Archive for the 'custo brasil' Category

é [mesmo] o fim da picada

Thursday, July 19th, 2007

vejam neste link do blog do noblat, num texto intitulado "Gestos obscenos celebram defeito no avião da TAM" [o vídeo que retrata um ministro e seu assessor comemorando está neste link ], o tipo de gente que está no governo. nem todos são assim, ainda bem. há razão e sentimento no país, e no governo também. mas este aí, de quem noblat fala, diz pra quem quiser ouvir coisas como… vamos agüentar essa tal de democracia… depois a gente toma conta… estamos, como se pode ver, muito bem de, digamos, assessores…

lá fora, também, tem gente apavorada com o estado de coisas no brasil. por aqui, a sociedade se organiza, e resolve, como pode: o superintendente do c.e.s.a.r proibiu colaboradores de voar para são paulo via congonhas [com passagens do c.e.s.a.r]. eu próprio já tinha tomado esta decisão. decolar de lá, talvez. aterrissar, nunca mais; tenho uma vida a viver, e ela não é uma loteria. se muita gente fizer isso, não por puro e simples medo, mas por dever cívico, é capaz de resolvermos um problema que governos sucessivos vêm varrendo para baixo do tapete há mais de vinte anos

apagão aéreo mata. de novo.

Wednesday, July 18th, 2007

foi uma tragédia anunciada. com muito tempo de antecedência. tanta informação e conhecimento sobre a impossibilidade da infra-estrutura aérea nacional lidar com o atual estágio da demanda por assentos e o número de vôos e absolutamente nada de concreto sendo feito. o resultado aí está. inocentes mortos. assassinados, na verdade, pela incompetência de quem deveria estar trabalhando justamente para garantir nossa segurança. o país está de luto. de novo. pela segunda vez em dez meses.

lúcia hippólito, hoje pela manha, na cbn, definiu muito bem o atual governo: segundo ela, trata-se de um presidencialismo de animação, onde o mais alto mandatário age como se discursos, opiniões e desejos, desacoplados da realidade nua e crua [às vezes cruel, como agora], fossem resolver problemas. minha impressão é que o presidente, como muita gente de todas as matizes em qualquer tipo de governo, acha que os problemas de um país do tamanho do brasil são simples, e basta um "entendimento" para que eles se resolvam. pois não são. e entendê-los, que seja, é muito mais complexo do que parece.

o número de mortos no acidente do 3054 [que eu costumava pegar de porto alegre a são paulo, quando estou por lá] pode passar de 200, depois de computados os mortos em terra. muita coisa vai ser discutida e -talvez- feita por causa do acidente. mas quer ver uma tragédia do mesmo tamanho, ou maior, porque cotidiana, que já parece "entendida", e que sofre o mesmo tipo de apagão da ação governamental? a cada mês, só em pernambuco [população: cerca de 8 milhões], mata-se mais gente do que no acidente do 3054 [entre 01/05 e ontem, foram mortas 877 pessoas]. só em junho foram 361 assassinatos. em média, 12 por dia.

como chegamos neste ponto, tanto na violência genérica quanto na específica, que derruba aviões? acho que fomos "deixando pra lá". nas ruas, era, no começo, os pobres se matando "e ninguém tinha nada a ver com isso". da mesma forma, a violência aérea matava nos garimpos do amazonas e, de novo, "ninguém tinha nada a ver com isso". acaba que tudo chegou às nossas portas e vidas e vôos e passeios de automóvel e à pé, no parque. o apagão brasileiro não é aéreo, apenas. é geral, genérico, pode matar qualquer um, qualquer dia, no aeroporto, no posto de gasolina, hospital, escola e estrada. mais do que em qualquer outro lugar, pra morrer, aqui, basta estar vivo.

e não vamos resolver isso com o tal presidencialismo de animação [que já começa a procurar culpados fora do governo…] muito pelo contrário, precisamos de muita ação, capacidade de decisão e de pessoas competentes e responsáveis onde elas são necessárias. este não é um país de idiotas. temos muita gente boa em todo canto e faceta da sociedade. mas precisamos, de uma vez, levar o brasil muito mais a sério do que estamos levando. ou então, de vez, botar marta "relaxa e goza" e guido "preço do sucesso" à frente das investigações do acidente do 3054. e depois, destacá-los para tratar para resolver o imenso, dantesco, problema da criminalidade no brasil. e deixar pra lá de vez, também, o futuro da nação.

acorda, brasil!

fora, renan!

Friday, July 13th, 2007

este blog é muito a favor da restauração da ética e da moral na condução de todos os negócios públicos. a representação popular, democrática, é um deles. chega de leniência. precisamos dar um basta à tolerância. entre várias outras figuras públicas aboletadas em cargos menores, o senhor renan calheiros não tem a menor condição de conduzir a mais alta casa de representação popular do país. é inaceitável que se trate a coisa pública com a desfaçatez que o atual presidente do senado vem demonstrando. precisamos de uma reforma muito ampla na política. e os políticos sérios deste país precisam acordar e se mover para fazê-la, antes que [tomara que não] outras forças da sociedade comecem, seriamente, a pensar em reformar o sistema fora do regime democrático.

pode não parecer, até porque a gente esquece rápido das coisas em pindorama, mas democracia é coisa recente por aqui. dos meus 52 anos, vivi a maioria numa mistura de princípios de golpismo, golpismo mesmo e ditadura. isso durou até 1985, mas o país só foi mesmo revisado em 1988, com a constituição de ulysses guimarães. quero viver o resto dos meus dias, sejam quantos forem, numa democracia, mas numa democracia de verdade. quero parar de pagar impostos só para que eles desapareçam em dinheirodutos de todos os tipos, com fins muito pouco republicanos.

o processo contra um presidente do senado que flagrantemente fere os princípios de conduta ética e moral do cargo não é uma investigação criminal como outra qualquer. é um processo político, e tem que ser tratado como tal. com tanta coisa para fazer, está aí o senado, que nos custa tanto, parado porque seu presidente carece de qualquer autoridade para conduzir qualquer tipo de discussão séria. nem parece que foram fuziladas quase três mil pessoas na violência carioca, no primeiro semestre e, em pernambuco, se produziu quase 800 cadáveres em apenas dois meses. o mundo se acabando e renan, qual impávido colosso [!], agarrado a seu cargo, que é também sua única defesa.

pois vai chegar -vai demorar, mas vai chegar- a hora em que o país vai reagir. não estamos pagando impostos só para sermos roubados. e a vasta maioria das pessoas deste país é de pessoas sérias, trabalhadoras e cumpridoras de seus deveres. alguma hora, mais cedo ou mais tarde, elas exigirão seus direitos, entre eles o de serem representadas por verdadeiros homens públicos, no exercício de suas funções, verdadeira e transparentemente, em todos os poderes.

tirar renan de onde ele está, agarrado em sua cadeira de presidente do senado, qual sanguessuga extraindo a energia da nação, seria uma demonstração de  seriedade absolutamente essencial para que se continue acreditando que é possível, sim, recriar um senado que represente a nação. está na hora de dar um basta. chega! pela restauração da ética e da moralidade na condução de todos os negócios públicos, já. antes que seja tarde e se deixe isso pra lá ou, pior, soluções anti-democráticas comecem a fazer parte da agenda.

[ps: a charge que ilustra este texto, de sinovildo, foi feita originalmente para o jornal nh.]

STBs: R$200 ou… R$600?

Tuesday, July 10th, 2007

o ministro das comunicações anunciou que um set top box [STB] para tv digital vai custar R$200. isso como se o governo decretasse preços. a indústria, que é quem deve fabricar aqui os STBs que não forem contrabandeados do paraguai, insiste que o preço mínimo de R$600, com alguns fabricantes anunciando que os seus estarão na casa de R$800.

segundo o ministro… “Eu acho inacreditável alguém falar de um conversor custando R$ 600,00, quando na realidade um televisor de 22 polegadas custa cerca de R$ 350,00”. ocorre, ministro, que toda a tecnologia de um televisor de 22" está amortizada, paga há muito, muito tempo. é só "imprimir" a coisa e botar no mercado. e o STB brasileiro, novinho em folha, vai ser o único no mundo que terá [por exemplo] um chip pra decodificar MPEG4, pois nós resolvemos ter tal tecnologia de imagem nesta geração de TVD, ao contrário do resto do mundo.

ou seja: o tamanho do mercado brasileiro é quem vai definir o preço do STB brasilero, que não terá as vantagens das economias de escala do resto do planeta. aliás, se nenhum outro país adotar o modelo japão+MPEG4, que nós escolhemos, ficaremos sozinhos neste mercado. no nosso mercado. qualquer semelhança com PAL-M não será, claro, mera coincidência.

mas o ministro pode ficar tranquilo. no país das prestações, o que vai definir quem vai ter um STB não é o preço, mas qual é a prestação. há muito que estamos transformando produto em serviço. um televisor que custa X [grande] mil reais não é um produto, mas um serviço de entretenimento pelo qual se paga y [pequeno] reais por mês. se um STB de R$800 "custar" 40 prestações de R$30… e se alguém resolver transmitir uma programação exclusiva só em formato digital [quem não tiver o STB não vê]… presto! está criada a demanda, o mercado… e o preço será irrelevante. desde que seja muito menor do que o de acesso real ao entretenimento que será transmitido exclusivamente em formato digital. à cabeça, pra começar, me vem futebol. que mais? façam suas apostas…

“feira do paraguai” na legalidade

Thursday, July 5th, 2007

em muitas cidades brasileiras há uma região apelidada "feira do paraguai", onde é possível comprar tudo o que existe do outro lado da ponte da amizade, principalmente produtos digitais, que são de maior valor agregado e fazem mais sentido do ponto de vista dos sacoleiros. e isso por preços que fazem sentido pros consumidores.

ocorre que a "profissão" de sacoleiro é ilegal. na verdade trata-se de contrabando puro e simples. ou tratava-se. em 29 de junho, talvez reconhecendo a incapacidade para cuidar do eterno problema da fronteira paraguaia, que é de fato uma região de livre comércio, o governo emitiu a medida provisória 380, que cria um regime especial de tributação [25%] para os produtos vindos do país vizinho e estabelece uma cota anual de importação [R$240 mil] por sacoleiro.

resta ver se estes dois números são suficientes para "organizar" a fronteira. a diferença de preço de um ipod de 4GB, entre o paraguai [menos de 500 reais] e o brasil [mais de 1.000 reais], é de mais de 100%, sem procurar muito. se os sacoleiros resolverem trazer só ipod e iphone, por exemplo, podem facilmente dominar o mercado nacional. o que seria, de novo, muito bom para os consumidores.

e isso nos obriga a fazer a seguinte pergunta: porque o brasil insiste em impostos de importação estratósfericos sobre produtos que não produz e que não tem a menor chance de produzir? até parece que alguém, em algum lugar, acredita piamente que o mercado nacional é importante o suficiente para a apple vir pra cá produzir ipods e iphones, só para consumo local. porque certamente o brasil não seria competitivo, hoje, como plataforma de produção para o mercado mundial. se fosse, os artefatos digitais que inundam o planeta estariam sendo produzidos aqui e não na china.  o brasil às vezes esquece que o mundo -e suas estruturas de produção- é realmente global.

manter o país fechado -com reservas de mercado, na prática-, acaba nos levando a camisas-de-força que acabam nos tornando ainda menos competitivos. não há, por exemplo, nenhum fabricante nacional que agregue valor à vasta cadeia mundial de acessórios para o ipod. isso porque a coisa sempre foi imoralmente cara por aqui. lançar produtos no mercado mundial, sem base local, é’muito mais difícil e caro… tivéssemos uma mp380 genérica, para tudo o que vem de fora, de qualquer forma, estaríamos participando de muito mais sistemas de negócio no mundo todo.

está mais do que na hora de uma certa galera, na esplanada dos ministérios e na avenida paulista, acordar para o simples fato de que não podemos competir, no mundo atual, tendo por base substituição de exportações e verticalização. ou fábricas, das antigas. se o problema é gerar emprego na área de TICs, por exemplo, eu tenho uma notícia bem recente: a nova fábrica da intel, na china, que custou US$1.9B para montar e tem outro tanto de isenções do governo chinês vai gerar… 100 empregos.

a nova fábrica de memórias da toshiba foi para o japão e a da samsung para os estados unidos. por que? como não geram empregos mesmo, o componente salário é muito pequeno. o negócio pode ficar em qualquer lugar. qualquer lugar onde o mercado esteja ou a partir de onde seja competitivo produzir para o mundo todo. o brasil não se encaixa em nenhum dos dois critérios.

que tal, de verdade, o brasil enveredar por educação de qualidade, no longo prazo, combinado com criação de oportunidades e empreendedorismo de classe verdadeiramente mundial para participarmos na primeira classe da economia do conhecimento? nesta primeira classe, pouco importa o quem e onde da fabricação. importa [e exporta!] sim, a descoberta, a inovação, as marcas e o marketing, a [re]criação das cadeias de valor, enfim, tudo o que nós parecemos estar ignorando mesmo enquanto "legalizamos" a fronteira com o paraguai.

é uma pena. contra tanto que poderia estar sendo feito, e agora, tão pouca imaginação e ainda menos ação e coordenação. na minha opinião, a mp380 é uma pequena gota de solução sobre um grande incêndio de problemas.

sem banda larga… sem internet

Tuesday, July 3rd, 2007

o brasil parece -ou é- o país dos apagões. procure ao seu redor e achará muitos, inclusive o da ética na política, sem falar na pura e simples incompetência de gestão e operação do tráfego aéreo. no meio do caos, olhe pro gráfico abaixo, feito pelo speedtest.net, que é usado por muita gente pra medir a qualidade de sua conexão à internet…

a média do mundo é perto de 3.5 megabit/s. a da américa do sul [quase sempre qualificada como ROW, "rest of the world", nas estatísticas mundiais] é menos de um quarto disso, perto de 800 kilobit por segundo. o brasil fica 5% abaixo da média do sub-continente e eu estou lá no rabo da gata, com uma média perto de 400kbps, metade do brasil. meu teste foi feito, claro, aqui no nordeste, onde as coisas sempre são mais complicadas.

mas isso não é nada. esta velocidade é média mesmo. como todas as conexões do brasil com o mundo, pela rede, estão estranguladas, tentativas de assistir uma conferência em vídeo, mesmo de baixa resolução, se o evento estiver ocorrendo fora do país, serão apenas… tentativas. nada mais.

o apagão de internet está aí, também. a venda de mais conexões ADSL, aqui, não está sendo acompanhada por investimentos minimamente necessários na estrutura nacional da rede e nas conexões que são necessárias, com o exterior, para que os novos entrantes na cena de banda larga possam realmente usar suas ligações caseiras. o resultado e uma banda larga "lenta", algo bem brasileiro, que existe ma non troppo.

sei de empresas que têm muitas dificuldades em fazer negócios com parceiros internacionais por causa da "desconectividade" do brasil. não é por acaso que andamos tão mal nos índices de e-readiness, pois o que eles medem não é puramente a parcela da população ou dos negócios na rede, mas a qualidade do serviço usado por quem está na rede. e tal serviço, no nosso caso, é simplesmente muito ruim.

há algumas propostas sendo discutidas, na seara governamental, para conectar escolas e municípios à internet. tomara que estejam tendo o cuidado, em todos os cenários, de lembrar que a internet não tem país, que o mundo é um ponto e que, do mesmo jeito que há gente em todo canto querendo ver coisas que estão em servidores brasileiros, há milhões de brasileiros querendo interagir com coisas que não estão aqui.

até porque o grau de empreendedorismo nacional, para criar novas aplicações e serviços, na rede, tem sido historicamente muito baixo. o que é só mais um dos pedaços do custo brasil, mas disso vamos tratar noutra conversa, pois que esta ja está ficando muito longa e, dada a estreiteza da banda larga nacional, tá começando a levar muito tempo pra carregar no seu browser…

precioso: glossário da sociedade da informação

Thursday, June 28th, 2007

a associação promoção e desenvolvimento da sociedade da informação [apdsi, de portugal] publicou em março um glossário de 160 páginas e mais de 500 entradas, [em .pdf] explicando [em português de portugal, mas perfeitamente inteligível no .br] o todo e as partes da internet e web. coisa bem feita, parabéns.

aqui em pindorama, não sei quem lembra, o programa sociedade da informação não conseguiu fazer a transição entre o segundo governo fhc e o primeiro lula. simplesmente acabou, porque alguns gênios achavam que tal tipo de esforço era desnecessário no país. havia, segundo os gênios, problemas mais básicos a resolver…

como conseqüência, até hoje não há uma política [quer verdadeira, quer nacional] para sociedade da informação. os resultados todos sabemos. uma monstruosa colcha de retalhos que tem feito o brasil descer a ladeira de todos índices de e-readiness mundiais, ano após ano.

quer saber, aliás, o que é e-readiness? vá ao glossário… nível de preparação electrónica, s.m. [ing.] e-readiness, electronic readiness. [def.] Nível do desenvolvimento sócio-económico de uma sociedade avaliado pelos seguintes critérios: desenvolvimento da infra-estrutura da informação e comunicação, políticas estatais sobre as tecnologias da informação e comunicação e características da economia electrónica, da formação electrónica e do Governo electrónico.

 

deu na folha: país se comoditiza

Monday, June 18th, 2007

cerca de 70% da indústria brasileira é de produtos de baixa ou média-baixa tecnologia, um aumento de 9% em dez anos. por outro lado, as empresas de maior conteúdo tecnológico encolheram19% no mesmo período e respondem, hoje, por 30% da indústria nacional. no setor de material eletrônico, a queda foi de 43% e o déficit comercial, só nos primeiros quatro meses deste ano, foi de US$4 bilhões, 27% a mais do que no mesmo período de 2006. pra gente se balizar, a indústria mineral nacional cresceu 100% nos últimos dez anos. exportamos pedras, importamos chips. e importamos software. e não conseguimos exportar.

fazer o quê? uma nova reserva de mercado e fechar os portos às nações "amigas"? não deu certo antes, por que daria agora? economistas alertam para a esclerose da indústria nacional. mas ninguém, nem na política industrial nem nos planos de crescimento, aponta alguma direção para renovar a indústria nacional.  isso quando já se sabe que vai ser muito dificil sustentar o país baseando nossa balança de pagamentos em commodities… seria de esperar que, face à gravidade dos dados, o governo estivesse dizendo que vai investir pesadamente em inovação [incluindo design], marca e reputação. para agregar valor. para ser desejado e, sendo, poder competir com a china, índia e os outros reis do pedaço fabril e de serviços. será que dá?

como este blog trata de tecnologias da informação, vamos olhar software, como exemplo das possibilidades nacionais de competir. não temos gente em quantidade suficiente, para começar. parte do software que está sendo feito para o brasil vem de fora, hoje. software é, em boa parte, gente educada, entendimento de problemas, mercados, empresas e cadeias de valor e a capacidade de resolver tais problemas no prazo, no preço, com a qualidade requerida pelo cliente. software é inovação. software é sociedade do conhecimento e métodos, regras, processos e ambiente de negócios de classe mundial, para competir globalmente.

aqui, além de não estarmos educando gente como deveríamos, nós ainda não fechamos a porta para que a lei de inovação inclua o setor de tecnologias da informação. parece brincadeira, mas é verdade. a política industrial do país é feita pela receita federal, pela dívida pública e pela ineficácia do estado. resultado: pouco investimento privado, baixas taxas de inovação e perda de competitividade. falando nisso, perdemos nove posições no último índice do fórum econômico mundial, o que nos põe em 66o. posição, 21 lugares atrás da áfrica do sul. lugar de onde, por sinal, vem ubuntu. breve, numa tela perto de você.

não dá pra resistir

Friday, June 15th, 2007

ainda com o corpo em pedaços por causa de mais uma palhaçada aérea [cheguei em casa hoje às 04:30h, ao invés das 00:30h…], não consegui resistir ao brilho de duke, chargista mineiro, premiado. é dele a bandeira acima, do marta-brasil, o país da bagunça, dos ministros que não se consegue entender porque estão lá e, porque não dizer, das amantes pagas por empreiteiras e da absolvição a priori de certos tipos de suspeitos… vá lá ver o arquivo de charges. aposto como vai ter gente dizendo que os ícones brancos, que parecem estrelas, no círculo azul, deveriam ser "outra" coisa. mas deixem como está. já é bom demais assim…

não dá pra relaxar…

Thursday, June 14th, 2007

são onze e meia da noite, quinta-feira, estou em guarulhos e meu vôo pra recife deveria estar no ar desde as 21:35h. acaba de ser anunciado que os zoneadores do tráfego aéreo só estão liberando uma aeronave para o nordeste a cada 40 minutos. como sempre, não há qualquer previsão sobre quando o nosso vôo poderá decolar. alguns passageiros ensaiaram um barraco com os agentes da companhia, mas acabaram por decidir que não há mesmo o que fazer. somos simplesmente mais uma manada de brasileiros à mercê do caos administrativo nacional, aqui representado, para os viajantes, pelo descontrole do tráfego aéreo.

pois é. estamos, alguns milhares de passageiros, nas mãos da combinação de falta de planejamento, investimento e incapacidade administrativa básicas, tentanto relaxar e gozar, como quer a ministra do turismo. mas não está dando não. o humor geral está ruim, as pessoas estão irritadas… pois ainda por cima  houve greve de metrô em são paulo hoje. pense no caos.

talvez seja uma boa oportunidade para se pensar porque não deveríamos estar fazendo um investimento muito maior em redes realmente banda larga, para diminuir o tráfego de corpos e aumentar sua aparição virtual, de qualidade, nos lugares onde tal presença fosse requerida. a vasta maioria dos castigados, aqui em cumbica, é de executivos e gente de negócios. uma ou outra família ou pessoas de férias. pelas minhas contas, se houvesse formas razoáveis, de boa performance, a custos suportáveis, a maioria de nós não teria nem viajado.

tempos atrás, havia outdoors de uma tele perto do aeroporto de lisboa anunciando seus serviços de banda larga. o texto era simples e, hoje e sempre, aplicável ao brasil: economize tempo e dinheiro. não vá. o problema é que ninguém vê a possibilidade de, tampouco, termos teletrabalho no brasil, nem tão cedo. fazer o quê, até lá?… relaxar e gozar? só mesmo no brasil alguém tão alto pensa e diz tamanha sandice e não se demite da vida pública, para sempre, logo depois. tomara que, algum dia, a coisa mude. nem que seja só um pouquinho…

fotoweb: e nós, aonde vamos?

Wednesday, June 13th, 2007

um terço dos usuários de flickr, nos eua, envia para o serviço fotos tiradas em seus de telefones celulares. mas nisso os eua estão lá no passado. na coréia, que é um dos lugares onde as coisas móveis realmente acontecem, 90% dos usuários de cyworld, o "flickr" de lá, enviam fotos direto de seus telemóveis. e no brasil?… algo me diz que os preços do tráfego de dados, aqui, precisam mudar. como já dissemos antes, temos um dos sms mais caros do mundo e uma das tarifas de dados mais extorsivas do planeta. cadê a anatel? aliás, cadê a competição entre as teles?

células tronco embrionárias: a petição

Thursday, June 7th, 2007

o STF está debatendo o uso de células tronco embrionárias, que podem vir a ser a única esperança de pacientes com lesões graves e incapacitantes. no centro da disputa, defendendo brilhantemente a posição científica a favor da liberação da pesquisa com as células tronco, está a geneticista MAYANA ZATZ [entrevistada por drauzio varella no link anterior: vá ler, vale a pena], pesquisadora de renome internacional, membro da academia brasileira de ciências e pessoa inatacável sob qualquer ponto de vista.

o subprocurador-geral da república, cláudio fonteles, entrou com a ação no supremo alegando que a lei das células tronco, aprovada no congresso por 96% dos senadores e 85% dos deputados, é inconstitucional. até aí, tudo bem. o procurador é pago para isso mesmo e está exercendo seu direito constitucional. pois não é que na discussão, no STF, sobre a motivação religiosa de sua ação, o procurador acusou a geneticista de ser motivada, em sua defesa da pesquisa com células tronco, por viés judaico?…

num ato de anti-semitismo explícito, que deveria estar banido, como muitos outros "anti-", de formas civilizadas de convivência humana, fonteles disse à  folha de são paulo que… “A doutora Mayana Zatz, que é o principal elemento de quem pensa diferentemente da gente, tem também uma ótica religiosa, na medida em que ela é judia e não nega o fato. Na religião judaica, a vida começa com o nascimento do ser vivo. Então, ao defender a posição dela, ela defende a posição religiosa dela, que é judia e que a gente tem de respeitar”.

fonteles, primeiro, tenta fugir à discussão da inconstitucionalidade pura e simples da lei, que trata de um avanço científico inestimável para os seres humanos, inclusive os intolerantes. em segundo, ataca de forma virulenta uma pesquisadora, movida pelo método científico, trabalhando em prol do país e do bem estar das formas de vida no planeta. vez por outra, as sombras da ignorância parecem querer tomar o mundo de assalto. desta vez, você e eu podemos fazer alguma coisa: assinar uma petição pela liberdade da pesquisa e pelo direito à cura, dos povos de todas as raças e credos, ainda por cima combatendo focos de obscurantismo medieval situados bem alto na hierarquia do poder no país.

faça alguma coisa, rápido: assine a PETIÇÃO PRÓ CÉLULAS TRONCO EMBRIONÁRIAS. diga ao brasil e ao STF que nós somos pela liberdade da pesquisa, em prol da vida e CONTRA o anti-semitismo como instrumento pessoal ou de estado. eu já assinei. mayana tem todo meu apoio.