inovação [2]: poder
[este texto é parte de uma série; para ver o anterior, clique aqui].
inovação é poder. tanto para mandar como para mudar… o próprio poder, inclusive. o poder para mandar não inova em escala social, em escala organizacional. pode até ser que uma -ou muitas- inovações organizacionais derivem do cérebro de algum líder iluminado, que manda seus liderados cumprirem alguma agenda verdadeiramente inovadora. mas teremos, aí, o caso de um líder limitando a instituição, que dele depende e que padecerá seriamente de sua falta, quando ele um dia deixar o lugar.
poder para mudar, para mudar-se, pode muito bem ser usado, também, para não mudar nada. porque mudar é perigoso; sempre -e principalmente no brasil- há uma tendência exarcebada a não se mexer em time que está ganhando. a pátria do futebol, por outro lado, tem sofrido muito nos últimos tempos exatamente por causa disso. como sabemos que é chegada a hora de mexer?

no meu entender, exatamente quando tudo está muito bem e o todo equilibrado, quando as perspectivas são as melhores possíveis, quando os pequenos -e os grandes- nichos de poder estão estabilizados na instituição. aí, por mais incrível que pareça, é chegada a hora. por que? porque os recursos organizacionais que podem e devem ser usados para inovar estarão à sua melhor disposição; as tensões pessoais e institucionais estarão [com maior probabilidade] baixas; porque seu negócio, se está muito bem, terá se tornado alvo de quem quer ser melhor do que você e nada melhor do que, lhe imitando, corrigir suas falhas e aprofundar seus acertos pra ser melhor, maior ou mais eficaz e eficiente do que você.
mas nunca é fácil mudar. como dizer à sua organização ou, mais radical, como mover sua organização para mudar-se, no auge do sucesso? mas isso é tratar de motivação e é outra história. aqui, na conversa sobre poder, o mais interessante talvez seja notar que o momento de ouro para inovar, para reescrever o poder, seja exatamente o o tempo em que sua organização -e dentro dela, as pessoas- tenham mais poder. exatamente por isso é que vai ser muito difícil. sempre.
e é por isso que, do auge, a maioria das organizações, por mais criativas e competentes que tenham sido para chegar lá, só têm um caminho a seguir: o do seu próprio fim. tomara que, no nosso caso, consigamos escapar da armadilha do poder instável e que ele, o poder e sua instabilidade, nos sirvam sempre como ponto de partida, e não de chegada.
October 22nd, 2007 at 11:21 am
Oi Silvio,
poder em excesso e em mãos erradas é sempre muito perigoso. Além de gerar impactos negativos na escala social e organizacional…Mudar não é fácil como você disse.
As pessoas preferem, no geral, ficar no status quo. Talvez, uma forma de REESCREVER O PODER dentro das organizações, seja mudar o modelo mental das pessoas (e da organização consequentemente): É preciso internalizar COOPERAÇÃO e COLABORAÇÃO. Isto estimula a CONFIANÇA (quebra os impactos negativos do PODER) e consequentemente gera NOVAS FORMAS DE PODER - estimula naturalmente conflitos de idéias, mudanças, soluções: INOVAÇÃO.
“Um elefante incomoda muita gente, Dois elefantes incomodam, incomodam muito mais…”
October 23rd, 2007 at 9:16 am
A motivação é a chave, mas o apoio da instituição é crucial. A empresa precisa valorizar e saber ouvir as pessoas que fazem ser o que é, pois saberão superar quaisquer obstáculos se necessário.
Querer descobrir constantemente formas de resolver problemas, envolvendo colaboradores para reflexões já é um ponto de partida. Mas será que está sendo eficaz? Acredito que as pessoas se envolvem principalmente quando percebem que tais reflexões lhes trarão algum retorno. Muitos não percebem que se a empresa tiver retorno todos terão. Será que talvez devêssemos ser acionistas ao invés de colaboradores?
October 24th, 2007 at 3:49 pm
[…] [este texto é parte de uma série; para ver o anterior, clique aqui]. […]
October 29th, 2007 at 4:58 pm
Gostei do texto, um defeito muito grande do Brasileiro generalizado e realmente acomodar-se acustumar se com o já funcional e não pensar para frente. Nem com a possibilidades do alem universal que rodeia ele.