inovação [4]: conversações

[este texto é parte de uma série; para ver o anterior, clique aqui ].

conversações são mercados e inovação precisa ser vendida. seres humanos têm que ser convencidos, por outros, dentro das empresas, casas, lojas e meios-de-ruas, a apostar em coisas cuja viabilidade não parece nem um pouco certa. a interação entre colaboradores, face-a-face ou através dos mais variados tipos de processos virtuais, é essencial para criar um entendimento -uma cultura preliminar- que aumente muito a possibilidade de transformar propostas de inovação em projetos inovadores.

e a conversa não para aqui. projetos inovadores normalmente têm especificações mais vagas do que as dadas a problemas clássicos, e por razões muito simples. nos últimos, sabemos o que estamos resolvendo; às vezes, até temos a liberdade de pensar “fora da caixa”, mas o problema -digamos- principal está estabelecido e não temos muito como fugir dele.

nos processos realmente inovadores, ao invés de pensar se [e n]o problema [que] está dentro ou fora da caixa, temos que repensar “a caixa” propriamente dita, o que certamente nos dará uma visão inteiramente nova do contexto. este novo mundo tem seus próprios problemas e o maior deles, talvez, é o entendimento comunitário de seus mais variados significados. sem muita conversa, e muitas vezes conversa focada, em torno de assuntos específicos e essenciais, às vezes conflituosos, não será possível desenrolar o projeto.

o “projeto” pode ser um novo produto. e a conversação pode dar em nada. quando a at&t [então a maior empresa de telecom do mundo] perguntou a uma das maiores empresas de consultoria do planeta [lá nos anos 70] se valia a pena entrar num negócio chamado telefonia celular, a resposta dos mega-consultores foi um sonoro não, pois a previsão de mercado [no longo prazo, 20, 30 anos] para celulares era cerca de 900.000 “linhas”. o que é mais ou menos o que se vende a cada três dias, na terra, hoje. a at&t, como se sabe, é agora obrigada a compartilhar renda com um fabricante de celulares, a apple, nos aparelhos vendidos pela mesma “exclusivamente” para suas “linhas”.

o que faltou na conversa da at&t e estava presente na da apple? na primeira, faltou alguém perguntar… “mesmo? e se…” ou “não acredito… porque não levamos em conta que as pessoas possam querer andar com um celular?…” e, na segunda, não só perguntas como estas foram feitas mas não se tratou só do lançamento de um “telefone”, mas de um ícone de design, um objeto de desejo, algo sobre o qual as pessoas conversam antes de ter, quando têm e mesmo porque não têm. é impossível não conversar sobre o iPhone. assim como sobre ferraris: uma delas capota na bélgica, é notícia no mundo inteiro. e não só porque é caro, mas porque uma ferrari -todas as ferraris- não é um veículo, é uma conversação.

criar seu negócio será uma conversação, por menos que ele inove. mudá-lo, para inovar, será uma conversação. às vezes tensa, talvez longa, prazerosa aqui, irritada e irritante ali, mas uma demorada e continuada conversa com muitos interlocutores. e não poderia ser de outra forma, pois -voltando ao começo-, como mercados são conversações, realizadas dentro de, entre e por comunidades, você, candidato a inovador [ou simplesmente a montar uma pipoqueira na esquina] tem que participar da conversa, para estar na comunidade. se -e só se- a conversa for uma criação sua, prática, convincente e capaz de mover mundos [e gentes], seu negócio, processo, produto ou serviço será verdadeiramente inovador. converse. convença. ou então prepare-se para ser conversado e convencido.

3 Responses to “inovação [4]: conversações”

  1. silvio meira: dia a dia, bit a bit Says:

    […] [este texto é parte de uma série; para ver o anterior, clique aqui]. […]

  2. Felipe Andrade Says:

    Realmente… perfeito!

  3. EAD Says:

    Olá gostei mto do seu blog assuntos interessantes
    Parabéns pelo seu sucesso,continue assim

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