Archive for November, 2007

liberdade e privacidade: chegando ao fim?

Monday, November 12th, 2007

um longo artigo na economist considera os efeitos de estarmos vivendo, de fato, não na sociedade da informação, mas na da observação, onde todos vasculham a vida de todos os outros e os [mais variados pedaços dos] governos estão de olho, ainda por cima, uns nos outros. segundo a revista… These days, data about people’s whereabouts, purchases, behaviour and personal lives are gathered, stored and shared on a scale that no dictator of the old school ever thought possible. Most of the time, there is nothing obviously malign about this. Governments say they need to gather data to ward off terrorism or protect public health; corporations say they do it to deliver goods and services more efficiently. But the ubiquity of electronic data-gathering and processing—and above all, its acceptance by the public—is still astonishing, even compared with a decade ago. Nor is it confined to one region or political system.

pense em tal contexto e reflita sobre as declarações de Donald Kerr, um dos principais responsáveis pela espionagem americana, dadas neste fim de semana ao guardian: Privacy no longer can mean anonymity… Instead, it should mean that government and businesses properly safeguard people’s private communications and financial information. uau…

a reportagem do guardian continua… Millions of people in this country - particularly young people - already have surrendered anonymity to social networking sites such as MySpace and Facebook, and to Internet commerce. These sites reveal to the public, government and corporations what was once closely guarded information, like personal statistics and credit card numbers, dando uma grande levantada de bola para kerr anunciar seu juízo final: “Those two generations younger than we are have a very different idea of what is essential privacy, what they would wish to protect about their lives and affairs. And so, it’s not for us to inflict one size fits all. Protecting anonymity isn’t a fight that can be won. Anyone that’s typed in their name on Google understands that.”

pois vez por outra em teclo meu nome em google [e yahoo, e liveSearch] só pra saber o que há por aí sobre mim que eu nem imagino. ao contrário do que mr. kerr pensa, minha vida pessoal ainda não vazou pra internet e nem eu espero que isso aconteça tão cedo. este blog, por exemplo, pode ser considerado muito pessoal, um apanhado das minhas opiniões sobre os mais variados temas, mas não há nada aqui que eu já não andasse dizendo em aulas, reuniões e telefonemas e, por sinal, na velha mídia, em tvs, rádios e jornais. a diferença é que agora eu não posso dizer que não disse, pois vai estar registrado para sempre em algum lugar da internet, mesmo que eu desmonte este site. e esta é -por acaso- a idéia deste blog mesmo.

o que dá, por sua vez, uma boa idéia do cuidado que os mais novos devem ter na web: seus antigos cadernos de adolescência e rabiscos no mural do colégio agora estão publicados para sempre em algum blog ou comunidade. com um detalhe radical: estudos científicos [relatados no guardian] mostram que os "amigos" virtuais em uma rede social não passam de conhecidos [e podem nos levar a revelar MUITO mais do que iríamos querer, no futuro]… o que pode fazer muita gente nova e esperta a entrar, por inexperiência, nas maiores roubadas do século 21. o que, por certo, já está acontecendo agora…

começa o internet governance forum

Monday, November 12th, 2007

está começando no rio a edição brasileira do IGF, forum das nações unidas para discussões sobre governança da internet. o problema do forum está mesmo no "discussões", pois muitos pensam que, sem nenhum poder formal sobre o que quer que seja na rede, apesar das bênçãos da ONU, a coisa não passa de um convescote, ou "talking shop".

do meu ponto de vista, aqui no fim do mundo [onde a rede faz a curva] não dá nem pra saber se vai ser mesmo mais uma reunião de bravatas e slogans ou não. isso porque quase não consegui ver [192kbps era o mínimo pra vídeo] e tampouco ouvir [a 32kbps…]. pena mesmo. governance, claro, não tem nada a ver com qualidade de rede na periferia, coisa que deveria ser do domínio dos órgãos reguladores locais. estes, por sua vez, estão preocupados com outras coisas, como o número de orelhões por habitante e a cobrança de taxas e impostos sobre cada chip de celular que entra no mercado, algo que ajuda muito pouco a universalização de acesso no brasil.

agora é esperar pra ver o que a mesa de abertura [na qual 16 pessoas teriam a palavra!…] definiu como o tom do encontro. tomara que não sejam só bravatas para consumo dos ignaros e glória de políticos de terceira categoria do continente. detalhe: nenhum representante do governo dos EUA, que manda mesmo na coisa [e paga as contas da ONU] estava na mesa de abertura. pra começar, é um mau sinal…

o maior problema dos celulares…

Monday, November 12th, 2007

o tema de meu artigo semanal do G1 é… "A terceira geração de celulares vem aí. Será a hora de abrir as redes das teles?"  vá lá ver. isso foi sábado. hoje pela manhã, o new york times [não que G1 esteja pautando o NYT!] bateu na mesma teclaConsumers have never been happy about their cellphone carriers and the services they provide — or refuse to provide. But they also have hardly the means to do anything, except switch from one carrier to the next.

alguma coisa vai acabar acontecendo nas relações entre consumidores e operadoras… e acho que vai ser necessariamente em benefício dos primeiros. e pode ser que não seja necessariamente através de google e sua open handset alliance. isso porque, ao invés de abrir o "telefone", nós queremos mesmo é abrir a operadora.

ao contrário dos PCs, pensados e usados, quase em sua totalidade, como sistemas computacionais quase fechados, o celular é a ponta -em nossas mãos- de um conjunto de serviços prestados por operadoras oligopolistas que [via de regra] não estão nem aí para as diferentes necessidades dos usuários. isso porque o modelo de negócios das teles móveis, no mundo inteiro, é o de domínio total da rede, incluindo seja lá o que estiver sendo usado pelo consumidor final, eu e você que estamos pagando a conta do lado de cá. mesmo a docomo, no japão, controla os sites que "passam por dentro" de sua rede.

o que precisamos -todos, teles inclusive- é criar as condições para termos redes abertas e programáveis, até mais do que as infra-estruturas de internet o são, hoje. aí, teremos uma verdadeira revolução na cena móvel. sem o que os telefones "de google" [ou quaisquer outros…] podem ser até mais interessantes do que já temos no mercado hoje, mas não vão fazer muito mais, pra nós, do que as maquininhas que já usamos agora.

fim da linha para teqlo: lições aprendidas

Sunday, November 11th, 2007

mais um dos "negócios mais promissores da web2.0" [segundo os admiradores] chega ao fim de sua linha. teqlo, que deveria ter chegado a ser uma plataforma de criação e composição de aplicações web e fluxo de trabalho, morreu por causa do velho e conhecido descompasso entre prontidão da tecnologia, penetração de mercado, viabilidade do modelo de negócios e recursos disponíveis. entre as lições aprendidas estáWorking with VCs automatically puts your company on a time line. This can be a great thing if you engage them at the right point in the process. But that time line also leads directly to final stop date if things do not go as planned. The longer you can figure out how to boot strap your company, the better off you will be.

um dos mitos brasileiros sobre empreendedorismo e tecnologia é que não fazemos muito porque não temos investimento suficiente na base da pirâmide de criação de empresas baseadas em tecnologia. não é mito, é verdade mesmo. mas, como a lição aprendida pelo pessoal de teqlo deveria mostrar, há muitas vantagens em se começar um negócio [ou piloto de um] com seu conhecimento, suas energias, um pouco de paitrocínio, muitas baladas perdidas enquanto você virava noites tentando achar o ponto de encontro entre tecnologia, usuários e modelo de negócios. porque quando o pessoal do dinheiro chegar, ao invés de se contar o tempo a partir do começo, começa a ser contado o tempo até o fim… do dinheiro. nos eua, é o fim mesmo. ao anunciar o fim do processo de criação de teqlo, a galera que estava por lá tirou o site do ar e ponto final. os usuários beta [como eu] simplesmente perderam tudo o que fizeram e o tempo que gastaram "aprendendo" [com] teqlo. mas é isso aí mesmo. risco é risco e é parte do jogo.

ainda mais, há de se lembrar que… Sometimes, despite a brilliant team and great technology, luck just doesn’t go your way. isso também é parte das lições aprendidas pelo pessoal de teqlo, e deveria sê-lo por todos os times brilhantes, por aí, que acabam batendo com a cara na parede. nem sempre as "melhores" tecnologias ganham o jogo. o acoplamento entre tecnologia e mercado, no tempo certo, sim. lembre-se disso quando começar alguma coisa. tempo, timing, é tudo. sem ele, pra que dinheiro?…

carro recarregável

Sunday, November 11th, 2007

enquanto comemoramos a descoberta de bilhões de barris de petróleo no fundo do mar [que poderiam ter uso muito mais inteligente na indústria petroquímica, ao invés dos tanques dos carros] a toyota aponta para um futuro onde os carros vão ser recarregados na garagem dos prédios e casas. e não serão carros que fariam 40Km/hora, mas carros de verdade, como o prius, que já vende [nos eua] hoje, em sua versão híbrida [motor à  explosão carrega motor elétrico] como cerveja na praia. a chevrolet vai aparecer com um quase-elétrico, plugável na parede, em 2010. a honda e outros não ficam para trás e apostam, entre outros, em automóveis baseados em células de combustível.

corrida, literalmente, interessante, para ver quem vai produzir os carros mais limpos e eficientes. dentro deles, sistemas de informação e software até o teto. no passado, a toyota teve que fazer recall do prius pra resolver problemas sérios nos drivers do carro, afetando 75.000 veículos. mas isso faz parte do processo e, de 2005 para cá, não houve incidentes de tal monta. o que pode ser um bom sinal de que não precisaremos destruir todas as florestas do mundo pra plantar biocombustíveis. quer o governo do brasil queira ou não, o fato é que muita, muita gente está a caminho de desmatar o que resta das matas do país para plantar qualquer coisa que possa ser transformada em combustível automotivo.

carros elétricos e a células de combustível são resultado de dezenas de anos de continuados investimentos em inovação. o carro a álcool, aqui, foi coisa parecida, em intensidade muito menor. mas não há notícia de que estejamos olhando para o futuro das tecnologias automotivas, no país, com os olhos curiosos que levam em conta o desenvolvimento de novos produtos e mercados mundiais [há, claro, pequenas exceções]. a energia do futuro é baseada em conhecimento, embutido em tecnologia. reservas "naturais" serão importantes por muito tempo, ainda. mas estão, por muitas razões, com os dias contados.

inovação [5]: propósito

Monday, November 5th, 2007

[este texto é parte de uma série; para ver o anterior, clique aqui].

em 2005, a booz, allen & hamilton fez uma pesquisa pra descobrir o QUE os GASTOS em inovação das MIL empresas que MAIS investem em pesquisa e desenvolvimento tinham a ver com seus resultados. a resposta, muito pouco surpreendente, é… NADA. em suma, segundo um artigo de Nikos Mourkogiannis, They found no significant correlation with any measures of corporate success. None. Not profits, not revenues, not growth or shareholder returns. In other words, the simple decision to invest in innovation is not enough. How you invest, and especially how innovation serves a larger Purpose, determines the value of your investment.

derramar recursos em pesquisa e desenvolvimento, ou "ciência e tecnologia", como se costuma dizer na periferia, seja no âmbito das empresas ou de países ou estados, resulta em… nada. ou muito pouco. e pouco valor. ampliando o foco, há quem comemore, no brasil, o maior número de papers publicados pelas universidades, onde residem 90% [ou mais] de todos os pesquisadores, como se paper fosse resultado. a aumentada relevância internacional da produção científica brasileira tem muito pouca importância na vida real dos negócios e na melhoria de sua competitividade. ao invés de festejar mais papers, deveríamos planejar e talvez até forçar a criação de uma AGENDA de inovação, orientada para a mudança do comportamento de produtores e consumidores de tecnologia, processos, produtos e modelos de negócio, no mercado, com ou sem papers e títulos acadêmicos a sustentá-los.

é claro que ninguém está a desmerecer o papel dos mecanismos de geração de conhecimento no avanço da humanidade. mas -desde sempre- os recursos para se fazer qualquer coisa são limitados, ainda mais por aqui. mourkogiannis, por essa e outras razões, defende a busca do PROPÓSITO no esforço de inovação, o que deveria ser feito no topo dos espaços mentais [conversações… veja o que este blog tem a dizer sobre o assunto aqui] classicamente considerados na inovação.

inovação envolve [simplificadamente] três entendimentos: das tecnologias [e processos, métodos…], dos consumidores [existentes ou potenciais] e da competição [idem]. mas combinar tecnologias inovadoras, descobrir universos de consumidores e enfrentar a competição pode resultar em… nada. se não houver propósito. masaru ibuka, ao fundar a Sony, tinha idéias muito claras sobre o propósito de sua futura companhia: “to establish a place of work where engineers can feel the joy of technological innovation, be aware of their mission to society and work to their heart’s content”. o propósito da sony, claro, é a descoberta… o que fez a companhia ter ganhos reais de 10% a.a. entre 1967 e 1999.

segundo mourkogiannis, os propósitos podem ser classificados em quatro categorias: descoberta [como na sony], altruísmo [como no wal-mart, preços baixos para todos], excelência [berkshire hathaway, de warren buffet, desde o princípio comprometido a construir a melhor rede de investimentos do planeta] e heroísmo [dos primórdios da ford, cujo propósito era democratizar o acesso ao automóvel].

ter propósito não significa, por si só, maior possibilidade de obter resultados. propósitos individuais ou apenas parcialmente compartilhados pela comunidade que se busca atingir [sua empresa, seus sócios fundadores ou, no caso de políticas públicas, todos os parceiros em todos os setores] pode inclusive aumentar a chance de fracasso de práticas [nas empresas] e políticas [no setor público] de inovação. o ponto de partida de qualquer processo, proposta ou política de inovação é combinar, com tantos quantos forem os possíveis atores, o que se quer atingir e fazê-lo de forma dinâmica, interativa e continuada. pois o mundo muda e muda muito rápido.

depois voltamos para o caso das empresas. falando -hoje- de propósito e de políticas de inovação no setor público, é preciso, quase que necessariamente combinar as quatro vertentes de mourkogiannis: o planejador [público] de inovação pública tem que estar dotado dos propósitos de heroísmo [para mudar o mundo ao seu redor], altruísmo [para estar pensando no bem comum], excelência [para fazer nada menos do que o melhor para sua comunidade] e descoberta [para promover verdadeiros avanços nas empresas e entidades sob seu cuidado].

por isso que o trabalho e difícil, pra não dizer quase impossível, pois tudo isso é para se ter e ser feito ao mesmo tempo. principalmente em lugares que estão quase perdendo as janelas da história como o brasil. no meu entender, é algo que só pode ser feito por alguém que se divirta, de maneira fundamental, com as dificuldades do encargo e que esteja [e seja] desprovido de qualquer tipo de preconceito contra quem ou o que quer que seja. o mesmo, por sinal, vale para quem quiser viver pensando em inovação nas empresas.

noutra hora, vamos discutir como PROPÓSITO pode ser uma alavanca essencial para seu negócio, ou start-up [ou vida pessoal] fazer sentido e ter uma chance bem maior de fazer sucesso. o que não tem nada a ver, por sinal, com fluxo de caixa e outras medidas cartesianas usadas nos negócios "comuns", que não inovam… e que não vão sobreviver.

[para ler o paper de nikos mourkogiannis na íntegra, pegue o .pdf aqui.]

sat-nav & dtv [móvel] no mesmo box…

Sunday, November 4th, 2007

…e no padrão brasileiro. quem tiver US$1.900 pra comprar gorilla, o último lançamento da sanyo, no japão, vai poder se orientar nas ruas na sua tela de OITO polegadas [não deve vir com mapas do brasil… mas deve haver como botar] e ao mesmo tempo se desorientar vendo tv digital móvel, pois o box pode sintonizar one-seg, exatamente nosso padrão de tvd móvel.

o preço embute, também, a capacidade de receber o padrão digital japonês para tvd fixa de alta definição, mas aquele, como se sabe, não é o nosso. ao recriar o padrão japonês para o brasil, resolvemos trocar mpeg-2 por mpeg-4 e… nada do que for feito para o japão vai rodar aqui. a não ser que a sanyo [e outros fabricantes] botem um olho muito grande pro brasil, vai levar muito tempo pra que tenhamos alguns destes lançamentos japoneses em nossos carros, ruas e casas. coisas do brasil, custos do brasil.

inovação [4]: conversações

Saturday, November 3rd, 2007

[este texto é parte de uma série; para ver o anterior, clique aqui ].

conversações são mercados e inovação precisa ser vendida. seres humanos têm que ser convencidos, por outros, dentro das empresas, casas, lojas e meios-de-ruas, a apostar em coisas cuja viabilidade não parece nem um pouco certa. a interação entre colaboradores, face-a-face ou através dos mais variados tipos de processos virtuais, é essencial para criar um entendimento -uma cultura preliminar- que aumente muito a possibilidade de transformar propostas de inovação em projetos inovadores.

e a conversa não para aqui. projetos inovadores normalmente têm especificações mais vagas do que as dadas a problemas clássicos, e por razões muito simples. nos últimos, sabemos o que estamos resolvendo; às vezes, até temos a liberdade de pensar “fora da caixa”, mas o problema -digamos- principal está estabelecido e não temos muito como fugir dele.

nos processos realmente inovadores, ao invés de pensar se [e n]o problema [que] está dentro ou fora da caixa, temos que repensar “a caixa” propriamente dita, o que certamente nos dará uma visão inteiramente nova do contexto. este novo mundo tem seus próprios problemas e o maior deles, talvez, é o entendimento comunitário de seus mais variados significados. sem muita conversa, e muitas vezes conversa focada, em torno de assuntos específicos e essenciais, às vezes conflituosos, não será possível desenrolar o projeto.

o “projeto” pode ser um novo produto. e a conversação pode dar em nada. quando a at&t [então a maior empresa de telecom do mundo] perguntou a uma das maiores empresas de consultoria do planeta [lá nos anos 70] se valia a pena entrar num negócio chamado telefonia celular, a resposta dos mega-consultores foi um sonoro não, pois a previsão de mercado [no longo prazo, 20, 30 anos] para celulares era cerca de 900.000 “linhas”. o que é mais ou menos o que se vende a cada três dias, na terra, hoje. a at&t, como se sabe, é agora obrigada a compartilhar renda com um fabricante de celulares, a apple, nos aparelhos vendidos pela mesma “exclusivamente” para suas “linhas”.

o que faltou na conversa da at&t e estava presente na da apple? na primeira, faltou alguém perguntar… “mesmo? e se…” ou “não acredito… porque não levamos em conta que as pessoas possam querer andar com um celular?…” e, na segunda, não só perguntas como estas foram feitas mas não se tratou só do lançamento de um “telefone”, mas de um ícone de design, um objeto de desejo, algo sobre o qual as pessoas conversam antes de ter, quando têm e mesmo porque não têm. é impossível não conversar sobre o iPhone. assim como sobre ferraris: uma delas capota na bélgica, é notícia no mundo inteiro. e não só porque é caro, mas porque uma ferrari -todas as ferraris- não é um veículo, é uma conversação.

criar seu negócio será uma conversação, por menos que ele inove. mudá-lo, para inovar, será uma conversação. às vezes tensa, talvez longa, prazerosa aqui, irritada e irritante ali, mas uma demorada e continuada conversa com muitos interlocutores. e não poderia ser de outra forma, pois -voltando ao começo-, como mercados são conversações, realizadas dentro de, entre e por comunidades, você, candidato a inovador [ou simplesmente a montar uma pipoqueira na esquina] tem que participar da conversa, para estar na comunidade. se -e só se- a conversa for uma criação sua, prática, convincente e capaz de mover mundos [e gentes], seu negócio, processo, produto ou serviço será verdadeiramente inovador. converse. convença. ou então prepare-se para ser conversado e convencido.