Archive for the 'information agents' Category

o que pequenas empresas podem fazer com blogs?

Tuesday, April 10th, 2007

viviane maia, da revista pequenas empresas e grandes negócios, me ligou para discutir o que blogs podem fazer pelas pequenas empresas. isso [no meu entendimento] num cenário real em que a maioria das empresas, inclusive as grandes, não consegue nem responder um emeio de maneira eficiente [retorno rápido] nem eficaz [resolvendo seu problema]. a conversa foi gravada e você pode pegar o mp3 [4MB, 16min.] no mediafire.

10 anos de blogs: a [r]evolução da expressão

Sunday, April 1st, 2007

os blogs fazem dez anos neste abril [este aqui fez um ano em março!]… meu texto analisando o assunto, no G1, começa assim…

Maio é o mês das noivas e abril é o mês dos blogs. Há dez anos, num dia de abril, Dave Winer começou a publicar um diário em rede que viria a ser considerado por muitos o primeiro blog. Claro que ninguém nunca saberá exatamente quem foi o primeiro, até porque muitos dos milhões de usuários que tinham páginas na web em 1997 publicavam coisas que pareciam com o que hoje nós chamamos de blog. À maioria daqueles “sites”, porém, faltava interação, a possibilidade do leitor dar sua opinião no rodapé do texto do autor, transformando cada entrada em uma discussão. Mas tudo bem: quase a totalidade dos blogs de hoje também não tem interação, seja porque a audiência não se interessa em comentar ou porque o autor não se interessa ou não tem energia para manter um diálogo com seus leitores.

vá lá ver. será um prazer…

férias@netflix: quem manda é o freguês

Tuesday, March 27th, 2007

netflix.pngreed hastings, ceo da netflix, acaba de entrar pro board da microsoft. a netflix tá dando o maior pau na blockbuster com seu modelo inovador de aluguel de vídeos [pague um fixo por mês e fique com a mídia o tempo que quiser, desde que continue pagando, a partir de $4.99]. e esta não é a única inovação por lá: os colaboradores podem tirar a quantidade de férias que quiserem, desde que seu trabalho tenha sido realizado a contento. o povo que trabalha na microsoft tá ansioso pra ver se esta política pega por lá.

hastings estava na lista “100 people who shape our lives” da TIMES em 2005 e é mais um exemplo de que inovação é, também, muito trabalho e não só sacadas geniais, golpes de sorte e publicidade: a netflix foi fundada há dez anos e só recentemente viu seu modelo de negócios virar referência mundial no setor. veja aqui uma entrevista dele [de 2005], onde se pode ver que nem todo mundo que dá certo é onisciente: hastings confessa que não viu o .crash chegando, porque “dentro da bolha” você não vê nada…

a netflix é genial, mas nem tudo são flores: a empresa “só” vale 1.6 vezes seu faturamento [de um bilhão de dólares] e a margem de lucro mal chega a 5%. sinal dos tempos: o mercado de aluguel de mídia física pode estar com os dias contados e a netflix pode ser a última companhia do gênero. isso se hastings não conseguir fazer a transição de on-line video rental pra on-line video service.

a nova [?] aristocracia [?]

Wednesday, February 28th, 2007

mídia com democracia é a revista [que não tem site...] do fórum nacional pela democratização da comunicação, entidade que luta pelo que seu nome diz: democratização das comunicações. MCD, a revista, na edição de janeiro de 2007 [.pdf da edição completa], tem uma entrevista com luís fernando veríssimo que acaba assim: “MCD – Como o senhor avalia as novas ferramentas de comunicação eletrônica do ponto de vista da democratização da comunicação? Verissimo – Há uma democratização da comunicação evidente, mas também me parece que se formou uma espécie de aristocracia mundial, ligada não por laços de sangue nobre, mas pelo domínio da nova tecnologia. E uma aristocracia que raramente larga o computador e vai para rua ver como vive a humanidade real. E é meio assustador pensar no poder que eles estão acumulando sem sair de casa.”

aristocracia vem do grego aristokratía, αριστοκρατία. aristos significa “os melhores”, mais capazes, mais competentes. kratía é poder, governo, “dar” ou definir as regras [do jogo, seja ele qual for]. durante algum tempo, quando o poder foi divinizado, aristocracia significava “os bem nascidos”, que iriam mandar sem serem necessariamente melhores, mais capazes ou competentes. este é o siginificado que a palavra tem hoje, meio longe do original grego. veríssimo usa as duas acepções em sua resposta, e fica assustado ao pensar que os “codificadores” são, hoje, uma aristocracia, um grupo que tem poder pelo seu conhecimento e habilidades, essenciais à existência e funcionamento do mundo digital. até aí, novidade zero; é só varrer a história da humanidade e se descobre que, em qualquer época, houve aristocracias de saber e competência… os programadores são apenas a aristocracia da hora.

com uma diferença: na rede, o código é a regra, define o comportamento, cria alternativas, limita opções. em 1999, lawrence lessig publicou Code and Other Laws of Cyberspace, o livro onde deixava claro que code IS law: código é lei. e quem faz a lei tem poder. tem mesmo? grande discussão pra futuros próximos… e por muito tempo. porque o resto do futuro inteiro será codificado, e codificado em software. e na rede, sem que as pessoas [pelo menos as que codificam a rede] precisem “sair de casa”. pois a casa delas é a rede. e no futuro não será a rede que estará no “mundo real”, mas o “mundo real” que estará na rede…

a batalha da china: baidu vs. google

Tuesday, February 27th, 2007

a china é -ou vai ser em breve- o maior mercado de qualquer coisa do mundo. celulares. aviões. lixo. soja. internet. e busca na internet. ao contrário de quase todos os mercados mundiais de porte, onde a busca de google tem uma dianteira tão grande que os rivais são praticamente irrelevantes, a china é diferente. um engenho de busca local, baidu, tem 64% do mercado, contra 19% do líder mundial. será que baidu sai da china pro mundo? google encontrou um competidor de verdade? ou a china vai derreter no calor de seu próprio crescimento [hoje foi a terça negra deles] e nem google vai querer estar lá?… ou, simplesmente, google vai ganhar a batalha da china? façam suas apostas.

encontrada a chave para “processar” todos os hd-dvds já liberados

Wednesday, February 14th, 2007

no que aparentemente se trata apenas de um trabalho de investigação [ao invés da esperada quebra, potencialmente ilegal, do código] um dos membros do fórum doom9 acaba de publicar o que diz ser a chave para processar [isto é, fazer uso não autorizado] de todos os hd-dvds já publicados. e talvez um monte de blu-rays… a chave [09 F9 11 02 9D 74 E3 5B D8 41 56 C5 63 56 88 C0] “abre” os discos para backups e o que mais o dono do disco quiser [e que a RIAA não quer, assim como usar os discos em "dispositivos não autorizados"] e pode ser trocada pela indústria a qualquer momento, para proteger novos lançamentos. mas pode ser descoberta de novo -e vai- logo depois que for trocada. o que arnezami, o cara lá de doom9, publicou, não é só a chave acima, mas o método de descobri-la. e dá pra repetir vez após vez, a baixo custo e uso de tempo, em certos modelos de player.

vamos ver o que vai rolar agora. a guerra de drm [digital rights management] continua. por enquanto, o povo está ganhando… e enquanto a indústria não propuser um modelo decente de entretenimento-como-serviço, todos sofreremos e a indústria vai continuar perdendo. pra ganhar, ela tem que entender que modelo de negócios tem que ser ganha-ganha… simples, mas difícil de ser entendido por quem tem cabeça de passado… e acha que está contratando a melhor segurança do mundo. não está. e a gente, do lado de cá, além de quebrar todas as chaves e sistemas de segurança que aparecerem, neste modelo de negócios, espera e trabalha pra que que banda larga e universalização de acesso destruam, em pouco tempo, o modelo de suporte físico para mídia que ainda cria este rolo todo. quanto antes, melhor.

hype machine: rádio mundial?… o novo napster?

Tuesday, February 13th, 2007

tá no ar há algum tempo, mas talvez você ainda não tenha visto [e ouvido!]. um serviço que procura links pra mp3 mundo afora [quase nada no brasil], aponta para os blogs onde os links estão, descobre se estão à venda em amazon, eMusic ou iTunes, publica uma lista quase instantânea do que está achando na rede… “sintoniza” um blog pra você [toca tudo o que estiver lá, como se fosse um playlist...]. os mp3 não estão lá pra download mas, como você pode achar o blog onde eles estão…

hype machine está na lista dos sites mais importantes -e interessantes- de música do jornal inglês the observer [entre muitos outros]. o site está entre os melhores da última mashup unconference e faz por merecer. no topo disso, om malik tá se perguntando se 2007 é o ano dos mashups de música [o segundo lugar também é do mesmo tipo]. uma história de seu criador [anthony volodkin] e do site está na business 2.0 de outubro passado. tem gente de música [e investimento] dizendo que… “The service is the best thing to happen to music since the Rolling Stones!” [frase de fred wilson, investidor e roqueiro]. só que até agora, aparentemente, o site é um show de um homem só, o próprio volodkin, visto ao lado, do alto de seus vinte anos de criatividade e empreendedorismo.

mas bom mesmo é ler e ouvir hype machine. já faz algum tempo que é uma de minhas “rádios”… vá lá. você provavelmente nunca [ou]viu nada igual.


Technorati :

o [verdadeiro] espetáculo do crescimento

Monday, January 29th, 2007

ninguém consegue prever, hoje, se o PACote federal vai ou não fazer o brasil crescer de forma menos anêmica do que vem ocorrendo nos últimos muitos anos. mas o gráfico ao lado [do cert.br, centro de resposta a incidentes do .br] mostra que a inflação de incidentes na rede brasileira chegou a espetaculares 190% entre 2005 e 2006. isso depois de cair cerca de 10% entre 2004 e 2005, o que levava a pensar que o caos estava diminuindo por aqui.

quase 3/4 dos ataques vem de fora do país, com os EUA seguidos pela china, rússia, frança e coréia. de um total de quase 200 mil incidentes reportados, houve apenas 500 invasões, o que é muito pouco e dá uma idéia de aumento do nível médio de segurança dos servidores da rede brasileira. o número mais preocupante são as mais de 40 mil fraudes reportadas, a maioria das quais relacionadas a [tentativas de] roubo de dinheiro [de verdade] dos usuários brasileiros, universo que cresceu 18% de dezembro de 2005 pra cá, chegando a 14.4 milhões.

será que os números do certi derrubam o propalado mito de que os hackers brasileiros são os mais ativos do mundo? os ataques originados no .br são apenas 1/4 do problema. preferimos agir lá fora [ou aqui dentro, a partir de servidores que seqüestramos lá fora] ou somos menos do que imaginamos?…

um parasita… programando você

Tuesday, January 23rd, 2007

e talvez programando sua cultura. como? você tem um gato. seu gato tem toxoplasmose, Toxoplasma Gondii, o parasita da foto ao lado, que ocorre naturalmente em gatos e não parece afetá-los. os toxoplasma são eliminados nas fezes dos gatos e por aí entram em contato com ratos. e ratos contaminados por toxoplasma têm uma atração fatal por… gatos! que acabam por devorá-los e fechar o ciclo de evolução da coisa, pois o gato é o micro-ambiente onde o parasita se reproduz de forma sexuada.

mas não é só: 25% da população nos EUA [30% na inglaterra e 80% na frança!] tem o parasita em seus cérebros e parece haver uma alta correlação entre os níveis de neurose humana nos países e as taxas de contaminação pelo toxoplasma. como assim? os homens infectados têm menores níveis de inteligência e são mais avessos a novidades. mulheres infectadas têm maior nível de inteligência e são mais calorosas. em ambos os sexos, a infecção parece produzir mais insegurança e sentimento de culpa… além de tornar as pessoas mais lentas e duas vezes mais sujeitas a acidentes de trânsito.

a literatura científica sobre o assunto está se expandindo rapidamente e começa a ficar bem visível a discussão sobre a hipótese do título deste texto: sim, um parasita pode estar programando você (e eu) e contribuindo (à sua maneira peculiar) para o aumento da diversidade cultural do universo à medida em que manipula a ecologia imediatamente ao seu redor. o que não é novidade em outros departamentos: veja neste link como formigas são manipuladas de maneira radical por seus parasitas, que agem diretamente em seus cérebros.

o proponente desta “teoria da programação” das pessoas por parasitas, kevin lafferty, publicou recentemente um outro texto mostrando que os parasitas dominam, de fato, as cadeias alimentares, mais do que qualquer outro tipo de coisa viva, incluindo os predadores, sempre vistos como os “reis da natureza”. não mais. ainda mais porque o trabalho de parasitas como o toxoplasma é muito mais inteligente e sutil do que uma reles picada ou mordida.

danado é ficar pensando, aqui, qual parte de nosso comportamento é “realmente nosso” e o que é induzido por coisas como o toxoplasma e outros que ainda não descobrimos. mas talvez tenha que ser assim mesmo. cada um de nós é uma micro-ecologia, que quase certamente leva em conta nas suas ações toda a complexidade e participações de tudo o que está dentro e perto dela. mas que dá uma agonia pensar que é assim, isso dá.

vírus [virtual] ataca universo [virtual]

Monday, November 20th, 2006

a linden labs teve que fechar [literalmente], por algum tempo, o mundo virtual second life, que cada vez mais parece uma combinação de um mundo real [físico, real] com um mundo virtual [também real], por causa de um worm chamado grey goo. a coisa instalava anéis dourados girando no ambiente, cuja interação com os [avatares dos] usuários criava ainda mais anéis e assim por diante, levando à exaustão dos [2700+] servidores. antes que o mundo parasse por completo, foi preciso dar um reboot por lá…

pensando bem, esta era uma capacidade de second life que poderíamos ter no universo real, físico: dar um reboot no que não funcionam por aqui, como o controle de tráfego aéreo. mas algo podia desandar, se esta “funcionalidade” estivesse por perto. como? o worm que andou solto em second life foi terminado pelos administradores do sistema; o worm era uma “coisa”; dependendo do grau de sofisticação de tal “coisa” [ou agente, possivelmente inteligente], ele poderia ser parte importante de um ambiente que não fosse antroprocêntrico [veja, aqui, um texto deste blog sobre a coisificação da internet]…

daí que a “coisa” poderia ter direitos. e se um dos direitos do agente fosse o de não terminação sem “justa causa”, a discussão do conceito de justa causa poderia levar a surpresas muito interessantes.

e levará: um número cada vez maior de sistemas autônomos já controla e interfere no ambiente ao nosso redor e, em futuro nem tão distante assim, seu impacto sobre nossas vidas será enorme. à medida em que isso aconteça, estes sistemas ofenderão interesses, ao mesmo tempo em que atenderão outros e a pressão para que seu funcionamento seja pautado em uma ou outra direção, ou mesmo para que sejam “desligados” será muito grande. o agente [certamente] humano que desenvolveu e inseriu grey goo em second life provavelmente estava se divertindo muito com sua criação… e dá pra pensar que era contra o fim da brincadeira.

lidar com agentes informacionais e suas características, dentro de um contexto onde eles não possam ser terminados pelos administradores do sistema sem razão aceitável pela comunidade ao seu redor vai ser uma das mais complexas atividades da sociedade da informação… quando a maioria dos agentes produzindo e processando informação for artificial. breve, num mundo real perto de você. no virtual, já acontece agora.

.bomb 2.0: ganhe pra navegar…

Monday, November 20th, 2006

num claro sinal de que há dinheiro demais e idéias de menos na internet 2.0, entra no ar, hoje, um start-up californiano que vai pagar pra você navegar. desde que ele fique com todos [leia todos, mesmo] seus dados de navegação. não dou três meses pra falir, mas pode ser menos… façam suas apostas [com o dinheiro que eventualmente ganhem navegando, lá!].

crianças conectadas e política [como jogo]

Thursday, November 9th, 2006

jonmundur gudmarsson é prefeito [reeleito] de saljarnarnes, na islândia, talvez a primeira cidade do planeta a ter 100% de suas casas conectadas à internet por fibra ótica [comunicação bidirecional na mesma velocidade, potencialmente muitos gigabit/segundo], resultado de visão de futuro com habilidade política e articulação com o mercado. cidade e moradores não gastaram um só centavo para realizar o feito: conseguiram 4 propostas sérias, de empresas de infra-estrutura, para instalar redes de acesso local, abertas, na comunidade e, enfim, a empresa de energia fez o trabalho como parte de sua própria infra.

após a eleição, gudmarsson anuncia, em casa, que está reeleito. seu filho de cinco anos, com o ar genial que só os inocentes têm, pergunta: pai, agora que você ganhou, você vai “mudar de nível”?… pois é. a vida é mesmo um game.