época de faculdade: tempos de PAIXÃO
em março deste ano vou fazer trinta anos de ensino na ufpe. muito mais que uma vida inteira, ou quase. e ainda me exaspero quando vejo jovens inteligentes e espertos [no bom sentido, de “smart“] perdendo a melhor parte de seu tempo na universidade com preocupações que não vão lhes ajudar a construir um mundo melhor e tampouco uma vida e carreira que valham a pena. e do que se arrependerão amargamente muitos anos depois.
o brasil, talvez por nossa história recente de instabilidade econômica, em que tudo caía aos pedaços na primeira curva de 270 graus, a 270km/h, que os governos faziam, ainda é o lugar onde jovens sonham com a “casa própria”, pra qual precisam de um “emprego seguro”, diga-se de passagem quase sempre público, onde não se ganhe muito, mas não se tenha riscos, muito menos os de trabalhar muito ou ser demitido por incompetência.
ainda acho que o tempo do ensino de terceiro grau é o tempo da paixão, de se fazer as coisas que queremos fazer, e tão bem quanto possível. e achei um post [no information arbitrage] exatamente sobre isso, e que vale a pena ler do começo ao fim. começa assim:
College. The best of times, the worst of times. The best because of the friends I made (including my future wife), the fun I had, the independence it afforded me and the credential it gave me to pursue the career of my choice. The worst because I was academically immature, spiritually unable to take advantage of a once-in-a-lifetime learning opportunity, too focused on getting my yah yahs out and insecure both as a person and as a contributing member of society. And the worst has nothing to do with grades (mine were quite good) and everything to do with why I think someone should be in college: to learn, to explore, to develop as a person and as an independent thinker.
January 14th, 2008 at 11:31 pm
Parabéns pelos 30 anos de ensino e parabéns pelo post, retratou com fidelidade o ensino superior no país, so adiciono um ponto ainda existe a visao que orgao publico se paga, nao se trabalha e ainda nao se pode ser mandado embora.
January 15th, 2008 at 9:35 am
Muito interessante, certamente vou levar para a sala de aula (coincidência, fiz meus 30 anos de UFV em agosto/2006, entramos na carreira na mesma época).
Mas como é que muda isso nas novas gerações? um dos problemas graves é que o nosso sistema educacional, de cabo a rabo, não forma pensadores ou apaixonados, forma no máximo seguidores, com rarissimas exceções. Um excelente contra-exemplo é o curriculo que aparece em University of Indiana School of Informatics, que comento na postagem http://zeluisbraga.wordpress.com/2007/03/31/carreiras-e-graus-academicos-em-computacao/
e que pode ser um caminho para aumentarmos a paixão dos alunos.
Uma referência interessante, antiga e batida nos livros de empreendedorismo, é Um toc na cuca, do Roger Oech, que é uma crítica ao nosso (deles) sistema educacional que não favorece de forma alguma a criatividade. Criatividade já seria um enorme passo para termos os inovadores do futuro.
zeluis
January 15th, 2008 at 6:37 pm
É realmente desanimador ver a mentalidade do POVO brasileiro. Valorizamos demais tudo que vem de fora, e muitos acreditam que brasileiro não pode fazer nada melhor que americamos e europeus.
January 15th, 2008 at 11:01 pm
O que é realmente desanimador e você ver todo mundo falando como é maravilhoso ter um emprego público. Estou formado a menos de 1 ano e muita gente da minha turma está estudando pra concurso público, tudo pela tão almejada estabilidade e pouco trabalho. O que se pode esperar de um país onde os jovens de 23 anos de idade estão buscando desesperadamente estabilidade em concurso público? Por isso não vemos Googles ou Facebooks surgirem na mão dos jovens brasileiros, dá muito trabalho, é melhor estudar pra um concurso e pronto.
January 16th, 2008 at 11:00 am
Ótimo post e muito bom o artigo do arbitrage. É realmente triste constatar que hoje no país, a grande maioria dos egressos de universidade têm buscado como seu grande objetivo profissional passar em um concurso público.
E o que me chama mais atenção em relação a esse fenômeno é a razão alegada pela maioria dos que buscam por essa opção profissional. Quase todos desejam TRABALHAR POUCO, o que necessariamente implica em prestar serviços de baixa qualidade à população.
Então, além de salário muitas vezes acima da média de mercado, os contribuintes brasileiro estariam pagando por serviços prestados de maneira medíocre (quando muito). E vai-se criando uma máquina estatal cada vez mais inchada e que serve cada vez pior à população. Acredito em exceções, mas a mentalidade que vejo com muita freqüência nos “fazedores de concurso” é muito parecida com essa.
É óbvio que há áreas que inescapavelmente precisam de cada vez mais servidores públicos ganhando bem (e.g.: saúde, educação), porém TODOS precisam estar trabalhando MUITO BEM para prestar um serviço decente a quem lhes paga o salário. O autor do blog está de parabéns por enquadrar-se na categoria dos servidores públicos que cumpre com competência exemplar suas atribuições há 30 anos. Quem dera fosse representativo da maioria dos que buscam a carreira pública.
January 16th, 2008 at 11:22 am
juventude = risco + aprendizado
January 19th, 2008 at 9:34 am
Vivemos num mundo que está mais em colapso do que em crise, cheio de injustiças e de violência, repleto de armas, e, contudo, o jovem hoje baseia e alicerça toda a sua vida, todo um projeto de existência, num planejamento automático dirigido unicamente à formação profissional e à ascensão social e financeira. O capital é a autoridade da qual ninguém desconfia, tampouco questiona. É a utopia do jovem cansado..rs