os legislativos precisam de controle de versões

um dos problemas mais sérios de desenvolvimento de software é o controle de versões. e só vai ficar mais complexo, à medida em que software vira serviço, é desenvolvido a partir de componentes e serviços passam a ser combinação de outros serviços. na vida real é a mesma coisa: boa parte do que se costuma chamar de inovação é reinterpretação e combinação de coisas que já estavam aí.

o software da vida real é o sistema legal. que de tão complexo, em qualquer nação, está se tornando completamente ininteligível. isso no que tange ao que está escrito e valendo; imagine entender o que mudou entre um estágio e outro de qualquer texto e o que levou às mudanças, tanto localmente quanto no âmbito mais geral. mesmo levando em conta que a maioria da atividade dos representantes do povo [numa cidade grande do brasil, como recife, por exemplo] é muito mais de fiscal de quarteirão do que de pensador, planejador. político ou estrategista, o fato é que a minha cidade promulga DUZENTAS ou mais novas leis por ano [mais de uma por dia de atividade legislativa]  e duvido que alguém saiba exatamente o que está valendo [ou não].

e desenvolvimento de software com isso? tim o’reilly convidou karl fogel, autor de subversion, o mais usado sistema aberto para controle de versões, para um debate e fogel topou, mas estabelecendo que seu ponto de partida seria o controle de versão de coisas mais amplas… tratando de noções como:

  • Why it’s important to be able to search the change history for Wikipedia entries (and why it’s incredibly cumbersome using today’s interface);
  • Why the U.S. Congress needs real version control tools (and why it’s our own fault for not providing them);
  • Why good version tracking is important in a world where more and more creativity consists of mixing existing things together.

o segundo item é algo com que realmente temos que nos preocupar. sem uma visão minimamente coerente do que está substituindo ou reescrevendo os sistemas legais já razoavelmente incoerentes em que vivemos, uma verdadeira infinidade de regras que rege nosso dia-a-dia, os custos de transação continuarão aumentando até o ponto em que tudo será interpretação. ou pior, litígio puro e simples. e sem razão.

vai ver que esta é a "razão" pela qual talvez haja mais faculdades de direito [per capita, ou PIB] no brasil do que em qualquer outra região do planeta. mesmo que tenhamos optado por tal caminho, seria muito importante saber, de verdade, o que está valendo. ou deveria estar. o que deveria, por sua vez,  ser uma boa razão para o congresso -ou algum corpo legislativo inovador- chamar uma galera que entendesse de controle de versões pra ajudar a criar uma infra-estrutura de suporte ao esforço legislativo condizente -de vera- com a complexidade da vida real.

alguém, um dia, fará. tomara que no brasil, pelo menos, sejamos capazes de imitar.

4 Responses to “os legislativos precisam de controle de versões”

  1. Gustavo Says:

    Seria realmente bom. Há tentativas, mas nada ainda que alcance o tempo real das mudanças legais do país.

  2. Silvio Meira Says:

    gustavo,

    achoq ue software -em sua maioria- muda muito mais rapido. ha muito o que aprender, a partir do controle de versoes dos processos de desenvolvimento de software, que poderia ser util no controle de versoes de outros artefatos abstratos de conhecimento… como leis e decretos.

    s

  3. Edu Lima Says:

    Oi Silvio, como vai? Olha só o que você acha? http://www.telesintese.ig.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=7306&Itemid=105

    O Ministro Helio Costa, fala que é bom a banda ir de teoricos 256Kbits para 1 Megabits, pelo fato de assim ser possivel ofertar serviços de teleconferencia, telemedicina TV via Internet.

    Sei não se eu não fosse mais esperto diria que este ministro não entende bolhufas, que até ai é chorar sobre o link inoperavel. O pior é a galera que o acessora não entender nada!

    O que vc acha?

  4. BlogPérolas « Netmind Says:

    […] Sivio Meira mostra o que poderia ser um interessante uso de subversion no seu artigo “os legis… […]

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