software: mais uma análise da “problemática”

patrocinada pela câmara dos deputados, acaba de sair mais uma análise da "problemática" do setor de software do país, centrada nos pilares de sempre: institucionais, fiscais, educacionais, trabalhistas, de investimento e financiamento. veja o resumo aqui. o que tá faltando mesmo, há mais de uma década, é se partir de uma vez por todas para alguma "solucionática". se é que vai haver uma mesmo.

todos os atores, na indústria e no governo, já conseguem rezar pela mesma cartilha, que tem basicamente uma frase: do jeito que está, continuaremos sendo periféricos. só que entra ano e sai ano e não acontece rigorosamente nada pra mudar o cenário de competitividade empresarial em software e sistemas de informação. enquanto isso, o déficit da balança comercial de software ultrapassa em muito o bilhão de dólares [o último dado consolidado parece ser de 2004, US$1.2B negativos].

fazendo uma conta de chegar, se os números de 2004 pra software forem os mesmos de 2007 [e este ano os números podem ser bem maiores, aí na casa de 25% a mais sobre 2004], o país tem que vender, no mercado externo e a preços de hoje, 50.000.000 de sacas de 60Kg de soja só pra compensar o balanço negativo de software. isso equivale a mais de um milhão de hectares de soja plantados por aí, parte deles resultado de desmatamento severo e irreversível. talvez devamos mesmo nos render  à "vocação natural" do brasil, de ser o celeiro do planeta, e deixar este negócio de software para povos mais educados. e capazes. e mais conscientes.

4 Responses to “software: mais uma análise da “problemática””

  1. Fred Cruz Filho Says:

    Soluções extremas para problemas extremos?

    Idéia mirabolante que me vem à cabeça sempre que penso sobre regime de trabalho e TI: já que um dos entraves que existem, entre tantos outros, é a famigerada CLT, que não evoluiu nada desde que foi criada e não se aplica de jeito nenhum a mercados novos e dinâmicos como os de TI, será que se todos os funcionários de todas as empresas de TI contratados via CLT se demitissem dos seus empregos atuais, montassem pequenas consultorias que fossem contratadas como pessoa jurídica (como empresas de verdade, não como PF travestida de PJ) ajudaria em alguma coisa a reduzir custos relacionados a mão-de-obra, pelo menos?

  2. Dyego Vasconcelos Says:

    O problema da incompetência é que quando ela se torna generalizada a possibilidade de reversão diminui a cada instante. É como num coma.

    Pedi ajuda a Seth Godin para solucionar o porque de tanta dificuldade.

    Dyego Vasconcelos to seth

    Hallo Seth,

    I know, you know, everybody knows that software development needs to connect two important dots in the commercialization process: who develops must to be synced to who is going to buy the solution.

    Here comes the question:

    How can a peripheral IT cluster (like recife, located in the northeast of brazil) be noted by those ones whom could buy a solution developed out of the silicon valley box?

    Pls tell me how I can throw this problem to the wastebasket.

    rgds


    Dyego Vasconcelos

    E ele respondeu:

    seth godin to me

    wow

    that’s a tough one

    I have no clue!

    =============================

    Seth Godin
    Do You Zoom, Inc.
    3 West Main Street, Suite 103
    Irvington NY 10533

    (914) 674 9666
    fax 914 674 4387

    estou começando a ficar preocupado de verdade.

    []s Silvio

  3. Fernando Says:

    Estava conversando com um amigo da Embraer e ele me disse que, apesar de ser referência mundial em engenharia aeronáutica, a Embraer é péssima em engenharia de software para aviões.

    Tanto que compram de uma empresa … americana? alemã? irlandesa? não, chinesa. Segundo ele a china é referência mundial nesta área, junto com os eua.

    Pergunta: será que daqui a aluguns anos a Embraer vai continuar podendo se dizer excelente em aviônica, sem domínio de engenharia de software?

  4. leonardo Says:

    O que falar de empresas que possuem história no desenvolvimento de software no Brasil, que são tentadas a navegar pelos mares do en$ino universitário(tão mais rentável?) e por isso perdem o foco na produção e concepção de softwares para qualquer área que seja?

    O que falar sobre as medidas tomadas na Índia para do BOUM do desenvolvimento de software que APENAS são tomadas como medidas a serem seguidas, MAS nunca postas em prática ?

    Acho que ninguém melhor que você, Sílvio, para nos responder isso.
    Quanto a segunda pergunta..enumeremos os passos (e também as pessoas que deveremos cobrar) para isso se concretizar.

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