Archive for the 'infrastructure' Category

chaos redefined: tokyo traffic control center

Thursday, January 3rd, 2008

um dia -e não vai demorar muito tempo- as cidades vão se informatizar por completo. o painel acima é o controle de tráfego urbano de tokyo, um dos mais complicados do planeta, talvez logo atrás do cairo. só que o do cairo é completamente sem controle [e provavelmente impossível de se controlar]. no brasil, vamos ter RFIDs nos carros muito em breve. e aí vamos saber o que significa a expressão “controle de tráfego”…


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feliz natal [digital]

Monday, December 24th, 2007

um brasil que se torna digital: este é o tema da minha coluna de natal no g1. leia -na íntegra- aqui.

O Natal de 2007, pra banda larga, vai ser um marco. Um ponto de partida. É o começo da era onde se deixou pra trás as amarras do “setor de telecom” e suas metas de universalizar voz e orelhões e onde, de uma vez por todas, se resolveu botar o país inteiro na internet. Isso não tem preço. Além de tudo o que já foi dito, conectar o país em banda larga é uma forma de integração mais radical do que a disseminação da TV nos idos de 1970: enquanto a TV era apenas do centro pras pontas, banda larga é omnidirecional e, por tanto tempo quanto continuarmos lutando pra garantir, não tem controle central. É todos pra todos, ligando tudo, em todo canto, a toda hora.

pra ter uma idéia do significado do acordo entre governo e operadoras pra levar banda larga a quase 3500 municípios brasileiros onde ainda não temos internet, veja abaixo o último mapa de exclusão digital do país, com dados da fgv. sobre este mapa da exclusão, os esforços anteriores de inclusão tiveram efeito bem perto de zero. agora, talvez, tenhamos um país digital de verdade. a ver.

banda “prometida” pode virar processo… na inglaterra

Wednesday, December 19th, 2007

a OFCOM, que é a ANATEL da inglaterra, cansou de receber reclamações dos usuários de banda larga lá da terra da rainha. e tá informando teles e provedores de acesso que espera "informação precisa", aos clientes, sobre o que eles estão comprando E recebendo. segundo a bbc…

Net firms have been criticised for advertising their services using the phrase "up to" that can give consumers a false sense of the speed they will get when they sign up.  The Ofcom Consumer Panel said speeds advertised as "up to" a certain level end up being much slower in reality. The panel called on Ofcom to set up and administer a mandatory code of practice for net firms.

delicadeza inglesa… lá eles vendem 1Mbps como "até 1Mbps" e entregam muito menos. aqui. aqui, vende-se "1Mbps" e, lá no pé do pael, em letras tamanho quatro [tente ler!] estão os "até", "no máximo" e coisa e tal que resultam em recebermos MUITO MENOS BITS por segundo do que estamos comprando.

no brasil, como se sabe, o provimento de acesso à internet foi deliberadamente [lá no começo da internet comercial] situado fora do alcance das teles [quando não havia a anatel], pra evitar que o monopólio estatal de então transformasse a rede em mais uma de suas operações [excluindo a nascente iniciativa privada no setor]. tudo muda. o tempo todo. será que não é hora da anatel começar a pensar no estado da arte e prática dos acessos e infra-estrutura de internet [lembrete: internamente, toda tele é internet pura] e começar a estabelecer princípios fundamentais para os serviços de acesso à rede?

em breve, haverá muito mais gente em "telefonia sobre IP" do que usando "telefone".  pekka tarjanne, que em 1998 era secretário geral da ITU [a instituição internacional de regulação das telecomunicações] preconizava, em um discurso da época, mas "feito para 2008"… uma international internet union. na conclusâo de seu "discurso endereçado a uma platéia real de uma conferência fictícia em 2008" tarjanne anuncia o presente:

To conclude, therefore, I would like to return to the  main theme of this conference: “Coping with convergence: The future is now”. Convergence had already happened by 1998, but many commentators did not recognise it at the time. That is probably because, at the start of 1998, the Internet still had less than one hundred million users worldwide and was plagued with terrible congestion and transmission delays. How, people asked, could this unreliable, insecure, toy network ever be the information superhighway of the future? Now, of course, in 2008, we know better!

o problema da anatel, agora, talvez não seja regular SÓ telecom. como a ofcom, será que nossa agência reguladora não deveria passar a entender [primeiro] e regular [depois] internet?… com o devido cuidado de não inverter a ordem do entendimento e da regulação…

ágio em 3G: o usuário é quem vai pagar

Wednesday, December 19th, 2007

em todas as letras e pontuação, o presidente da oi [luiz eduardo falco] explica quem vai pagar a conta do ágio governamental do leilão 3G [no blog de míriam leitão]:

O que sai hoje das empresas para o governo, sairá depois dos consumidores para a empresa; esse é o ciclo das coisas.

este blog, mais de uma vez, defendeu que o preço que as teles pagam pelo direito de uso de espectro de telecom deveria ser trocado por ofertas e compromissos de metas de universalização. 3G deu errado na europa, lá na década de 90, porque pagou-se demais por um mercado inexistente. e que não pôde ser criado a tempo.

um alto executivo de telecom ouvido por este blog, ontem, disse claramente que cada centavo gasto em licença não só terá que ser recuperado mas que o mesmo centavo será tirado, claro, dos recursos pra construir a infra-estrutura 3G para as áreas compradas. só quem pensa e acha que dinheiro nasce em árvores é o governo. o mercado paga caro por dinheiro. aqui e em qualquer lugar.

um PAC pra internet?…

Friday, November 23rd, 2007

no passado, antes do .bomb, investiu-se tanto em infra-estrutura de internet que muita gente faliu ANTES de ver seu rico dinheirinho voltar… porque não havia usuários em número suficiente. de lá pra cá, nos acostumamos a ter velocidades cada vez maiores à nossa disposição, para gerar e usar conteúdo cada vez mais rico e dependente de banda [larga]. certo que este não é bem o caso no brasil, país de banda [e coisas outras] estreita, mas esta é outra história.

a novidade é que notícias alarmantes [ou alarmistas?] do front dão conta que a rede [lá fora, no mundo rico] pode… parar, por puro e simples colapso da infra-estrutura, em função do aumento da demanda por mídia rica. em suma, cada vez mais acessos e de maior velocidade vendidos na ponta, sem investimentos suficientes no meio pra sustentar a onda. parece, exatamente, o… brasil!

vai ver que, afinal, nossas teles terão alguma coisa pra ensinar à suécia, suiça, coréia e eua. se tivéssemos uma grande população local que falasse a língua destes e de outros países, poderíamos entrar no mercado de outsourcing de tele-call-centers, já que os nossos são perfeitos. especialistas em ouvir nossas reclamações por um ouvido e deixá-las vazar pelo outro, no momento seguinte.

mas é capaz de ser, mesmo, puro alarme. afinal, as redes das teles e provedores controlam a banda que temos lá. na prática, não existe acesso ilimitado, nem em velocidade nem em quantidade de bytes transferidos. e os rumores sobre o colapso da rede não são de hoje, afinal. se não for boato, que tal fazer um PAC mundial pra internet? o brasil poderia ser o ponto de partida…

 

começa o internet governance forum

Monday, November 12th, 2007

está começando no rio a edição brasileira do IGF, forum das nações unidas para discussões sobre governança da internet. o problema do forum está mesmo no "discussões", pois muitos pensam que, sem nenhum poder formal sobre o que quer que seja na rede, apesar das bênçãos da ONU, a coisa não passa de um convescote, ou "talking shop".

do meu ponto de vista, aqui no fim do mundo [onde a rede faz a curva] não dá nem pra saber se vai ser mesmo mais uma reunião de bravatas e slogans ou não. isso porque quase não consegui ver [192kbps era o mínimo pra vídeo] e tampouco ouvir [a 32kbps…]. pena mesmo. governance, claro, não tem nada a ver com qualidade de rede na periferia, coisa que deveria ser do domínio dos órgãos reguladores locais. estes, por sua vez, estão preocupados com outras coisas, como o número de orelhões por habitante e a cobrança de taxas e impostos sobre cada chip de celular que entra no mercado, algo que ajuda muito pouco a universalização de acesso no brasil.

agora é esperar pra ver o que a mesa de abertura [na qual 16 pessoas teriam a palavra!…] definiu como o tom do encontro. tomara que não sejam só bravatas para consumo dos ignaros e glória de políticos de terceira categoria do continente. detalhe: nenhum representante do governo dos EUA, que manda mesmo na coisa [e paga as contas da ONU] estava na mesa de abertura. pra começar, é um mau sinal…

o maior problema dos celulares…

Monday, November 12th, 2007

o tema de meu artigo semanal do G1 é… "A terceira geração de celulares vem aí. Será a hora de abrir as redes das teles?"  vá lá ver. isso foi sábado. hoje pela manhã, o new york times [não que G1 esteja pautando o NYT!] bateu na mesma teclaConsumers have never been happy about their cellphone carriers and the services they provide — or refuse to provide. But they also have hardly the means to do anything, except switch from one carrier to the next.

alguma coisa vai acabar acontecendo nas relações entre consumidores e operadoras… e acho que vai ser necessariamente em benefício dos primeiros. e pode ser que não seja necessariamente através de google e sua open handset alliance. isso porque, ao invés de abrir o "telefone", nós queremos mesmo é abrir a operadora.

ao contrário dos PCs, pensados e usados, quase em sua totalidade, como sistemas computacionais quase fechados, o celular é a ponta -em nossas mãos- de um conjunto de serviços prestados por operadoras oligopolistas que [via de regra] não estão nem aí para as diferentes necessidades dos usuários. isso porque o modelo de negócios das teles móveis, no mundo inteiro, é o de domínio total da rede, incluindo seja lá o que estiver sendo usado pelo consumidor final, eu e você que estamos pagando a conta do lado de cá. mesmo a docomo, no japão, controla os sites que "passam por dentro" de sua rede.

o que precisamos -todos, teles inclusive- é criar as condições para termos redes abertas e programáveis, até mais do que as infra-estruturas de internet o são, hoje. aí, teremos uma verdadeira revolução na cena móvel. sem o que os telefones "de google" [ou quaisquer outros…] podem ser até mais interessantes do que já temos no mercado hoje, mas não vão fazer muito mais, pra nós, do que as maquininhas que já usamos agora.

google cable & co.?

Saturday, September 22nd, 2007

os boatos mais recentes da rede dizem que google está pensando em entrar num negócio de cabos submarinos USA - ASIA. se for verdade, não se trata mais apenas de organizar informação, como a companhia propalava, e sim mais um passo na direção de monopolizar os meios de captura, transmissão, armazenamento, apresentação… e processamento de informação. pra quem acha que a ameaça é a microsoft, é bom se preparar pra mudar de foco em futuro  próximo.

rede da pesada: de esgoto [e inclusão digital?]

Tuesday, September 11th, 2007

o british medical journal começou a ser publicado em 1840. é o que poderia se chamar um venerando jornal científico. coincidentemente, foi nos anos 1840 que edwin chadwick [e outros] começou a propagar, na inglaterra, a noção de usar canos para trazer água para as casas, e em outros [espera-se, sem vazamentos para os primeiros] levar dali seu esgoto. pois bem: o jornal perguntou a seus leitores, comunidade majoritariamente de médicos, qual foi o maior marco da história da medicina nos 167 anos de sua publicação. não deu outra: esgoto, com antibióticos em segundo lugar.

no brasil, apenas a metade dos municípios tem "algum tipo" de tratamento sanitário; no nordeste, 30% coletam o esgoto  e uns 13% coletam e tratam. esta é uma das razões pelas quais temos que gastar verdadeiras fortunas em "saúde", sem os resultados esperados, porque a maioria das doenças continua aí. imagine na amazônia, onde menos de 7% dos municípios tem algum tipo de coleta e/ou tratamento. se a população aumentar, você já sabe o que vai [o]correr no rio amazonas…

e o que esta história está fazendo aqui? saneamento é uma rede de infra-estrutura básica da sociedade, como água, eletricidade, telefone. esgoto é assunto de interesse social há milhares de anos. os primeiros têm mais de 5.000 anos. vez por outra este blog dá uma dura na falta de políticas públicas reais, do tamanho do brasil, para incluir o povo inteiro na internet, que representa numa só infra as bibliotecas, enciclopédias, os jornais, diários, arquivos, TVs… do presente e do futuro, muitos deles escritos por nós mesmos. mas internet é, no máximo, tão importante como… saneamento. se não conseguimos controlar o fluxo de efluentes danosos à saude e ao ambiente em terrenos, lagos, rios e mares, de pouco adiantará termos internet. pois o mundo não vai estar aí mesmo pra gente -e, principalmente, as gerações depois da  nossa- viver nele.

a mega-crise de água que o planeta vai atravessar por causa do aquecimento global certamente aumentará a pressão, em países como o brasil, para o aumento da penetração da rede de saneamento, principalmente de esgoto tratado. não seria demais pensar que qualquer governo minimamente interessado no real futuro [e não em votos] estaria, nos estados e municípios, instalando esgotos a mil por hora. questão de saúde, de segurança pública, pois de sobrevivência.

que tal, pra aumentar nossas chances de futuro, universalizar o esgoto em todos os domicílios em 10 anos? considerando que eletricidade já chegou em quase todos os domicílios, assim como água, e isso aconteceu antes da possibilidade [e baixo custo] de levarmos, juntamente com alguma outra infra, a internet [e de fibra ótica?], a hora de universalizar a internet nas casas brasileiras [ou a possibilidade dela] é quando tomarmos a decisão de universalizar o esgoto…

o custo de instalação cairia pra perto de zero, pois já temos que levar o esgotamento sanitário para o país inteiro mesmo. e o problema seria localizado, cidade a cidade, cada uma decidindo o que fazer no seu espaço e com seu dinheiro. claro que muitos vão optar por redes aéreas como wi-max. mas isso não é banda larga de verdade… banda larga mesmo, por casa, no futuro, é algo na região de 100 megabit por segundo. instalando a fibra certa, agora, é só trocar as pontas, depois.

sonho? pode ser. mas que parece razoável, aqui no blog, como idéia, parece. só falta os prefeitos entenderem que banda larga é tão necessária como esgoto e um insumo fundamental para o desenvolvimento econômico. pensando bem, ainda falta mesmo é os prefeitos chegarem em 1840 e entenderem que esgoto universal é um item essencial da cidadania e até da humaninade como a entendemos hoje.

enquanto tal racionalidade e planejamento não chegam, pelo menos podemos contemplar as fotos da mega rede de esgotos de águas pluviais de tokyo [rios naka, ayase, edogawa], onde enchentes, tufões, furacões, maremotos e banda larga são levados muito a sério. clique na foto; há um monte na seqüência. sim, elas parecem tiradas de um vídeo game. mas são absolutamente reais…

mundo feito de software? skype fora do ar

Friday, August 17th, 2007

mais ou menos às 0400GMT de hoje, alguns milhões de usuários de skype no brasil, alemanha, finlândia, colômbia, estados unidos e outros lugares menos votados deixaram de conseguir entrar no sistema. [mais um apagão que afeta o país…] um dos três logins da minha casa entra [o meu] e os outros dois nem pensar. skype não sabe quando a situação se resolverá, mas o prazo inicial pra devolver toda a rede de volta à vida é de 12 a 24h. talvez. enquanto isso, quem está fora está fora.

redes são software. assim como bancos, supermercados, o governo a polícia e, pelo que se captura de informática nas mãos do crime [des]organizado, tudo é software. carros, celulares, geladeiras e fornos de micro-ondas que só faltam falar. alguns, por sinal, falam mesmo.

muitas destas coisas estão sozinhas e, quando seu software morre, pouca falta fazem ao mundo. quando uma coisa como skype para, [grande] parte do mundo para. é um mega apagão de comunicações. e como é de graça [pra quase todo mundo], sem pátria e sem órgão regulador, não há como reclamar. se bem que a imprensa internacional e os blogs estão fazendo o maior auê. com todo direito. o que é certamente espaço pra uma boa pergunta: o que os competidores de skype andam fazendo de melhor, pra gente pegar este tempo em que a telefonia VOIP da eBay está fora do ar e irmos lá ver se trocamos de provedor?…

banda larga: e nos EUA?

Monday, August 13th, 2007

robert cringely desce a lenha nas teles e agências reguladoras e diz que o futuro da banda larga, nos eua, foi roubado. imagina aqui. lá, ele põe a conta do buraco em US$200B, que desapareceram, ao invés de virar banda.

da abertura do artigo… This is part three of my explanation of how America went from having the fastest and cheapest Internet service in the world to what we have today — not very fast, not very cheap Internet service that is hurting our ability to compete economically with the rest of the world… this week’s final part explains that this all came about because Americans were deceived and defrauded by many of their telephone companies to the tune of $200 billion — money that was supposed to have gone to pay for a broadband future we don’t — and never will — have.

tem muita coisa pra se aprender lendo os textos. dá pra pensar no que poderia ter sido feito, lá. e comparar com o que está sendo pensado e feito no brasil.

eua: mobilidade confusa, iPhone limitado

Thursday, July 26th, 2007

o lançamento do iPhone expõe a fragilidade da infra-estrutura de mobilidade dos eua. segundo reportagem bem recente da business week [iPhone’s Network Hang-Up]…

Given the muddled state of 3G networks in the U.S., Apple’s decision to go with slower technology in the first edition of the iPhone was understandable. But right now we are stuck having to choose between the iPhone, with a good browser and a painful network, and rivals such as the Palm Treo 700p from Verizon or the HTC Mogul from Sprint, with fast networks and lousy browsers. Apple and AT&T have their work cut out for them.

rodando em uma só operadora, e em 2G, talvez o iPhone não vá ser este sucesso todo nos eua. e há quem ache que o iPhone não vai pegar na europa, por um monte de boas razões. a mais complexa delas é a diversidade das redes e o estilo de uso de celulares na europa versus os eua. a mais simples é que muita gente já está descobrindo [nos eua…] que um celular não é um produto [como um iPod quase é] mas um serviço… e que a operadora é mais importante do que o fornecedor de telefones.

a apple, especialista em experiência do usuário, está fornecendo a pontinha de cá da cadeia de valor. se o meio não se ajustar  e não entregar o serviço que vai ser exigido pelos usuários, pode ser que a coisa não dê tão certo quanto steve jobs espera. e os usuários [e não proprietários] do iPhone vão exigir muito. e da apple. e talvez acabem vendo seus iPhone funcionando sobre software [e serviços] dos fabricantes "tradicionais" [ver post logo abaixo…].