o blog está, esta semana, viajando pela frança. megabits por segundo, bem baratinho, por todos os lados. tipo 20 megabit/segundo, mais telefone, setenta canais de TV e outro monte de rádio por 30 euros/mês [arredonde pra 100 reais]. ruas sem buracos [e com motoristas franceses prontinhos pra atropelar seja quem fique pela frente] mas sem as ameaças mais freqüentes do dia-a-dia no brasil. não parece haver assaltantes à vista. dá pra sair do banco, sem medo, contando o dinheiro… e o maior desafio é mesmo cocô de cachorro em todas as calçadas.
dito isto, põe-se à prova um smartcard integral, destes que faz de tudo e, se a gente duvidar, fala. deveria tirar dinheiro em qualquer caixa automático. tira aqui, não tira acolá. razões? o atendente diz que, lamentavelmente… olhando para o portador como se ele fosse transmissor da doença da vaca louca [muitos restaurantes ainda têm, no cardápio, a origem de cada corte de carne servida…].
a coisa também deveria funcionar em todas as lojas que supostamente lêem o chip. funciona em quase todas. quando não funciona, não adianta perguntar por quê. ninguém sabe e tampouco tem qualquer interesse em resolver o problema. dinheiro vivo, por favor, pra pagar seu confit de canard…
claro que está muito melhor do que há duas décadas, quando cartões de crédito emitidos no brasil não tinham validade fora de nossas fronteiras e éramos obrigados a carregar dinheiro vivo. tente, se puder, alugar um carro com dinheiro vivo… é quase impossível. acontece que dinheiro é um virtual muito antigo, de milhares de anos, e ainda está muito mal implementado entre sociedades e países. funciona mais ou menos dentro de um contexto nacional qualquer e, de um pro outro, piora sensivelmente.
imagine quando vamos ter celulares que nos identificam mundo afora, que nos habilitam a passar em catracas de transporte público sem pagar o bilhete [pois que debitado automaticamente do nosso crédito], que pegam a rede do lugar, nossa localização e indicam o restaurante decente mais próximo, isso depois que teclamos uma preferência para couscous e estamos perto do arco do triunfo… vai demorar. vai demorar muito. se ninguém fizer nada de objetivo e proposital, vai demorar décadas.
mas se preocupar com isso pra que, se tô pagando bem mais de 100 reais por mês por um megabit que é de 300k, na verdade? por isso mesmo… se as fronteiras nacionais se desintegrarem e os espaços geográficos, na direção oposta, se integrarem, talvez fique bem mais fácil pra todo mundo ter a mesma infra-estrutura no maior número possível de lugares. pelo mesmo preço. porque uma das desvantagens competitivas da periferia são justamente os [quasi-]monopólios [de baixa performance, quase sempre] a que estamos sujeitos. se houvesse mais competição, mas aberta, em mais setores, com menos regras obtusas e cartoriais como países como o brasil têm, vai ver a gente tinha mais infra por bem menos.
e olhem que a frança, uma das sociedades mais estatais, burocráticas e conservadoras da europa, não é nenhum exemplo de mercado aberto, inovador e competitivo. mas mesmo aqui eles tiveram que abrir espaço para inovação, sob pena de perderem o trem do futuro. falando nisso, deixa eu sair e pegar meu busão ali na esquina. quem dera desse pra pagar com um celular… brasileiro. mas fica pra depois.