cientistas da universidade de washington já estão testando [em coelhos] lentes de contato "biônicas" que incluem circuito integrado e leds como parte do dispositivo. veja o protótipo funcional na foto ao lado.
uma lente de óculos ou de contato [normal] é um sistema passivo de processamento de imagem. a tecnologia de lentes que a maioria de nós usa, hoje, tem dois mil anos. nero [sim, o de roma] foi um dos primeiros usuários conhecidos. na forma de óculos, mais de setecentos anos se passaram desde os primeiros, construídos na itália.
como o olho [e a córnea] são sistemas muito delicados, era impensável usar a baixa medicina e tecnologia dos últimos séculos, inclusive do séc. XX, para realizar intervenções diretas por motivos, digamos, banais, como aperfeiçoar a visão. as intervenções feitas nos olhos, ainda hoje, em sua vasta maioria, são de corte, costura e colagem. coisa de um passado distante.
o que se começa a antever, à medida em que a engenharia e a medicina se aliam para criar dispositivos [incluindo implantes, o que a lente de contato, de certa forma, é] como a lente que se vê na foto, no olho do coelho, é a possibilidade de AMPLIAR, de maneira muito significativa, nossas capacidades sensoriais e funcionais.
como assim? vamos falar só de uma possibilidade e deixar que o leitor pense nas outras: imagine, já que este olho "aumentado" inclui circuitos eletrônicos e leds, ou seja, telas, que -além de melhorar a visão do ambiente onde o olho está- a lente de contato poderia… entrar na internet! e pense que poderíamos "aprender a nos comunicar" com a lente, de tal forma que a dita cuja pudesse ser usada como browser, e servindo para fazer, à rede, perguntas como… "quem foi mesmo que pintou este quadro para o qual estou olhando? quando? em que contexto?"…
ou então: "me dê uma rota [visual, claro] ideal para dirigir de X pra Y e corrija, no caminho, em tempo real, em função dos engarrafamentos…". pense nos usos. pense nas possibilidades pra expandir suas conversas. pense… este uso de lentes de contato está previsto em rainbows end, obra de vernor vinge, que apareceu neste blog em agosto passado. vinge situa seu texto no "futuro próximo", ao redor de 2025, tempo suficiente para que eu tenha uma destas lentes, muito menor e muito mais capaz, IMPLANTADA no meu olho. quem viver, verá.
[ps: danado vai ser quando começar a botar -muito- software na lente e ela, de repente, travar. dar um boot na vista, em muitas circunstâncias, não é exatamente a melhor ou mais segura coisa do mundo…]