Archive for the 'infrastructure' Category

lei impede teles em tv…

Thursday, February 8th, 2007

…por assinatura. esta é a posição clara e de certa forma indiscutível do ex-ministro juarez quadros, um dos cérebros por trás da lei geral de telecomunicações. a explicação está aqui, no convergência digital. mas -sempre há um mas- a lei pode ser reescrita, que é o que o deputado paulo bornhausen está propondo desde o dia 5 passado, num projeto que acaba com o limite de participação de 49% do capital estrangeiro nas operadoras de TV a cabo e afirma, em seu artigo 11º , que as concessionárias do STFC poderão obter concessão para explorar o serviço de TV a cabo em qualquer localidade onde não exista outorga na data de entrada em vigor da lei (se o projeto de lei virar lei) e onde já houver sido outorgada concessão de TV a cabo há, pelo menos, um ano. a conversa está aqui, no telesíntese.

é certo que, na atravancada pauta do congresso, um projeto de lei de um deputado pode levar décadas para ser analisado e votado. mas este, em particular, é um sinal dos tempos e uma clara indicação de que grupos muito importantes, política e economicamente, querem rediscutir a lei geral de telecomunicações, exatamente o texto que regula o mercado e serviços de telecom no país. tal discussão é inevitável e, em vista das pressões do mercado e da oferta de novas soluções tecnológicas, inadiável. danado vai ser encontrar agenda pra ela dentro do caos político e estratégico do brasil.


o [verdadeiro] espetáculo do crescimento

Monday, January 29th, 2007

ninguém consegue prever, hoje, se o PACote federal vai ou não fazer o brasil crescer de forma menos anêmica do que vem ocorrendo nos últimos muitos anos. mas o gráfico ao lado [do cert.br, centro de resposta a incidentes do .br] mostra que a inflação de incidentes na rede brasileira chegou a espetaculares 190% entre 2005 e 2006. isso depois de cair cerca de 10% entre 2004 e 2005, o que levava a pensar que o caos estava diminuindo por aqui.

quase 3/4 dos ataques vem de fora do país, com os EUA seguidos pela china, rússia, frança e coréia. de um total de quase 200 mil incidentes reportados, houve apenas 500 invasões, o que é muito pouco e dá uma idéia de aumento do nível médio de segurança dos servidores da rede brasileira. o número mais preocupante são as mais de 40 mil fraudes reportadas, a maioria das quais relacionadas a [tentativas de] roubo de dinheiro [de verdade] dos usuários brasileiros, universo que cresceu 18% de dezembro de 2005 pra cá, chegando a 14.4 milhões.

será que os números do certi derrubam o propalado mito de que os hackers brasileiros são os mais ativos do mundo? os ataques originados no .br são apenas 1/4 do problema. preferimos agir lá fora [ou aqui dentro, a partir de servidores que seqüestramos lá fora] ou somos menos do que imaginamos?…

celulares, muitos; SMS, CARO; governança, baixa

Friday, January 26th, 2007

o mundo fechou 2006 com cerca de 2.5 bilhões de telefones celulares. a china lidera com meio bilhão de telemóveis, por aí, e o brasil é o quinto, com quase 100 milhões [não estamos muito mal: 2.8% da população do planeta e 4% dos celulares]. a perspectiva para 2007 é de mais 12.5 milhões de novas assinaturas móveis no país, perto de 10% do total, o que tornaria o mercado nacional de novos aparelhos (e não de novas contas), um mercado primariamente de reposição. especialistas situam o mercado de reposição em quase 50% da base instalada [faça as contas: serão vendidos mais de 60 milhões de celulares no brasil em 2006].

mas poderia ser mais e o uso poderia ser muito maior, só que algumas coisas são muito caras por aqui. pegue os dados da consultoria TELECO para os preços de SMS no brasil, mostrados comparativamente ao resto do mundo na imagem abaixo. para cada sms mandado por nós, um dos súditos de hugo chávez manda cinco e um chinês envia quinze. o título do gráfico não exprime a verdade dos números; melhor seria “brasil tem um dos maiores preços de sms do mundo”. há algo fundamentalmente errado com os preços de muitas coisas no brasil. com um dos menores salários mínimos do mundo e uma classe média espremida entre o mercado de trabalho escasso e a fúria arrecadatória do governo, pagamos preços muito, muito acima do que nosso poder de compra permitiria de forma sã. há casos em que automóveis fabricados aqui são vendidos, nos EUA, pela metade do preço do brasil. e a diferença está toda em impostos… como se fôssemos, por outro lado, um paraíso de serviços.

será que as teles têm pouca competição? dizem que não. será que algumas coisas [como sms] estão cartelizadas? tomara que não. mas não custa nada a anatel, que poderá ser revigorada pela possível chegada do ministro ronaldo sardenberg na casa, se preocupar com esta [e muitas outras] dissonâncias da infra-estrutura brasileira de informação. antes que seja muito tarde, por sinal. ou por falta dele…

second life é tão caro, per capita, quanto o brasil…

Monday, December 11th, 2006

second life é tão caro, per capita, quanto o brasil… se a conta for feita em energia elétrica. nicholas carr começa a responder uma pergunta de tony walsh sobre a sustentabilidade de second life como modelo de negócios e do ponto de vista ecológico. na linha negócios, há prós e contras, pensados e escritos por muita gente boa. na vertente ecológica, carr faz uma contabilidade energética básica para descobrir que o consumo anual de energia de um avatar do second life [1.752kWh, se ficar no ar o ano inteiro] é mais ou menos o mesmo de um brasileiro médio [1.884kWh]!… são 4.000 [já] servidores, mais as máquinas dos usuários. o consumo equivalente em CO2 é 1.170kg/ano.

o número é surpreendente, porque grande. se for por aí mesmo, os mundos virtuais [e não só second life] terão alguma dificuldade para se sustentar no mundo real. até porque sua conta de energia pode torná-los simplesmente inviáveis. ecologicamente e, por conseqüência, como modelo de negócios.

o santo de casa

Tuesday, December 5th, 2006

o professor eduardo morgado e seu time, da unesp de bauru, desenharam e produziram um “laptop de 100 dólares”, cujo protótipo custou uns 250 dólares pra montar [o que é muito bom, pois o preço de produção em volume seria muito mais baixo...] e que atende pelo apelido de “cowboy“. a história está contada no bites de hoje [link para o .pdf].

na descrição do projeto, o time de morgado anuncia umdispositivo computacional de uso genérico capaz de rodar quaisquer softwares compatíveis, e que possua baixo custo de produção e comercialização para o usuário final e seja capaz de oferecer acesso a internet, leitura de arquivos em formatos de mercado bem como permitir a comunicação em rede entre outros computadores… para, entre outros fins… favorecer as camadas da população com acesso restrito à Tecnologia da Informação.

o grupo do professor morgado está de parabéns pela iniciativa, uma das muitas que poderia estar em curso, no país, como parte de programas nacionais de inclusão digital e política industrial, coisas que andam elementarmente juntas em qualquer civilização minimamente organizada. aqui, parece que a carruagem está passando em outra trilha e que o país, parecendo acreditar que possa vender tecnologia ao estrangeiro, não tem tanta fé em seus próprios aviões, hardware, software, técnicos, criadores, inventores, cientistas e engenheiros. e muito menos em uma indústria nacional -ou mesmo baseada no brasil- de tecnologia.

[acabou de sair: O governo brasileiro deverá definir, até o fim de fevereiro de 2007, como será a estratégia de compra de um milhão de laptops educacionais de cem dólares (OLPC) destinados às escolas brasileiras. santo de casa não faz milagre mesmo, por aqui...]

a indústria de TV escolheu: é LCD

Monday, November 27th, 2006

segundo um longo artigo da reuters, a indústria de aparelhos de TV já escolheu o que vai fazer no futuro pra gente ver televisão e a escolha é aparelhos de tecnologia LCD, que começam a ter uma relaçõa similar aos de tecnologia de plasma na região de 40 polegadas. segundo os analistas, este natal [lá fora] vai ser o último dos plasmas de 42 polegadas, pois o preço de LCD vai cair mais 30% no ano que vem e de plasma apenas 15%. a principal razão é que a maior parte dos fabricantes está começando a concentrar sua produção em LCD, o que aumenta a oferta, aliada a sucessos como o da sharp, cuja nova fábrica em kameyama tem uma produtividade, por substrato de vidro, quase três vezes maior que a anterior.

segundo o texto, o resumo da ópera é o seguinte: se você vai comprar, agora, um TV de 50 polegadas ou mais, pode comprar plasma pois LCD não é competitivo nestas dimensões. se estiver indo pra um ao redor de 40, 42, espere até o ano que vem. afinal, há tanta coisa mais interessante do que ver televisão num monitor de grande porte…

aliás, em um artigo relacionado, a mesma reuters reporta que 43% dos ingleses que vêem vídeo na internet ou num celular vêem, como conseqüência, menos TV. só 9%, entre 2000 pesquisados, vê vídeos na rede [ou seja, o boom, se houver, ainda está para chegar]… mas 28% da faixa de idade de 16-24 vê pelo menos um vídeo na rede por semana, contra menos de 45% dos dinossauros (galera como eu, de 45+). somando as duas notas: como a qualidade do vídeo na rede ainda deixa muito a desejar, espere o preço dos LCDs fazer sentido e, só aí, gaste seus caraminguás com um…


nova plataforma de negócios?

Wednesday, November 22nd, 2006

com mais de 35% dos americanos tendo enviado pelo menos um sms este ano, os investidores e geeks estão acordando para as possibilidades dos celulares como plataformas de negócios [móveis, digitais]. gigaom duvida do modelo de negócios escolhido por alguns dos primeiros start-ups… e eu também.

vender uma aplicação desconhecida, de uma empresa nova, para um usuário de celular [dominado por uma tele] não é algo muito simples; se tiver que envolver a tele, então, é o fim do mundo. tirando umas poucas que pensam com cabeça de mercado, a maioria é brain dead e não consegue entender o valor de parceiros que instalem software nos celulares dos usuários para aumentar o tráfego de suas redes… ao invés, criam todo tipo de problema e ainda querem ficar com 70, 80, 90% do faturamento do serviço, com o qual não têm -nem querem ter- nenhum trabalho.

mas a américa é a terra da oportunidade. pode até ser que, lá, funcione. depois importaremos aqui para pindorama as mesmas aplicações que muitos de nós vimos tentando, e há anos, vender para as nossas operadoras. é danado viver em país em subdesenvolvimento…

banda larga: revolução a caminho?

Tuesday, November 14th, 2006

O passado recente do Brasil ensina que o Estado é uma desgraça como provedor de qualquer coisa. Será que é, ou precisa ser, sempre assim? Principalmente para infra-estruturas que, por outro lado, parecem ser naturalmente públicas?… esta é a abertura do meu artigo de hoje, terça, no G1, chamado… Comunicação: acesso deveria ser público e aberto? o artigo é, também, um conjunto de argumentos para explicar porque banda larga, ou fibra ótica nas casas, nas cidades, poderia ser tratada como ruas… ruas que funcionassem, partes de cidades que também funcionassem…

redes locais públicas, abertas: o fim das teles?

Wednesday, November 8th, 2006

talvez não. mas uma mudança potencialmente radical nos modelos de negócio até aqui praticados pela “velha” economia das telecomunicações. malcom matson, da OPLAN Foundation, deu uma magnífica palestra sobre o tema na broadband cities 2006, em estocolmo, onde estou [nada calmo, no momento: dois graus abaixo de zero] agora. na página da oplan, malcom abre o assunto explicando: “…an open public local access network – OPLAN – is precisely what it says it is. That simple proposition scarcely does justice to what this digital infrastructure can achieve, or the scope of the potential economic, social and creative benefit that OPLANs can unleash. Quite simply, they can make all old-style notions of “telecoms” redundant”.

redes locais públicas, abertas, deveriam e poderiam “pegar” em todo canto; poderiam ser parte da infra-estrutura essencial das comunidades, tanto quanto água, esgoto e energia. o que falta? falta entendimento público e [talvez só quando ele vier...] determinação política. enquanto isso, um número de cidades, mundo afora, como estocolmo e amsterdam, para citar duas das grandes, está investindo em infra-estrutura pública e aberta de acesso local à comunicação como mecanismo de diferenciação e competitividade perante seus pares no mercado internacional de localização de negócios e habilitação dos cidadãos para uma vida mais produtiva.

no mundo em desenvolvimento, esta certamente será mais uma tendência que só entenderemos daqui a 10, 20 anos, deixando-nos mais uma vez muito atrás de quem já saiu fazendo. como a coisa pode ser feita nas cidades, nas comunidades, e independe da vontade e investimento de governos centrais, algumas localidades e grupos podem até escapar da maldição geral. tomara que a minha seja uma delas…

localização, a próxima fronteira de telecom?

Tuesday, October 31st, 2006

a nokia acaba de anunciar o n330, um sistema de navegação GPS com tela colorida de 3.5 polegadas, mapa da europa pré-instalado [pra lá, claro], mp3, vídeo divX [provavelmente], 2GB de memória e conexão bluetooth [pra tratar o celular em viva voz].

sinal de que novos mercados estão sendo procurados, urgente, pelos fabricantes de celulares [face à parálise do mercado "normal"de telecom, que cresce apenas 2.5% este ano na europa] e que a competição com garmin, tomtom e outros, que andavam sozinhos no negócio de localização, vai ser braba.

melhor pros usuários, para quem os sistemas de localização andam caros demais. o da nokia, aliás, não sai barato… US$450 [sem impostos]. outros sistemas, como o telenav, aplicação GPS que roda direto no celular, sem precisar de um dispositivo adicional que custa 500 dólares, estão no mercado americano a US$10 por mês e parecem funcionar muito bem [om malik usou e aprovou].

eu sempre prefiro serviço a produto: está na hora de alguém lançar localização nos celulares, com mapas decentes, no brasil, como serviço de valor adicionado às contas de comunicação. em lugares complexos, como as grandes capitais e cidades, vão fazer o maior sucesso, se tiverem qualidade e preço. to pagando até R$25, por mês, pra ver…

aos poucos, lá vai o fust…

Thursday, October 26th, 2006

desde o final de 2005, as operadoras de telefonia fixa já recolhem a contribuição do fust [fundo de universalização dos serviços de telecomunicações] em juízo, o que se conseguiu com liminar na justiça federal “…até que o governo defina a utilização dos recursos”, que teoricamente formam uma montanha de mais de R$5 bilhões de reais em algum cofre em brasília. o fust é aquele fundo que deveria, como o nome diz, universalizar os serviços de telecom no brasil mas que, por motivos vários, nunca saiu do lugar, apesar da montanha de dinheiro ter sido recolhida das nossas contas telefônicas [1% de tudo o que você usa e paga, de telefonia, vai para lá].

agora, a net [tv paga] e suas afiliadas também conseguiram uma liminar para depositar o fust em juízo, enquanto se discute a propriedade ou não do pagamento, cuja legalidade, para o caso das tvs, é questionado em seus fundamentos pela empresa. enquanto isso, o ministro hélio costa diz que serão gastos uns 700 milhões de reais do fundo até 2010. nem parece que só temos 10% da população na internet, enquanto a malásia e o chile têm 40% ou mais.

qual o problema? não se consegue usar o fust nem para aumentar o acesso da população aos serviços de telecomunicações. e internet, legalmente [aqui no brasil], não é serviço de telecomunicações e sim de de valor agregado às telecomunicações. que diferença isso faz? já fez toda a diferença do mundo, no começo dos tempos da rede, quando a embratel [ainda estatal] queria ser “o” provedor de rede do brasil, a “internetbrás”… e a internet, ficando fora da alçada das teles, criou toda uma indústria de provimento de acesso no brasil. na verdade, criou a internet no brasil, coisa que uma estatal ineficiente e centrada nela mesma jamais teria feito, no tempo e escopo em que foi.

o problema real, agora, é que voz, dados, imagem, som… estão todos na mesma plataforma, e tal infra-estrutura é IP, o protocolo internet, rodando dentro das teles, entre as teles e quem tem banda larga, ou sobre linhas discadas, sem intermediação [na prática] de provedores de qualquer tipo. e mais, isso rola também nas redes de tv a cabo, que têm telefonia e internet em todo canto… o que as torna muito pouco diferentes de uma tele [se eu fosse o juiz... eu diria que a net "é" uma tele...].

eu ainda tenho duas contas de “conexão” digital com o mundo: tv via satélite [minha região da cidade não tem cabo] e uma conta quase convergente de telefone fixo, móvel e internet. esta última poderia ter tv também, o que me faria ter uma conta só [internet de verdade é inviável via satélite... é a alternativa onde não há nenhum outro meio].

o resultado é que, se nada mudar, teles e tvs [e quem mais está pagando o 1%] acabarão derrubando o fust na justiça, de vez, talvez usando aquele argumento básico que, de tão brasileiro, parece brincadeira: o fust não pegou. a lei de telecomunicações, tão boa para sua época e de resultados revolucionários para a infra-estrutura nacional, caducou. não representa mais o cenário atual e muito menos o desejado para as comunicações no brasil. é preciso ter a coragem cívica, logo no começo do próximo governo, de enfrentar uma ampla e irrestrita revisão do marco legal das telecomunicações. antes que seja muito tarde e percamos tudo o que conseguimos até agora… pela simples obsolescência das relaçõesvde mercado e negócios impostas na lei.

stallman na capa da forbes: e a razão não é boa

Monday, October 23rd, 2006

em 10 de agosto passado, comentou-se aqui sobre a confusão por trás da reescritura da gpl, a general public license, que rege a distribuição, evolução e uso de linux e mais um monte de software aberto mundo afora. a forbes de 30 de outubro tem uma reportagem de capa sobre o assunto, que continua esquentando e parece, agora, tomar rumos muito mais complicados para a comunidade de software livre. de um lado, os razoáveis, torvalds [parece que meio sem querer] à frente; de outro, a fsf, free software foundation de richard stallman, através [segundo a forbes] de seus representantes “radicais”.

mau sinal: até agora, open source software vinha crescendo em parte por causa do acordo de cavalheiros do lado de cá das licenças; estabilidade jurídica, por sinal, é algo essencial num mundo onde aplicações e sistemas de suporte às mesmas são usados por décadas a fio [vm/cms, um dos sistemas operacionais para mainframes ibm, está por aí desde 1966!]… e, por enquanto, ninguém nem sabe se código licenciado sob v2 [a licença atual de linux] vai poder coexistir com outro, sob v3 [a proposta da fsf]… pra ver os detalhes, leia o artigo original deste blog ou vá na forbes… e boa sorte pra nós todos, pois parece que o céu deste futuro não vai ser de brigadeiro.