Archive for the 'information authority' Category

lá vem mais google…

Sunday, December 16th, 2007

busca. mapas. celulares. documentos. anúncios. operadora móvel. emeio. vídeo. redes sociais. wikipedia. wikipedia? a wikipedia não era um sucesso com o qual google colaborava? sim, era. google está agora no negócio de montar a "sua", também. veja aqui. quando uma companhia com o poder de fogo de google se espalha deste jeito, será que deveríamos ficar mais ou menos preocupados? na história, até agora, sempre acabou mal. será que vai ser diferente, daqui pra frente?… por que?…

revolução: busca em vídeo

Sunday, December 2nd, 2007

o MIT acaba de tornar pública uma nova tecnologia que permite pesquisa textual em vídeos [de aulas, por exemplo]. claro que isso já era possível quando um operador humano transcrevia as falas e sincronizava o texto correspondente com o vídeo. sobre o resultado textual, fazia-se uma busca que, por sua vez, apontava para o vídeo.

a promessa da inovação é de transcrição automática do áudio [isolado ou no vídeo] e correspondente busca no texto e ligação, de volta, com o áudio e/ou vídeo. pode parecer pouco mas pode ser, também, uma revolução.

em primeiro lugar, um número cada vez maior de universidades e escolas começa a tornar disponíveis, on line, aulas, seminários e conferências. na maioria das vezes, não estamos interessados em ouvir 45 minutos de conversa mole só pra achar os 5 ou 10 minutos que interessam. revisar aulas ou encontrar partes importantes de palestras pode ficar muito simples.

por outro lado, banda larga na rede, por toda parte, vai transformar video-on-demand em uma realidade mais próxima de todos nós. procurar gols nos jogos, palavras-chave nos noticiários, cenas nos filmes e documentários vai ficar muito mais fácil. vamos "assistir" as coisas "aos pedaços". e vai ser muito simples. e vai bagunçar, ainda mais, qualquer noção corrente que se tem de "audiência".

o problema é que a precisão do reconhecimento de fala de personagens não treinados é somente da ordem de 50%. palavras-chave mais comuns ainda são reconhecidas, mas perde-se a riqueza maior do processo.

na próxima rodada de melhorias, pode rolar um analisador semântico de sentenças, capaz de extrair conceitos abstratos da fala dos personagens e resolver, a partir daí, perguntas muito mais sofisticadas do que fazemos aos engenhos de busca de hoje. é esperar pra usar.

ninguém cuida de tudo… por nada

Sunday, November 18th, 2007

Umas poucas companhias vão fornecer toda a infra-estrutura, informação, software e serviços que você precisa. Será mais um mercado a ser regulado?… este é o tema de meu artigo desta semana no G1. vá ver.

liberdade e privacidade: chegando ao fim?

Monday, November 12th, 2007

um longo artigo na economist considera os efeitos de estarmos vivendo, de fato, não na sociedade da informação, mas na da observação, onde todos vasculham a vida de todos os outros e os [mais variados pedaços dos] governos estão de olho, ainda por cima, uns nos outros. segundo a revista… These days, data about people’s whereabouts, purchases, behaviour and personal lives are gathered, stored and shared on a scale that no dictator of the old school ever thought possible. Most of the time, there is nothing obviously malign about this. Governments say they need to gather data to ward off terrorism or protect public health; corporations say they do it to deliver goods and services more efficiently. But the ubiquity of electronic data-gathering and processing—and above all, its acceptance by the public—is still astonishing, even compared with a decade ago. Nor is it confined to one region or political system.

pense em tal contexto e reflita sobre as declarações de Donald Kerr, um dos principais responsáveis pela espionagem americana, dadas neste fim de semana ao guardian: Privacy no longer can mean anonymity… Instead, it should mean that government and businesses properly safeguard people’s private communications and financial information. uau…

a reportagem do guardian continua… Millions of people in this country - particularly young people - already have surrendered anonymity to social networking sites such as MySpace and Facebook, and to Internet commerce. These sites reveal to the public, government and corporations what was once closely guarded information, like personal statistics and credit card numbers, dando uma grande levantada de bola para kerr anunciar seu juízo final: “Those two generations younger than we are have a very different idea of what is essential privacy, what they would wish to protect about their lives and affairs. And so, it’s not for us to inflict one size fits all. Protecting anonymity isn’t a fight that can be won. Anyone that’s typed in their name on Google understands that.”

pois vez por outra em teclo meu nome em google [e yahoo, e liveSearch] só pra saber o que há por aí sobre mim que eu nem imagino. ao contrário do que mr. kerr pensa, minha vida pessoal ainda não vazou pra internet e nem eu espero que isso aconteça tão cedo. este blog, por exemplo, pode ser considerado muito pessoal, um apanhado das minhas opiniões sobre os mais variados temas, mas não há nada aqui que eu já não andasse dizendo em aulas, reuniões e telefonemas e, por sinal, na velha mídia, em tvs, rádios e jornais. a diferença é que agora eu não posso dizer que não disse, pois vai estar registrado para sempre em algum lugar da internet, mesmo que eu desmonte este site. e esta é -por acaso- a idéia deste blog mesmo.

o que dá, por sua vez, uma boa idéia do cuidado que os mais novos devem ter na web: seus antigos cadernos de adolescência e rabiscos no mural do colégio agora estão publicados para sempre em algum blog ou comunidade. com um detalhe radical: estudos científicos [relatados no guardian] mostram que os "amigos" virtuais em uma rede social não passam de conhecidos [e podem nos levar a revelar MUITO mais do que iríamos querer, no futuro]… o que pode fazer muita gente nova e esperta a entrar, por inexperiência, nas maiores roubadas do século 21. o que, por certo, já está acontecendo agora…

scroogled?…

Wednesday, October 31st, 2007

cory doctorow não é só a pessoa por trás de boingboing, mas um dos mais interessantes escritores [em inglês] da nova geração. no texto que você poderá ler ao clicar na figura, ele considera as múltiplas possibilidades de um mundo onde alguém, ou alguma corporação, saiba mais sobre qualquer um de nós do que é absolutamente necessário saber. e que isso acabe [por exemplo] no seguinte diálogo entre um representante do "sistema" e um "reles mortal":

"Sir, calm down, please. No, I’m not looking at your searches," the man said in a mocking whine. "That would be unconstitutional. We see only the ads that show up when you read your mail and do your searching. I have a brochure explaining it. I’ll give it to you when we’re through here."

"But the ads don’t mean anything," Greg sputtered. "I get ads for Ann Coulter ring tones whenever I get e-mail from my friend in Coulter, Iowa!"

The man nodded. "I understand, sir. And that’s just why I’m here talking to you. Why do you suppose model rocket ads show up so frequently?"

it is the sort of world that might be chasing us quite soon indeed. beware.

pandora, caixinha difícil…

Monday, May 7th, 2007

depois do incidente da AACSLA com o digg.com, foi a vez de PANDORA, a rádio digital, receber um “cease-and-desist” e passar a “transmitir” só para os estados unidos. de nada adiantou: o que é feito por tecnologia digital pode, por ela, ser desfeito. veja a história completa na minha coluna do G1.

monopólios… do bem?

Monday, April 23rd, 2007

meu artigo desta semana, no G1, é sobre google estar começando a se tornar um monopólio em busca e anúncios. a chamada é…

Google tem dinheiro, velocidade e corre riscos. A muitos, parece estar criando o que pode vir a ser o verdadeiro monopólio de “organização” de informação na web. Será que os competidores vão esperar sentados?

o mais interessante é que um número surpreendente de comentaristas está “de bem” com a idéia de que, se google virar um monopólio [e olha que eu nem falei de conteúdo], seria “legal”. isso nega toda a história dos monopólios, principalmente dos que têm ações na bolsa e cujos donos querem ver value for money. ainda bem que muita gente, lá nos comentários, não nasceu ontem.

[update: veja aqui uma comparação bem recente entre yahoo e google {primeiro trimeste 2007 de YHOO = menos da metade de GOOG}… e porque é possível que a batalha esteja perdida, pelo menos para terry semel, atual CEO de yahoo.]

busca: mais uma fronteira e seus problemas

Friday, April 13th, 2007

um start-up chamado electric sheep company acaba de lançar um engenho de busca que descobre objetos em second life, monta um index e, quando perguntado, mostra uma lista de tudo o que encontrou para um determinado termo [de busca]. se fosse no mundo real, era como ter um big brother olhando a “vida pública” de tudo e todos e possibilitando descobertas hoje impensadas. como… onde ficou meu porta cartões de visita? [perdi o meu ontem, num evento]. veja aqui o resultado da busca por pink floyd. e note que só é possível ter acesso aos objetos apontados pela busca se você tiver second life instalado; afinal de contas, os objetos estão . até aí, tudo bem.

o que ninguém esperava é o tamanho do barraco que isso está criando. enquanto as pessoas aparentemente querem que seu mundo, na web [www, http://…], seja encontrado e indexado por buscadores, a electric sheep está sendo acusada de invasão de privacidade. o título do post de prokofy neva sobre o assunto é… The Electric Sheep’s HUGE BIG EVIL DATA SCRAPE. parece, pelo visto, que a projeção da identidade real nos mundos virtuais é cada vez mais séria e as pessoas estão se “dualizando”. de repente, a identidade será a composição da vida daqui com a de lá. será?…

a batalha da china: baidu vs. google

Tuesday, February 27th, 2007

a china é -ou vai ser em breve- o maior mercado de qualquer coisa do mundo. celulares. aviões. lixo. soja. internet. e busca na internet. ao contrário de quase todos os mercados mundiais de porte, onde a busca de google tem uma dianteira tão grande que os rivais são praticamente irrelevantes, a china é diferente. um engenho de busca local, baidu, tem 64% do mercado, contra 19% do líder mundial. será que baidu sai da china pro mundo? google encontrou um competidor de verdade? ou a china vai derreter no calor de seu próprio crescimento [hoje foi a terça negra deles] e nem google vai querer estar lá?… ou, simplesmente, google vai ganhar a batalha da china? façam suas apostas.

nova máquina de busca… da rússia

Monday, February 26th, 2007

está no ar quintura, novo [relançado, na verdade] engenho de busca russo que vai atrás do público que, ao invés de procurar sites com certos conteúdos, busca por conceitos. neste caso, é mais fácil [aparentemente] encontrar o que se procura se um mapa de relacionamentos entre coisas parecidas [encontradas pelo software a partir de sua pergunta original] for apresentado ao usuário. a idéia e a implementação, em si, não são novas e estavam em vivisimo, hoje clusty [mostrado não como mapa e sim como clusters, como o nome indica], um negócio que parecia muito bom mas nunca decolou. veja aqui, em vivisimo, o resultado da busca por tinnitus, aquela condição de saúde em que seu ouvido “ouve” certos barulhos sem que eles existam externamente, de verdade, às vezes o tempo inteiro. o meu ouvido direito, por exemplo, “ouve” a “válvula de uma panela de pressão” 24h/dia, há um ano. maior barato. enlouquecedor. e você nem precisa usar nada ilegal pra sentir…

a mesma pergunta, por tinnitus, está mostrada aqui em quintura, que tem a vantagem de construir uma topologia da resposta. a indagação da hora poderia ser: vai competir com google, yahoo & live search? no momento, quintura é um meta-buscador montado sobre as respostas de yahoo [xml] enquanto, segundo o pessoal de lá, constroi seu próprio índice. muito mais provavelmente, será usado por corporações para organizar as buscas a documentos armazenados em suas intranets. mas, sabe-se lá. há quem diga que o “estilo” de quintura e clusty [também disponível em searchtheweb2.com] pode atingir um público mais sofisticado e capaz de fazer buscas mais longas e detalhadas. quem sabe?

quintura é russo mas tem dinheiro americano e de luxemburgo, do povo que tava lá no começo de skype. o que não quer dizer que eles necessariamente darão certo, mas que é uma grande ajuda, é. vá lá. tente. pode ser que seja o “seu” engenho de busca.

lei impede teles em tv…

Thursday, February 8th, 2007

…por assinatura. esta é a posição clara e de certa forma indiscutível do ex-ministro juarez quadros, um dos cérebros por trás da lei geral de telecomunicações. a explicação está aqui, no convergência digital. mas -sempre há um mas- a lei pode ser reescrita, que é o que o deputado paulo bornhausen está propondo desde o dia 5 passado, num projeto que acaba com o limite de participação de 49% do capital estrangeiro nas operadoras de TV a cabo e afirma, em seu artigo 11º , que as concessionárias do STFC poderão obter concessão para explorar o serviço de TV a cabo em qualquer localidade onde não exista outorga na data de entrada em vigor da lei (se o projeto de lei virar lei) e onde já houver sido outorgada concessão de TV a cabo há, pelo menos, um ano. a conversa está aqui, no telesíntese.

é certo que, na atravancada pauta do congresso, um projeto de lei de um deputado pode levar décadas para ser analisado e votado. mas este, em particular, é um sinal dos tempos e uma clara indicação de que grupos muito importantes, política e economicamente, querem rediscutir a lei geral de telecomunicações, exatamente o texto que regula o mercado e serviços de telecom no país. tal discussão é inevitável e, em vista das pressões do mercado e da oferta de novas soluções tecnológicas, inadiável. danado vai ser encontrar agenda pra ela dentro do caos político e estratégico do brasil.


[long tail]: iptv is [infinite] personal tv

Monday, February 5th, 2007

bill gates anunciou ao mundo, em davos, que IPTV vai mudar o mundo da TV em cinco anos. acho que ele estava falando apenas dos países [muito] ricos, onde banda larga é larga mesmo. aqui no meu pedaço de pindorama, medidas diversas na minha “banda larga” não deram mais de 200kbps, isso num sábado à tarde. os cinco anos de gates, aqui, podem vir a ser muito mais. de dez a quinze. ou mais, no pior caso, que é o da anatel continuar sem funcionar e as empresas de telecom não serem cobradas nem por performance e tampouco por universalização de serviços.

bem, mas o que interessa aqui é gates (re)dizer que vídeo online e a fusão de PCs e TVs vai mudar a experiência “televisiva” e que “in the years ahead, more and more viewers will hanker after the flexibility offered by online video and abandon conventional broadcast television, with its fixed program slots and advertisements that interrupt shows”. tal tese não é novidade e gates está cumprindo seu papel de garoto propaganda, pois a microsoft tem interesses gigantescos em IPTV e está montando uma vasta rede mundial de alianças para disseminar a tecnologia e seu uso.

qualquer um que tente entender pode citar muitas diferenças entre IPTV [TV via internet, sobre protocolo IP] e TV digital normal, aberta. com vantagens para a primeira, a menos dela precisar de conexões banda larga. o que vem a ser, na verdade, a grande vantagem de IPTV: vendo tv na rede, você está na rede, claro. e pode combinar com seus amigos ver o mesmo programa e interagir com eles, enquanto o show ou novela está rolando. a interação não precisa ser pela infra-estrutura de IPTV, se o sistema operacional do seu set top box deixar, ou se você tiver IPTV num PC; pode rolar no skype video ou qualquer outra coisa que você queira. só é preciso ter banda larga [de verdade] nas duas direções…

o modelo de tv digital aberta supõe que uma pequena parte da atividade do usuário vai ser interativa e que, claro, o “canal” controla a programação. isso significa que o programador central continua definindo o que seu público vai ver e que não há tempo de TV suficiente para atender às demandas específicas de todas as micro-comunidades de espectadores. em IPTV, desde que as aplicações estejam disponíveis, TV deixa de ser TV e passa a ser um conjunto de aplicações multimídia, interativas e verdadeiramente multidirecionais, sobre a plataforma IP. você pode parar a programação enquanto vai ao banheiro; pode trazer vídeos, sob demanda, para seu set top box enquanto vê outro programa… não que você precise, porque alguma hora sua banda vai exceder 100 megabit por segundo, e isso dá pra bem mais do que dois vídeos simultaneamente.

mas a parte mais interessante é que IPTV pode ser o tratamento ideal do long tail de entretenimento. a bear stearns propõe um futuro onde agregação e contexto e (não necessariamente) conteúdo serão os reis do entretenimento e, se eles estiverem certos, o futuro não vai ter as mesmas empresas que estamos vendo hoje, no mercado, de jeito nenhum. porque a tecnologia está mudando a equação de criação de conteúdo, tanto ou mais do que muda o processo de sua distribuição. os mercados [a audiência e a criação] vão se fragmentar muito mais e os nichos serão ínfimos; ganhará quem conseguir filtrar e empacotar a miríade de alternativas, dar-lhes contexto e agregar experiência e valor aos mesmos.

haverá TV broadcast daqui a vinte anos? sim. terá a mesma importância de hoje? não. especialmente [e talvez somente] onde IPTV for uma alternativa real para o usuário [e não para o espectador]. porque eu posso estar interessado somente nas provas de natação da olimpíada e ter o streaming apenas das câmeras da piscina, em tempo real, mesmo que não haja áudio. tal “programa” jamais encontrará patrocinadores ou espaço na grade de programação normal. pense em dez canais de TV aberta. pense em 200 canais via satélite. imagine, agora, um número infinito de canais de TV em banda larga. incluindo a câmera daquela barraca de maracaípe, pra você ver quem está pegando onda enquanto você está no trampo.

só tem um pequeno problema: do jeito que a microsoft, entre outras, está montando o negócio de IPTV, tem muita operadora de telecom no meio… é por lá que os canais passam e onde os vídeos que se pega, sob demanda, estão hospedados. há uma variedade de explicações pouco plausíveis para tal decisão [como o fato de que a tele administra a qualidade de serviço da rede para garantir a performance das aplicações… o que pode detonar, de vez, qualquer princípio de neutralidade da rede] mas é bem mais provável que haja teles no meio do campo porque 1] suas redes são fechadas e as aplicações e conteúdo, lá, ficam teoricamente mais seguras [e nós não podemos instalar nada] e 2] as teles têm uma longa experiência e história de precificar e cobrar pelo uso dos seus serviços, coisa que as TVs ainda não entenderam que vai ser fundamental no futuro. as teles sabem onde os clientes estão e lhes enviam contas telefônicas desde que j. p. morgan financiava graham bell no fim do século 19.

em davos, gates estava anunciando -também- que seu negócio é mídia e interação. que o mercado de PCs e seu software está mudando e que sua aposta é a da fusão PC-game-TV na sala, servindo de infra pra tudo o que a família faz. rodando software da microsoft, possivelmente em hardware da microsoft. há quem ache o contrário. há quem chute que breve, em 2010, a apple será maior do que a microsoft. e que steve jobs, ao invés de bill gates, vai ser a atração de davos. se não estiver na cadeia