Archive for the 'convergência digital' Category

música @ preço [quase] fixo

Tuesday, December 4th, 2007

a nokia acaba de fechar com a universal music group [parte da vivendi] um acordo que permitirá aos compradores de certos modelos de celulares o download de TODA a coleção de registros sonoros da universal por UM ANO. findo o que a música "fica" com o "dono". os outros três grandes negócios mundiais de música estão sendo [literalmente] cantados pra entrar no negócio, que muito provavelmente há de remunerar o que costumávamos chamar de "gravadoras" com uma porcentagem da renda do tráfego [nas operadoras] pra trazer a música pro celular.

grande avanço. ainda não é onde eu acho que vamos chegar: alguma hora, vamos simplesmente "assinar" um serviço de música [por mês] e poder ouvir o que se quiser. tipo 10 reais/mês com direito a ouvir 100 horas de música/mês. da música que você quiser. onde você quiser. pelo meio que você quiser. 100h/mês é três horas dia. muito. se você achar pouco, a conta poderia ser 3h/dia de sua escolha mais 9h/dia de multicast [a música que a gravadora "escolheria" pra você ouvir -tipo last.fm-, na esperança de você pagar, depois, pra ouvir].

alguma hora vamos chegar lá. este passo da nokia, limitado a alguns celulares, é mais importante do que iTunes, limitado a UM dispositivo particular. e acho que os fabricantes de celulares podem ser uma das mais importantes chaves do processo: com 3.3 bilhões de celulares no planeta  um mercado apenas de reposição, hão de achar outras fontes de renda. a nokia, em particular, está redefinindo sua competição: quer pegar google [em mapas e localização] e a parte "live" da microsoft, além da apple [como provedor de iTunes e não como fabricante do iPhone]. a apple, como "fabricante" de celulares, está chegando atrasada no jogo. mas tem steve jobs lá. enquanto tiver, vai ser osso difícil de roer.

 

tv digital [móvel]? celular japonês

Tuesday, December 4th, 2007

começaram as transmissões de tv digital. breve, você talvez até assista, de televizinho, num celular na mesa ou assento ao lado do seu. o celular tem grande chance de ser… japonês. a lista dos dez fones mais vendidos pela NTT DOCOMO, no japão [que é quase monopolista no mercado, lá], começa pelo fujitsu f904i [ao lado], que recebe o formato one-seg de tvd móvel [daí a tela giratória pra ficar no "aspecto" correto].

como o mercado do japão é "muito" aberto, os outros 9 celulares mais vendidos são outros fujitsu, sharp, panasonic, nec e mitsubishi. vamos ver aqui. o mesmo vale para as outras operadoras do mercado japonês… três operadoras, trinta mais vendidos, só um celular não é japonês.

e aqui? bem, não há [que eu saiba] um único modelo de celular japonês à venda [em escala] no brasil e pouquíssimos, no mundo fora do japão, fazem celulares que podem receber o sinal no padrão one-seg [o "nosso"]. quando os celulares com tv digital estarão aqui? não se sabe ao certo. primeiro semestre do ano que vem. talvez. . qual será seu preço? considerando que não haverá subsídio das operadoras… me disseram que vai ser uns 2.000 reais. cerca de um terço do preço de loja de uma tv de alta definição de 40/42". algo me diz que não vai, nem tão cedo, bombar…

 

penetração de celular atinge 50% [no mundo]

Friday, November 30th, 2007

o planeta já tem mais de 3.3 bilhões de celulares e 59 países têm penetração de mais de 100% [ou seja, cada "pessoa" tem mais de um celular]. é um número fantástico, levando-se em conta que a coisa começos há cerca de 25 anos nos países nórdicos. dois e meio bilhões de celulares são de tecnologia GSM e a grande diferença entre os países ricos e pobres está na renda das operadoras por usuário [ARPU]. dentro de uma mesma operadora [a hutchison], o usuário gasta US$70/mês na inglaterra e US$3/mês no sri lanka.

tv digital: a batalha da década

Tuesday, November 13th, 2007

o G1 aprontou um especial sobre tv digital com opiniões de todos os lados do problema [e da oportunidade], dos diretores até a técnica. o trabalho de juliana carpanez e ricardo bueno merece ser lido e usado como referência para a discussão do tema, que vai ser quente nos próximos meses.

minha contribuição ao debate começa dizendo queDois de dezembro é dia de TV digital. De alta definição. E sem interação. Para competir com a internet. De um lado, espectadores; do outro, usuários. É a batalha da década. é o que eu acho mesmo. vai ser a batalha da década. vá lá ver.

sat-nav & dtv [móvel] no mesmo box…

Sunday, November 4th, 2007

…e no padrão brasileiro. quem tiver US$1.900 pra comprar gorilla, o último lançamento da sanyo, no japão, vai poder se orientar nas ruas na sua tela de OITO polegadas [não deve vir com mapas do brasil… mas deve haver como botar] e ao mesmo tempo se desorientar vendo tv digital móvel, pois o box pode sintonizar one-seg, exatamente nosso padrão de tvd móvel.

o preço embute, também, a capacidade de receber o padrão digital japonês para tvd fixa de alta definição, mas aquele, como se sabe, não é o nosso. ao recriar o padrão japonês para o brasil, resolvemos trocar mpeg-2 por mpeg-4 e… nada do que for feito para o japão vai rodar aqui. a não ser que a sanyo [e outros fabricantes] botem um olho muito grande pro brasil, vai levar muito tempo pra que tenhamos alguns destes lançamentos japoneses em nossos carros, ruas e casas. coisas do brasil, custos do brasil.

in rainbows: radiohead pelo *seu* preço

Monday, October 15th, 2007

a indústria de música está por aí, viva e muito bem… sem os antigos industriais da música. veja neste artigo aqui como radiohead resolveu o problema. no primeiro milhão de downloads de um novo álbum que está na web para você copiar e pagar o preço que quiser, alguma coisa entre US$5 e US$10 foi arrecadado [mesmo?], por pessoa que pegou in rainbows no site do mesmo nome. você pode pegar o disco grátis. e pagar depois, se gostar [isto é, trate como uma demo e, se gostar, pague quanto quiser].

se a moda pega, e pra pegar de vez talvez gigantes como radiohead tenham mesmo que fazer o que estão fazendo, sua banda é um portal, cada "disco" é um site, cada visitante um consumidor ou, se não pagar, um copiador. pirataria deixa de existir e, se ninguém que gostar da música pagar, talvez a banda se acabe também. a combinação de "preço opcional" [depois a gente volta ao assunto] com a remuneração por performance [sim, porque pode ser que uma parte do "público" seja remota e jamais tenha a oportunidade de pagar por um show] pode ser o caminho para as carreiras musicais de futuro. sem as gravadoras. ainda bem.

mundos virtuais inter-operáveis

Friday, October 12th, 2007

um dos maiores problemas dos mundos virtuais que há por aí [second life é só um dos exemplos] é que todos são fechados sobre si mesmos. nada de turismo ou mudanças: se crio um avatar num lugar qualquer, crio, ao mesmo tempo uma prisão onde só naquele lugar existo.

a ibm está tentando usar seu peso para criar um padrão de interoperabilidade [veja figura acima!…] entre mundos virtuais, onde um avatar meu, criado no mundo X, teria todas as propriedades necessárias para [talvez dentro de certas condições]… entrar num outro mundo, Y. pode até não dar certo desta vez. mas é o que tem que ser pensado e feito. imaginem como usar tal tipo de funcionalidade e o que ela abre, como plataforma de negócios, além do que já está sendo feito. horizonte de eventos pra isso? os próximos 1-2 anos. se não tiver acontecido nada até lá… melhor voltar ao mundo real. a proposta [de cinco pontos] da ibm [e do linden labs, os donos de second life] é…

  1. "Universal" Avatars: "Users could maintain the same "avatar" name, appearance and other important attributes (digital assets, identity certificates, and more) for multiple worlds."
  2. Security-rich Transactions that allow users to exchange assets both more securely in individual virtual worlds, but also across multiple worlds.
  3. Platform stability: As a part of this goal, IBM also announced that Kaneva would be standardizing across IBM servers. More generally the goal is to "accelerate user adoption, deliver faster response times for real-world interactions, and provide for high-volume business use."
  4. Integration with existing Web and business processes: "Regardless of their source," IBM wants to allow existing business applications and data repositories interact with virtual worlds to make business adoption more feasible.
  5. Open standards for interoperability with the current Web: The two want to create open source development of open standards to connect virtual worlds in a way similar to the way users move across the Web.

não atender cada uma das demandas acima é a razão dos fracassos atuais de second life e companhia. mundos fechados têm um custo de transação muito elevado e pouca gente pode suportá-los, por muito tempo. por isso que second life [por exemplo] tá meio paradão. a proposta da ibm pode levar, no tempo, a um padrão debaixo do qual os mundos virtuais passariam a ser desenvolvidos e tratados como negócio. e o usuário teria uma certa "portabilidade" entre um e outro mundo, e todos ganhariam. vamos ver se vira realidade. virtual.

governo discute “banda” com teles

Wednesday, October 10th, 2007

segundo o noticiário, o governo federal está mais uma vez andando ao redor de uma proposta para levar conectividade internet aos "mais profundos rincões do país". trata-se [aparentemente] de criar [208 mil] pontos de acesso [a custo de R$700 milhões, investimento das teles] que tenham [pelo que se diz] um megabit por segundo de conectividade com os troncos internet das operadoras.

o sonho é incluir, no pacote, serviços como telemedicina, vídeo-conferência e educação à distância, entre outros que dependem de "banda". pois é. um megabit [de 300K] é exatamente o que tenho em casa e, certas horas, não dá nem pra ver youTube, quanto mais fazer vídeo conferência. pode ser que as teles e o governo estejam falando de um megabit mesmo, daqueles de verdade. mesmo assim, um megabit  por segundo, por ponto de acesso, com vários serviços conectados, especialmente se estivermos falando de multimídia, o que é o caso de telemedicina e educação à distância, entre muitas outras aplicações… é pouco.

o certo seria dizer que vamos ter inclusão digital no país, a sério, a partir de um esforço nacional, envolvendo governo em todos os níveis e as teles, no mínimo. isso, por si só, já seria muito. querer que um mero megabit seja muito mais do que pura inclusão, em pontos compartilhados, é o mesmo que achar que o tal megabit, por aí, é banda "larga", quando em muitos lugares, mundo afora, a oferta básica já anda pela casa dos oito megabit.

tudo bem que aqui é o brasil, que um megabit é melhor do que nada e coisa e tal. nisso todos concordamos. danado é que esta propaganda governamental [de hoje] parece a dos tempos da ditadura militar, tão combatida [na época] por alguns que estão no poder [hoje]. lá atrás, os descontentes que se mudassem, procurassem outra bandeira. pois foram exatamente os que ficaram que mudaram o lugar. para avançar, precisamos de auto-crítica, de análises realistas do estado de coisas e de planos factíveis. e sonhos, claro. mas, pra hoje, amanhã, é preciso fazer o que pode ser feito. sem enganação. tomara que, por trás das declarações oficiais, haja gente pensando a sério no que tem que ser feito, pra quem, pra quê e pra quando.

inclusão digital [cada um por si…]

Wednesday, September 26th, 2007

pesquisa da Research International aponta que a intenção de compra de PCs, no brasil, no futuro próximo, é 20% da classe D, com 25% e 24% das classes C e B, respectivamente. na classe A, onde quase todo mundo já tem pelo menos um computador em casa, a intenção cai para 4%. enquanto isso, 2/3 da população nunca navegou na internet. e este número só regrediu 1.1% entre 2005 e 2006. roberto ramos, da RCR consultoria, explica o que isso tem a ver com inclusão digital, em entrevista publicada na TIC Brasil.

o mapa acima corresponde à exclusão digital no país segundo o censo de 2000 [clique no mapa para vê-lo em mais detalhe e em contexto]. a "cara" do brasil digital, hoje, não é muito diferente, quase uma década depois… a esperança é que as próprias pessoas, independentemente de classe e renda, resolveram resolver o problema. coisas do brasil: impostos INgleses, serviços de GANA. talvez devêssemos trocar o nome pra INGANA.

tv no celular? na europa, não tá rolando não…

Monday, September 24th, 2007

estudo da gartner research mostra que os europeus têm um interesse por tv digital no celular tão pequeno quanto as telas nas quais veriam tv no telemóvel. só 5% dos europeus demonstraram interesse em ter tv no telefone, contra 20% dos usuários asiáticos. a esperança das operadoras européias era de incluir, no curto prazo, 5 a 10 euros adicionais por mês na renda por usuário, mas o faturamento vindo de tv móvel e download de vídeos está no fundo do poço das celulares da europa.

segundo os analistas, lack of consensus on business models, variety of different technologies and shortage of airwaves has been hampering takeup of mobile TV. no brasil, TVD móvel vai ser diferente da europa. aliás, este foi o principal ponto da disputa; aqui, o sinal de TVD móvel não passa pela operadora, indo direto da TV pro celular. resta saber quem vai subsidiar a oferta de celulares que podem receber TVD, coisa que, fora do circuito, as operadoras móveis certamente não vão fazer. este, aliás, é o mesmo problema do japão, onde vigora um modelo de negócios e tecnológico similar ao que vai ser tentado no brasil. e que não está dando muito certo, por sinal. ou por falta de sinal.

aqui, é ver no que vai dar. meu chute: se os celulares com TV móvel forem mais caros do que os "normais", bye, bye, brazil.

google cable & co.?

Saturday, September 22nd, 2007

os boatos mais recentes da rede dizem que google está pensando em entrar num negócio de cabos submarinos USA - ASIA. se for verdade, não se trata mais apenas de organizar informação, como a companhia propalava, e sim mais um passo na direção de monopolizar os meios de captura, transmissão, armazenamento, apresentação… e processamento de informação. pra quem acha que a ameaça é a microsoft, é bom se preparar pra mudar de foco em futuro  próximo.

o passado [2000] visto do passado [1910]

Wednesday, September 19th, 2007

a imagem abaixo é de uma série de gravuras sobre o futuro, olhando pro ano 2000 a partir de 1910. o título moderno, de hoje, poderia ser "convergência de mídias". o nome da época era algo parecido com Correspondance Cinéma - Phono - Télégraphique. não há nada de digital no cenário, a não ser o telégrafo, que não era percebido como digital em sua época.

várias imagens são sobre o que hoje é, mesmo, convergência digital. há uma, muito legal, sobre correspondência multimídia e outra sobre ensino [na escola]. noutros cenários, há uma hilária sobre transporte aéreo e ainda uma outra , ameaçadora, prevendo que as lareiras do "futuro" seriam nucleares.

será que o futuro, como dizia karl valentin, era melhor [?] no passado.