start-ups & biz-plans

deu no wall street journalBusiness schools and consultants have long preached that writing a formal business plan greatly improves a start-up’s odds of success. But a growing number of academics are questioning whether that’s really the case. eu tô entre estes tais acadêmicos aí, pelo menos desde 1995. meu estilo sempre foi fazer e depois de feito ver como vira negócio. acho que não se faz negócio só com gente de tecnologia. mas muito menos com graduados de escolas de negócios especializados em powerpoint, excel e discounted cash flow.

conclusão do venerando wsj? just do it: parte da razão? A study recently released by Babson College analyzed 116 businesses started by alumni who graduated between 1985 and 2003. Comparing success measures such as annual revenue, employee numbers and net income, the study found no statistical difference in success between those businesses started with formal written plans and those without them. The study concludes that “unless you need to raise external start-up capital from institutional sources or business angels, you do not need to write a formal business plan.”

e tem mais: Amar Bhidé, a Columbia University entrepreneurship professor, found that 41% of Inc. magazine’s 1989 list of the 500 fastest-growing private firms didn’t have business plans and 26% had only rudimentary plans. A follow-up by the magazine in 2002 found the numbers without a plan have remained pretty much the same. Many business concepts are “transitional in nature,” meaning there are competitive advantages to starting the business quickly and by the time you write a full business plan “the opportunity will be gone.”

ou seja: seu negócio não é um plano de negócios. isso é coisa de consultores. se você vai mesmo criar um negócio, comece a criar um e aprenda com seus potenciais clientes e usuários. à medida em que aprende, monte um plano de negócios baseado na prática. conheço de perto companhias que sairam de dezenas de milhões para bilhões de reais de faturamento em alguns anos e só o fizeram porque não tinham um plano de negócios. e muito menos consultores para lhes dizer que jamais conseguiriam…

claro que a regra não vale pra todo mundo mas, se seu negócio é de ruptura e, por natureza, de transição, não perca muito tempo com um “plano”. ele só vai ajudar você a fracassar mais rápido. ou, no pior caso, mais lentamente…


Technorati :
Del.icio.us :

12 Responses to “start-ups & biz-plans”

  1. Camilo Telles Says:

    Meira,

    Comentei algo exatamente no mesmo sentido (e fontes) um tempo atrás no tellEsfera:

    http://www.tellesfera.com/?p=24

    Minha opinião? O que matou boa parte dos nossos empreendedores foi o foco em plano de negócios e menos na realização do negócio. Empreendedorismo foi mais focado em pessoal de ADM do que pessoal de Eng/Comp e afins.

    Outra coisa, estou com um novo livro na cabeceira, depois resenho ele. Compara as escolhas (e resultados) da politica industrial do setor de TI em Israel, Irlanda e Taiwan. O principal ponto em comum é a condição sine qua non de inserção internacional para o sucesso da indústria.

    Falando sobre Israel olha este trecho de um report de 1975 do OCS (algo como FINEP deles)… Meira, 1975, eu tinha dois anos de idade. Olha a preocupação deles naquela época e hoje mais de 50% (já foi 70%) da exportação de Israel é High Tech.

    “It is evident that despite the opportunities described in this section on the one hand, and the massive government support on the other, too few new techonology intensive industries are being established… *Clearly we have here a problem of technological entrepreneurship*. Despite the opportunities and massive government aid, there are not enough people willing to take risk. To reach the ultimate goal of industrial R&D, i.e., new increased exports, particular attention must be given to this phenomenon as well.”

    Camilo

  2. Luciano Ayres Says:

    Guy Kawasaki, The Art of Start!

  3. Jairson Vitorino Says:

    Start-up é feito padaria: se no final do mês a receita for maior que a despesa, objetivo cumprido (este é a única regra para o seu depto. financeiro). O resto é ouvir os clientes, melhorar seu produto e servico para atender cada detalhe. Os engenheiros de aplicacao sao de fato os nossos usuários! Isso funciona até você estar faturando uns 3 milhoes de reais. Depois a coisa complica um pouquinho, aí é bom pegar mais cérebros (mbas ou nao) para azeitar a máquina. O meu plano de negócios por enquanto sao 12 slides powerpoint e 40 clientes opinando.

    Outra coisa: geografia É importante. No caso do Brasil, SP é o centro de negócios do país e é lá que seu comercial (mesmo que seja somente você) deve estar. Tecnologia vc pode fazer em Campina Grande, Arcoverde ou na Bratislava, sem problemas. Agora construir uma reputacao em um nicho de mercado por enquanto só ao vivo e em alta definicao.

  4. Ronaldo Says:

    silvio, eu compartilho desse seu conceito, de fazer algo e depois ver como vira negócio. Mas esse nosso conceito vai de encontro a iniciativas de abertura de novos empreendimentos como Recife BEAT e etc…Qual a sua opinião sobre esses programas?

  5. Silvio Meira Says:

    concordo com as observacoes de jairson e, como camilo ja coecou concordando comig, tenho que concordar com ele tambem.

    ronaldo levanta uma questao importante: se e importante FAZER e depois/ao mesmo tempo/ VIRAR negocio, o que estao fazendo iniciativas como recife BEAT e muitas centenas de incubadoras que estao por ai?

    uma forma de responder a pergunta seria com outra: algum negocio de sucesso saiu de uma incubadora no brasil?… sucesso to falando sucesso mesmo, assim como a akwan que foi comprada pelo google ou o radix que fundiu com ibest/ig. o radix NUNCA teve plano de negocios ate se preparar pra venda. neste ponto, uns consultores que NAO ENTENDIAM nada do assunto/negocio passaram um mes entrevistando o time pra descobrir o que botar no plano de negocios.

    NAO ACHO que incubadoras -principalmente no estilo brasil, de ++pequenas empresas de base tecnologica //escondidas e protegidas do mercado pela propria incubadora//++ dao resultado. me recuso a acreditar, depois de quase doze anos tocando o cesar, que planos de negocio facam o futuro e fortuna de qualquer empreendedor. ha excecoes? HA. mas sao exatamente as poucas que justificam as regras.

    o cesar hoje tem um projeto ++garage++, ainda em estagio bem inicial, onde o objetivo e APRENDER FAZENDO, meio assim aristotelicamente. aristoteles, o grego, dizia que **o verdadeiro aprendizado e o que se aprende fazendo**.

    num pais sem laboratorios no ensino medio e com a maioria //vasta// dos estudantes universitarios sendo ++educados++ a vase de ++cuspe e giz++, nao e de surpreender que se ache que PLANOS DE NEGOCIO vao nos levar ao paraiso.

    ronaldo, como voce ve… acho que os programas de incubacao de negocios baseados em planos de negocio e garotos de 20 anos de idade de paleto, apresentando um plano… sao meros exercicios de boladecristalizacao do futuro e preparam muito bem as pessoas para… pilotar planilhas excel.

    s

  6. Ronaldo Says:

    ok, Silvio. Esses programas, em minha opinião, poderiam ser melhorados em uma espécie de crivo natural de idéias: a avaliação poderia ser realizada em cima de uma idéia implementada, mesmo que incompleta, mas que pudesse de alguma forma mostrar um indicador de que poderia virar negócio. Isso evitaria até priorizar
    empreendedores que tem um plano de negócio muito bem elaborado mas que, após um tempo, descobre-se que a idéia, na prática, não é tão elaborada quanto o plano de negócio inicial. Ainda assim, pessoas que NÃO são seus potenciais clientes é que vão lhe avaliar e tentar prever se seu negócio vale a pena ou não…complicado isso!

    Ronaldo.

  7. José Luis Braga Says:

    Como engenheiro, acredito mais no fazer primeiro para organizar e estruturar depois, e reflito isso nas minhas disciplinas de graduação e pós-graduação. Lancei para meus alunos de Sistemas de Informação (formandos) o Desafio do ZéBraga (http://zeluisbraga.wordpress.com/2007/12/02/desafio-do-zebraga/), uma brincadeira com o Desafio do Sebrae (que nossos alunos da computação na UFV estão sempre faturando). É uma tentativa de fazer os alunos pensarem longe, sem se preocuparem com planos antecipadamente. O resultado é muito interessante.
    Tudo isso me faz pensar na Engenharia de Software e na competição (aparente) entre Métodos Ágeis e Métodos Dirigidos por Planejamento. A idéia de fazer mais rápido para depois estruturar está dentro da filosofia ágil (que já é prática em algumas empresas há um bocado de tempo). Tenho gastado um bom tempo de orientação nesses temas, que desafiam a mente: ágil ou planejado, ou um híbrido? zeluis

  8. Sonia Says:

    Silvio, tenho lido direto o que você escreve e concordo com a maioria das coisas e me divirto com o “tom”. Trabalho com autoria e desenvolvimento de jogos narrativos (presenciais e online) para estimular a leitura, a escrita e a criatividade. Gostei do seu comentário sobre o ensino porque de três anos para cá meu projeto de pesquisa é realizar laboratórios de leitura, produção de texto e resolução de problemas para graduandos de exatas. Engenharias e Física, basicamente, vou trabalhar com futuros enconomistas esse semestre.

    Temos um grande obstáculo à inovação e ao empreendedorismo, na minha opinião, no ensino universitário. Estou buscando pequenas soluções, óbvias que ajudam a quebrar o vício. Adorei a citação ao Aristóteles.

    Quanto ao plano de negócios, estou reformulando meu site e meu trabalho seguindo mais ou menos os resultados da prática. Se eu tivesse seguido os consultores teria desistido há muito de qualquer projeto de autoria.

  9. Camilo Telles Says:

    estava lendo o business plan da SUN. extremamente focado no operacional e no que era necessário para entregar o produto. a parte financeira e de mkt era limitada.

    eu escreveria um BP mais com o objetivo de colocar as idéias no lugar e como uma ferramenta de comunicação (e venda) do que como um grande plano que vai levar a empresa ao sucesso.

    existem alguns outliers nas incubadoras brasileiras, bematech, datasul (passou pelo celta de floripa), weg automação. mas são exceções que confirmam a regra.

    minha opinião sobre a função de incubadoras. ela deve expor as incubadas mais rapidamente para o mercado (investidores, parceiros e clientes), acelerando o processo da empresa, que pode levar ao fracasso ou ao sucesso. a função principal da incubadora é de network.

    meira, vc pode elaborar um pouco mais sobre a idéia de garage do C.E.S.A.R.?

  10. Bruno Bezerra Says:

    Silvio, você falou tudo quando disse que (seu negócio não é um plano de negócios). Contudo, seu plano de negócios tem que ser o seu negócio. Trocando em miúdos, só a prática empreendedora é capaz de fazer fluir – com um certo tempo de maturação – um plano de negócios verdadeiramente produtivo. Empreender é o pensamento seguido da atitude de fazer acontecer! E as coisas (negócios e tudo mais) só acontecem de verdade na prática. Por isso digo sem medo de errar: a prática empreendedora é o melhor plano de negócios que um empreendedor pode ter…

    Saudações empreendedoras

    Bruno Bezerra
    www.brunobezerra.com

  11. bpe Says:

    silvio, acredito que em um futuro próximo você estará escrevendo um post, talvez um pouco maior que este, sobre o sucesso do “aprender fazendo” do garage.

  12. Chantinon Says:

    Não queria ofender ninguém, mas…
    O que deveria mudar é esse conceito de “consultor”.
    Tem crianças de frauda que já estão cobrando por consultoria.
    Com o advento da Internet, Google, Wiki e foruns, pouco sobra para se cobrar
    quando o assunto são coisas simples (e nem tão simples).
    Já vi cobrarem 70 mil para refazer toda uma infra de rede com 100 pontos…
    Outra consultoria cobrou 50 mil e já estava quase fechando negócio…
    Quando o problema foi descoberto… Um estagiário que criou um batch de backup usando toda a rede… Os consultores mereceriam ser presos?

    Conheço poucas empresas que sobrevivem fazendo o que era o meio fim do inicio da startup. Se a UPS conserta notebooks para a HP, porque não usar a criatividade no lugar de se fechar em um único ponto centrado?
    Essas mudanças é que podem salvar uma empresa, e isso não tem como entrar em um BP.

    Na minha opinião um bom BP não deve ser maior que duas páginas rabiscadas, o resto é só para encher linguisa.
    Há, e mais importante que a ideia e o negócio são as pessoas…
    Dessas 2 páginas, 1,5 devem mencionar as pessoas certas para o negócio.

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