Archive for the 'infrastructure' Category

europa: telecom de pernas bambas?

Sunday, October 22nd, 2006

o mercado europeu de tecnologias da informação e comunicação (TICs) vai crescer 3.1% em 2006, chegando a 644 bilhões de euros. legal. mas a notícia não é tão boa assim para o “C”: o mercado de comunicações vai crescer 2.5%, indo para 339 bilhões de euros, enquanto o de “I” cresce 3.8%. no ano que vem, segundo o EITO, European Information Technology Observatory, vai ser ainda pior: “C”cresce apenas 1.7% enquanto “I” aumenta 4.2%. na europa, o setor de software cresce, em 2006, 6.3%, em razão da maior demanda por aplicações de todos os tipos e sistemas de segurança para web.

lição? o mercado de comunicações está comoditizado e, durante muito tempo, é provável que a mudança de “voz” para VOIP, uma instância da mudança de “comunicações” [espalhadas em vários "meios"] para convergência digital, usando a atual infra-estrutura de comunicaçoes, deixe mais ou menos parado o mercado de telecom. isso pode durar daqui para o fim da década, quando novos níveis de qualidade e velocidade de comunicaçoes exigirão novos investimentos em infra-estrutura e um conseqüente crescimento do mercado, na europa e no mundo fora da ásia-de-banda-larga [korea, hong-kong...], onde o fenômeno de 3-4G já está instalado.

na europa, em larga escala, isso vai começar na inglaterra o ano que vem, com o plano 21CN [21st century network] da BT [british telecom], que vai investir dez bilhões de libras [uns dezenove bilhões de dólares] pra transformar a inglaterra inteira em um país banda larga. os efeitos na europa, como um todo, demorarão mais a acontecer.

por outro lado, o mundo está virando software, inclusive porque a disponibilidade de redes banda larga [por menos larga que sejam] possibilitam os negócios existentes a usarem a web o tempo todo, para tudo, inclusive coisas que não estavam disponíveis na rede discada [como seu gerente de banco na webcam...] e a criação de novos negócios, de tipos que não seriam possíveis sem rede ou com rede lenta ou parcialmente conectada. e, mesmo em lugares onde não é preciso rede para haver software, como carros, motos, liquidificadores, microprocessadores de muito baixo custo estão transformando quase tudo em software, também. breve, parte de nós [sim, leitor, você também...] vai virar software!


como os adolescentes sequestraram a internet [?}

Friday, October 20th, 2006

sam vaknin acaba de publicar um texto muito interessante em global politician, supostamente mostrando que o conjunto google-wikipedia-myspace-blogspot passou a dominar a internet porque, ele próprio, dominado por adolescentes. isso é que é protagonismo juvenil…

dr. vaknin acompanha 154 palavras e as respostas de google pra elas desde 1999. destas, 128 primeiros resultados são páginas da wikipedia, hoje, 38 dos quais são “stubs”, termo usado pela wikipedia para denotar artigos que ainda precisam ser realmente escritos. wikipedia recebe 54% de seu tráfego vindo de google; depois de chegar lá, a maioria dos visitantes vai para myspace e blogspot, cujo engenho de busca é… google. de onde eles supostamente voltam para a wikipedia, fechando o ciclo.

ou seja, um número muito grande de usuários da internet [se o estudo for confirmado independentemente] está vivendo fechado em quatro grandes repositórios de informação, o estaria sendo estimulado pelo algoritmo atual de google, que promove a wikipedia -talvez sem razão em um número muito grande de casos, a confiarmos no dr. vaknin- desmesuradamente.

como validar os resultados? teste “love” em google e em search.msn.com: no primeiro, a wikipedia é a terceira resposta e, no segundo… é a primeira! a primeira -e muito esquisita- resposta de google é um certo love calculator… que determina a probabilidade de um relacionamento de sucesso entre “qualquer” duas pessoas… baseado nos seus nomes, uma resposta claramente construída para adolescentes e, segundo a qual, a chance de eu estar com katia é… zero. estamos juntos desde 1997. ainda bem que o “serviço” não existia, então…

como gerar 20 terabytes de dados por dia?

Sunday, October 15th, 2006

aliás, por noite… e como administrar tal montanha de informação?… um terabyte é um milhão de megabytes, 1.000.000 mega. pra quem não é de informática ou ciências, um mega é um milhão; ou seja, estamos olhando para uma quantia que tem 12 zeros, o famoso e quase ininteligível trilhão. costumava-se dizer, no passado [uns dez anos atrás] que a encyclopaedia britannica tinha cerca de um gigabyte [um bilhão de caracteres, contando as imagens]… e era mais ou menos verdade, porque uma versão da coisa cabia num cd [onde se pode comprimir aí por um giga mesmo].

20 terabytes, já que um tera é 1.000 giga, é o equivalente a 20.000 britannicas, e esta montanha de dados vai ser gerada por noite, pelo lsst, large synoptic survey telescope, um istrumento de 8.4 metros que será localizado no norte do chile [cerro pachón], e que vai começar a operar em 2012 com uma câmera de três giga [bilhões!] pixels, uma resolução mil vezes maior do que a câmera digital média que está no mercado hoje.

vamos saber muito mais sobre o universo quando este telescópio começar a funcionar. mas vamos, para tal, ter que aprender a tratar quantidades realmente astronômicas de dados. um dos maiores projetos de astronomia do mundo, o sdss [sloan digital sky survey], cujos resultados você pode ver no skyserver, mostra “apenas” um lote de 12 terabytes de dados… 60% do que o lsst vai gerar por noite. os problemas e oportunidades para realizar eScience [fusão dos modos teórico, experimental e computacional de fazer qualquer tipo de ciência, baseado em quantidades imensas de dados] serão motores muito importante do desenvolvimento das teorias e tecnologias de computação, comunicação e controle nas próximas décadas…

em breve, não haverá um “e” antes de eScience; informática simplesmente estará completamente imersa nas ciências todas, como leitura e escrita estão. e todas as ciências serão da computação…

cada vez mais longe…

Saturday, October 14th, 2006

ibm move sua divisão de compras inteira para shenzhen, na china. o diretor, john paterson, vai junto: é a primeira vez que a ibm manda alguém tão senior, junto com toda sua turma, para fora do país. por que? a ásia tem 3.000 fornecedores da ibm, responsáveis por US$12B dos US$40 bilhões que a empresa gasta em compras todo ano e shenzhen está se tornando a capital das cadeias de suprimento do mundo. enquanto isso, num certo país da américa latina, continuamos mendigando fábricas de chips, por não termos realizado o dever de casa que poderia ter trazido, para cá, e por boas razões, muito mais coisas.

minha previsão: o jogo de produção de qualquer coisa física cuja razão preço/peso seja [muito] alta está perdido para a ásia e, em particular, para a china, e para sempre. e, em breve, eles terão design e venderão, aqui, [por exemplo] carros tão bons quanto os coreanos. é só esperar. nós, por outro lado, continuaremos esmolando investimentos, protegendo negócios ineficientes com reservas de mercado baseadas em alguns dos impostos mais altos do mundo… o que não nos levará, em nenhum prazo, a lugar nenhum.

banda larga pré-paga?

Wednesday, October 11th, 2006

eu não sei não, mas há horas em que o mundo dos negócios parece realmente muito estranho. como quando executivos de grandes companhias começam a falar de coisas como “banda larga pré-paga”, uma idéia exposta recentemente por Valérie Faudon, vice-presidente de marketing de programas da Alcatel, baseada em pesquisa realizada com 3 mil freqüentadores de cyber cafés no Brasil, Rússia, Egito, Quênia, Índia, China e Malásia

o que é pré-pago? é um modelo de serviço onde descarta-se a assinatura de um serviço que é “usado sob demanda e pago depois”, em favor de outro modelo, onde “se paga antes e se usa o crédito até ele acabar… ou se perde o dinheiro pago quando ele caduca”. o que é “banda larga”? pra mim, é conexão [primeiro] sempre ligada [always on] e [segundo] de boa velocidade em comparação com linhas discadas, a preço fixo, independentemente do uso que faço da “linha”. se ouço a KCSM [vá lá ouvir!], rádio de jazz de san mateo, o dia inteiro, o preço é o mesmo, no mês, do que se eu apenas tivesse lido meu emeio vez por outra.

simples, não? preço fixo, “alta” velocidade, sempre ligado, volume ilimitado. onde cabe, então, o pré-pago? o maior problema de acesso à internet das classes chamadas C, D e E dos países em subdesenvolvimento [aqueles que estão ficando com uma grande parcela da sua população cada vez mais distantes do mundo de "classe mundial"] é a inexistência de mecanismos sociais de acesso à rede, em função da incompetência, falta de visão, inoperância ou puro e simples descaso de seus governos.

se não há renda pessoal ou familiar para pagar banda larga, instrumento essencial para participar da rede, hoje, o problema de quem não tem deve ser assumido como prioridade essencial pelos governos de seus territórios. o problema é que muitos destes territórios são semi-países, onde os governos funcionam muito mais para arrecadar impostos do que para distribuí-los como serviços essenciais, principalmente aos mais carentes. que continuarão mais carentes e que, por sinal, ficarão cada vez mais carentes.

tem gente que já desistiu dos governos destes semi-países em subdesenvolvimento e está querendo que seus pobres paguem por serviços que deveriam ser, para eles, instrumentos para o crescimento pessoal, econômico, social e cultural. há que se retirar pelo menos a malásia do lote: lá, ao contrário do brasil, ainda há políticas públicas de universalização de acesso e quase 40% da população [ao contrário de cerca de 10%, aqui] pelo menos estão na rede, mesmo que não seja em banda larga.

nos semi-países em subdesenvolvimento, a falta de políticas públicas de inclusão digital pode até levar seus mais pobres habitantes a aceitar um “modelo” de banda larga pré-paga. eu só quero ver como vai funcionar, considerando os modelos bizantinos de tarifação das empresas de telefonia… no mundo civilizado, onde os governos fazem bem mais do que arrecadar impostos, há e haverá políticas que transformarão os cidadãos todos em seres de primeira classe, capazes, quando tiverem meios reais de compra, oriundos de sua capacidade de transação, a pagar por sua banda larga.

para os criadores de planos de negócios, é bom lembrar que governo, ao contrário do que parece no mundo em subdesenvolvimento, não é só para arrecadar impostos e distribuir, em boa parte, como ineficiência ou corrupção. governo, quando funciona, é a melhor coisa que uma sociedade de primeira classe pode ter. quando não, é quase que certamente a pior.

apareceu o “idiota”

Friday, October 6th, 2006

algum tempo atrás, mark cuban, dono dos dallas mavericks e de HDnet, ganhou mais alguns segundos de fama, no noticiário mundial, por dizer que “só um idiota compraria youTube“, idéia sustentada na tese de que o site acabaria sendo processado “até a extinção”, face à quantidade de material, lá apresentado, que poderia ser objeto de disputas judiciais.

pois bem: apareceu o idiota, aliás, os três: brin, page e schmidt, os dois fundadores e o ceo de google, que não podem ser exatamente caracterizados como os três patetas da internet, estão falando em comprar a propriedade, porteira fechada, por US$1.600.000.000. sim, você contou certo: um bilhão e seiscentos milhões de dólares, a maior transação de negócios de internet dos últimos tempos [se for realmente fechada].

youTube continua sem fazer sentido como negócio e suas chances de sair bem na foto eram uma fusão ou aquisição por algum dos grandes, como microsoft, yahoo, ebay, amazon, google ou mySpace. meu chute, dias atrás, era que rupert murdoch iria atrás da comunidade que expôs cicarelli ao mundo. mas parece que vai dar google, de novo. como diria lászló barabási… winner takes all. more on that later on.

gec: good enough console?

Friday, October 6th, 2006

o que falta para que os celulares se tornem a plataforma majoritária para jogos no planeta? a julgar pelo editorial de mike yuen, da qualcomm, no gamasutra, falta consolidar as plataformas móveis em torno de uma arquitetura para construção de multimídia interativa que ele chama de “good enough console = GEC”, ou um “console suficientemente bom”. o inferno das companhias de jogos móveis [e dos desenvolvedores] é a astronômica multiplicidade de combinaçoes de hardware, software básico, interfaces de entrada e saída dos celulares, que leva um jogo qualquer a ter que ser parcialmente reescrito [principalmente em sua interface] para dezenas ou centenas de celulares diferentes. esta é uma das principais razões que torna o mercado de jogos móveis periférico em relação ao mercado mundial de jogos eletrônicos.

agora imagine que poderíamos, nos celulares das próximas gerações [nas geraçoes atuais já dá pra ter jogos da classe do playstation1], dispor de uma plataforma comum para construçao de jogos, combinada pela indústria de hardware, comunicação, software e jogos. digo imagine porque alinhar esta turma inteira não parece nada fácil; mas, se for possível, de repente centenas de milhões de dispositivos “iguais” [ou bem mais iguais do que hoje] poderiam estar no mercado paraservir de base para jogos móveis, mas não só. se houver potência suficiente nas máquinas de jogar, dentro dos celulares, para muita gente eles serão a única opção de jogar -e poderão ser conectados aos seus monitores caseiros- e poderão definir vastas classes da economia de jogos, tanto do ponto de vista de licenças como de receitas recorrentes.

que incentivos a indústria de celulares tem para dar tal passo? o maior deles pode ser a chegada de competidores como a nintendo, sony, microsoft e apple no espaço de handhelds que façam muito mais do que armazenar e apresentar mídia e jogar. pode ser muito mais fácil para a apple botar um celular dentro do ipod, que assume ares de plataforma global, do que os fabricantes de celulares concordarem em fabricar seus aparelhos dentro de um “padrão” GEC. idem pra nintendo e sony e a microsoft não deve estar pensando algo muito diferente disso pro zune. dada a quantidade de pessoas mais jovens usando as plataformas de jogos, a indústria de celulares pode vir a enfrentar uma ameaça muito real, dentro de uns poucos anos, vindo de onde ela nunca esperou antes mas, como diz yuen, que fabrica sistemas e componentes para celulares, ainda há tempo para reagir. até que a apple ou a nintendo lancem seus handhelds de jogos com celulares. aí poderá ser tarde demais para reagir…

no ar: assimetria de informação

Saturday, September 30th, 2006

um avião da gol -fazendo o vôo 1907, 155 pessoas a bordo- se choca com um jato executivo em pleno ar, aparentemente em meio ao deserto verde da região de matupá, mato grosso. ninguém sabe direito o que aconteceu, mas o ministro da defesa faz questão de anunciar, quase imediatamente, que “deve ter sido um descuido da tripulação da gol“. como assim, camarada?…

aviões não saem por aí, no espaço aéreo, como querem e bem entendem: um conjunto de centros de controle de tráfego aéreo [em cada país] decide [e ordena] os caminhos por onde uma aeronave qualquer pode voar. as rotas aéreas são túneis virtuais, no espaço, dentro do quais os aviões “controlados” por tais sistemas [de informação, operados por e dependentes de seres humanos] são obrigados a manter uma distância regulamentar uns dos outros. assim, quando o leitor embarca de brasília a recife e o piloto diz que está voando na proa [direção] de bom jesus da lapa, ele o não faz porque quer, mas porque o túnel de brasilia a recife, naquela hora, para aquele vôo, passa por lá.

antes de dizer que “a tripulação da gol” deve ter feito alguma besteira, o senhor ministro deveria estar-se fazendo perguntas um pouco mais sensatas e complexas: 1] por que um jato executivo voava em rota de colisão com um avião comercial? 2] será que o controle de vôo botou os dois em tal situação [e aí o problema está na cozinha do ministro] ou 3] o controle de vôo nem sabia que o jato executivo estava lá [problemas na cozinha do ministro, de novo...] e… 4] não fez nada [ou não tinha condições de fazer] para tirá-lo de lá [olhaí as panelas do ministro no fogo de novo...].

não estou no negócio de defender a gol, mas é de uma leviandade sesquipedal um ministro de estado dar declarações sobre algo tão difícil de explicar antes mesmo de se ter respostas a perguntas tão básicas como as que qualquer passageiro freqüente [como eu] pode fazer sem ter um ministério da defesa inteiro para assessorá-lo. muito menos estou dizendo que o controle de vôo tem culpa no cartório; só questiono o diagnóstico -imediato- do senhor ministro sobre algo não trivial como o que acaba de acontecer.

o ecossistema de aviação de qualquer país é um sistema de informação; a qualquer momento, pode haver centenas de aviões no ar, transportando dezenas de milhares de vidas [veja o tamanho do problema, nos eua, aqui]. a segurança destas pessoas depende, ainda [enquanto um sistema anti-colisão, instalado em todos os aviões, não os torna conscientes da presença dos outros ao seu redor]. de um sistema de informação centralizado, cujo papel principal é garantir que toda e qualquer aeronave no seu espaço aéreo sabe porque está onde está, ao mesmo tempo em que assegura que um avião qualquer não vai, de uma hora pra outra, entrar no micro-espaço do outro. se isso acontecer, a chance de uma catástrofe é muito alta. e foi o que aconteceu com o gol 1907.

um dos casos recentes de colisão no ar, descoberta quase na hora pelo controle de tráfego aéreo e avisada aos pilotos, foi a que matou 59 pessoas quando um avião da DHL colidiu sobre o lake konstanz com um tupolev da bashkirian airlines: os dois pilotos mergulharam seus aviões para evitar o desastre e a igualdade das ações foi o fim de todos os passageiros e tripulantes. e o avião da DHL tinha o que de mais moderno havia em sistemas de alerta contra colisão, na época [como parece ser o caso do legacy e b737-800 envolvidos no acidente de ontem].

assumindo que nenhuma das duas tripulações envolvidas no acidente da gol estivesse deliberadamente tentando bater no outro avião, a responsabilidade do acidente está ligada à assimetria de informação entre os envolvidos: se os aviões e o controle responsável pela área soubessem, com a devida antecedência, do choque iminente, a comunicação entre as partes teria criado condições para que o desastre fosse evitado. uma coisa que o senhor ministro deveria estar começando a fazer, desde hoje à tarde, era garantir ao país que -seja lá o que tiver acontecido- haverá uma ampla investigação no sistema de informação [e controle] de tráfego aéreo, para dar certeza a todos os brasileiros que, ao entrarmos num avião, não estamos correndo os mesmos riscos do gol 1907, por culpa de responsabilidades do governo que deveriam funcionar a 100% de eficácia e eficiência, mas não estão assim tão bem das pernas.

tomara que não haja nada errado com o controle de vôo. mas, como o governo não tem toda esta tradição de investigar [seja lá o que for] a sério e profundamente -apesar de todas as declarações em contrário-, meu medo de avião aumentará muito neste domingo, quando terei que pegar logo três, para ir de recife a navegantes. que tudo dê certo, nem que seja por acaso… se não houver nenhum post aqui semana que vem, procurem o ministério da defesa para reclamar…

silvio meira no g1: falta gente na internet brasileira

Tuesday, September 26th, 2006

por que somos tão poucos na internet brasileira?… minha resposta: faltam políticas públicas. tá no g1, hoje.

espectro: fcc vende tudo, por US$13.9 bi

Monday, September 18th, 2006

o leilão que a fcc [a anatel americana] estava promovendo desde 9 de agosto, para vender 1.122 licenças em áreas físicas dos eua de 90MHz de espectro eletromagnético, acabou hoje e pôs US$13.9 bi nas mãos do tesouro americano, vindos das operadoras que querem explorar os “serviços sem fio avançados” [advanced wireless services, ou AWS], como banda larga móvel. o leilão teve 161 rodadas e 104 concorrentes compraram 1.087 licenças, o que o torna um sucesso, considerando o humor do mercado para investimento em 3G/3G+ no momento. a T-Mobile gastou US$4.2B para comprar 120 licenças, coisa que precisava fazer de qualquer jeito para aumentar sua competitividade nos eua, tentando sair do honroso quarto lugar que ocupa. o segundo maior comprador foi a verizon wireless, que pagou US$2.8B por 13 licenças. até aí, nenhuma surpresa.

o terceiro lugar do leilão foi do consórcio dos provedores de cabo [e não mais de tv a cabo...] comcast, time-warner e cox com a sprint/nextel, que pagou US$2.4B por 137 licenças, incluindo nelas quase todo o nordeste dos estados unidos. parece que agora a coisa vai: um mesmo grupo, senão uma mesma companhia, estará oferecendo [em escala] banda larga, telefonia, TV e celular. isso lá nos eua. aqui, desde 2005, a net, claro, vésper e embratel estão juntas oferecendo banda larga, telefonia, TV, celular e longa distância, se não na mesma conta desde então, pelo menos sob o olhar de um mesmo acionista, a telmex de carlos slim. alguma hora isso vai acontecer em escala no brasil, assim como no resto do mundo; e quem não estiver no jogo, e muito dentro, vai ficar muito, mas muito fora.

nós estamos construindo, hoje, a infra-estrutura de comunicação que vai servir de elo para conectar a infra-estrutura distribuída de computação [e de dispositivos de acesso à informação] que vai estar ao alcance das mãos, olhos e ouvidos [e outros sentidos] de usuários de todo o planeta. não quero ter cinco contas de provedores de seja lá o que for. quero só uma, simples, e com os benefícios das economias de escala por estar usando tudo o que preciso sobre a mesma infra. quanto mais simples, melhor.

o paraíso, então, seria se se as contas de gás, água e luz [e iptu!] viessem no mesmo pacote, fechado, e com ofertas em degraus: a partir de 10Mbit/s, a gente ganhava alguns metros cúbicos de gás, sei-lá-quantos downloads de vídeo davam direito a uns 100kWh, e por aí a gente ia. agora, isso aqui sendo o brasil, imagine a confusão: se a anatel não consegue, no inferno de insegurança institucional que é o brasil, fazer um mísero leilão de espectro para wi-max, como é que iria sentar com a aneel e outras pra discutir o cruzamento, ou articulação, das várias infras que chegam na nossa casa?… ainda bem que este parágrafo era brincadeira. mesmo que fosse sério, aqui seria só um sonho. ou, melhor dizendo, um pesadelo…

tsunami no mercado móvel mundial?

Monday, September 11th, 2006

a telecom italia, conglomerado de telecomunicações cujo braço móvel é a décima maior operadora do mundo celular, parece que está pensando em vender justamente sua operação de mobilidade. há boatos [com fundo de verdade] até na reuters e, pelo andar da carruagem, ninguém menos do que o dono da sky/directv/newsCorp e, por fim mas não menos importante, mySpace, rupert murdoch, está na linha. ou em alguma linha, por assim dizer.

os órgãos reguladores de comunicação social e telecomunicações, mundo afora, devem estar observando com muita atenção a possibilidade de murdoch se tornar importante, entrando no cenário móvel pela via da TIM, que se especula valer uns US$45 bilhões. controlando fatias significativas de programação mundial de broadcasting e de redes sociais, o passo que poderia estar faltando para murdoch aspirar ao monopólio de com/telecom da vida de muita gente pode muito bem ser um braço de mobilidade de alcance mundial, ou que possa vir a ter alcance mundial. e os italianos da tim parecem andar meio confusos -e há tempos- sobre o que querem fazer da companhia e da vida.

mas marco tronchetti provera, il cappo, não nasceu ontem e acha que banda larga, combinada com conteúdo, é onde está o dinheiro grosso de telecom no futuro próximo. ele andou discursando sobre isso na OECD em janeiro deste ano (veja The Future Digital Economy: Digital Content – Creation, Distribution and Access) e, se estiver pensando em casar alguma parte de sua sorte com a de murdoch, vai estar só colocando seu dinheiro onde a boca, há tempos, já está. conseqüências no mercado brasileiro?… quem sabe? quem se arrisca?…

tvd.br: agora, o ministério público questiona…

Monday, August 21st, 2006

o ministério público entrou com uma ação contra o governo federal para pedir a nulidade do decreto que cria o SBTVD-T (de número 5.820/2006), alegando que… “[a] Administração Pública impôs graves encargos pecuniários a nada menos do que 169 milhões de brasileiros, que serão obrigados, nos próximos dez anos, a adquirir o mais caro dos receptores de sistema digital, sob pena de verem interrompido o serviço de radiodifusão”. a reportagem é do telesíntese [gratuita, mas você tem que se registrar].

como toda disputa, há lados aqui também: o fato do receptor ISDB ser o mais caro, hoje, não implica que ele será o mais caro daqui a dois ou três, cinco anos. pode ser também que, sendo o mais caro hoje [teoricamente porque mais avançado], não implique em trocas em futuros mais próximos, como outros padrões possivelmente demandariam. e os outros padrões não são tão baratos assim para receptores com as mesmas funcionalidades: em lugares bem mais ricos do que pindorama, como a itália, o governo está subsidiando os receptores [será que vai fazê-lo aqui?... e por que?...]. há que se considerar que TV digital não é somente TV, mas um sistema de áudio e vídeo digital e interativo. o “receptor” de tv digital, em suas formas mais sofisticadas, é um computador multimídia que pode [pode...] ser tão complexo quanto um pc destes que temos nas nossas mesas hoje. ou mais.

em suma: enquanto o horizonte para tv digital no país não estiver desenhado de fato, com a identificação das cadeias de valor e negócios, não saberemos como comparar coisas. a ação do ministério público é lógica, mas nem sempre a lógica é o fundamento do desenvolvimento. a lógica, alás, sempre foi a base para tomar decisões de desenvolvimento na américa latina e é por isso mesmo que, hoje, somos parte do ROW [rest of the world] em todos os índices de qualquer coisa que seja minimamente interessante.