Archive for the 'design' Category

wii wins… so far by a LARGE margin

Tuesday, November 20th, 2007

o natal [no mundo civilizado] vem aí e a disputa pelos olhos, neurônios, ouvidos, membros e tempo dos jogadores se aproxima de seu clímax anual. na arena, o nintendo wii, vindo de uma companhia que era dada como morta [logo antes dele], o xbox360 da miscrosoft [que dispensa apresentações] e o sony ps3, que ia arrasar a competição com a máquina de jogar mais poderosa de todos os tempos, baseada em um processador que deixaria qualquer coisa feita pela intel e amd na poeira dos tempos.

segundo gamasutraAs it currently stands, theSimExchange market is predicting 912,000 units sold for November, a strong lead over the Xbox 360’s 636,000 and the PS3’s 438,000. For the month of December, though, the market is calling for more than double that — 2.37 million units sold compared to 1.56 million for the Xbox 360 and 695,000 for the PS3.

ou seja: para cada ps3 vendido, a nintendo vende 2 wii, hoje. em dezembro, serão três wii para cada ps3, com a msft ensanduichada entre os dois [e ainda perdendo dinheiro na divisão de entretenimento, assim como a sony]. no momento, o parque total de consoles é de 5M pra sony, 13.2M xbox360 e 13.4M wii. e a nintendo só não bende mais wii porque, simplesmente, não consegue atender a demanda.

mas isso não é uma batalha, é uma grande guerra e as posições estão mudando, por exemplo, no japão.só que as coisas estão dando tão certo para a inintendo que, se eu tivesse dinheiro, estaria apostando nela agora, enquanto a mágica do wii ainda está no alto e a companhia não vê um competidor muito perto [e os lucros dobraram do ano passado pra cá]. daqui a dois, três anos, pode ser outra conversa, completamente diferente.

moral da história [do ponto de vista de inovação}:

a nintendo tinha tudo a perder [pois estava perto de fechar] e, ao mesmo tempo, nada a perder. podia apostar em algo revolucionário, mas tinha que estar no passo do mercado, sincronizada com o público potencial de jogadores de todas as idades e competências. não podia entrar em conflito direto com os dois grandes, pois nem recursos tinha para tal. resolveu apostar em um console onde todo mundo [os jogadores casuais] pode jogar, mas que ainda assim tem um forte apelo para os jogadores "hardcore". poderia não ter acertado na equação, mas ouviu muita gente, ralou muito [veja esta entrevista com dois dos designers, feita há um ano], num esforço que envolveu até as famílias dos funcionários e fez o que tinha que ser feito, num modelo de negócios que dá retorno, considerando o pacote hardware e software. deu certo.

a sony e a microsoft estão se recuperando da explosão que as atingiu e indo atrás da nintendo. já foi assim no passado, vai ser assim de novo, por um tempo. o maior problema da nintendo, agora, é não se deixar prender pela plataforma de sucesso que ela própria criou e, repetindo o passado, ser devorada por… ela própria, como quase foi o caso há meia década. se a história servir de algum alerta, ela [e quem estiver olhando a guerra] pode usar sua própria história, os erros da sony e microsoft nos últimos três anos e, certamente, o exemplo da sega. pros mais novos, a sega foi um dos grandes no negócio de consoles e hoje [muito menor] desenvolve jogos, inclusive pra nintendo. sem falar que a tectoy está lançando, no brasil, um de seus consoles portáteis do século passado. se você pensa que é pouca coisa, não é não: tá atraindo a atenção do mundo. todo. vá entender…

carro recarregável

Sunday, November 11th, 2007

enquanto comemoramos a descoberta de bilhões de barris de petróleo no fundo do mar [que poderiam ter uso muito mais inteligente na indústria petroquímica, ao invés dos tanques dos carros] a toyota aponta para um futuro onde os carros vão ser recarregados na garagem dos prédios e casas. e não serão carros que fariam 40Km/hora, mas carros de verdade, como o prius, que já vende [nos eua] hoje, em sua versão híbrida [motor à  explosão carrega motor elétrico] como cerveja na praia. a chevrolet vai aparecer com um quase-elétrico, plugável na parede, em 2010. a honda e outros não ficam para trás e apostam, entre outros, em automóveis baseados em células de combustível.

corrida, literalmente, interessante, para ver quem vai produzir os carros mais limpos e eficientes. dentro deles, sistemas de informação e software até o teto. no passado, a toyota teve que fazer recall do prius pra resolver problemas sérios nos drivers do carro, afetando 75.000 veículos. mas isso faz parte do processo e, de 2005 para cá, não houve incidentes de tal monta. o que pode ser um bom sinal de que não precisaremos destruir todas as florestas do mundo pra plantar biocombustíveis. quer o governo do brasil queira ou não, o fato é que muita, muita gente está a caminho de desmatar o que resta das matas do país para plantar qualquer coisa que possa ser transformada em combustível automotivo.

carros elétricos e a células de combustível são resultado de dezenas de anos de continuados investimentos em inovação. o carro a álcool, aqui, foi coisa parecida, em intensidade muito menor. mas não há notícia de que estejamos olhando para o futuro das tecnologias automotivas, no país, com os olhos curiosos que levam em conta o desenvolvimento de novos produtos e mercados mundiais [há, claro, pequenas exceções]. a energia do futuro é baseada em conhecimento, embutido em tecnologia. reservas "naturais" serão importantes por muito tempo, ainda. mas estão, por muitas razões, com os dias contados.

sat-nav & dtv [móvel] no mesmo box…

Sunday, November 4th, 2007

…e no padrão brasileiro. quem tiver US$1.900 pra comprar gorilla, o último lançamento da sanyo, no japão, vai poder se orientar nas ruas na sua tela de OITO polegadas [não deve vir com mapas do brasil… mas deve haver como botar] e ao mesmo tempo se desorientar vendo tv digital móvel, pois o box pode sintonizar one-seg, exatamente nosso padrão de tvd móvel.

o preço embute, também, a capacidade de receber o padrão digital japonês para tvd fixa de alta definição, mas aquele, como se sabe, não é o nosso. ao recriar o padrão japonês para o brasil, resolvemos trocar mpeg-2 por mpeg-4 e… nada do que for feito para o japão vai rodar aqui. a não ser que a sanyo [e outros fabricantes] botem um olho muito grande pro brasil, vai levar muito tempo pra que tenhamos alguns destes lançamentos japoneses em nossos carros, ruas e casas. coisas do brasil, custos do brasil.

essa eu não sabia: tatuagens & copyright

Tuesday, October 30th, 2007

a batalha entre tattoo masters, tatuados, donos de copyright de fotos e arte em geral está começando a pegar onde detentores de propriedade intelectual têm à sua disposição um arsenal de advogados interessados em transformar qualquer coisa em processo legal. num caso recente, um atleta está sendo processado por um tatuador porque a imagem de seu braço está aparecendo em primeiro plano em uma cena de propaganda na TV. coisa de louco.

o próximo passo talvez  envolva os cirurgiões plásticos cobrando royalties por peitos, narizes e outras partes do corpo, no cinema e na televisão… depois, certamente pagaremos por cada aparição pública de cada roupa que compramos, no mais puro roupa-como-serviço non-sense. depois, talvez, nossos nomes serão registrados por algum aproveitador e cada assinatura precisará de sua autorização e um depósito de alguns centavos em suas contas.

em última análise, talvez os professores, ao fazerem a chamada na sala de aula, tenham que pagar pelo "uso", literalmente, da palavra. claro que não chegaremos nem perto disso. SE tomarmos MUITO cuidado. o mundo, lá fora, está ficando ao mesmo tempo estranho, protegido e litigioso. todo cuidado -na presevação de nossas liberdades e sanidades essenciais- é pouco.

os legislativos precisam de controle de versões

Monday, October 8th, 2007

um dos problemas mais sérios de desenvolvimento de software é o controle de versões. e só vai ficar mais complexo, à medida em que software vira serviço, é desenvolvido a partir de componentes e serviços passam a ser combinação de outros serviços. na vida real é a mesma coisa: boa parte do que se costuma chamar de inovação é reinterpretação e combinação de coisas que já estavam aí.

o software da vida real é o sistema legal. que de tão complexo, em qualquer nação, está se tornando completamente ininteligível. isso no que tange ao que está escrito e valendo; imagine entender o que mudou entre um estágio e outro de qualquer texto e o que levou às mudanças, tanto localmente quanto no âmbito mais geral. mesmo levando em conta que a maioria da atividade dos representantes do povo [numa cidade grande do brasil, como recife, por exemplo] é muito mais de fiscal de quarteirão do que de pensador, planejador. político ou estrategista, o fato é que a minha cidade promulga DUZENTAS ou mais novas leis por ano [mais de uma por dia de atividade legislativa]  e duvido que alguém saiba exatamente o que está valendo [ou não].

e desenvolvimento de software com isso? tim o’reilly convidou karl fogel, autor de subversion, o mais usado sistema aberto para controle de versões, para um debate e fogel topou, mas estabelecendo que seu ponto de partida seria o controle de versão de coisas mais amplas… tratando de noções como:

  • Why it’s important to be able to search the change history for Wikipedia entries (and why it’s incredibly cumbersome using today’s interface);
  • Why the U.S. Congress needs real version control tools (and why it’s our own fault for not providing them);
  • Why good version tracking is important in a world where more and more creativity consists of mixing existing things together.

o segundo item é algo com que realmente temos que nos preocupar. sem uma visão minimamente coerente do que está substituindo ou reescrevendo os sistemas legais já razoavelmente incoerentes em que vivemos, uma verdadeira infinidade de regras que rege nosso dia-a-dia, os custos de transação continuarão aumentando até o ponto em que tudo será interpretação. ou pior, litígio puro e simples. e sem razão.

vai ver que esta é a "razão" pela qual talvez haja mais faculdades de direito [per capita, ou PIB] no brasil do que em qualquer outra região do planeta. mesmo que tenhamos optado por tal caminho, seria muito importante saber, de verdade, o que está valendo. ou deveria estar. o que deveria, por sua vez,  ser uma boa razão para o congresso -ou algum corpo legislativo inovador- chamar uma galera que entendesse de controle de versões pra ajudar a criar uma infra-estrutura de suporte ao esforço legislativo condizente -de vera- com a complexidade da vida real.

alguém, um dia, fará. tomara que no brasil, pelo menos, sejamos capazes de imitar.

toshio iwai demonstra o tenori-on

Thursday, October 4th, 2007

a yamaha está lançando [só na inglaterra, por enquanto, mas está esgotado!] um "instrumento" musical digital desenhado por toshio iwai, o cérebro por trás de elektroplankton. veja o demo do próprio iwai, ao vivo, aqui. a página do youtube tem várias outras aparições da coisa. o preço? algo perto de US$1.200… parece ser o brinquedo musical mais interessante já imaginado. quero um.

viaje, ouça, durma… é longe

Monday, October 1st, 2007

há meio século, o que costumava ser a união soviética assustava o mundo -e principalmente os estados unidos- lançando o primeiro satélite artificial e, com ele, uma corrida-quase-querra pelo domínio dos céus. coisa de marte mesmo, briga de meninos pra ver quem tinha o maior foguete. foi no quatro de outubro de 1957. a resposta americana, como se sabe, foi mandar homens, em carne e osso, à lua. disputa de garotos, resultado de gente grande, que guiou boa parte do avanço tecnológico [inclusive da informática] por quase duas décadas. pena que não foi um feito da Terra, em conjunto, mas parte de uma disputa entre territórios [e sistemas políticos] para ver quem era mais capaz. ou, na pior das hipóteses, quem chegava primeiro…

durante muito tempo, ficamos por aqui. até porque a américa não tinha com quem competir. desde o fim dos anos 80 a USSR deixou de existir, graças à a ineficiência e ineficácia de uma economia sem mercado [entre muitas outras coisas]. mas parece que chegou a hora [até porque os competidores começam a aparecer…] de estabelecer alguma meta espacial [que tal marte em 2037?]do tamanho da humanidade, e o novo alvo tem tudo para ser marte. seis meses cada perna da viagem, com a tecnologia de hoje.  ou uma semana daqui a algum tempo. de qualquer modo, vai custar uma fortuna [as estimativas oscilam entre 40 e 400 bilhões de dólares]. que talvez fosse melhor aplicada aqui mesmo, pra resolver o aquecimento global, por exemplo.

mas um dia vamos ter que sair daqui. pode ser daqui a muito tempo, quando o sol ferver os oceanos ou a via láctea se desorganizar [bote tempo nisso]. ou então quando descobrirmos que um asteróide irá detonar -literalmente- o planeta. mesmo que você não vá a marte nem tão cedo, e tampouco a algum centro de lançamento de onde vai sair algum foguete para lá, dá pra ouvir uma trilha sonora pra viajar pra marte [ou muito mais longe] aqui. o contexto, no site, é… Most people who underwent cryosleep have reported that the mind seems to naturally retreat into a place of infinite tranquility, where the experience of Time itself is distorted in a subtle way. Although there is no trace of conscious activity in the brain of sleepers, it appears that Experience itself never ceases, creating atemporals bubbles of memories of transcendental calm when the subject awakes. It may be possible that chemicals used in the cryosleep process alter the outer cortex in a way that is not yet understood, however we believe cryosleep is a perfectly safe means of interstellar travel.

esqueça a ficção. simplesmente ouça. pra decolar, nenhuma química adicional é necessária, a não ser a sua e a de quem eventualmente esteja curtindo com você. divirta-se boa viagem. a marte [na foto, a cratera victoria, de 800m de diâmetro], ao parque ou, quem sabe, a você mesmo. boa chegada.

 

vida digital: vigiada [para sempre?]

Tuesday, August 21st, 2007

sim, você olhou a figura acima e entendeu tudo. a partir de dezembro, a tokyu security vai oferecer um serviço [custo: 10 reais a cada seis meses] que há de avisar os pais sempre que os filhos passarem numa catraca do metrô [em tokyo]. num lugar onde as pessoas só se movem de metrô, os menores movimentos dos filhos, fora das atividades programadas pelos pais, serão vigiados, notados e, muito provavelmente, controlados. e isso está proposto como vigilância até o ensino médio…

mas será que é isso mesmo que queremos que aconteça em todas as situações?… consigo me lembrar de centenas de vezes, na vida, em que meus pais não deveriam ter me vigiado enquanto eu fugia das regras estabelecidas e tratava de alguma inovação [pra minha vida, pelo menos].

o mundo lá fora é perigoso e diferente da minha vida de criança no interior de pernambuco e paraíba nos anos 50-70 do já tão distante século passado? é. mas precisamos tomar cuidado, muito, para não criarmos gerações inteiras de crianças de granja… que terão muito pouca capacidade de reinterpretar o mundo ao seu redor. precisamos de mais meninas e meninos de capoeira, que apareçam com novas decodificações e proposições do e pro mundo, capazes pois de apagar o que de errado seus pais e avós estavam fazendo e de reescrever um novo mundo…

mas como isso vai rolar, se esse povo for vigiado o tempo todo, a cada detalhe?… complicado, viver neste quase novo mundo…

os movimentos do mundo móvel

Tuesday, July 24th, 2007

a feira de negócios de internet não é só no mundo fixo, onde negócios web2.0 estão trocando de mãos quase todo dia. no mundo móvel, a nokia acaba de pagar perto de US$100M pela twango, um start-up formado por cinco ex-funcionários da microsoft mais parcos 10 empregados. tipo assim… 10 milhões de dólares por colaborador. a história é do wall street journal [ele próprio alvo de aquisição por rupert murdoch]. twango, segundo ela própria, é uma comprehensive media sharing destination and platform, e o casamento de um competidor do flickr, como twango, com a nokia, dá o que pensar.

isso porque a empresa está indo às compras há algum tempo: a loudeye, que queria ser um rival de itunes, foi comprada ano passado por US$60M; em 2005, tinha sido a vez da intellisync, cujo negócio é sincronizar aparelhos com fontes de informação, o que pode ser muito útil se você está se movendo, por aí, e seus serviços não estão exatamente dentro de seu celular. o fato do espaço móvel, por limitações [e vantagens] dos celulares e operadoras não funcionar do mesmo jeito da web [pelo menos por enquanto] cria um monte de oportunidades de negócio [raramente percebida por gente da periferia como nós, brasileiros].

mas não é so a nokia: a motorola comprou a good technology, um rival da RIM [que faz o blackberry], no fim do ano passado, e neste primeiro semestre trouxe pra dentro de casa a modulus video, que tem um codec de mpeg4 muito bom, e a leapstone, que faz uma… unified platform for creating, managing and delivering converged video, voice and data service bundles across multiple networks and devices. sem falar que em junho a empresa já tinha investido  US$140M na compra da terayon… dedicated to creating video solutions that enable content to be localized and delivered “on-demand” based on the regional and local interest of viewers.  e tem mais, como tut [iptv], symbol [por US$3.9B, enterprise mobility], netopia [acesso digital, por US$208M], kreatel [linux set-top box para iptv]…

resumo: a nokia está indo pra comunidades [e não só] e a motorola pra convergência digital e localização [e não só]. os dois, e todos os outros do cenário estão interessados em prover o que mario cesar araujo, da tim, está dizendo que vai fazer: “Temos que oferecer toda a convergência a partir do móvel, como fez a Vodafone na Europa”. no caso da moto, em particular, há uma grande aposta em mídia convergente, especialmente em localcast iptv móvel, mercado que, segundo uns, pode crescer a taxas de 100% ou mais nos próximos anos.

ainda mais interessante é ver que negócios até pouco tempo atrás identificados por muita gente como sendo "de hardware", como nokia e motorola, estão se transformando em software e, principalmente, serviços. é fácil imaginar que a nokia não vai "vender" uma cópia de twango pras operadoras…. até porque o valor do "sistema" seria muito menor que o "da rede". logo, as teles comprarão o "serviço"… a mesma coisa vale para algumas aquisições da motorola, senão todas.

e, como este blog já cansou de anunciar aqui… pena que, com tanta gente inteligente e criativa no brasil, ninguém comprou nada aqui. porque quase não há o que vender! uma das coisas que nos falta é mais investimento em inovação em volumes muito maiores do que o velho, puro, simples e às vezes competamente irrelevante e pouco efetivo, do ponto de vista de futuro do país, financiamento, pela via da "demanda qualificada", à ciência… para fins de publicação de papers e elevação do país no ranking mundial de "criação de conhecimento".

pra quê, se nos falta uma cadeia de valor de investimento pra transformar o conhecimento em negócio? mesmo que seja para ser comprado pelas grandes transnacionais do setor, pois isso também faz parte do negócio. como diz josé carlos cavalcanti, o caso do brasil, certas horas, é de um isolamento e exclusão tão extremos que queremos, sim, ser explorados, para voltarmos à roda, para participar mais e entender como, inclusive, não ser mais explorado ou, pior, ignorado… e, muito lá na frente, ter empresas [de conhecimento] nossas -pra variar- comprando algumas deles também…

blade runner: para[normal]

Sunday, July 15th, 2007

uma dúvida assola competições como o pan, olimpíadas e campeonatos mundiais de esportes, principalmente atletismo: daqui a quanto tempo atletas com dificuldades de locomoção ou sentidos terão, com auxílio tecnológico, superado seus problemas e, também, humanos [supostamente] normais?

a linha divisória do campo está vindo para o presente cada vez mais depressa… esta semana, oscar pistorius, sul-africano nas imagens, 20 anos, que nasceu sem as fíbulas [o antigo "perônio"] e teve suas pernas [abaixo dos joelhos] amputadas aos onze meses de vida, chegou em segundo lugar nos 400m rasos, contra corredores olímpicos na golden league, em roma.

pistorius corre sobre implantes removíveis de fibra de carbono. seu tempo foi 49.60s, 0.18s atrás do vencedor. o recorde mundial é de michael johnson, 43.18s, marca de 1999, no mundial de sevilha.

mas rola um problema: a International Association of Athletics Federations (IAAF) está pensando em desclassificar pistorius, que corre atrás do tempo de 45.95s [sua melhor marca é 46.34s; sanderley parrela faz a distância em 46.02s] para poder correr no mundial de osaka. boa sorte a pistorius e bom senso, associação das federações atléticas. se pistorius não pode correr, ninguém de óculos poderia atirar, tampouco. sem falar na pilha de atletas que está bombada, sob todo tipo de [bio]química e que só vez por outra aparece nas listas de dopados.

pistorius corre atrás da vaga para osaka hoje, domingo 15, em sheffield, uk. eu tô em duas torcidas: pela sua marca e para que a IAAF aceite o corredor no meio dos "normais".

previsões: carros = software?

Friday, July 13th, 2007

vez por outra alguém me liga pedindo uma previsão, um número, um valor para alguma coisa daqui a 5, 10 anos. vez por outra eu caio na tentação e ofereço um chute, normalmente baseado apenas nos meus sentimentos. mas há gente séria, com dados à mão, falando coisas muito mais interessantes.

veja esta aqui, dita pelo CTO da GM em 2004: In 1970, a typical GM car contained about 100 lines of code. By 1990, it was running about 100,000 lines of code. By 2010, predicts Scott, cars will average about 100 million lines of code. cem milhões de linhas de código em um carro? bem, não exatamente no nosso 1.0, em 2010. e talvez não em 2010, para nenhum carro.

mas uma coisa é certa: tudo está virando software. para os carros, como para qualquer outra coisa, é só uma questão de tempo. o lexus ls460 2006 que ilustra este texto tem bem mais de 7 milhões de linhas de código. e uma bmw topo de linha tem perto de cem processadores. vai lá, vem cá… pode não ser em 2010, mas não vai demorar muito mais pra que um carro tenha mais software do que um computador de mesa. tomara que não passe a ter a mesma quantidade de defeitos… mas já hoje os grandes fabricantes de carros movidos a software estão fazendo recalls de seus programas, digo, carros, para resolver bugs, alguns dos quais capazes de parar o auto por completo. e até oferecer risco de vida aos ocupantes.

STBs: R$200 ou… R$600?

Tuesday, July 10th, 2007

o ministro das comunicações anunciou que um set top box [STB] para tv digital vai custar R$200. isso como se o governo decretasse preços. a indústria, que é quem deve fabricar aqui os STBs que não forem contrabandeados do paraguai, insiste que o preço mínimo de R$600, com alguns fabricantes anunciando que os seus estarão na casa de R$800.

segundo o ministro… “Eu acho inacreditável alguém falar de um conversor custando R$ 600,00, quando na realidade um televisor de 22 polegadas custa cerca de R$ 350,00”. ocorre, ministro, que toda a tecnologia de um televisor de 22" está amortizada, paga há muito, muito tempo. é só "imprimir" a coisa e botar no mercado. e o STB brasileiro, novinho em folha, vai ser o único no mundo que terá [por exemplo] um chip pra decodificar MPEG4, pois nós resolvemos ter tal tecnologia de imagem nesta geração de TVD, ao contrário do resto do mundo.

ou seja: o tamanho do mercado brasileiro é quem vai definir o preço do STB brasilero, que não terá as vantagens das economias de escala do resto do planeta. aliás, se nenhum outro país adotar o modelo japão+MPEG4, que nós escolhemos, ficaremos sozinhos neste mercado. no nosso mercado. qualquer semelhança com PAL-M não será, claro, mera coincidência.

mas o ministro pode ficar tranquilo. no país das prestações, o que vai definir quem vai ter um STB não é o preço, mas qual é a prestação. há muito que estamos transformando produto em serviço. um televisor que custa X [grande] mil reais não é um produto, mas um serviço de entretenimento pelo qual se paga y [pequeno] reais por mês. se um STB de R$800 "custar" 40 prestações de R$30… e se alguém resolver transmitir uma programação exclusiva só em formato digital [quem não tiver o STB não vê]… presto! está criada a demanda, o mercado… e o preço será irrelevante. desde que seja muito menor do que o de acesso real ao entretenimento que será transmitido exclusivamente em formato digital. à cabeça, pra começar, me vem futebol. que mais? façam suas apostas…