indianos cortejados…

as grandes companhias de software da índia, que dominam o cenário mundial de serviços de desenvolvimento de sistemas de informação, resultado de uma longa e bem sucedida estratégia de formação de capital humano e de criação de processos e negócios, estão sendo ostensivamente cortejadas por vários países latino-americanos e do caribe.

a idéia básica é oferecer o que os indianos pedirem pra faclitar a instalação de centros de desenvolvimento pelo lado de cá do mundo, no mesmo fuso horário dos maiores contratadores, os EUA, em países ou locais onde houver capital humano qualificado e custos -incluindo salários, encargos e impostos- menores do que na índia, onde há uma grande escassez de capital humano, resultando em salários mais altos e grande rotatividade. e onde a  moeda local passa pelas mesmas agruras do real: está por demais valorizada frente ao dólar.

quem reporta é o telegraph de calcutta, citando principalmente o embaixador do méxico. as maiores companhias indianas já estão no brasil; e vieram por causa de contratos de prestação de serviços [de contratos globais] para filiais de multinacionais ou atrás de contratos em grandes empresas brasileiras. as indianas de grande porte, em software] são empresas quase dez vezes maiores que as maiores brasileiras, com a maior delas [tata TCS] empregando cerca de 100.000 profissionais. coisa, realmente, de gente grande. isso porque eles estão lá no fim do mundo, com todo tipo de problema, a maioria dos quais muito maiores que os nossos.

imaginem se a índia fosse aqui. pensando bem, talvez não existisse, em software. nossos custos trabalhistas não permitiriam, como não estão fazendo surgir grandes [no cenário internacional] empresas brasileiras de software. o custo brasil -principalmente de capital humano- está fazendo o país perder muitas janelas de oportunidade no mercado mundial. não que as pessoas, aqui, ganhem muito. é que o trabalho, com tantos impostos, é muito caro. e, depois da índia, vem aí a china. com tanta gente quanto e metade do preço, por homem-hora, do brasil. e aí?…

 

14 Responses to “indianos cortejados…”

  1. Yuri Says:

    Nunca vamos conseguir enfrentar a China e Índia usando o mesmo modelo de negócio. Mesmo com a rúpia valorizada em relação dólar, basta ver esses gráficos pra ver que o câmbio da moeda indiana ainda é MUITO mais competitivo, mesmo com a inflação de salários na Índia.

    Todos sabemos que a carga tributária não vai mudar a ponto de alavancar o Brasil no mercado de outsourcing. Ou o Brasil muda sua cultura em relação à inovação e P&D – criando um modelo de produto ou serviço diferenciado, em que o preço não pesa tanto – ou não vamos competir nem mesmo em outros modelos de negócio.

    Abraço,

    – Yuri

  2. Courtnay Says:

    Indianos são “pedreiros” digitais, semi-escravos (no sentido de não criarem, apenas executarem), bem disciplinados e excelentes implementadores, desde que alguém indique direitinho tudo o que é pra ser feito.

    Fábricas de sw no Brasil, mesmo com custos mais altos, se destacam as nossas habilidades em criatividade e flexibilidade.

    Quanto contratei trabalho de indianos era um parto, só saiam as coisas se tudo fosse muito bem descrito. Era quase como programar um “computador humano”.

    Já as grandes houses Brasileiras (como a BRQ) vêm se destacando não só pela qualidade (CMM 5 é bem fácil de se conseguir atualmente) mas em melhor adaptabilidade (o que resulta em projetos mais rápidos) e até no aporte de conhcimento. Quem já foi “analista-programador” em um banco no Brasil vai entender a diferença.

    O profissional brasileiro é versátil, literalmente desempenha bem várias funções e nestes temos de mudanças constantes, vive a nova onda de desenvolvimento podendo trabalhar com métodos ágeis (Scrum, etc), enquanto que os indianos só se prestam a métodos muito bem estruturados.

    Enfim, como competência de nação, penso que devemos investir mais no gingado, abrindo outra linha (talvez especificação de projetos) e não em competir por disciplina… Essa guerra já está realmente ganha pela India.

    Quanto à China, ainda há a questão da pirataria deslavada e da belicosidade extrema de um governo facista e totalitário. Quem conhece a região do nepal/himalia/tibet sabe do genocídio que eles praticam lá diáriamente, é só uma questão de tempo até o mundo entender que acima dos negócios ainda se deve pensar em humanidade. Não creio que tamanha violência seja ignorada pra sempre e ai, vira uma questão política, não econômica.

  3. Emerson Says:

    Quando o livre mercado, em um determinado setor, vive uma bonança o mérito é dele; senão, a culpa é do estado com seus impostos e leis trabalhistas.

    E para que serve a vinda de novas empresas, o crescimento das nossas, os novos empregos e as divisas se essas empresas não trouxerem benefício direto ao estado e aos seus trabalhadores? Para enriquecer um pequenino grupo de pessoas as custas da exploração do estado e dos trabalhadores?

    Ainda mais no caso do outsorcing que não agrega nada além de uma renda imediata.

  4. Silvio Meira Says:

    emerson, voce esta simplificando MUITO o problema, nao? pense embraer: resultado de uma politica de ESTADO e nao de governo. pense EMBRAPA e explosao de commodities. o mesmo. pense CONHECIMENTO… cade a politica de ESTADO pra isso? nos estamos parados em commodities. um ministro brasileiro disse, em delhi, que as economias da india e brasil eram complementares: eles tinham tecnologia e nos, commodities…

    só?

    s

  5. John Says:

    A incapacidade administrativa pública e privada no Brasil gera todos estes tipos de comentarios. Afinal, qual a estrategia do Brasil? Deitar em berço esplêndido da “criatividade do brasileiro” é não enxergar as próprias deficiências estratégicas. A Índia tem a bomba atômica; cria, produz e consome o próprio automóvel. E nós, “criativos”, com 50 anos de industria automobilística não temos nada. Não se pode pensar um país vivendo de exportações. O mercado interno é quem movimenta a economia de qualquer nação (em tono de 12% do PIB). Como não temos mercado interno suficiente ficamos a colher migalhas e sermos mão de obra barata para quem tem. É um samba do crioulo doido, próprio de uma nação incapaz administrativamente.

  6. Yuri Says:

    Curiosidade do dia, já que estamos falando de Índia:

    Problemas em cabo submarino reduzem em 60% o acesso da Índia à Internet

    Pelo menos no Brasil nós temos redundância de rede.

  7. Incubadora de Idéias » Blog Archive » Aconteceu na semana - mercado de TI global Says:

    [...] também foi que hoje o Sílvio Meira decidiu mexer na ferida e falar do incômodo que os indianos causam no nosso brio de provedores de tecnologia. Apesar da Folha divulgar que mais [...]

  8. Emerson Says:

    São abordados dois pontos. Primeiro que o Brasil tem de deixar de ser a fazenda e o celeiro do planeta; passou do tempo de termos uma política eficaz para produzirmos e comercializarmos tecnologias concebidas e produzidas aqui. E o outro da promoção, desenvolvimento, valorização e retenção de um forte capital humano brasileiro.

    Minha intenção foi tocar em uma possível leitura do texto. Vejo com receio uma política que apenas ofereça uma flexibilização de um ou alguns impostos e de leis trabalhistas com o objetivo de atrair uma ou algumas corporações. Afinal, não queremos apenas ter mais uma commoditie: a commoditie da mão de obra barata. Assim, empresas nos usariam para obter lucro imediato, com pessoas executando tarefas operacionais de baixo valor agregado, e o Brasil continuaria sendo o celeiro do planeta sem capital humano para fazer frente às outras nações.

  9. John Says:

    falta de mercado interno decorrente de um estado fraco administrativamente. a china vai bem obrigado.

  10. Carolina Says:

    Acho dificil concorrermos diretamente com a india, justamente porque temos perfis diferentes como o Courtney falou, o Brasileiro é bem criativo, e quando trabalhamos como “fábrica de software” o que os estrangeiros querem é justamente que executamos o que eles criaram, por isto o indiano se encaixa bem. Eu já tive a oportunidade de trabalhar em um projeto com pessoas de 5 nacionalidades, e geralmente ocorre o seguinte:
    O americano cria, o indiano, chines e o esloveno executam.
    O Brasileiro verifica a documentação tem duvidas(geralmente entendem a documentação, mas questionam), propõe opiniões, geralmente as opiniões não são aceitas pelos americanos, e “executa” de acordo com os documentos, mas fica frustrado. O que precisamos é “criar”.
    Acredito que dá para criar um modelo de produto ou serviço diferenciado, em que o preço não pesa tanto, mas acho que teriamos que investir, e é dificil encontrar alguém que queira investir a medio e longo prazo.

  11. Hugo Baraúna Says:

    Emerson, eu acho que quando o Silvio Meira estava falando que nossa política de impostos trabalhistas nos atrapalham, ele não estava querendo dizer que devemos ter uma mão de obra barata para virem empresas transnacionais sugarem nossa mao de obra. Eu acho que ele quis dizer que se os nossos empreendedores pudessem pagar menos impostos para empregar alguém de valor, teríamos como explorar melhor as novas oportunidades de negócio e de quebra ofertar mais empregos.

    Aproveitando meu primeiro comentário aqui, gostaria de parabenizar você Silvio Meira, pelas excelentes discussões e idéias que levanta e escreve por aqui. Meus parabéns também pelo C.E.S.A.R. Imagino o quanto não deve ter sido difícil construir uma instituição desse nível, em uma região de pouca tradição e negócios na área de Software. (a propósito, sou de Belém-PA)

  12. Emerson Says:

    Perfeito Hugo, como disse anteriormente, a minha colocação inicial trata de uma possível(e perigosa) leitura do texto; quis colocar um contra-peso.

    Quanto ao blog, este é o motivo pelo qual o frequento, as discussões, os temas abordados e o Silvio Meira, que é referência e ícone brasileiro na área de ciência e tecnologia.

    []´s

  13. John Says:

    correção: as exportações é que são responsáveis por cerca de 12% do PIB. o restante é mercado interno.

  14. Fernando Says:

    Uma coisa em que os chineses (principalmente) e os indianos são bem melhores que nós é na capacidade de fazer alianças com os americanos e criar oportunidades para os negócios deles.

    Nós somos os melhores tecnicamente, mas quem disse que TI é só técnica?

    Quantos estudantes mandamos anualmente para os eua para vender nossa cultura e aprender a cultura deles? Quantos profissionais em nossas empresas são realmente fluentes em inglês — fluentes a ponto de conseguir criar relacionamentos de que todo negócio precisa, e não pra discutir questões técnicas.

    Quantas empresas brasileiras têm um escritório lá nos eua?

    Os chineses e indianos fazem tudo isto que descrevi, e muito mais. Talvez falte a nós um pouco de humildade para deixar de ser um eterno potencial desperdiçado.

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