Archive for the 'information authority' Category

infosfera: somos todos parte dela

Tuesday, November 7th, 2006

O mundo está ficando mais complexo e mais rápido. Informação, cada vez mais, é parte essencial de nossas vidas. Inclusive para voar… esta é a abertura de meu artigo de hoje no g1.globo.com.

o “ciberespaço” vai à guerra.

Monday, November 6th, 2006

ou a guerra vem pra internet. a força aérea americana mudou sua definição de missão, no fim do ano passado, para incluir como áreas operacionais, além do espaço e do ar, o “ciberespaço”. mês passado, o estado maior de lá, o U.S. Joint Chiefs of Staff definiu [e olha que isso pega!] o ciberespaço como “characterized by the use of electronics and the electromagnetic spectrum to store, modify, and exchange data via networked systems and associated physical infrastructures”, o que cobre muito mais do que a rede… pois envolve tirar do ar satélites e partes do espectro eletromagnético, inclusive. coisa de louco.

o air force cyberspace command vai ser pilotado, literalmente, por um tenente-general, o que é bastante alto na hierarquia e, segundo o secretário da força aérea, michael wynne“…war is data-dependent. We need to protect our data while detecting adversary data and then deny, disrupt, dissuade or destroy the source of that data or transmission as appropriate.” breve, numa máquina perto de você, uma águia nada amigável…

algo a menos no ar… aviões de carreira

Tuesday, October 31st, 2006

quando do desastre da gol, escrevi no G1 que “aviões não saem por aí, no espaço, como bem entendem“… a prova cabal disso é que os controladores de vôo resolveram, agora, trabalhar dentro regras de proteção ao vôo, dentro dos limites operacionais e humanos a que estão sujeitos…

donde se depreende que, antes, eles estavam fora das regras. o resultado é que o tráfego aéreo máximo que pode ser tocado pelo que existe de infra-estrutura de controle no país está levando o caos aos principais aeroportos do país. ou seja, os aviões não podem sair do chão enquanto a distância regulamentar entre eles não atingir o tempo em que o vôo é seguro.

talvez isso explique porque o ministério da defesa, no dia do acidente, foi tão rápido ao culpar pilotos e dizer que, no chão, tudo estava às mil maravilhas. não estava. e não está.

como os adolescentes sequestraram a internet [?}

Friday, October 20th, 2006

sam vaknin acaba de publicar um texto muito interessante em global politician, supostamente mostrando que o conjunto google-wikipedia-myspace-blogspot passou a dominar a internet porque, ele próprio, dominado por adolescentes. isso é que é protagonismo juvenil…

dr. vaknin acompanha 154 palavras e as respostas de google pra elas desde 1999. destas, 128 primeiros resultados são páginas da wikipedia, hoje, 38 dos quais são “stubs”, termo usado pela wikipedia para denotar artigos que ainda precisam ser realmente escritos. wikipedia recebe 54% de seu tráfego vindo de google; depois de chegar lá, a maioria dos visitantes vai para myspace e blogspot, cujo engenho de busca é… google. de onde eles supostamente voltam para a wikipedia, fechando o ciclo.

ou seja, um número muito grande de usuários da internet [se o estudo for confirmado independentemente] está vivendo fechado em quatro grandes repositórios de informação, o estaria sendo estimulado pelo algoritmo atual de google, que promove a wikipedia -talvez sem razão em um número muito grande de casos, a confiarmos no dr. vaknin- desmesuradamente.

como validar os resultados? teste “love” em google e em search.msn.com: no primeiro, a wikipedia é a terceira resposta e, no segundo… é a primeira! a primeira -e muito esquisita- resposta de google é um certo love calculator… que determina a probabilidade de um relacionamento de sucesso entre “qualquer” duas pessoas… baseado nos seus nomes, uma resposta claramente construída para adolescentes e, segundo a qual, a chance de eu estar com katia é… zero. estamos juntos desde 1997. ainda bem que o “serviço” não existia, então…

no ar: assimetria de informação

Saturday, September 30th, 2006

um avião da gol -fazendo o vôo 1907, 155 pessoas a bordo- se choca com um jato executivo em pleno ar, aparentemente em meio ao deserto verde da região de matupá, mato grosso. ninguém sabe direito o que aconteceu, mas o ministro da defesa faz questão de anunciar, quase imediatamente, que “deve ter sido um descuido da tripulação da gol“. como assim, camarada?…

aviões não saem por aí, no espaço aéreo, como querem e bem entendem: um conjunto de centros de controle de tráfego aéreo [em cada país] decide [e ordena] os caminhos por onde uma aeronave qualquer pode voar. as rotas aéreas são túneis virtuais, no espaço, dentro do quais os aviões “controlados” por tais sistemas [de informação, operados por e dependentes de seres humanos] são obrigados a manter uma distância regulamentar uns dos outros. assim, quando o leitor embarca de brasília a recife e o piloto diz que está voando na proa [direção] de bom jesus da lapa, ele o não faz porque quer, mas porque o túnel de brasilia a recife, naquela hora, para aquele vôo, passa por lá.

antes de dizer que “a tripulação da gol” deve ter feito alguma besteira, o senhor ministro deveria estar-se fazendo perguntas um pouco mais sensatas e complexas: 1] por que um jato executivo voava em rota de colisão com um avião comercial? 2] será que o controle de vôo botou os dois em tal situação [e aí o problema está na cozinha do ministro] ou 3] o controle de vôo nem sabia que o jato executivo estava lá [problemas na cozinha do ministro, de novo…] e… 4] não fez nada [ou não tinha condições de fazer] para tirá-lo de lá [olhaí as panelas do ministro no fogo de novo…].

não estou no negócio de defender a gol, mas é de uma leviandade sesquipedal um ministro de estado dar declarações sobre algo tão difícil de explicar antes mesmo de se ter respostas a perguntas tão básicas como as que qualquer passageiro freqüente [como eu] pode fazer sem ter um ministério da defesa inteiro para assessorá-lo. muito menos estou dizendo que o controle de vôo tem culpa no cartório; só questiono o diagnóstico -imediato- do senhor ministro sobre algo não trivial como o que acaba de acontecer.

o ecossistema de aviação de qualquer país é um sistema de informação; a qualquer momento, pode haver centenas de aviões no ar, transportando dezenas de milhares de vidas [veja o tamanho do problema, nos eua, aqui]. a segurança destas pessoas depende, ainda [enquanto um sistema anti-colisão, instalado em todos os aviões, não os torna conscientes da presença dos outros ao seu redor]. de um sistema de informação centralizado, cujo papel principal é garantir que toda e qualquer aeronave no seu espaço aéreo sabe porque está onde está, ao mesmo tempo em que assegura que um avião qualquer não vai, de uma hora pra outra, entrar no micro-espaço do outro. se isso acontecer, a chance de uma catástrofe é muito alta. e foi o que aconteceu com o gol 1907.

um dos casos recentes de colisão no ar, descoberta quase na hora pelo controle de tráfego aéreo e avisada aos pilotos, foi a que matou 59 pessoas quando um avião da DHL colidiu sobre o lake konstanz com um tupolev da bashkirian airlines: os dois pilotos mergulharam seus aviões para evitar o desastre e a igualdade das ações foi o fim de todos os passageiros e tripulantes. e o avião da DHL tinha o que de mais moderno havia em sistemas de alerta contra colisão, na época [como parece ser o caso do legacy e b737-800 envolvidos no acidente de ontem].

assumindo que nenhuma das duas tripulações envolvidas no acidente da gol estivesse deliberadamente tentando bater no outro avião, a responsabilidade do acidente está ligada à assimetria de informação entre os envolvidos: se os aviões e o controle responsável pela área soubessem, com a devida antecedência, do choque iminente, a comunicação entre as partes teria criado condições para que o desastre fosse evitado. uma coisa que o senhor ministro deveria estar começando a fazer, desde hoje à tarde, era garantir ao país que -seja lá o que tiver acontecido- haverá uma ampla investigação no sistema de informação [e controle] de tráfego aéreo, para dar certeza a todos os brasileiros que, ao entrarmos num avião, não estamos correndo os mesmos riscos do gol 1907, por culpa de responsabilidades do governo que deveriam funcionar a 100% de eficácia e eficiência, mas não estão assim tão bem das pernas.

tomara que não haja nada errado com o controle de vôo. mas, como o governo não tem toda esta tradição de investigar [seja lá o que for] a sério e profundamente -apesar de todas as declarações em contrário-, meu medo de avião aumentará muito neste domingo, quando terei que pegar logo três, para ir de recife a navegantes. que tudo dê certo, nem que seja por acaso… se não houver nenhum post aqui semana que vem, procurem o ministério da defesa para reclamar…

censura [ou invasão] no orkut?…

Saturday, September 23rd, 2006

pelo menos dez grandes comunidades do orkut, uma delas com 180 mil integrantes [tanto quanto a população de passo fundo ou araçatuba], sumiram, simplesmente, de ontem para hoje, segundo notícia do G1. pode ter sido censura, o que é remoto [pelo menos é o que se acha, no momento] ou… as senhas de seus moderadores foram capturadas e usadas por terceiros pra detonar o conteúdo. algumas delas já estão sendo reconstruídas do zero, pelos integrantes; se o orkut ajudasse, era só dar um boot no último backup e é possível que quase nada tivesse se perdido…

postura cômoda e complacente… de google?

Friday, September 1st, 2006

“(…) para vender serviços no Brasil a Google está presente, mas para colaborar na elucidação de crimes, não! Trata-se de postura cômoda e complacente com os graves crimes praticados no serviço Orkut por nacionais, e que não encontra respaldo no ordenamento jurídico brasileiro, além de refletir um profundo desprezo pela soberania nacional ao facilitar que se subtraiam da jurisdição criminal os brasileiros que utilizam o anonimato do serviço Orkut para cometer crimes de pornografia infantil e racismo”…

o parágrafo anterior é parte do despacho do juiz federal da 17a. vara cível de são paulo, josé marcos lunardelli, ordenando que google entregue dados que permitam a identificação de nacionais que estão cometendo crimes [segundo a lei brasileira] usando como ferramenta o site de relacionamentos orkut. a empresa americana tem 15 dias para cumprir a determinação judicial, sob pena de multa diária de R$50 mil.

uma semana atrás, o procurador de google no brasil, o advogado Durval Noronha Goyos Jr., dizia em público que a ação ajuizada pelo Ministério Público de São Paulo contra a filial brasileira da companhia era um “disparate total e absoluto“. vai ser interessante observar o que acontece agora. o Estado brasileiro, muito competente em seu afã de extrair da população uma das coletas de impostos mais altas do mundo, tem sido muito pouco eficiente em proteger os interesses nacionais, como ficou patente no caso da nacionalização dos “hidrocarbonetos” na bolívia, onde faltou pouco pra mandarmos uma missão que desse, aos bolivianos, ajuda para saquear os investimentos brasileiros naquele país.

em jogo está, neste incidente, a jurisdição nacional no tocante à deslocalização dos serviços prestados, num país, por empresas que usam meios eletrônicos para tal. é google, na vez, mas poderia ser sky/directv [afinal, os satélites que nos enviam sua programação não estão, tanto quanto os servidores de orkut, em território nacional]. o que deve valer pra google, orkut e qualquer outro operador de serviços de informação, na rede? ninguém sabe ao certo.

mas uma boa idéia do que pode vir a acontecer -pelo menos no brasil- vai derivar deste caso. se eu fosse google, iria até o supremo, como eles provavelmente irão. se eu fosse o ministério público -cuja argumentação, no meu entender, assim como o despacho do juiz lunardelli, é muito, mas muito boa-, não desistiria de jeito nenhum. de um lado e de outro aprenderemos muita coisa sobre os reais limites do que se pode ou não fazer com a rede no brasil.

até onde eu sei, nosso país nunca tentou restringir a liberdade de informação na rede. mas pedofilia e tráfico de drogas… passam um bocado do que qualquer pessoa minimamente instruída chamaria de “liberdade de expressão”… e seus perpetradores não têm qualquer direito ao tipo de imunidade que google lhes quer dar. ganhando, o brasil entra na classe da china, eua e países europeus, que têm algum mando sobre seu território. perdendo, viramos o paraguay, onde mandam todos…

time: a geração multitarefa

Sunday, March 26th, 2006

a capa da time de 27.mar.2006 é sobre os hábitos dos garotos e garotas do mundo novo, conectado. estariam eles ligados demais para seu próprio bem? nelson pretto, da ufba, foi o primeiro, anos atrás, que eu vi classificá-los como a “geração alt+tab”. mas não é de hoje o fenômeno.

linda stone, criadora do grupo de computação social da microsoft, desenhou há uns dez anos o termo atenção parcial contínua [continuous partial attention] para designar o comportamento de monitorar tantas fontes de informação quanto possível for, prestando atenção parcial a cada uma delas. linda acha que este tempo está passando e que é preciso [e em alguns casos exigido] começar a prestar atenção de fato ao que está ocorrendo ali, na sua frente, agora. [|ross mayfield também, nas notas que tomou enquanto linda falava, sem prestar muita atenção ao que ela estava dizendo…|]…

eu [que passei minha vida inteira no modo CPA,] discordo em boa parte da necessidade de nos focarmos mais [há quem ache o mesmo], mas tenho que convir que é danado se mover 3.000Km para uma reunião com uma dúzia de pessoas e passar o dia inteiro com 75% da sala olhando pras suas várias telas o tempo todo. a maioria das reuniões não deveria existir, mas… mesmo assim, é danado.

no caso particular das reuniões, a solução talvez seja:

  1. só convocar reuniões que tenham motivo, preparação, processo e objetivo;
  2. só trazer para a reunião quem realmente tenha que estar nela e tiver preenchido os pré-requisitos de preparação a contento;
  3. nunca perder tempo com “informes” e bobagens do tipo [pois supõe-se que saibamos ler];
  4. nunca deixar a reunião durar um minuto a mais do que o necessário e
  5. se houver votação, votar tudo nos primeiros 15 minutos. atrasados que cheguem na hora na próxima… o mundo não se acaba em uma reunião…

de resto, enquanto escrevo isso aqui, tenho 27 tabs abertos no firefox, uma TV ligada e winamp tocando a resonance104.4fm.

A coisificação da internet [e não só]

Monday, March 20th, 2006

em novembro de 2005, apareceu o relatório the internet of things da international telecommunications union, que foi uma das estrelas do wsis.tunísia. julian bleecker tem algo muito mais leve [e grátis] em seu blog [theory objects & design patterns]: um manifesto intitulado “da importância das coisas“. infelizmente, julian não cita [nem toma como ponto de partida…] o trabalho de luciano floridi, que antecede em muito o “internet of things”, começa com Information Ethics: On the Theoretical Foundations of Computer Ethics, publicado em 1999 em Ethics and Information Technology [1.1, 37-56] e vem rolando desde então. em 2005, floridi publicou Is Information Meaningful Data?, na Philosophy and Phenomenological Research, [70.2, 351-370]. entender floridi é essencial para discutir porque a ética da infosfera [a internet de todas as coisas, inclusive nós!] não deveria ser antropocêntrica.

1 bilhão. 100 milhões. 1 milhão.

Sunday, March 5th, 2006

números, apenas. a internet tem [mais de] um bilhão de usuários. flickr tem [mais de] cem milhões de fotos [em apenas dois anos]. e a wikipedia em inglês tem [mais de] um milhão de artigos. o céu e o limite.

50 artigos, 500 palavras cada. Tudo por US$100.

Thursday, March 2nd, 2006

escritos só para influenciar engenhos de busca da “forma certa”. história de Lee Gomes, no WSJ, que andou pelo submundo de “conteúdo original”, uma das coisas mais caras aos engenhos de busca de hoje. se você é uma “autoridade” em algo, fica muito bem no instantâneo da rede tirado por google, por exemplo. Gomes compara engenhos de busca a uma câmera de TV na multidão, depois de um jogo, “provocando” a multidão… [poderia ser durante o carnaval], ao invés de num satélite, procurando significados no globo. se saber observado muda quase tudo pra muita gente. e cria uma indústria, principalmente de conteúdo em inglês, que roda “outsourced” da mesma forma que a indústria de software. sem nenhuma preocupação com conteúdo, qualidade e seu impacto nos leitores. a maioria é pra vender alguma coisa de funcionalidade no mínimo duvidosa. se você não sabe qualificar o que você lê, uma boa parte do que vão lhe indicar, numa busca, pode ser irrelevante. ou perigoso…