Archive for October, 2007

mundos virtuais inter-operáveis

Friday, October 12th, 2007

um dos maiores problemas dos mundos virtuais que há por aí [second life é só um dos exemplos] é que todos são fechados sobre si mesmos. nada de turismo ou mudanças: se crio um avatar num lugar qualquer, crio, ao mesmo tempo uma prisão onde só naquele lugar existo.

a ibm está tentando usar seu peso para criar um padrão de interoperabilidade [veja figura acima!…] entre mundos virtuais, onde um avatar meu, criado no mundo X, teria todas as propriedades necessárias para [talvez dentro de certas condições]… entrar num outro mundo, Y. pode até não dar certo desta vez. mas é o que tem que ser pensado e feito. imaginem como usar tal tipo de funcionalidade e o que ela abre, como plataforma de negócios, além do que já está sendo feito. horizonte de eventos pra isso? os próximos 1-2 anos. se não tiver acontecido nada até lá… melhor voltar ao mundo real. a proposta [de cinco pontos] da ibm [e do linden labs, os donos de second life] é…

  1. "Universal" Avatars: "Users could maintain the same "avatar" name, appearance and other important attributes (digital assets, identity certificates, and more) for multiple worlds."
  2. Security-rich Transactions that allow users to exchange assets both more securely in individual virtual worlds, but also across multiple worlds.
  3. Platform stability: As a part of this goal, IBM also announced that Kaneva would be standardizing across IBM servers. More generally the goal is to "accelerate user adoption, deliver faster response times for real-world interactions, and provide for high-volume business use."
  4. Integration with existing Web and business processes: "Regardless of their source," IBM wants to allow existing business applications and data repositories interact with virtual worlds to make business adoption more feasible.
  5. Open standards for interoperability with the current Web: The two want to create open source development of open standards to connect virtual worlds in a way similar to the way users move across the Web.

não atender cada uma das demandas acima é a razão dos fracassos atuais de second life e companhia. mundos fechados têm um custo de transação muito elevado e pouca gente pode suportá-los, por muito tempo. por isso que second life [por exemplo] tá meio paradão. a proposta da ibm pode levar, no tempo, a um padrão debaixo do qual os mundos virtuais passariam a ser desenvolvidos e tratados como negócio. e o usuário teria uma certa "portabilidade" entre um e outro mundo, e todos ganhariam. vamos ver se vira realidade. virtual.

governo discute “banda” com teles

Wednesday, October 10th, 2007

segundo o noticiário, o governo federal está mais uma vez andando ao redor de uma proposta para levar conectividade internet aos "mais profundos rincões do país". trata-se [aparentemente] de criar [208 mil] pontos de acesso [a custo de R$700 milhões, investimento das teles] que tenham [pelo que se diz] um megabit por segundo de conectividade com os troncos internet das operadoras.

o sonho é incluir, no pacote, serviços como telemedicina, vídeo-conferência e educação à distância, entre outros que dependem de "banda". pois é. um megabit [de 300K] é exatamente o que tenho em casa e, certas horas, não dá nem pra ver youTube, quanto mais fazer vídeo conferência. pode ser que as teles e o governo estejam falando de um megabit mesmo, daqueles de verdade. mesmo assim, um megabit  por segundo, por ponto de acesso, com vários serviços conectados, especialmente se estivermos falando de multimídia, o que é o caso de telemedicina e educação à distância, entre muitas outras aplicações… é pouco.

o certo seria dizer que vamos ter inclusão digital no país, a sério, a partir de um esforço nacional, envolvendo governo em todos os níveis e as teles, no mínimo. isso, por si só, já seria muito. querer que um mero megabit seja muito mais do que pura inclusão, em pontos compartilhados, é o mesmo que achar que o tal megabit, por aí, é banda "larga", quando em muitos lugares, mundo afora, a oferta básica já anda pela casa dos oito megabit.

tudo bem que aqui é o brasil, que um megabit é melhor do que nada e coisa e tal. nisso todos concordamos. danado é que esta propaganda governamental [de hoje] parece a dos tempos da ditadura militar, tão combatida [na época] por alguns que estão no poder [hoje]. lá atrás, os descontentes que se mudassem, procurassem outra bandeira. pois foram exatamente os que ficaram que mudaram o lugar. para avançar, precisamos de auto-crítica, de análises realistas do estado de coisas e de planos factíveis. e sonhos, claro. mas, pra hoje, amanhã, é preciso fazer o que pode ser feito. sem enganação. tomara que, por trás das declarações oficiais, haja gente pensando a sério no que tem que ser feito, pra quem, pra quê e pra quando.

os legislativos precisam de controle de versões

Monday, October 8th, 2007

um dos problemas mais sérios de desenvolvimento de software é o controle de versões. e só vai ficar mais complexo, à medida em que software vira serviço, é desenvolvido a partir de componentes e serviços passam a ser combinação de outros serviços. na vida real é a mesma coisa: boa parte do que se costuma chamar de inovação é reinterpretação e combinação de coisas que já estavam aí.

o software da vida real é o sistema legal. que de tão complexo, em qualquer nação, está se tornando completamente ininteligível. isso no que tange ao que está escrito e valendo; imagine entender o que mudou entre um estágio e outro de qualquer texto e o que levou às mudanças, tanto localmente quanto no âmbito mais geral. mesmo levando em conta que a maioria da atividade dos representantes do povo [numa cidade grande do brasil, como recife, por exemplo] é muito mais de fiscal de quarteirão do que de pensador, planejador. político ou estrategista, o fato é que a minha cidade promulga DUZENTAS ou mais novas leis por ano [mais de uma por dia de atividade legislativa]  e duvido que alguém saiba exatamente o que está valendo [ou não].

e desenvolvimento de software com isso? tim o’reilly convidou karl fogel, autor de subversion, o mais usado sistema aberto para controle de versões, para um debate e fogel topou, mas estabelecendo que seu ponto de partida seria o controle de versão de coisas mais amplas… tratando de noções como:

  • Why it’s important to be able to search the change history for Wikipedia entries (and why it’s incredibly cumbersome using today’s interface);
  • Why the U.S. Congress needs real version control tools (and why it’s our own fault for not providing them);
  • Why good version tracking is important in a world where more and more creativity consists of mixing existing things together.

o segundo item é algo com que realmente temos que nos preocupar. sem uma visão minimamente coerente do que está substituindo ou reescrevendo os sistemas legais já razoavelmente incoerentes em que vivemos, uma verdadeira infinidade de regras que rege nosso dia-a-dia, os custos de transação continuarão aumentando até o ponto em que tudo será interpretação. ou pior, litígio puro e simples. e sem razão.

vai ver que esta é a "razão" pela qual talvez haja mais faculdades de direito [per capita, ou PIB] no brasil do que em qualquer outra região do planeta. mesmo que tenhamos optado por tal caminho, seria muito importante saber, de verdade, o que está valendo. ou deveria estar. o que deveria, por sua vez,  ser uma boa razão para o congresso -ou algum corpo legislativo inovador- chamar uma galera que entendesse de controle de versões pra ajudar a criar uma infra-estrutura de suporte ao esforço legislativo condizente -de vera- com a complexidade da vida real.

alguém, um dia, fará. tomara que no brasil, pelo menos, sejamos capazes de imitar.

toshio iwai demonstra o tenori-on

Thursday, October 4th, 2007

a yamaha está lançando [só na inglaterra, por enquanto, mas está esgotado!] um "instrumento" musical digital desenhado por toshio iwai, o cérebro por trás de elektroplankton. veja o demo do próprio iwai, ao vivo, aqui. a página do youtube tem várias outras aparições da coisa. o preço? algo perto de US$1.200… parece ser o brinquedo musical mais interessante já imaginado. quero um.

as piores compras de TODOS os tempos…

Tuesday, October 2nd, 2007

a última a entrar na lista é skype, que está levando eBay a declarar uma perda estimada entre US$1B e US$1.4B no próximo balanço. niklas zennstrom, o cara que resolveu o problema de comunicação de dezenas de milhões de pessoas, mas não encontrou um modelo de remunerar a companhia da prestação de tais serviços, está partindo desta para uma melhor.

pra entrar na lista de don dodge, o desastre tem que ter sido de pelo menos um bilhão de dólares e olhe lá. a primeirona, entre todas as piores compras, é a "fusão" da AOL com a time-warner em 2000, onde a primeira foi avaliada em US$160B. hoje, não vale mais do que US$20B [e eu não acho que tenha compradores]. na lista estão geocities [comprada por yahoo em 1999 por US$3.56B] e lycos, que custou US$12.5B à terra networks em 2000 e foi vendida em 2004 por US$95M. metade das "piores compras" estava no negócio de busca.

falando nisso, a nokia acabou de pagar US$8.1B pela navteq, que vem a ser a principal fornecedora de mapas digitais do mundo. as vendas atuais são U$685M, o lucro líquido está em torno de US$141M e o valor de mercado era US$7.4B, sobre o qual a nokia botou outros US$700M pra fechar o capital. os clientes são gente como google, microsoft mais os prestadores de serviços de localização [em celulares] para as operadoras e os fabricantes de dispositivos gps. mapas são e serão essenciais para busca e localização móvel, considerado por todos os grandes e pequenos a próxima grande fronteira do negócio de busca. a julgar pelo preço do ticket que a nokia está pagando para entrar na festa, a coisa vai ser gigantesca. ou então, daqui a alguns anos, a navteq vai estar muito bem colocada na lista dos piores negócios [de tecnologia] do planeta…

viaje, ouça, durma… é longe

Monday, October 1st, 2007

há meio século, o que costumava ser a união soviética assustava o mundo -e principalmente os estados unidos- lançando o primeiro satélite artificial e, com ele, uma corrida-quase-querra pelo domínio dos céus. coisa de marte mesmo, briga de meninos pra ver quem tinha o maior foguete. foi no quatro de outubro de 1957. a resposta americana, como se sabe, foi mandar homens, em carne e osso, à lua. disputa de garotos, resultado de gente grande, que guiou boa parte do avanço tecnológico [inclusive da informática] por quase duas décadas. pena que não foi um feito da Terra, em conjunto, mas parte de uma disputa entre territórios [e sistemas políticos] para ver quem era mais capaz. ou, na pior das hipóteses, quem chegava primeiro…

durante muito tempo, ficamos por aqui. até porque a américa não tinha com quem competir. desde o fim dos anos 80 a USSR deixou de existir, graças à a ineficiência e ineficácia de uma economia sem mercado [entre muitas outras coisas]. mas parece que chegou a hora [até porque os competidores começam a aparecer…] de estabelecer alguma meta espacial [que tal marte em 2037?]do tamanho da humanidade, e o novo alvo tem tudo para ser marte. seis meses cada perna da viagem, com a tecnologia de hoje.  ou uma semana daqui a algum tempo. de qualquer modo, vai custar uma fortuna [as estimativas oscilam entre 40 e 400 bilhões de dólares]. que talvez fosse melhor aplicada aqui mesmo, pra resolver o aquecimento global, por exemplo.

mas um dia vamos ter que sair daqui. pode ser daqui a muito tempo, quando o sol ferver os oceanos ou a via láctea se desorganizar [bote tempo nisso]. ou então quando descobrirmos que um asteróide irá detonar -literalmente- o planeta. mesmo que você não vá a marte nem tão cedo, e tampouco a algum centro de lançamento de onde vai sair algum foguete para lá, dá pra ouvir uma trilha sonora pra viajar pra marte [ou muito mais longe] aqui. o contexto, no site, é… Most people who underwent cryosleep have reported that the mind seems to naturally retreat into a place of infinite tranquility, where the experience of Time itself is distorted in a subtle way. Although there is no trace of conscious activity in the brain of sleepers, it appears that Experience itself never ceases, creating atemporals bubbles of memories of transcendental calm when the subject awakes. It may be possible that chemicals used in the cryosleep process alter the outer cortex in a way that is not yet understood, however we believe cryosleep is a perfectly safe means of interstellar travel.

esqueça a ficção. simplesmente ouça. pra decolar, nenhuma química adicional é necessária, a não ser a sua e a de quem eventualmente esteja curtindo com você. divirta-se boa viagem. a marte [na foto, a cratera victoria, de 800m de diâmetro], ao parque ou, quem sabe, a você mesmo. boa chegada.