vírus [virtual] ataca universo [virtual]
Monday, November 20th, 2006
a linden labs teve que fechar [literalmente], por algum tempo, o mundo virtual second life, que cada vez mais parece uma combinação de um mundo real [físico, real] com um mundo virtual [também real], por causa de um worm chamado grey goo. a coisa instalava anéis dourados girando no ambiente, cuja interação com os [avatares dos] usuários criava ainda mais anéis e assim por diante, levando à exaustão dos [2700+] servidores. antes que o mundo parasse por completo, foi preciso dar um reboot por lá…
pensando bem, esta era uma capacidade de second life que poderíamos ter no universo real, físico: dar um reboot no que não funcionam por aqui, como o controle de tráfego aéreo. mas algo podia desandar, se esta “funcionalidade” estivesse por perto. como? o worm que andou solto em second life foi terminado pelos administradores do sistema; o worm era uma “coisa”; dependendo do grau de sofisticação de tal “coisa” [ou agente, possivelmente inteligente], ele poderia ser parte importante de um ambiente que não fosse antroprocêntrico [veja, aqui, um texto deste blog sobre a coisificação da internet]…
daí que a “coisa” poderia ter direitos. e se um dos direitos do agente fosse o de não terminação sem “justa causa”, a discussão do conceito de justa causa poderia levar a surpresas muito interessantes.
e levará: um número cada vez maior de sistemas autônomos já controla e interfere no ambiente ao nosso redor e, em futuro nem tão distante assim, seu impacto sobre nossas vidas será enorme. à medida em que isso aconteça, estes sistemas ofenderão interesses, ao mesmo tempo em que atenderão outros e a pressão para que seu funcionamento seja pautado em uma ou outra direção, ou mesmo para que sejam “desligados” será muito grande. o agente [certamente] humano que desenvolveu e inseriu grey goo em second life provavelmente estava se divertindo muito com sua criação… e dá pra pensar que era contra o fim da brincadeira.
lidar com agentes informacionais e suas características, dentro de um contexto onde eles não possam ser terminados pelos administradores do sistema sem razão aceitável pela comunidade ao seu redor vai ser uma das mais complexas atividades da sociedade da informação… quando a maioria dos agentes produzindo e processando informação for artificial. breve, num mundo real perto de você. no virtual, já acontece agora.
que incentivos a indústria de celulares tem para dar tal passo? o maior deles pode ser a chegada de competidores como a nintendo, sony, microsoft e apple no espaço de handhelds que façam muito mais do que armazenar e apresentar mídia e jogar. pode ser muito mais fácil para a apple botar um celular dentro do ipod, que assume ares de plataforma global, do que os fabricantes de celulares concordarem em fabricar seus aparelhos dentro de um “padrão” GEC. idem pra nintendo e sony e a microsoft não deve estar pensando algo muito diferente disso pro zune. dada a quantidade de pessoas mais jovens usando as plataformas de jogos, a indústria de celulares pode vir a enfrentar uma ameaça muito real, dentro de uns poucos anos, vindo de onde ela nunca esperou antes mas, como diz yuen, que fabrica sistemas e componentes para celulares, ainda há tempo para reagir. até que a apple ou a nintendo lancem seus handhelds de jogos com celulares. aí poderá ser tarde demais para reagir…



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