Archive for the 'negócios' Category

telecom? o que era isso, mesmo?…

Friday, February 8th, 2008

a disputa para transmitir o campeonato francês de futebol revelou um novo e importante interessado. como nos anos anteriores, a maior parte dos jogos será transmitida pelo canal pago canal plus, unidade do grupo vivendi.  o plus vai pagar  cerca de um bilhões de reais por ano, à liga francesa, pra transmitir quase tudo. 

mas a france telecom, pela via da orange, entrou no jogo e vai gastar meio bilhão, por ano, para transmitir os 38 jogos dos sábados à noite, mais toda a programação para celulares e a apresentação dos jogos por vídeo sob demanda. como a metade dos assinantes da france telecom não tem TV pela internet [porque está muito distante das centrais e o país ainda não tem fibra ótica nas casas, em todo lugar], a empresa está pensando em entrar, também, no mercado de TV via satélite, aparentemente só para esportes. convergência digital a serviço de entretenimento.

segundo analistas de mercadoWinning the rights to broadcast premiere league football matches will help France Telecom step up its transformation into an integrated multi-media group… agora pense nas conseqüências: com metade do assinantes sem IPTV [ainda], a france telecom está disposta a desembolsar meio bilhão de reais por ano pra transmitir os jogos do sábado à noite [mais celular e vídeo sob demanda]. imagine quando houver cobertura universal de banda larga… o jogo pra decidir quem transmitirá o campeonato [em qualquer lugar!] será jogado por… quem tiver a infra-estrutura mais adequada, atendendo a maior parte do país [e do mundo?] com o melhor custo/benefício, seja lá quem for. algo me diz, e há muito tempo, que não serão as redes de televisão.

acabou o carnaval… a vida volta ao normal

Thursday, February 7th, 2008

quer dizer, mais ou menos. ainda vou levar mais alguns dias pra me recuperar de 12-14 horas de carnaval por dia. se não fosse tão divertido, eu não faria por dinheiro nenhum. tem horas que, se você parar um pouquinho que seja, não volta mais. e, se você não voltar, não vê um show como o de alceu valença no marco zero, na madrugada da quarta, que foi um dos melhores que eu já vi. e olha que assisto alceu há uns trinta anos!…

mas o carnaval passou. na sexta, o bloco da microsoft anunciou uma oferta não solicitada por yahoo, que de resto não anda muito bem das pernas. a imprensa mundial já teclou bilhões de caracteres sobre o tema. dá pra deixar pra lá e ver o que rola quando acontecer de verdade, o que vai levar MESES, se as autoridades regulatórias dos estados unidos deixarem.

enquanto isso, as ações da msft já perderam mais de 10% de seu valor desde o anúncio da oferta, um claro sinal de que seus acionistas já entenderam a complexidade do negócio. veja o despenhadeiro no gráfico ao lado, que liga direto a uma matéria no guardian sobre o assunto. redmond ainda vai ter que rebolar pra explicar COMO se beneficiará de uma aquisição deste porte.

do outro lado, jerry yang, que não está acertando muito o passo lá em yahoo -não chega a ser uma mangueira, quase afundada pra segunda divisão no carnaval deste ano… mas está a anos-luz da beija-flor da web- mandou um emeio à sua tropa dizendo que… "Our board is thoughtfully evaluating a wide range of potential strategic alternatives in what is a complex and evolving landscape…" e que o conselho "is going to take the time it needs to do it right."

ballmer e ozzie sabem disso. e vão esperar os resultados deste trimestre lá na califórnia. o futuro de yahoo já não depende mais de yang & co; na minha opinião, se não abraçarem a microsoft, terão que arranjar outro partido. e por um dote bem menor. vale lembrar que esta proposta é a primeira ação da msft na qual bill gates não parece estar diretamente envolvido. vamos ver no que vai dar.

extra! extra! MSFT buys YHOO

Friday, February 1st, 2008

Microsoft Proposes $44.6B Buyout Of Yahoo. veja mais no cnn money. US$44B+. mais explicações [da MSFT] na segunda. quem quiser que acompanhe. eu estarei brincando carnaval…

indianos cortejados…

Wednesday, January 30th, 2008

as grandes companhias de software da índia, que dominam o cenário mundial de serviços de desenvolvimento de sistemas de informação, resultado de uma longa e bem sucedida estratégia de formação de capital humano e de criação de processos e negócios, estão sendo ostensivamente cortejadas por vários países latino-americanos e do caribe.

a idéia básica é oferecer o que os indianos pedirem pra faclitar a instalação de centros de desenvolvimento pelo lado de cá do mundo, no mesmo fuso horário dos maiores contratadores, os EUA, em países ou locais onde houver capital humano qualificado e custos -incluindo salários, encargos e impostos- menores do que na índia, onde há uma grande escassez de capital humano, resultando em salários mais altos e grande rotatividade. e onde a  moeda local passa pelas mesmas agruras do real: está por demais valorizada frente ao dólar.

quem reporta é o telegraph de calcutta, citando principalmente o embaixador do méxico. as maiores companhias indianas já estão no brasil; e vieram por causa de contratos de prestação de serviços [de contratos globais] para filiais de multinacionais ou atrás de contratos em grandes empresas brasileiras. as indianas de grande porte, em software] são empresas quase dez vezes maiores que as maiores brasileiras, com a maior delas [tata TCS] empregando cerca de 100.000 profissionais. coisa, realmente, de gente grande. isso porque eles estão lá no fim do mundo, com todo tipo de problema, a maioria dos quais muito maiores que os nossos.

imaginem se a índia fosse aqui. pensando bem, talvez não existisse, em software. nossos custos trabalhistas não permitiriam, como não estão fazendo surgir grandes [no cenário internacional] empresas brasileiras de software. o custo brasil -principalmente de capital humano- está fazendo o país perder muitas janelas de oportunidade no mercado mundial. não que as pessoas, aqui, ganhem muito. é que o trabalho, com tantos impostos, é muito caro. e, depois da índia, vem aí a china. com tanta gente quanto e metade do preço, por homem-hora, do brasil. e aí?…

 

nem tudo que parece é

Tuesday, January 22nd, 2008

a microsoft, que vem a ser a companhia que muita gente deu por morta beeem antes do iPhone, está em vias de anunciar [no meio da crise do sistema financeiro americano] um aumento significativo em seu lucro. vai rolar ainda esta semana. o resumo é: Analysts, on average, forecast Microsoft to post a 66 percent rise in quarterly net profit to $4.35 billion, or 46 cents per share, on a 27 percent increase in revenue to $15.93 billion, according to Reuters Estimates. é esperar pra ver.

Traffic_Congestion.jpgpor outro lado, a IBM, que vinha a ser a companhia auto-intitulada defensora dos pobres e oprimidos no negócio de patentes, inclusive “doando” um lote delas à comunidade open source, acaba de obter mais uma patente absolutamente óbvia, o que não leva a nada mais do que confundir ainda mais o já congestionado espaço mundial de propriedade intelectual.

a patente, por acaso, é sobre congestionamento: como cobrar pedágio variável nas estradas, em função da quantidade de tráfego… grande coisa, já feita no mundo inteiro. breve, com uma parcela dos royalties da operação pra vocês sabem quem…. moral da história: você não é nem o que você diz que é nem o que os outros dizem de você. você é o que você faz.

lá vem o fim do mundo [de novo]

Tuesday, January 22nd, 2008

ainda não chegamos aos mesmos níveis de empregabilidade [na população do mercado que puxa o mundo, os eua] e está aí uma nova crise de proporções mundiais. que vai afetar a todos. não tem esta história do brasil estar “isolado”. estamos globalizados. cada vez mais. basta olhar as perdas do ano na bovespa.

numa recessão, por menor que seja, e esta pode não ser tão pequena assim, a ordem é reduzir custos [até pra investir em alternativas]. e demitir gente. como a curva e-p [employment-population ratio], uma das preferidas de paul krugman, mostra que é o caso, sempre, quando o mar vira pra pior nos eua. em breve, aqui, numa empresa perto de você. e de mim. tomara que seja leve. e breve.

oportunidades para TICs? muitas: sendo um dos fundamentos do aumento de produtividade e uma das bases da inovação em todos os negócios, TICs vai estar na ordem do dia. desde que caiba no que sobrar dos orçamentos de investimento das corporações. o que quer dizer que você deve, agora, melhorar muito o business case por trás daquela idéia que você acha que vai salvar sua empresa. e o mundo. talvez.

start-ups & biz-plans

Friday, January 11th, 2008

deu no wall street journalBusiness schools and consultants have long preached that writing a formal business plan greatly improves a start-up’s odds of success. But a growing number of academics are questioning whether that’s really the case. eu tô entre estes tais acadêmicos aí, pelo menos desde 1995. meu estilo sempre foi fazer e depois de feito ver como vira negócio. acho que não se faz negócio só com gente de tecnologia. mas muito menos com graduados de escolas de negócios especializados em powerpoint, excel e discounted cash flow.

conclusão do venerando wsj? just do it: parte da razão? A study recently released by Babson College analyzed 116 businesses started by alumni who graduated between 1985 and 2003. Comparing success measures such as annual revenue, employee numbers and net income, the study found no statistical difference in success between those businesses started with formal written plans and those without them. The study concludes that “unless you need to raise external start-up capital from institutional sources or business angels, you do not need to write a formal business plan.”

e tem mais: Amar Bhidé, a Columbia University entrepreneurship professor, found that 41% of Inc. magazine’s 1989 list of the 500 fastest-growing private firms didn’t have business plans and 26% had only rudimentary plans. A follow-up by the magazine in 2002 found the numbers without a plan have remained pretty much the same. Many business concepts are “transitional in nature,” meaning there are competitive advantages to starting the business quickly and by the time you write a full business plan “the opportunity will be gone.”

ou seja: seu negócio não é um plano de negócios. isso é coisa de consultores. se você vai mesmo criar um negócio, comece a criar um e aprenda com seus potenciais clientes e usuários. à medida em que aprende, monte um plano de negócios baseado na prática. conheço de perto companhias que sairam de dezenas de milhões para bilhões de reais de faturamento em alguns anos e só o fizeram porque não tinham um plano de negócios. e muito menos consultores para lhes dizer que jamais conseguiriam…

claro que a regra não vale pra todo mundo mas, se seu negócio é de ruptura e, por natureza, de transição, não perca muito tempo com um “plano”. ele só vai ajudar você a fracassar mais rápido. ou, no pior caso, mais lentamente…


Technorati :
Del.icio.us :

2008: previsões de josé carlos cavalcanti

Saturday, January 5th, 2008

previsões de josé carlos cavalcanti [da creativante] para a indústria de TICs no brasil estão bem aqui. entre elas…

…a indústria brasileira de TICs terá que se acostumar com uma nova cultura de fazer negócios, já que o Mercado de Capitais passa a ser o locus das negociações mais relevantes e sinalizará as tendências futuras. Palavras de ordem daqui para frente serão, fusões, aquisições, private equity, IPO, governança corporativa, BOVESPA, acionistas, dividendos, enfim, um novo vocabulário que terá que ser digerido pelos players do setor…

uma hora o país ia crescer; começou anos atrás, com a organização da economia. as conseqüências estão começando a ser sentidas agora. quem não tiver competência para viver a nova realidade de mercado [ou para se mover num espaço econômico onde o governo começa a se tornar cada vez menos relevante] não se estabelecerá. ou se desestabelecerá. veremos e viveremos MUITAS mudanças no setor de informática nos prózimos anos. a consolidação do setor, em larga escala, está só começando a dar sinal de vida. quem viver verá.

second [mostly out of any] life

Saturday, January 5th, 2008

second life continua na inexorável rota de ter sido um excelente experimento sobre como um mundo virtual deve ser… ou não. em agosto, no G1, escrevi um texto [duramente criticado por fãs do quase ex mundo virtual], perguntando se a coisa estava mesmo indo pro brejo ou não. minha conclusão [a imagem acima é a ilustração do texto] era que sim, o brejo era o destino.

pois bem: acaba de ser anunciado que um terço dos desenvolvedores da electric sheep evaporou. ES era o maior parceiro da linden labs no processo de desenvolvimento do mundo virtual. o software que iria garantir a gestão de anúncios de SL, o virtual world ad net, também foi pras cucuias. pra quem sabe o que rola dentro de um start-up…

nada errado nisso. muito pelo contrário. economias vivem em ciclos. coisas nascem e dão certo. e morrem depois. outras nem saem do chão. outras saem mas morrem na praia, que nem times de futebol da periferia que chegam, a duras penas, na primeira divisão. second life é, ou foi e continua sendo, um excelente processo de aprendizado sobre o que mundos virtuais poderão vir a ser. e só.

quando a gente aprender muito mais sobre isso, vai rolar um conjunto de mundos virtuais verdadeiramente interoperáveis, que todos vamos usar o tempo inteiro. até lá, se você gastou um monte de horas [e algum $$$] com SL, não desespere: jogue na conta mais preciosa dos humanos, a do aprendizado. e prepare-se pra próxima rodada.

banda “prometida” pode virar processo… na inglaterra

Wednesday, December 19th, 2007

a OFCOM, que é a ANATEL da inglaterra, cansou de receber reclamações dos usuários de banda larga lá da terra da rainha. e tá informando teles e provedores de acesso que espera "informação precisa", aos clientes, sobre o que eles estão comprando E recebendo. segundo a bbc…

Net firms have been criticised for advertising their services using the phrase "up to" that can give consumers a false sense of the speed they will get when they sign up.  The Ofcom Consumer Panel said speeds advertised as "up to" a certain level end up being much slower in reality. The panel called on Ofcom to set up and administer a mandatory code of practice for net firms.

delicadeza inglesa… lá eles vendem 1Mbps como "até 1Mbps" e entregam muito menos. aqui. aqui, vende-se "1Mbps" e, lá no pé do pael, em letras tamanho quatro [tente ler!] estão os "até", "no máximo" e coisa e tal que resultam em recebermos MUITO MENOS BITS por segundo do que estamos comprando.

no brasil, como se sabe, o provimento de acesso à internet foi deliberadamente [lá no começo da internet comercial] situado fora do alcance das teles [quando não havia a anatel], pra evitar que o monopólio estatal de então transformasse a rede em mais uma de suas operações [excluindo a nascente iniciativa privada no setor]. tudo muda. o tempo todo. será que não é hora da anatel começar a pensar no estado da arte e prática dos acessos e infra-estrutura de internet [lembrete: internamente, toda tele é internet pura] e começar a estabelecer princípios fundamentais para os serviços de acesso à rede?

em breve, haverá muito mais gente em "telefonia sobre IP" do que usando "telefone".  pekka tarjanne, que em 1998 era secretário geral da ITU [a instituição internacional de regulação das telecomunicações] preconizava, em um discurso da época, mas "feito para 2008"… uma international internet union. na conclusâo de seu "discurso endereçado a uma platéia real de uma conferência fictícia em 2008" tarjanne anuncia o presente:

To conclude, therefore, I would like to return to the  main theme of this conference: “Coping with convergence: The future is now”. Convergence had already happened by 1998, but many commentators did not recognise it at the time. That is probably because, at the start of 1998, the Internet still had less than one hundred million users worldwide and was plagued with terrible congestion and transmission delays. How, people asked, could this unreliable, insecure, toy network ever be the information superhighway of the future? Now, of course, in 2008, we know better!

o problema da anatel, agora, talvez não seja regular SÓ telecom. como a ofcom, será que nossa agência reguladora não deveria passar a entender [primeiro] e regular [depois] internet?… com o devido cuidado de não inverter a ordem do entendimento e da regulação…

ágio em 3G: o usuário é quem vai pagar

Wednesday, December 19th, 2007

em todas as letras e pontuação, o presidente da oi [luiz eduardo falco] explica quem vai pagar a conta do ágio governamental do leilão 3G [no blog de míriam leitão]:

O que sai hoje das empresas para o governo, sairá depois dos consumidores para a empresa; esse é o ciclo das coisas.

este blog, mais de uma vez, defendeu que o preço que as teles pagam pelo direito de uso de espectro de telecom deveria ser trocado por ofertas e compromissos de metas de universalização. 3G deu errado na europa, lá na década de 90, porque pagou-se demais por um mercado inexistente. e que não pôde ser criado a tempo.

um alto executivo de telecom ouvido por este blog, ontem, disse claramente que cada centavo gasto em licença não só terá que ser recuperado mas que o mesmo centavo será tirado, claro, dos recursos pra construir a infra-estrutura 3G para as áreas compradas. só quem pensa e acha que dinheiro nasce em árvores é o governo. o mercado paga caro por dinheiro. aqui e em qualquer lugar.

baixou: laptop de US$100 sai por US$363…

Wednesday, December 19th, 2007

ainda bem. ontem, tava por US$470. a positivio informática, com uma proposta que usa a plataforma móvel de baixo custo da intel, ganhou a licitação. o governo diz que vai negociar [pra baixo] o valor. a ver.