnologia passam pelos crivos que você passou e outros, mais radicais, que farão parte do repertório do futuro. a vida, como se sabe, sempre fica um pouquinho mais complexa a cada dia…

aos poucos, lá vai o fust…

Thursday, October 26th, 2006

desde o final de 2005, as operadoras de telefonia fixa já recolhem a contribuição do fust [fundo de universalização dos serviços de telecomunicações] em juízo, o que se conseguiu com liminar na justiça federal “…até que o governo defina a utilização dos recursos”, que teoricamente formam uma montanha de mais de R$5 bilhões de reais em algum cofre em brasília. o fust é aquele fundo que deveria, como o nome diz, universalizar os serviços de telecom no brasil mas que, por motivos vários, nunca saiu do lugar, apesar da montanha de dinheiro ter sido recolhida das nossas contas telefônicas [1% de tudo o que você usa e paga, de telefonia, vai para lá].

agora, a net [tv paga] e suas afiliadas também conseguiram uma liminar para depositar o fust em juízo, enquanto se discute a propriedade ou não do pagamento, cuja legalidade, para o caso das tvs, é questionado em seus fundamentos pela empresa. enquanto isso, o ministro hélio costa diz que serão gastos uns 700 milhões de reais do fundo até 2010. nem parece que só temos 10% da população na internet, enquanto a malásia e o chile têm 40% ou mais.

qual o problema? não se consegue usar o fust nem para aumentar o acesso da população aos serviços de telecomunicações. e internet, legalmente [aqui no brasil], não é serviço de telecomunicações e sim de de valor agregado às telecomunicações. que diferença isso faz? já fez toda a diferença do mundo, no começo dos tempos da rede, quando a embratel [ainda estatal] queria ser “o” provedor de rede do brasil, a “internetbrás”… e a internet, ficando fora da alçada das teles, criou toda uma indústria de provimento de acesso no brasil. na verdade, criou a internet no brasil, coisa que uma estatal ineficiente e centrada nela mesma jamais teria feito, no tempo e escopo em que foi.

o problema real, agora, é que voz, dados, imagem, som… estão todos na mesma plataforma, e tal infra-estrutura é IP, o protocolo internet, rodando dentro das teles, entre as teles e quem tem banda larga, ou sobre linhas discadas, sem intermediação [na prática] de provedores de qualquer tipo. e mais, isso rola também nas redes de tv a cabo, que têm telefonia e internet em todo canto… o que as torna muito pouco diferentes de uma tele [se eu fosse o juiz… eu diria que a net “é” uma tele…].

eu ainda tenho duas contas de “conexão” digital com o mundo: tv via satélite [minha região da cidade não tem cabo] e uma conta quase convergente de telefone fixo, móvel e internet. esta última poderia ter tv também, o que me faria ter uma conta só [internet de verdade é inviável via satélite… é a alternativa onde não há nenhum outro meio].

o resultado é que, se nada mudar, teles e tvs [e quem mais está pagando o 1%] acabarão derrubando o fust na justiça, de vez, talvez usando aquele argumento básico que, de tão brasileiro, parece brincadeira: o fust não pegou. a lei de telecomunicações, tão boa para sua época e de resultados revolucionários para a infra-estrutura nacional, caducou. não representa mais o cenário atual e muito menos o desejado para as comunicações no brasil. é preciso ter a coragem cívica, logo no começo do próximo governo, de enfrentar uma ampla e irrestrita revisão do marco legal das telecomunicações. antes que seja muito tarde e percamos tudo o que conseguimos até agora… pela simples obsolescência das relaçõesvde mercado e negócios impostas na lei.

jogo arriscado… para todos

Tuesday, October 3rd, 2006

congresso americano aprova legislação proibindo pagamentos a sites de jogos de azar [de apostas] fora do país. empresas mundiais do setor, centradas em londres, entram em pânico. no primeiro dia depois de aprovada a legislação, algumas perderam mais de 50% de seu valor na bolsa, como a partyGaming, que tem mais de 70% de seus clientes nos eua, maior mercado mundial de muitas coisas, incluindo jogos de azar [na rede, um mercado de US$12B anuais].

a proibição visa combater piratas que estão na rede para enganar os incautos e tem uma boa pitada de hipocrisia puritana. afinal de contas, las vegas, atlantic city e as reservas indígenas estão lá pra quem quiser jogar… o que me leva a pensar qual foi o papel destes mega-centros de jogos de azar [físicos, você tem que ir lá para jogar] nesta legislação, que reforça sua reserva de mercado [por que será que quase todo mundo quer uma reserva de mercado?…] e sob que “tipos” de pressão certos congressistas estavam. não é só por aqui, afinal, que temos casas legislativas que funcionam, em muitos casos, em funções de interesses impublicáveis.

um efeito colateral da lei é que os eua, “campeões” da defesa das liberdades da internet, estão agindo, neste caso, para controlar o uso da rede pelos seus cidadãos, proibindo-os de fazer [em condições que poderiam ser-lhes possivelmente mais favoráveis] em sites fora do país o que podem fazer em certas partes dos eua. pode ser um mau exemplo. daqui a pouco, alguém aqui no brasil pode inventar que não podemos mais pagar dólares para comprar na amazon… e teremos uma guerra dos mundos com cada país criando suas pequenas e grandes reservas de mercado. elas nunca deram certo, no longo prazo, e há muito poucas razões para que venham a dar, sem que sejam parte de uma política bem mais sofisticada do que o puritanismo e protecionismo que parecem ser o caso neste evento.

impressões REALMENTE digitais

Thursday, September 21st, 2006

você anda por aí, na internet, vendo isso e aquilo, clicando aqui e acolá, deixando seu rastro, sem saber [ou sem estar plenamente consciente] que, por onde você passa, há informação sendo recolhida sobre seu comportamento. pesquisadores de wharton e uc.davis acabam de publicar um artigo [completo, aqui, em pdf] defendendo a tese de que é possível, e bastante provável, identificar usuários individuais a partir de sua “assinatura”, ou seja, seu comportamento on-line, com uma alta margem de confiança no resultado. um artigo comentando o paper, para leigos, está aqui.

os autores do artigo, Padmanabhan & Yang, que trabalharam com o comportamento de 50.000 usuários, mostram que 13 sessões de uso da rede são o suficiente para identificar um usuário, neste lote, com 94.5% de certeza; para 51 sessões, a certeza é de 99.5% de que encontramos quem estávamos procurando. ou para quem estamos tentando inserir um anúncio na página ou emeio. no segundo caso, a operação pode ser “do bem” e o usuário pode até gostar; afinal, estamos aumentando a chance dele ver anúncios de coisas que realmente lhe interessam, apesar de estarmos destruindo sua chance de ver algo que não lhe era dirigido e do que iria gostar. ou seja, os resultados podem ser [e já estão sendo] usados para tirar parte do controle que ainda temos sobre nosso comportamento em rede.

no primeiro caso, há evidências de que estados policiais [que estão pipocando no planeta todo dia] gostariam muito de ter tal tipo de tecnologia à disposição, para controlar a vida de quem quer que seja. além do mais, o clickprint de usuários individuais é de interesse para todo mundo que quer nos identificar, de lojas a ladrões, passando por provedores e cartões de crédito. sabendo, do lado de cá, que eles estão preparados para isso, resta-nos tomar as providências para manter nossa privacidade sobre tanto sigilo quanto consigamos. resta saber se nossas ferramentas e preparo serão tão boas quanto as deles

postura cômoda e complacente… de google?

Friday, September 1st, 2006

“(…) para vender serviços no Brasil a Google está presente, mas para colaborar na elucidação de crimes, não! Trata-se de postura cômoda e complacente com os graves crimes praticados no serviço Orkut por nacionais, e que não encontra respaldo no ordenamento jurídico brasileiro, além de refletir um profundo desprezo pela soberania nacional ao facilitar que se subtraiam da jurisdição criminal os brasileiros que utilizam o anonimato do serviço Orkut para cometer crimes de pornografia infantil e racismo”…

o parágrafo anterior é parte do despacho do juiz federal da 17a. vara cível de são paulo, josé marcos lunardelli, ordenando que google entregue dados que permitam a identificação de nacionais que estão cometendo crimes [segundo a lei brasileira] usando como ferramenta o site de relacionamentos orkut. a empresa americana tem 15 dias para cumprir a determinação judicial, sob pena de multa diária de R$50 mil.

uma semana atrás, o procurador de google no brasil, o advogado Durval Noronha Goyos Jr., dizia em público que a ação ajuizada pelo Ministério Público de São Paulo contra a filial brasileira da companhia era um “disparate total e absoluto“. vai ser interessante observar o que acontece agora. o Estado brasileiro, muito competente em seu afã de extrair da população uma das coletas de impostos mais altas do mundo, tem sido muito pouco eficiente em proteger os interesses nacionais, como ficou patente no caso da nacionalização dos “hidrocarbonetos” na bolívia, onde faltou pouco pra mandarmos uma missão que desse, aos bolivianos, ajuda para saquear os investimentos brasileiros naquele país.

em jogo está, neste incidente, a jurisdição nacional no tocante à deslocalização dos serviços prestados, num país, por empresas que usam meios eletrônicos para tal. é google, na vez, mas poderia ser sky/directv [afinal, os satélites que nos enviam sua programação não estão, tanto quanto os servidores de orkut, em território nacional]. o que deve valer pra google, orkut e qualquer outro operador de serviços de informação, na rede? ninguém sabe ao certo.

mas uma boa idéia do que pode vir a acontecer -pelo menos no brasil- vai derivar deste caso. se eu fosse google, iria até o supremo, como eles provavelmente irão. se eu fosse o ministério público -cuja argumentação, no meu entender, assim como o despacho do juiz lunardelli, é muito, mas muito boa-, não desistiria de jeito nenhum. de um lado e de outro aprenderemos muita coisa sobre os reais limites do que se pode ou não fazer com a rede no brasil.

até onde eu sei, nosso país nunca tentou restringir a liberdade de informação na rede. mas pedofilia e tráfico de drogas… passam um bocado do que qualquer pessoa minimamente instruída chamaria de “liberdade de expressão”… e seus perpetradores não têm qualquer direito ao tipo de imunidade que google lhes quer dar. ganhando, o brasil entra na classe da china, eua e países europeus, que têm algum mando sobre seu território. perdendo, viramos o paraguay, onde mandam todos…

descobrindo a pólvora…

Friday, August 18th, 2006

um painel da linuxworld, quarta passada, lotado de luminares da comunidade open source, acaba de descobrir a pólvora: linux precisa tratar multimídia e brinquedos como iPod transparentemente [para o cidadão comum de forma simples como windows e OSX [eric raymond]; a janela de oportunidade pra ganhar mercado desktop daqui até o começo de 2008, quando vista deve começar seu lock-in no mercado de sistemas operacionais [raymond, de novo]; linux não vai chegar a 10% nas economias ricas e vai ficar por uns 15% nos países em desenvolvimento [linux é muito importante, no terceiro mundo, porque é grátis: dirk hohndel]; nós estamos pregando para os convertidos e precisamos nos abrir pro mundo [ninguém menos do que john maddog hall]…

legal: antes tarde do que nunca. esta história de que venceremos porque somos melhores é conversa pra boi dormir. nenhum software [complexo e útil] que eu conheça ou tenha trabalhado com ele, desde 1973, tem vida simples. o ciclo de vida, partindo das expectativas dos [potenciais] usuários até o pessoal do suporte lá no frio dos data centers, é cheio de problemas, versões, bugs, configurações, falhas de segurança, o diabo a quatro. ter uma frente [ou melhor, uma retaguarda] única, como windows tem, simplifica umas coisas [há um número muito pequeno de windows xp…] e complica outras [como a influência que as políticas da microsoft podem ter sobre o mercado]. ter muitas frentes tem vantagens [como o número de soluções alternativas e específicas] e desvantagens [que tal escolher entre -e compatibilizar- mais de trezentas distribuições?]…

em suma: linux está debutando, aos 15 aninhos, no mundo real. e o mundo real é feito de escolhas reais, feitas por gente real, em instituições reais, para resolver problemas bem reais [de todos os tipos, inclusive um monte que nada tem a ver com o software] e não por burocratas isolados em gabinetes, pensando que detêm algum tipo de poder real. entender isso, pra quem está de verdade aqui no lado open source do mundo, é fundamental pra tratar o problema com a energia e objetividade que deve ser tratado e com tempo e recursos para tal. antes que seja tarde. demais.