Archive for the 'conjecturas' Category

murdoch >> myspace + yahoo = hoospace?

Wednesday, February 13th, 2008

parece [é o que os boatos dizem, agora!] que rupert murdoch está pensando seriamente em defender yahoo contra os interesses da microsoft. precisava mesmo de alguém do tamanho dele pra animar a disputa… vamos ver no que dá.

telecom? o que era isso, mesmo?…

Friday, February 8th, 2008

a disputa para transmitir o campeonato francês de futebol revelou um novo e importante interessado. como nos anos anteriores, a maior parte dos jogos será transmitida pelo canal pago canal plus, unidade do grupo vivendi.  o plus vai pagar  cerca de um bilhões de reais por ano, à liga francesa, pra transmitir quase tudo. 

mas a france telecom, pela via da orange, entrou no jogo e vai gastar meio bilhão, por ano, para transmitir os 38 jogos dos sábados à noite, mais toda a programação para celulares e a apresentação dos jogos por vídeo sob demanda. como a metade dos assinantes da france telecom não tem TV pela internet [porque está muito distante das centrais e o país ainda não tem fibra ótica nas casas, em todo lugar], a empresa está pensando em entrar, também, no mercado de TV via satélite, aparentemente só para esportes. convergência digital a serviço de entretenimento.

segundo analistas de mercadoWinning the rights to broadcast premiere league football matches will help France Telecom step up its transformation into an integrated multi-media group… agora pense nas conseqüências: com metade do assinantes sem IPTV [ainda], a france telecom está disposta a desembolsar meio bilhão de reais por ano pra transmitir os jogos do sábado à noite [mais celular e vídeo sob demanda]. imagine quando houver cobertura universal de banda larga… o jogo pra decidir quem transmitirá o campeonato [em qualquer lugar!] será jogado por… quem tiver a infra-estrutura mais adequada, atendendo a maior parte do país [e do mundo?] com o melhor custo/benefício, seja lá quem for. algo me diz, e há muito tempo, que não serão as redes de televisão.

amor [e sexo]… com robôs!

Tuesday, January 22nd, 2008

love_and_sex_with_robots.jpgLove and Sex with Robots, de David Levy, sai pela Harper Collins e analisa as possibilidades de relacionamento emocional e físico entre seres humanos e robôs [ou coisas], das velhas e cansadas “dolls” até os animais virtuais. segundo o editor… “Using examples drawn from around the world, David Levy shows how automata have evolved from the mechanical marvels of centuries past to the electronic androids of the modern age, and how human interactions with technology have changed over the years… [and discusses] why we form emotional attachments to animals and to virtual pets and why these same attachments could extend to love for robots.”

levy prevê que a interação emocional e sexual humano-robô vai estar rolando livre, leve e solta em 2050: “love with robots will be as normal as love with other humans, while the number of sexual acts and lovemaking positions commonly practised between humans will be extended, as robots teach more than is in all of the world’s published sex manuals combined.” uau!

do jeito que o mundo vai, é bom não duvidar. mas não vai ser assim tão simples. segundo o próprio levy“There are lot of questions here that need a great deal of discussion and consideration from people who are much wiser than I am in the field of ethics, philosophy and law. Clearly the law makers and the lawyers are going to have a field day debating these issues.” sem falar no que as igrejas vão dizer. pelo menos os robôs [se tudo correr bem e higiênicamente] não devem transmitir AIDS. tomara.

boeing 787: liner que era “dream” vira “nightmare”?

Monday, January 7th, 2008

a FAA, agência que dá o OK pra aviões voarem nos EUA [e em boa parte do mundo], está formalmente solicitando à boeing uma prova de que… “certain 787 flight critical domains - digital systems and networks that for the first time will be accessible externally via wireless and other links to airline operations and maintenance systems - cannot be tampered with.” em portugês corrente, a FAA quer que a boeing mostre que não há como um passageiro, a bordo, com um laptop, game ou celular [ou relógio, ou máquina fotográfica, ou qualquer coisa em rede], invadir os sistemas vitais do avião e [por exemplo] assumir seu controle [ou derrubá-lo]. pense…

se você [que voa por aí, como eu, toda semana] quiser mesmo saber os detalhes, continue lendo: The proposed architecture of the 787 is different from that of existing production (and retrofitted) airplanes. It allows new kinds of passenger connectivity to previously isolated data networks connected to systems that perform functions required for the safe operation of the airplane. Because of this new passenger connectivity, the proposed data network design and integration may result in security vulnerabilities from intentional or unintentional corruption of data and systems critical to the safety and maintenance of the airplane.

bem vindo à verdadeira convergência digital. o avião voa-por fios [fly-by-wire] e não há mais sistemas hidráulicos ou mecânicos que são acionados diretamente pelo piloto, na cabine. o avião é uma rede de computadores que voa. boa parte das decisões é tomada por esta rede e o papel do piloto é, cada vez mais, indicar o que deve ser feito, e não fazê-lo diretamente. imagine se alguns passageiros têm idéias diferentes. breve, num vôo perto de você. e de mim…

pra ler: the engineer [reconditioned]

Saturday, January 5th, 2008

…terran science spaceship schrödinger’s box, deep down in space, sights, intercepts and recovers an spherical escape pod. inside it, in stasis… an engineer. of the kind capable of redefining the orbit of stars.

ficção científica do primeiro time, da pena de neal asher [outra entrevista com o autor aqui]. o texto é antigo, escrito dez anos atrás [sf que vale a pena ler não fica velho com o tempo]. pense numa coisa que vale a pena ler… [o livro se chama "the engineer reconditioned"].

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edge: “What have you changed your mind about? Why?”

Friday, January 4th, 2008

EDGE, que tradicionalmente faz na noite de ano sua “pergunta do ano”, resolveu olhar pra trás e perguntar sobre 2007: no ano passado, sobre o que você mudou de idéia? e por quê?

pensando bem, trata-se de uma mega pergunta. humanos não mudam [muito] de idéia [sobre muitas coisas]. a maioria de nós se mantém firmemente agarrada aos preconceitos e falsas teorias [e pior, dados fuleiros] que nos [enganarão e] acompanharão até à morte. seria menos mal se fosse só a morte de cada um: não mudar de idéia, quando se lidera algo [ou quando se é ouvido por muita gente], sempre significa sofrimento adicional pra muitos. em muitos, muitos casos, quer dizer a destruição de empresas e empregos, que de outra forma [com seus donos e ceos mudando de opinião] estariam por aí, boazinhas da silva. isso quando não se deixa sociedades inteiras no lixo por muitos anos ou décadas. a lata de lixo da história está lotada dos “pensadores de idéias fixas”.

mas idéias são, depois de um certo ponto, quando se tornam fixas, fixações. é aí que emburrecem o dono e seus seguidores e, ao invés de servirem a seu propósito inicial, de mudar o mundo, são vetores para matar o debate, conter o desenvolvimento, tolher mentes e espíritos. e pra conduzir idiotas a matar gente, sem falar no uso de textos milenares fora de contexto, como se fossem notícia de ontem, e como se nosso entendimento do mundo fosse o mesmo desde a idade média. ou antes. edge é o contrário disso. precisamos muito de edges mundo afora. e tá faltando um deles no brasil.

enquanto não aparece um, vá ver o original. para a pergunta e o reasoning ao redor dela…

When thinking changes your mind, that’s philosophy. When God changes your mind, that’s faith. When facts change your mind, that’s science. WHAT HAVE YOU CHANGED YOUR MIND ABOUT? WHY? Science is based on evidence. What happens when the data change? How have scientific findings or arguments changed your mind?

algumas das respostas que constam do site são assinadas por tim o’reilly, que mudou sua idéia sobre social software [que ele achava que não ia rolar], james geary, que passou a achar que neuroeconomia realmente explica muita coisa no mercado, e brian eno, que mudou de idéia sobre revoluções e passou a acreditar em evolução. segundo ele…

Maoism, or my disappointment with it, also changed my feelings about how politics should be done. I went from revolutionary to evolutionary. I no longer wanted to see radical change dictated from the top - even if that top claimed to be the bottom, the ‘voice of the people’. I lost faith in the idea that there were quick solutions, that everyone would simultaneously see the light and things would suddenly flip over into a wonderful new reality. I started to believe it was always going to be slow, messy, compromised, unglamorous, bureaucratic, endlessly negotiated - or else extremely dangerous, chaotic and capricious. In fact I’ve lost faith in the idea of ideological politics altogether: I want instead to see politics as the articulation and management of a changing society in a changing world, trying to do a half-decent job for as many people as possible, trying to set things up a little better for the future.

como se vê, um primor [de tão básico e óbvio] de análise de qualquer realidade social e política ao nosso redor, daqui até o casaquistão, passando pela finlândia e quênia. não adianta, como este blog bem quis alguns meses atrás, querer simplesmente se livrar de renan calheiros. renan é parte do sistema. e o sistema é uma medusa complexa, confusa e onipresente. e cheio de renans aqui e em todo lugar. tirante uma guerra geral contra o estado das coisas, feita por todos, nenhum messias irá nos salvar. esta foi uma das idéias das quais eu não desisti nos últimos dez anos.

e sobre o que eu mudei de idéia em 2007? muitas coisas. a principal delas? deixei de acreditar que as pessoas aprendem de qualquer jeito. mesmo as melhores pessoas, mais bem preparadas, nos melhores lugares, nos mercados mais competitivos, precisam dos desafios, questionamentos, metas e objetivos apropriados pra aprender sempre e [cada vez mais] rápido. senão ficam perdidas em questiúnculas do dia-a-dia e disputas de poderes que não existem ou se, não servem pra nada. isso não foi só uma mudança de idéia de minha parte, foi um longo aprendizado [de alguns anos] que fechou um ciclo em 2007.

na verdade, como muitos de vocês podem perceber de pronto, eu simplesmente havia deixado de acreditar, temporária [e incrivelmente] na segunda lei da termodinâmica, uma interpretação livre da qual é que todos os sistemas fechados, deixados por aí, sem a devida atenção, migram, paulatinamente, para o caos. bem feito pra mim. eu acreditava bem mais no que se costuma chamar de “natureza humana”. até 2007. estou de volta, agora, crendo nas leis gerais do universo. e procurando entender quais outras se aplicam, ipsis litteris, às coisas, pessoas, grupos, instituições, mercados e empresas ao meu redor. mudanças, portanto, à vista em 2008. de idéia. de idéias. também.


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duas perguntas sobre a confusão da cisco

Wednesday, October 17th, 2007

depois do rapa da polícia federal na cisco do brasil e em parte de seus parceiros e distribuidores [veja nota e links abaixo e mais aqui e aqui] há duas perguntas no mercado [detectadas nos aeroportos de são paulo e brasília, hoje pela manhã. a primeira: que outras empresas estão fazendo a mesma coisa? pois se diz no mercado que a cisco ïmportava seus equipamentos para o brasil através de um laranjal há uma década… e observadores do setor de informática duvidam que a cisco tenha o monopólio de tal tipo de operação.

a segunda pergunta é: como a cisco [pelo que se diz] tem 80% do mercado nacional de infra-estrutura de rede, qual será o impacto de, na prática, a empresa ficar fora do mercado, pelo menos por um tempo? por alguns meses, pelo menos, não vai haver roteadores da companhia no mercado nacional e os projetos que dependiam deles para reposição ou expansão em plantas de rede vão sofrer -potencialmente- um sério impacto.

rapa pega rede da cisco

Tuesday, October 16th, 2007

a PF prendeu mais de 40 pessoas envolvidas com uma mega-operação de sonegação de impostos [segundo os investigadores responsáveis pelo caso] envolvendo a cisco systems [que, segundo declarações da própria companhia, está cooperando com as investigações]. a fraude pode enrolar dezenas de empresas e representa um grande baque para a credibilidade dos negócios da companhia americana no brasil, caso se comprove o crime fiscal. vale a pena lembrar que ações pirotécnicas deste tipo, envolvendo políticos e empresários, têm acabado quase sempre com todo mundo solto por falta de provas ou coisa parecida. é esperar pra ver.

o passado [2000] visto do passado [1910]

Wednesday, September 19th, 2007

a imagem abaixo é de uma série de gravuras sobre o futuro, olhando pro ano 2000 a partir de 1910. o título moderno, de hoje, poderia ser "convergência de mídias". o nome da época era algo parecido com Correspondance Cinéma - Phono - Télégraphique. não há nada de digital no cenário, a não ser o telégrafo, que não era percebido como digital em sua época.

várias imagens são sobre o que hoje é, mesmo, convergência digital. há uma, muito legal, sobre correspondência multimídia e outra sobre ensino [na escola]. noutros cenários, há uma hilária sobre transporte aéreo e ainda uma outra , ameaçadora, prevendo que as lareiras do "futuro" seriam nucleares.

será que o futuro, como dizia karl valentin, era melhor [?] no passado.

máquinas de guerra: qual é o limite?

Monday, June 25th, 2007

o pentágono planeja substituir um terço de seus veículos de guerra por robôs até 2015. competições entre veículos automotores não tripulados, como a darpa grand challenge, que promovem tecnologias autônomas, são apenas um pequeno exemplo do plano, que passa por sistemas aéreos não tripulados e até por cães mecânicos, capazes de carregar 40kg, em condições de batalha, e por muito tempo.

por trás de todos estes sistemas, existe software. no software, regras: de mobilidade, de combate, regras genéricas e específicas, mas aparentemente nenhuma que responde, de forma segura, aos questionamentos que começam a ser feitos sobre o impacto de tais sistemas de combate autônomos dentro do ambiente onde coisas vivas, entre elas nós, humanos, estamos.

sobre as armas inteligentes, pesquisadores falam de um certo multidimensional mathematical decision-space of possible behaviour actions”, que tornaria possível tomar decisões de eliminar alvos dentro de condições "éticas". será suficiente?… o assunto vai ser muito discutido em futuro próximo, e não só por causa de armas "inteligentes". o resumo de um artigo científico recente diz que"Machine ethics, machine morality, artificial morality, and computational ethics are all terms for an emerging field of study that seeks to implement moral decision-making faculties in computers and robots. Machine ethics is not merely science fiction but a topic that requires serious consideration given the rapid emergence of increasingly complex autonomous software agents and robots". para entender e estudar o assunto [em muitos links!] clique aqui.

breve, perto de você, uma máquina anti-ética. isso como se já não nos bastasse, com raras exceções, a classe política…

precisamos esquecer. mesmo? como?

Wednesday, June 20th, 2007

viktor mayer-schönberger anda preocupado com a nossa incapacidade [nova, web-based] de esquecer. depois da internet, do internet archive, de google [veja este editorial do ft.com] e outras ferramentas de armazenamento e busca, tudo o que há de registro nosso, aqui na terra, está sendo gravado para sempre. incluindo todas as suas e minhas transações comerciais, em qualquer lugar onde andamos comprando qualquer coisa, na web, nos últimos muitos anos. e isso pode levar a todo tipo de problema novo, na sociedade, já que o esquecimento paulatino dos acontecimentos tem sido a base sobre a qual nossa história é montada. segundo mayer-schönberger…

As humans we have the capacity to remember –and to forget. For millennia remembering was hard, and forgetting easy. By default, we would forget. Digital technology has inverted this. Today, with affordable storage, effortless retrieval and global access remembering has become the default, for us individually and for society as a whole… I analyze this shift and link it to technological innovation and information economics. Then I suggest why we may want to worry about the shift, and call for what I term data ecology. In contrast to others I do not call for comprehensive new laws or constitutional adjudication. Instead I propose a simple rule that reinstates the default of forgetting our societies have experienced for millennia, and I show how a combination of law and technology can achieve this shift.

o texto acima é parte de Useful Void: The Art of Forgetting in the Age of Ubiquitous Computing, onde se  propõe que…

…we shift the default when storing personal information back to where it has been for millennia, from remembering forever to forgetting over time. I suggest that we achieve this reversal with a combination of law and software. The primary role of law in my proposal is to mandate that those who create software that collects and stores data build into their code not only the ability to forget with time, but make such forgetting the default. The technical principle is similarly simple: Data is associated with meta-data that defines how long the underlying personal information ought to be stored. Once data has reached its expiry date, it will be deleted automatically by software, by Lessig’s West Coast Code.

east coast code é o sistema de leis dos eua [criado e depurado na costa leste] e west coast code é o código, o software, que criou a arquitetura da rede, nascido na costa oeste, no silicon valley, que em última análise está nos gravando pra sempre. a distinção foi celebrizada no livro de larry lessig code and other laws of cyberspace.

a proposta de mayer-schönberger é interessante e deveria ser objeto de discussão nos legislativos mundiais. talvez já seja muito tarde para protegermos nosso presente e futuro do nosso passado. mas, por outro lado, parece razoável que, mesmo querendo entregar muitos de nossos dados a um site qualquer, para uma determinada transação, queiramos garantir que os mesmos sejam destruídos quando nós, e não o site, achemos que não seja mais necessário. resta saber quando tal agenda vai acontecer em fins-de-mundo como o nosso…

o virtual, seus controles e nossas liberdades

Tuesday, May 29th, 2007

meu artigo desta semana no G1 trata em parte do desmoronamento continuado do país, pela via da corrupção desembestada em todos os níveis, como pode ser notado na defesa de um certo senador, presidente do congresso, no plenário: {se querem me investigar…} sou a favor de investigar tudo e todos!… ou seja, ninguém e nada será investigado.

pois bem: minha coluna começa numa conversa de mesa de bar

Noite caminhando depressa pra madrugada e ninguém na mesa sabe mais quem deu o tal do "pontapé inicial". Depois de considerandos etílicos sobre o estado da nação, que de certo não cheira nada bem, espocou a pergunta: “o que a informática pode fazer para diminuir esta bagunça”? O boêmio e suas dez doses a mais não estavam pensando só em eleições, campanhas e caixas, mas em malas, cuecas, mimos, lanchas, pensões e de todos os muitos por cento perdidos e não achados em contratos públicos… De repente a mesa inteira acha que sim, que pode isso, aquilo, que tais coisas poderiam ser feitas “pelo computador”, etc. e tal…

apareçam por lá. e reflitam sobre o futuro desta grande e [hoje] corrupta nação, principalmente se ficarmos, todos os muitos honestos e decentes que aqui ainda há, a ver a lama aumentar…