tata: faturamento Am Lat? 2006 = 2 x 2005
Tuesday, June 20th, 2006
a Tata Consultancy Services Ltd. [ou simplesmente tcs, parte do gigantesco grupo indiano tata, cujas 93 companhias produzem, entre muitas outras coisas, SUVs] faz saber, através de seu vp de vendas globais, N Chandrasekaranata, que a companhia vai dobrar suas vendas na américa latina em 2006, para US$100M, ou um terço do que se acredita que sejam as exportações de software brasileiras. ao anunciar ontem, em mumbai, novos contratos de US$30M na região, Chandrasekaranata disse literalmente que… “Our focus at the moment is increasing our footprint outside India, and Latin America is getting a lot of that focus”. por que? segundo ele, “The South American region has opened up for outsourcing in a very big way”, o que fará a tcs passar dos seus exatos 2,532 trabalhadores ontem para 3,500 em março de 2007, fim do ano fiscal da companhia.
ah, sim: a tcs está conversando com duas grandes empresas brasileiras [uma delas do setor financeiro... quem?...] para ser seu provedor de serviços de TI, o que coloca o brasil definitivamente na rota da da terceirização de servicos de TI e, ainda mais, na rota da índia. depois da tcs, infosys, wipro e satyam, companhias de faturamento bilionário que já estão por aqui de uma forma ou de outra, as pequenas e médias empresas de lá vão aparecer, também, mais cedo ou mais tarde, até porque puxadas pelas grandes.
muitos, mas muitos anos atrás, enquanto se discutia a formação de competências [em software, aqui] para atingir o mercado externo, mais de um empresário nacional antecipou que a defesa do campo de batalha interno ia ser tão árdua quanto o ataque ao externo. país de muitas empresas em todos os setores, mas onde as companhias brasileiras são quase todas locais, sem nenhuma ou com pouca expressão internacional, o brasil está fadado a andar ao sabor das ondas do mundo… a tcs aqui chegou por sua competência em entregar resultados, razão pela qual ganhou o contrato mundial do banco abn… que comprou o real… e até o banco do estado de pernambuco, de triste memória. resultado: as decisões locais se tornam globais e quem não consegue competir no mercado global não consegue, também, no mercado local de qualidade e volume, sendo paulatinamente escorraçado para a periferia… local. os empresários, lá atrás, estavam errados e certos: tivéssemos conseguido alguma competência de classe mundial, teríamos ao menos competido para prestar o serviço ao abn mundial, e a história poderia estar sendo outra.
mas, chorar sobre o leite derramado pra que?… como já disse o ministro celso amorim à época da visita presidencial à índia, “Nossas economias se complementam. Eles têm o software; nós temos a indústria de alimentos mais competitiva do mundo.” vamos, pois, procurar outras estratégias, complementares às de fábricas de software e business process outsourcing, e rápido, antes que seja ainda mais tarde… que tal olhar empresas como a meantime… cujo ronaldinho total control está em primeiro lugar na categoria “sport” em the mob… depois de dezenas de milhares de downloads em poucos dias? pode não ser uma das estratégias para salvar a indústria nacional de software. mas pode ser… até porque tv digital é, também, sobre jogos…
