Archive for the 'convergência digital' Category

mais um fim do mundo [como ele é]

Monday, September 17th, 2007

pense numa data para escrever um artigo sobre o fim do mundo. achou: 11 de setembro. o título é… Will Super Smart Artificial Intelligences Keep Humans Around As Pets?, ou… será que inteligências artificiais realmente muito inteligentes vão manter os humanos por aqui, só para tê-los como animais de estimação?

pode parecer brincadeira de mau gosto, mas não é. o assunto foi discutido seriamente no último singularity summit, evento dedicado a prescrutar quando [e não se] a inteligência de máquina vai ultrapassar [em muito] a humana.

o texto de ron bailey, correspondente de ciência do reason magazine, descreve os debates do simpósio e tem bons links pra quem quiser saber mais sobre o assunto. há quem discorde [radicalmente] da qualidade das discussões, apesar dos mais de 600 especialistas em futuro lá no evento. stephen luttrell, que acompanhou de longe, acha que tudo não passou de desfile de opiniões para a imprensa leiga. o debate continua.

[para saber mais sobre "singularity", clique na figura acima, que leva a uma palestra do criador do conceito -vernor vinge, autor de RAINBOWS END- dada em 1993. o resumo, pra lhe animar a ir lá ver o texto inteiro, tem uma linha: Within thirty years, we will have the technological means to create superhuman intelligence. Shortly after, the human era will be ended.]

vírus computacionais: 25 anos depois, para sempre

Saturday, September 15th, 2007

há um quarto de século, um aluno do segundo grau chamado richard skrenta escreveu e começou a disseminar o primeiro vírus de computador, para o apple ][. "elk cloner" era benigno, do tipo "boot sector". e foi o primeiro de uma longa, infinita série. em todos os tipos de dispositivos computacionais: PCs, celulares, TVs digitais e, se tudo correr mal, painéis de automóveis, robôs, casas... qualquer coisa programável. até você, um dia. pra saber um pouco do que está acontecendo, veja a dissertação de mestrado de xin li. li trabalhou na suécia, em linköping, de onde vem o trabalho de martin karresand, que tenta uma ontologia [uma "classificação"] para software weapons, ou malware. leitura interessante para os mais inclinados ao estudo dos vírus computacionais.

pra gente não gastar muito tempo com teoria, história e futuro, há duas coisas que precisamos saber, na prática: em 1987, fred cohen demonstrou que é impossível construir um detector [um algoritmo] que encontre, de forma perfeita, todos os vírus possíveis. em 2000, pra fechar o milênio velho e abrir o novo, david chess e steve white, do ibm t j watson research center, escreveram um pequeno paper [oito páginas] que piora em muito, e definitivamente, o cenário: segundo eles… This brief paper adds to the bad news [Cohen's], by pointing out that there are computer viruses which no algorithm can detect, even under a somewhat more liberal definition of detection.

o resultado, em bom português, é que na vida virtual, como na real, viveremos com vírus; eles em nós e nossas máquinas, para sempre. somos hospedeiros. talvez seja da nossa natureza, humana e virtual. no lado das máquinas, nós mesmos fabricamos as coisas. no mundo real. ainda não. pelo menos não em escala industrial. resta saber por quanto tempo.

pensando bem, não é preciso fabricar nenhuma coisa nova: procurando, você encontra, na rede, o genoma do vírus da gripe espanhola de 1918, aquela que matou mais de 20 milhões de pessoas [há quem ponha a conta em 50 milhões, por causa dos efeitos colaterais, na economia, da pandemia]. bill joy e ray kurzweil escreveram um editorial do ny times, em 2005, dizendo que publicar o genoma do vírus tinha sido uma grande besteira e que "despublicá-lo" era mais ou menos como tentar reconduzir as abelhas à colméia, depois de deitar fogo pra assanhá-las. isso porque um porta voz da revista science, onde o genoma foi publicado, disse que "Both the authors and Science’s editors acknowledge concerns that terrorists could, in theory, use the information to reconstruct the 1918 flu virus" . notícia bem pior, por sinal, do que a de chess & white aprofundando o resultado de cohen. estima-se que, só nos eua, uma epidemia do tipo da gripe de 1918 mataria dois milhões de pessoas.

resta trabalharmos todos para estabelecer padrões de comportamento, GLOBAIS, que não levem o conhecimento cada vez maior sobre vírus -reais e virtuais- a causar impactos destrutivos e de muito grande porte no ambiente. terminais, talvez. o que exige reflexão e pensamento mundiais sobre o assunto e não controles dispersos, aqui e ali, enquanto acolá uns malucos possam estar achando que podem salvar o mundo pela via da destruição. para os computadores e redes, há backups e podemos dar um reboot. já o planeta…

ridley scott: “gadgets” arruinam o cinema

Monday, September 10th, 2007

sir ridley scott, responsável por alien e blade runner, filmes onde gadgets de todos os tipos, inclusive humanos, foram introduzidos [um camelô vende olhos em blade runner, por exemplo], disse no festival de veneza [onde apresenta uma versão digital {ou "gadget"?} de blade runner] que… "We try to do films which are in support of cinema, in a large room with good sound and a big picture. But we’re fighting technology." tecnologia como celulares, ipods, computadores… bem, ninguém é perfeito.

lutando contra tecnologia? cinema é tecnologia. as outras "coisas" [gadgets] também são. e nós, a humanidade, não lutamos contra a tecnologia hora nenhuma. nós somos mediados por ela. o tempo todo. desde que começamos a caçar, falar… desde o começo dos tempos. melhor esquecer a declaração; afinal, blade runner fica muito acima de tudo isso…

vida real se complica no mundo virtual

Sunday, September 9th, 2007

um monte de gente está na rede. bem mais gente, pelo que sempre pareceu, do que o povo real que está usando a rede. uma parte da galera concreta, de carne e osso, que mora aqui no planeta terra, tem mais de uma vida virtual e pode, nela, dar vazão a sonhos, instintos e aspirações irrealizáveis no velho e bom dia-a-dia.

pense na confusão em que thomas montgomery se meteu. ex-fuzileiro naval americano de 45 anos, casado, pai, montou um avatar de 18 anos, também fuzileiro, um deus grego. filho de alguém que parecia, sim, o próprio thomas. isso começou em pogo.com, um site de jogos muito usado nos eua. foi por lá que o "jovem" marine conheceu jessi, 17 anos, uma deusa [também]. que era na verdade a mãe da verdadeira jessica, uma "bem-casada" e quarentona dona de casa. montgomery -o piloto do avatar do jovem fuzileiro- se apaixonou -por jessi, na verdade, a dona de casa- e pôs tudo a perder.

rolo após rolo, um colega de trabalho bem mais novo [brian barrett] descobriu jessi on-line [e armou um rolo virtual com ela...], a mulher de montgomery descobriu [inclusive peças íntimas juvenis enviadas por emeio, por "jessi" a montgomery...], barrett espalhou pela fábrica onde os dois trabalhavam que estava "com" jessi e montgomery [?] andava com um par de chifres [virtuais?...] e, por fim, montgomery, o próprio, esmagado pela descoberta da mulher e pela humilhação que achava estar sofrendo do colega, matou barrett com três tiros. na vida real. está preso, esperando julgamento. bizarro.

pense numa confusão. pense quanta gente está metida em coisas parecidas, nem tão graves quanto [espero], mas potencialmente tão ou mais alopradas do que a quase ficção aí acima. as personas virtuais provavelmente serão, para sempre, válvulas de escape para uma legião de oprimidos que quer mudar de vida, aqui fora, mas não consegue. sem falar nos que querem voltar ao passado e enfrentam a impossibilidade nua e crua da realidade. montgomery talvez seja um destes casos. que deu completamente errado. deve haver muitos, bem mais do que talvez se imagine, que estão dando mais ou menos certo. capaz de você e eu conhecermos um monte, na vida real, sem nem imaginar o que eles estão fazendo enquanto dormimos…

feriando na web: william gibson no washington post

Friday, September 7th, 2007

"When I wrote ‘Neuromancer’ " almost 25 years ago, he [W. Gibson] says, "cyberspace was there, and we were here. In 2007, what we no longer bother to call cyberspace is here, and those increasingly rare moments of nonconnectivity are there. And that’s the difference. There’s no scarlet-tinged dawn on which we rise and look out the window and go, ‘Oh my God, it’s all cyberspace now.’ "

este é um dos parágrafos da entrevista [de 6/set] de william gibson ao washington post. segundo bruce sterling, é uma das melhores entrevistas de gibson em todos os tempos. cory doctorow concorda. humildemente, assino embaixo. vá ler. pode ser que tenha que assinar o WP, mas é grátis. e se você não sabe quem é gibson e porque ele é muito importante para a literatura mundial [moderna, de e sobre o mundo virtual], tá na hora de ler neuromancer, o livro que ajudou a criar um gênero e  influenciou toda uma geração de leitores e autores. ou idoru, que é uma viagem que pode acontecer a qualquer hora. ou já está acontecendo agora, aqui, com nossos "ídolos", fabricados, da e na tv. ou na rede.

gibson tem uma bola de cristal de verdade. duvido que alguém ainda chame, a sério, o espaço de ciber-espaço. é simplesmente o espaço, plano, interligado, com pedaços do mundo de cada um em todo lugar.  hoje, muita gente poderia escrever neuromancer. um quarto de século atrás, uns poucos. e ele era um dos melhores, entre estes.

se você não quiser ler, pode ouvir. há uma coleção de coisas cyberpunk por aí. vale a pena. bom feriado a todos. volto segunda, ou a qualquer momento, em edição extraordinária.

banda larga no brasil: lição de astronomia

Monday, September 3rd, 2007

estudo da telcomp, recém-publicado, mostra que os preços de banda larga, por aqui, podem ser quase 400 vezes mais caros em relação a lugares mais aquinhoados do planeta. a diferença entre o megabit por segundo em manaus e tokyo, segundo o estudo, é 395 vezes. isso se a gente tivesse renda japonesa. esqueceram de fazer as contas usando "ppp" [purchasing parity power, poder de compra paritário: veja neste link, página 23]; neste caso, como a hora trabalhada [básica] no japão vale quatro vezes mais que no brasil, ainda há de se multiplicar por 4 os 395 da razão anterior, o que nos leva a irracionais 1580 vezes mais moedinhas pela banda em manaus… isso é astrononomia digital…

o pior não é só que é mais caro, é também muito pior. um amigo que reclamou -recentemente- de seu provedor sobre a diferença entre o megabit que comprava e as poucas centenas de kilobit [ambos por segundo] que o provedor entregava, e usando como exemplo a velocidade real que tinha na frança, ouviu do atendente a cândida explicação de que… "o megabit de lá é mais rápido que o daqui". falta de competição dá exatamente nisso. aliás, a definição de banda larga que o estudo usa é a da união internacional de telecomunicações, que define uma velocidade mínima de 2 megabit por segundo para banda [verdadeiramente] larga. eu acho que isso é muito pouco: pelos tipos e usos de mídia que temos na rede, banda larga mesmo é acima de 10 mbps. o resto é conversa fiada.

enquanto isso, ficamos nos enganando e dizendo que o brasileiro passa MUITO tempo na rede… que estamos entre os primeiros do mundo no tempo de uso da internet segundo todas as medidas. uma razão primordial deve ser que levamos MUITO mais tempo pra fazer qualquer coisa do que a maioria das pessoas dos outros países. a poucas centenas de kbps [ou linha discada...], levamos horas pra pegar e instalar as últimas versões de software que têm quase 100MB [800 megabit, que podem levar de meia hora a duas, três horas na banda larga "nacional"]… sem falar nos vídeos, que não conseguimos ver, na maior parte dos casos, em tempo real. o que estamos, mesmo, é perdendo MUITO tempo, improdutivos, na rede… coisas do brasil.

brasil: pirataria de software diminui

Saturday, September 1st, 2007

segundo dados da idc global, a pirataria de software [no brasil] caiu de 64% [em 2005] para 60% [em 2006]. este é o tema de meu artigo no g1 hoje. o brasil anda um pouco melhor do que a américa latina e bem pior do que a alemanha, suiça e EUA, como era de se esperar. o difícil é explicar as causas da menor pirataria. aumento do uso de software livre explicaria os 4% de queda de uso de programas sem licença em apenas um ano?

ou isso é um erro estatístico? ou foi conseguido pela conjugação do governo legalizando parte de seu software pirata, através da compra de licenças e maior uso de software livre nos órgãos públicos?

ou será que já se começa a sentir o efeito [pelo menos por aqui, pois no mundo como um todo a pirataria não diminuiu] do uso de software como serviço?… mas parece ser muito cedo para isso dar um impacto tão grande nos dados anunciados pela business software alliance. talvez precisemos esperar a próxima ediçao da pesquisa, que sai ano que vem. pois o dado brasileiro para 2006 é o mesmo, basicamente, de 2003.

terra de gigantes: microsoft comprando rim?

Friday, August 31st, 2007

no texto logo antes deste, falamos da nokia, vários passos [e talvez muitos meses] à frente dos outros fabricantes de dispositivos móveis, transformando seus celulares [hardware] em algo mais [software, como serviço]. mais ou menos nesta linha, outro gigante, google, parece que vai mesmo lançar o seu celular [fabricado por outros, pois talvez queria ser a nike do hardware {móvel}] que serviria de base concreta para um conjunto de serviços abstratos [providos pelo "site" google].

no meio deste barulho todo, não é que parece que a microsoft está pensando em comprar a research in motion [rim] o fabricante e provedor de serviços do blackberry, o telefone [?] móvel que está nas mãos de executivos, técnicos e vendedores de companhias em todo o mundo [inclusive no brasil]?…

se acontecer, será um mega negócio. a rim vale mais de 46 bilhões de dólares hoje e, se a msft resolver comprar o passe deles, não será por menos de 50 bilhões, o que tornará o evento um dos maiores negócios da história da economia digital. a rim anda crescendo quase 80% por ano, tem um lucro líquido de cerca de 20% da receita [que é de mais de US$3.5B]… e ainda seria uma resposta simultânea da microsoft à nokia, apple e google.

o único senão é que o blackberry é um serviço essencialmente corporativo. mas seria este um importante senão? as contas das corporaçcões são todas pós-pagas… e de muito mais alto valor agregado do que aqui embaixo, no mundo das pessoas comuns. isso parace mais uma vantagem… até que o cenário corporativo seja mudado por uma novidade radical vinda do mundo pessoal.

uma coisa é certa: se a msft comprar mesmo a rim, o mundo móvel vai mudar. muito. e a competição, lá, nunca mais será a mesma…

celulares começam a virar software

Thursday, August 30th, 2007

a nokia está começando a transformar seus celulares em software… no ar, paulatinamente a partir deste semestre, OVI [porta, em filandês]. segundo a nokia… Ovi – one key opens every door. Ovi (http://www.ovi.com) is the gateway to Nokia’s Internet services, including the Nokia Music Store, Nokia Maps, and N-Gage games. It will also be an open door to web communities, enabling people to access their content, communities and contacts from a single place, either directly from a compatible Nokia device or from a PC. The first version of Ovi.com is scheduled to go live in English during the fourth quarter of 2007 and additional features and languages expected to go live during the first half of 2008.

isso não é um acaso, é uma tendência: vamos ver um número cada vez maior de empresas "de hardware" provendo uma quantidade muito grande de serviços "de software" sobre seus dispositivos [e de outros fabricantes]. isso vai transformar o hardware, de vez, em uma commodity, diferenciada pelo software [como serviço] que estará por trás dele. quem viver verá.

Bem-vindo à era da informatização do ‘bilhetinho’

Sunday, August 26th, 2007

o título é da entrevista que dei ao ESTADÃO, através da jornalista flávia tavares, sobre as fotos [e fatos] dos ministros do supremo estarem na rede [como todos nós] enquanto estão fazendo outras coisas, inclusive julgamentos como o do mensalão… o texto começa assim:… Afinal, foi ou não invasão de privacidade? Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), flagrados trocando mensagens eletrônicas num bate-papo online durante o julgamento do mensalão, acham que suas confidências cibernéticas não deveriam ter vindo a público. Silvio Meira, cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R.) e especialista em interpretar fluxos de informação – preferencialmente em sistemas informatizados -, concorda. Fosse ele o juiz, nada de fotógrafos na Corte. “A tela do meu computador é segredo”, diz.

e continua: A boa notícia, segundo Meira, é que os ministros do STF estão mais conectados do que nunca. “Isso é bom. Sinal de que eles são como nós, são parte da sociedade que devem julgar”, explica o cientista, que também é professor da Universidade Federal de Pernambuco. O assunto das mensagens trocadas pelos juízes variava desde o teor da apresentação do procurador-geral da República ao processo de nomeação do próximo ministro do STF, passando por qual seria o cardápio do almoço daquele dia. Pareciam um pouco distraídos. E realmente estavam. Meira acredita que a atenção dedicada pelos ministros da casa às apresentações dos advogados de defesa era contínua, mas parcial. “Este é o tipo de atenção que dedicamos a tudo no dia-a-dia. Ninguém se concentra 100% em algo”, justifica.

A troca de informações e confidências durante julgamentos é tão antiga quanto a própria Justiça, afirma o professor. “O que vemos hoje é a informatização do bilhetinho que, no passado, circulava por debaixo da mesa. Absolutamente normal.” Leia a seguir os principais trechos da entrevista que Silvio Meira concedeu ao Aliás.

MINISTROS CONECTADOS

“Vejo o fato de os ministros do Supremo Tribunal Federal estarem conectados durante o julgamento do mensalão, ou em qualquer outro momento, de forma muito tranqüila. Isso significa, acima de tudo, que os magistrados da mais alta corte do Brasil estão conectados. Uma ótima notícia. É importante que eles sejam parte da sociedade para julgar e estabelecer os limites, deveres e direitos que dizem respeito a todos nós.¨

para ver o texto completo [acho que é só para assinantes do estado de são paulo...] clique aqui. 

mundo conectado… mas nem tanto

Tuesday, August 21st, 2007

o blog está, esta semana, viajando pela frança. megabits por segundo, bem baratinho, por todos os lados. tipo 20 megabit/segundo, mais telefone, setenta canais de TV e outro monte de rádio por 30 euros/mês [arredonde pra 100 reais]. ruas sem buracos [e com motoristas franceses prontinhos pra atropelar seja quem fique pela frente] mas sem as ameaças mais freqüentes do dia-a-dia no brasil. não parece haver assaltantes à vista. dá pra sair do banco, sem medo, contando o dinheiro… e o maior desafio é mesmo cocô de cachorro em todas as calçadas.

dito isto, põe-se à prova um smartcard integral, destes que faz de tudo e, se a gente duvidar, fala. deveria tirar dinheiro em qualquer caixa automático. tira aqui, não tira acolá. razões? o atendente diz que, lamentavelmente… olhando para o portador como se ele fosse transmissor da doença da vaca louca [muitos restaurantes ainda têm, no cardápio, a origem de cada corte de carne servida...].

a coisa também deveria funcionar em todas as lojas que supostamente lêem o chip. funciona em quase todas. quando não funciona, não adianta perguntar por quê. ninguém sabe e tampouco tem qualquer interesse em resolver o problema. dinheiro vivo, por favor, pra pagar seu confit de canard

claro que está muito melhor do que há duas décadas, quando cartões de crédito emitidos no brasil não tinham validade fora de nossas fronteiras e éramos obrigados a carregar dinheiro vivo. tente, se puder, alugar um carro com dinheiro vivo… é quase impossível. acontece que dinheiro é um virtual muito antigo, de milhares de anos, e ainda está muito mal implementado entre sociedades e países. funciona mais ou menos dentro de um contexto nacional qualquer e, de um pro outro, piora sensivelmente.

imagine quando vamos ter celulares que nos identificam mundo afora,  que nos habilitam a passar em catracas de transporte público sem pagar o bilhete [pois que debitado automaticamente do nosso crédito], que pegam a rede do lugar, nossa localização e indicam o restaurante decente mais próximo, isso depois que teclamos uma preferência para couscous e estamos perto do arco do triunfo… vai demorar. vai demorar muito. se ninguém fizer nada de objetivo e proposital, vai demorar décadas.

mas se preocupar com isso pra que, se tô pagando bem mais de 100 reais por mês por um megabit que é de 300k, na verdade? por isso mesmo… se as fronteiras nacionais se desintegrarem e os espaços geográficos, na direção oposta, se integrarem, talvez fique bem mais fácil pra todo mundo ter a mesma infra-estrutura no maior número possível de lugares. pelo mesmo preço. porque uma das desvantagens competitivas da periferia são justamente os [quasi-]monopólios [de baixa performance, quase sempre] a que estamos sujeitos. se houvesse mais competição, mas aberta, em mais setores, com menos regras obtusas e cartoriais como países como o brasil têm, vai ver a gente tinha mais infra por bem menos.

e olhem que a frança, uma das sociedades mais estatais, burocráticas e conservadoras da europa, não é nenhum exemplo de mercado aberto, inovador e competitivo. mas mesmo aqui eles tiveram que abrir espaço para inovação, sob pena de perderem o trem do futuro. falando nisso, deixa eu sair e pegar meu busão ali na esquina. quem dera desse pra pagar com um celular… brasileiro. mas fica pra depois.

mundo feito de software? skype fora do ar

Friday, August 17th, 2007

mais ou menos às 0400GMT de hoje, alguns milhões de usuários de skype no brasil, alemanha, finlândia, colômbia, estados unidos e outros lugares menos votados deixaram de conseguir entrar no sistema. [mais um apagão que afeta o país...] um dos três logins da minha casa entra [o meu] e os outros dois nem pensar. skype não sabe quando a situação se resolverá, mas o prazo inicial pra devolver toda a rede de volta à vida é de 12 a 24h. talvez. enquanto isso, quem está fora está fora.

redes são software. assim como bancos, supermercados, o governo a polícia e, pelo que se captura de informática nas mãos do crime [des]organizado, tudo é software. carros, celulares, geladeiras e fornos de micro-ondas que só faltam falar. alguns, por sinal, falam mesmo.

muitas destas coisas estão sozinhas e, quando seu software morre, pouca falta fazem ao mundo. quando uma coisa como skype para, [grande] parte do mundo para. é um mega apagão de comunicações. e como é de graça [pra quase todo mundo], sem pátria e sem órgão regulador, não há como reclamar. se bem que a imprensa internacional e os blogs estão fazendo o maior auê. com todo direito. o que é certamente espaço pra uma boa pergunta: o que os competidores de skype andam fazendo de melhor, pra gente pegar este tempo em que a telefonia VOIP da eBay está fora do ar e irmos lá ver se trocamos de provedor?…