Archive for the 'informaticidade' Category

vírus computacionais: 25 anos depois, para sempre

Saturday, September 15th, 2007

há um quarto de século, um aluno do segundo grau chamado richard skrenta escreveu e começou a disseminar o primeiro vírus de computador, para o apple ][. "elk cloner" era benigno, do tipo "boot sector". e foi o primeiro de uma longa, infinita série. em todos os tipos de dispositivos computacionais: PCs, celulares, TVs digitais e, se tudo correr mal, painéis de automóveis, robôs, casas... qualquer coisa programável. até você, um dia. pra saber um pouco do que está acontecendo, veja a dissertação de mestrado de xin li. li trabalhou na suécia, em linköping, de onde vem o trabalho de martin karresand, que tenta uma ontologia [uma "classificação"] para software weapons, ou malware. leitura interessante para os mais inclinados ao estudo dos vírus computacionais.

pra gente não gastar muito tempo com teoria, história e futuro, há duas coisas que precisamos saber, na prática: em 1987, fred cohen demonstrou que é impossível construir um detector [um algoritmo] que encontre, de forma perfeita, todos os vírus possíveis. em 2000, pra fechar o milênio velho e abrir o novo, david chess e steve white, do ibm t j watson research center, escreveram um pequeno paper [oito páginas] que piora em muito, e definitivamente, o cenário: segundo eles… This brief paper adds to the bad news [Cohen's], by pointing out that there are computer viruses which no algorithm can detect, even under a somewhat more liberal definition of detection.

o resultado, em bom português, é que na vida virtual, como na real, viveremos com vírus; eles em nós e nossas máquinas, para sempre. somos hospedeiros. talvez seja da nossa natureza, humana e virtual. no lado das máquinas, nós mesmos fabricamos as coisas. no mundo real. ainda não. pelo menos não em escala industrial. resta saber por quanto tempo.

pensando bem, não é preciso fabricar nenhuma coisa nova: procurando, você encontra, na rede, o genoma do vírus da gripe espanhola de 1918, aquela que matou mais de 20 milhões de pessoas [há quem ponha a conta em 50 milhões, por causa dos efeitos colaterais, na economia, da pandemia]. bill joy e ray kurzweil escreveram um editorial do ny times, em 2005, dizendo que publicar o genoma do vírus tinha sido uma grande besteira e que "despublicá-lo" era mais ou menos como tentar reconduzir as abelhas à colméia, depois de deitar fogo pra assanhá-las. isso porque um porta voz da revista science, onde o genoma foi publicado, disse que "Both the authors and Science’s editors acknowledge concerns that terrorists could, in theory, use the information to reconstruct the 1918 flu virus" . notícia bem pior, por sinal, do que a de chess & white aprofundando o resultado de cohen. estima-se que, só nos eua, uma epidemia do tipo da gripe de 1918 mataria dois milhões de pessoas.

resta trabalharmos todos para estabelecer padrões de comportamento, GLOBAIS, que não levem o conhecimento cada vez maior sobre vírus -reais e virtuais- a causar impactos destrutivos e de muito grande porte no ambiente. terminais, talvez. o que exige reflexão e pensamento mundiais sobre o assunto e não controles dispersos, aqui e ali, enquanto acolá uns malucos possam estar achando que podem salvar o mundo pela via da destruição. para os computadores e redes, há backups e podemos dar um reboot. já o planeta…

celular [parece que] não dá câncer

Thursday, September 13th, 2007

o estudo mais longo já realizado sobre efeitos maléficos dos celulares em seres humanos conclui: The six year research programme has found no association between short term mobile phone use and brain cancer. Studies on volunteers also showed no evidence that brain function was affected by mobile phone signals… ou seja: no curto prazo, celular não derrete seu cérebro. MAS o número de pessoas com mais de dez anos de uso de celular avaliados na pesquisa foi muito pequeno e NADA pode ser dito, ainda, sobre os efeitos de longo prazo do uso de telemóveis.

o trabalho foi realizado pelo Mobile Telecommunications and Health Research (MTHR) Programme e o responsável, professor Lawrie Challis, anunciou, ainda mais, que: “This is a very substantial report from a large research programme. The work reported today has all been published in respected peer-reviewed scientific or medical journals. The results are so far re-assuring but there is still a need for more research, especially to check that no effects emerge from longer-term phone use from adults and from use by children.” em resumo: a comunidade científica não tem nenhuma evidência de que celulares causem câncer em adultos ou crianças. o texto completo do estudo está [em pdf] neste link.

da minha parte, pedro, que vai completar seis anos este mês, vai continuar longe dos celulares por mais alguns anos. outros estudos mostram que a blood brain barrier [ou bbb], sistema que protege o cérebro de ameaças que porventura possam estar circulando no sangue, é afetada, em alguns casos seriamente, por radiações de telefones celulares. veja, por exemplo, o resumo deste artigo. outras evidências, menos radicais, apontam para genotoxicidade do mesmo tipo de radiação, o que pode ser ainda mais complicado. o crânio dos muito jovens é bem mais permeável à radiação dos celulares do que dos adultos e os efeitos de cruto e médio prazo podem ser muito maiores em crianças.

há que ser dito que nenhuma conclusão é definitiva em humanos, até agora. temos que esperar. mais cedo ou mais tarde, saberemos. boa sorte, humanidade: há dois bilhões de ceuluares por aí e as filas nas lojas não param de crescer.

rede da pesada: de esgoto [e inclusão digital?]

Tuesday, September 11th, 2007

o british medical journal começou a ser publicado em 1840. é o que poderia se chamar um venerando jornal científico. coincidentemente, foi nos anos 1840 que edwin chadwick [e outros] começou a propagar, na inglaterra, a noção de usar canos para trazer água para as casas, e em outros [espera-se, sem vazamentos para os primeiros] levar dali seu esgoto. pois bem: o jornal perguntou a seus leitores, comunidade majoritariamente de médicos, qual foi o maior marco da história da medicina nos 167 anos de sua publicação. não deu outra: esgoto, com antibióticos em segundo lugar.

no brasil, apenas a metade dos municípios tem "algum tipo" de tratamento sanitário; no nordeste, 30% coletam o esgoto  e uns 13% coletam e tratam. esta é uma das razões pelas quais temos que gastar verdadeiras fortunas em "saúde", sem os resultados esperados, porque a maioria das doenças continua aí. imagine na amazônia, onde menos de 7% dos municípios tem algum tipo de coleta e/ou tratamento. se a população aumentar, você já sabe o que vai [o]correr no rio amazonas…

e o que esta história está fazendo aqui? saneamento é uma rede de infra-estrutura básica da sociedade, como água, eletricidade, telefone. esgoto é assunto de interesse social há milhares de anos. os primeiros têm mais de 5.000 anos. vez por outra este blog dá uma dura na falta de políticas públicas reais, do tamanho do brasil, para incluir o povo inteiro na internet, que representa numa só infra as bibliotecas, enciclopédias, os jornais, diários, arquivos, TVs… do presente e do futuro, muitos deles escritos por nós mesmos. mas internet é, no máximo, tão importante como… saneamento. se não conseguimos controlar o fluxo de efluentes danosos à saude e ao ambiente em terrenos, lagos, rios e mares, de pouco adiantará termos internet. pois o mundo não vai estar aí mesmo pra gente -e, principalmente, as gerações depois da  nossa- viver nele.

a mega-crise de água que o planeta vai atravessar por causa do aquecimento global certamente aumentará a pressão, em países como o brasil, para o aumento da penetração da rede de saneamento, principalmente de esgoto tratado. não seria demais pensar que qualquer governo minimamente interessado no real futuro [e não em votos] estaria, nos estados e municípios, instalando esgotos a mil por hora. questão de saúde, de segurança pública, pois de sobrevivência.

que tal, pra aumentar nossas chances de futuro, universalizar o esgoto em todos os domicílios em 10 anos? considerando que eletricidade já chegou em quase todos os domicílios, assim como água, e isso aconteceu antes da possibilidade [e baixo custo] de levarmos, juntamente com alguma outra infra, a internet [e de fibra ótica?], a hora de universalizar a internet nas casas brasileiras [ou a possibilidade dela] é quando tomarmos a decisão de universalizar o esgoto…

o custo de instalação cairia pra perto de zero, pois já temos que levar o esgotamento sanitário para o país inteiro mesmo. e o problema seria localizado, cidade a cidade, cada uma decidindo o que fazer no seu espaço e com seu dinheiro. claro que muitos vão optar por redes aéreas como wi-max. mas isso não é banda larga de verdade… banda larga mesmo, por casa, no futuro, é algo na região de 100 megabit por segundo. instalando a fibra certa, agora, é só trocar as pontas, depois.

sonho? pode ser. mas que parece razoável, aqui no blog, como idéia, parece. só falta os prefeitos entenderem que banda larga é tão necessária como esgoto e um insumo fundamental para o desenvolvimento econômico. pensando bem, ainda falta mesmo é os prefeitos chegarem em 1840 e entenderem que esgoto universal é um item essencial da cidadania e até da humaninade como a entendemos hoje.

enquanto tal racionalidade e planejamento não chegam, pelo menos podemos contemplar as fotos da mega rede de esgotos de águas pluviais de tokyo [rios naka, ayase, edogawa], onde enchentes, tufões, furacões, maremotos e banda larga são levados muito a sério. clique na foto; há um monte na seqüência. sim, elas parecem tiradas de um vídeo game. mas são absolutamente reais…

feriando na web: william gibson no washington post

Friday, September 7th, 2007

"When I wrote ‘Neuromancer’ " almost 25 years ago, he [W. Gibson] says, "cyberspace was there, and we were here. In 2007, what we no longer bother to call cyberspace is here, and those increasingly rare moments of nonconnectivity are there. And that’s the difference. There’s no scarlet-tinged dawn on which we rise and look out the window and go, ‘Oh my God, it’s all cyberspace now.’ "

este é um dos parágrafos da entrevista [de 6/set] de william gibson ao washington post. segundo bruce sterling, é uma das melhores entrevistas de gibson em todos os tempos. cory doctorow concorda. humildemente, assino embaixo. vá ler. pode ser que tenha que assinar o WP, mas é grátis. e se você não sabe quem é gibson e porque ele é muito importante para a literatura mundial [moderna, de e sobre o mundo virtual], tá na hora de ler neuromancer, o livro que ajudou a criar um gênero e  influenciou toda uma geração de leitores e autores. ou idoru, que é uma viagem que pode acontecer a qualquer hora. ou já está acontecendo agora, aqui, com nossos "ídolos", fabricados, da e na tv. ou na rede.

gibson tem uma bola de cristal de verdade. duvido que alguém ainda chame, a sério, o espaço de ciber-espaço. é simplesmente o espaço, plano, interligado, com pedaços do mundo de cada um em todo lugar.  hoje, muita gente poderia escrever neuromancer. um quarto de século atrás, uns poucos. e ele era um dos melhores, entre estes.

se você não quiser ler, pode ouvir. há uma coleção de coisas cyberpunk por aí. vale a pena. bom feriado a todos. volto segunda, ou a qualquer momento, em edição extraordinária.

celulares começam a virar software

Thursday, August 30th, 2007

a nokia está começando a transformar seus celulares em software… no ar, paulatinamente a partir deste semestre, OVI [porta, em filandês]. segundo a nokia… Ovi – one key opens every door. Ovi (http://www.ovi.com) is the gateway to Nokia’s Internet services, including the Nokia Music Store, Nokia Maps, and N-Gage games. It will also be an open door to web communities, enabling people to access their content, communities and contacts from a single place, either directly from a compatible Nokia device or from a PC. The first version of Ovi.com is scheduled to go live in English during the fourth quarter of 2007 and additional features and languages expected to go live during the first half of 2008.

isso não é um acaso, é uma tendência: vamos ver um número cada vez maior de empresas "de hardware" provendo uma quantidade muito grande de serviços "de software" sobre seus dispositivos [e de outros fabricantes]. isso vai transformar o hardware, de vez, em uma commodity, diferenciada pelo software [como serviço] que estará por trás dele. quem viver verá.

firefox quase lá…

Wednesday, July 25th, 2007

pelo menos entre os visitantes deste blog, firefox está pegando ie. neste 25 de julho, 48% de todos os visitantes usavam alguma versão de firefox. ie ficou não com os outros 52, porque houve 3% de outros browsers [como opera e celulares]… assim, firefox ficou a um ponto percentual de ie, pela primeira vez, pelo menos aqui no blog, ie 49 vs 48 firefox. sinal dos tempos.

se e quando passar, aviso a todo mundo. será um feito histórico.

os movimentos do mundo móvel

Tuesday, July 24th, 2007

a feira de negócios de internet não é só no mundo fixo, onde negócios web2.0 estão trocando de mãos quase todo dia. no mundo móvel, a nokia acaba de pagar perto de US$100M pela twango, um start-up formado por cinco ex-funcionários da microsoft mais parcos 10 empregados. tipo assim… 10 milhões de dólares por colaborador. a história é do wall street journal [ele próprio alvo de aquisição por rupert murdoch]. twango, segundo ela própria, é uma comprehensive media sharing destination and platform, e o casamento de um competidor do flickr, como twango, com a nokia, dá o que pensar.

isso porque a empresa está indo às compras há algum tempo: a loudeye, que queria ser um rival de itunes, foi comprada ano passado por US$60M; em 2005, tinha sido a vez da intellisync, cujo negócio é sincronizar aparelhos com fontes de informação, o que pode ser muito útil se você está se movendo, por aí, e seus serviços não estão exatamente dentro de seu celular. o fato do espaço móvel, por limitações [e vantagens] dos celulares e operadoras não funcionar do mesmo jeito da web [pelo menos por enquanto] cria um monte de oportunidades de negócio [raramente percebida por gente da periferia como nós, brasileiros].

mas não é so a nokia: a motorola comprou a good technology, um rival da RIM [que faz o blackberry], no fim do ano passado, e neste primeiro semestre trouxe pra dentro de casa a modulus video, que tem um codec de mpeg4 muito bom, e a leapstone, que faz uma… unified platform for creating, managing and delivering converged video, voice and data service bundles across multiple networks and devices. sem falar que em junho a empresa já tinha investido  US$140M na compra da terayon… dedicated to creating video solutions that enable content to be localized and delivered “on-demand” based on the regional and local interest of viewers.  e tem mais, como tut [iptv], symbol [por US$3.9B, enterprise mobility], netopia [acesso digital, por US$208M], kreatel [linux set-top box para iptv]…

resumo: a nokia está indo pra comunidades [e não só] e a motorola pra convergência digital e localização [e não só]. os dois, e todos os outros do cenário estão interessados em prover o que mario cesar araujo, da tim, está dizendo que vai fazer: “Temos que oferecer toda a convergência a partir do móvel, como fez a Vodafone na Europa”. no caso da moto, em particular, há uma grande aposta em mídia convergente, especialmente em localcast iptv móvel, mercado que, segundo uns, pode crescer a taxas de 100% ou mais nos próximos anos.

ainda mais interessante é ver que negócios até pouco tempo atrás identificados por muita gente como sendo "de hardware", como nokia e motorola, estão se transformando em software e, principalmente, serviços. é fácil imaginar que a nokia não vai "vender" uma cópia de twango pras operadoras…. até porque o valor do "sistema" seria muito menor que o "da rede". logo, as teles comprarão o "serviço"… a mesma coisa vale para algumas aquisições da motorola, senão todas.

e, como este blog já cansou de anunciar aqui… pena que, com tanta gente inteligente e criativa no brasil, ninguém comprou nada aqui. porque quase não há o que vender! uma das coisas que nos falta é mais investimento em inovação em volumes muito maiores do que o velho, puro, simples e às vezes competamente irrelevante e pouco efetivo, do ponto de vista de futuro do país, financiamento, pela via da "demanda qualificada", à ciência… para fins de publicação de papers e elevação do país no ranking mundial de "criação de conhecimento".

pra quê, se nos falta uma cadeia de valor de investimento pra transformar o conhecimento em negócio? mesmo que seja para ser comprado pelas grandes transnacionais do setor, pois isso também faz parte do negócio. como diz josé carlos cavalcanti, o caso do brasil, certas horas, é de um isolamento e exclusão tão extremos que queremos, sim, ser explorados, para voltarmos à roda, para participar mais e entender como, inclusive, não ser mais explorado ou, pior, ignorado… e, muito lá na frente, ter empresas [de conhecimento] nossas -pra variar- comprando algumas deles também…

previsões: carros = software?

Friday, July 13th, 2007

vez por outra alguém me liga pedindo uma previsão, um número, um valor para alguma coisa daqui a 5, 10 anos. vez por outra eu caio na tentação e ofereço um chute, normalmente baseado apenas nos meus sentimentos. mas há gente séria, com dados à mão, falando coisas muito mais interessantes.

veja esta aqui, dita pelo CTO da GM em 2004: In 1970, a typical GM car contained about 100 lines of code. By 1990, it was running about 100,000 lines of code. By 2010, predicts Scott, cars will average about 100 million lines of code. cem milhões de linhas de código em um carro? bem, não exatamente no nosso 1.0, em 2010. e talvez não em 2010, para nenhum carro.

mas uma coisa é certa: tudo está virando software. para os carros, como para qualquer outra coisa, é só uma questão de tempo. o lexus ls460 2006 que ilustra este texto tem bem mais de 7 milhões de linhas de código. e uma bmw topo de linha tem perto de cem processadores. vai lá, vem cá… pode não ser em 2010, mas não vai demorar muito mais pra que um carro tenha mais software do que um computador de mesa. tomara que não passe a ter a mesma quantidade de defeitos… mas já hoje os grandes fabricantes de carros movidos a software estão fazendo recalls de seus programas, digo, carros, para resolver bugs, alguns dos quais capazes de parar o auto por completo. e até oferecer risco de vida aos ocupantes.

natal: móvel, wi-fi, VOIP

Wednesday, June 27th, 2007

no fim do ano, haverá no mundo mais de cem modelos diferentes de celulares certificados com wi-fi. segundo a in-stat, cerca de metade dos early adopters [gente que "testa" novidades] que vai estar trocando de celular, no futuro próximo, irá atrás de um aparelho wi-fi. isso é convergência digital, com os móveis rodando VOIP e comendo ainda mais da conta de voz das operadoras. o que é mais um problema para as teles do passado. ah, sim: as teles do passado são aquelas que insistem em vender [e cobrar por] o que se costumava chamar, no século passado, de telefone.

web+mobile, EUA: 59% por fora

Thursday, June 21st, 2007

relatório recente do PEW INTERNET & AMERICAN LIFE PROJECT classifica usuários de TICs nos EUA [A Typology of Information and Communication Technology Users] e descobre que…

  • 8% of Americans are deep users of the participatory Web and mobile applications
  • Another 23% are heavy, pragmatic tech adopters – they use gadgets to keep up with social networks or be productive at work
  • 10% rely on mobile devices for voice, texting, or entertainment
  • 10% use information gadgets, but find it a hassle
  • 49% of Americans only occasionally use modern gadgetry and many others bristle at electronic connectivity

ou seja… quase 60% dos americanos quer comunicação muito mais simples do que têm hoje. taí uma grande oportunidade para quem desenvolve e provê serviços e aplicações de TICs… e mais uma evidência de que nós de TICs, temos que avançar na direção de informaticidade: informática cada vez mais simples, transparente e calma, invisível para o usuário comum. senão ele fica de fora…

será que vale em qualquer canto e para qualquer faixa de idade? parece que não. na coréia, por exemplo, há uma corrida mortal, entre fabricantes e operadores, para oferecer mais serviços e interfaces… e deixar o público, darwinianamente, escolher o que vai sobreviver. a informaticidade, na coréia, ainda fica por trás da interface. de qualquer forma, os eua são um mercado gigantesco e sistemas periférios como o nosso dependem muito de lá. daí porque é bom estudar os resultados deles, nem que seja para refutá-los.

precisamos esquecer. mesmo? como?

Wednesday, June 20th, 2007

viktor mayer-schönberger anda preocupado com a nossa incapacidade [nova, web-based] de esquecer. depois da internet, do internet archive, de google [veja este editorial do ft.com] e outras ferramentas de armazenamento e busca, tudo o que há de registro nosso, aqui na terra, está sendo gravado para sempre. incluindo todas as suas e minhas transações comerciais, em qualquer lugar onde andamos comprando qualquer coisa, na web, nos últimos muitos anos. e isso pode levar a todo tipo de problema novo, na sociedade, já que o esquecimento paulatino dos acontecimentos tem sido a base sobre a qual nossa história é montada. segundo mayer-schönberger…

As humans we have the capacity to remember –and to forget. For millennia remembering was hard, and forgetting easy. By default, we would forget. Digital technology has inverted this. Today, with affordable storage, effortless retrieval and global access remembering has become the default, for us individually and for society as a whole… I analyze this shift and link it to technological innovation and information economics. Then I suggest why we may want to worry about the shift, and call for what I term data ecology. In contrast to others I do not call for comprehensive new laws or constitutional adjudication. Instead I propose a simple rule that reinstates the default of forgetting our societies have experienced for millennia, and I show how a combination of law and technology can achieve this shift.

o texto acima é parte de Useful Void: The Art of Forgetting in the Age of Ubiquitous Computing, onde se  propõe que…

…we shift the default when storing personal information back to where it has been for millennia, from remembering forever to forgetting over time. I suggest that we achieve this reversal with a combination of law and software. The primary role of law in my proposal is to mandate that those who create software that collects and stores data build into their code not only the ability to forget with time, but make such forgetting the default. The technical principle is similarly simple: Data is associated with meta-data that defines how long the underlying personal information ought to be stored. Once data has reached its expiry date, it will be deleted automatically by software, by Lessig’s West Coast Code.

east coast code é o sistema de leis dos eua [criado e depurado na costa leste] e west coast code é o código, o software, que criou a arquitetura da rede, nascido na costa oeste, no silicon valley, que em última análise está nos gravando pra sempre. a distinção foi celebrizada no livro de larry lessig code and other laws of cyberspace.

a proposta de mayer-schönberger é interessante e deveria ser objeto de discussão nos legislativos mundiais. talvez já seja muito tarde para protegermos nosso presente e futuro do nosso passado. mas, por outro lado, parece razoável que, mesmo querendo entregar muitos de nossos dados a um site qualquer, para uma determinada transação, queiramos garantir que os mesmos sejam destruídos quando nós, e não o site, achemos que não seja mais necessário. resta saber quando tal agenda vai acontecer em fins-de-mundo como o nosso…

adorno para idiotas…

Tuesday, June 5th, 2007

andrew keen, autor do livro ao lado [clique para vê-lo na amazon], fez um sumário do texto inteiro em 10 pontos, uma espécie de manifesto anti-web2.0. o subtítulo do livro já diz a metade da história: como a internet de hoje está matando nossa cultura… [está mesmo? duvido.]. o primeiro ponto do decálogo é…

The cult of the amateur is digital utopianism’s most seductive delusion. This cult promises that the latest media technology in the form of blogs, wikis and podcasts will enable everyone to become widely read writers, journalists, movie directors and music artists. It suggests, mistakenly, that everyone has something interesting to say.

e o último volta a platão, e sua opinião sobre artistas que tinham, só por acaso, opinião:

The cultural consequence of uncontrolled digital development will be social vertigo. Culture will be spinning and whirling and in continual flux. Everything will be in motion; everything will be opinion. This social vertigo of ubiquitous opinion was recognized by Plato. That’s why he was of the opinion that opinionated artists should be banned from his Republic.

theodor w. adorno foi o mais importante filósofo alemão do pós-guerra e jürgen habermas, um dos mais importantes filósofos do mundo atual, foi seu aluno e assistente. para saber porque o "adorno para idiotas", leia o texto original de adorno sobre a indústria cultural [de 1944]. nem todo mundo, claro, tem alguma coisa relevante a dizer. mas todo mundo tem alguma coisa a dizer. e nada é mais importante, em benefício do próprio futuro da indústria cultural, que quem queira se manifestar que o faça. alto e bom som. e pra todo mundo. quem quiser leia [veja, ouça...] e goste. ou não. problema de cada um. só não venham limitar o meu [e seu, e o nosso] direito de dizer o que eu bem quero.

estamos vivendo [mais] um estágio da "indústria cultural", desta vez habilitada pela web, em que os mecanismos de refinamento que a cultura [em qualquer vertente] sempre teve, para selecionar e separar o que era "significativo" do que não era foram descontrolados de fato. como em um cartoon do começo da internet, qualquer um pode ser relevante: no momento, basta ter audiência. mas o momento muda e o refinamento acontece, paulatinamente, passo a passo, à medida em que vamos entendendo o que e quem vale a pena ler. trata-se de um processo educativo para todos.

a diferença, hoje, é que a prensa [virtual] de gutenberg está em sua versão web 2.0, elevando a democratização dos meios de produção de informação a níveis que nunca foram imaginados pela tal "indústria cultural". isso, claro, gera o caos "denunciado" por keen em seu "manifesto". mas não há, nem precisa haver, desespero. o tempo, a prática, os processos de seleção natural, em conjunto, vão criar as novas relevâncias e restabelecer alguma ordem. não, e nunca mais, toda a ordem que já existiu quando os donos de jornais e editores decidiam o que imprimir e distribuir. tal ordem, de resto, é do passado.

assim como gutenberg desorganizou o poder dos reis, igreja e mosteiros com a prensa de tipos móveis, criando outros poderes, a indústria cultural está sendo modificada para sempre pela liberdade criada pela web. as empresas e suas estruturas e práticas organizacionais vão pela mesma estrada. para sempre. sem volta. mas não estamos indo para o caos puro e simples, e sim para um mundo muito mais diverso, sofisticado e complexo… e mais, bem mais difícil de entender e administrar. bem-vindos. é só mais uma parte do futuro começando…