Archive for October, 2007

scroogled?…

Wednesday, October 31st, 2007

cory doctorow não é só a pessoa por trás de boingboing, mas um dos mais interessantes escritores [em inglês] da nova geração. no texto que você poderá ler ao clicar na figura, ele considera as múltiplas possibilidades de um mundo onde alguém, ou alguma corporação, saiba mais sobre qualquer um de nós do que é absolutamente necessário saber. e que isso acabe [por exemplo] no seguinte diálogo entre um representante do "sistema" e um "reles mortal":

"Sir, calm down, please. No, I’m not looking at your searches," the man said in a mocking whine. "That would be unconstitutional. We see only the ads that show up when you read your mail and do your searching. I have a brochure explaining it. I’ll give it to you when we’re through here."

"But the ads don’t mean anything," Greg sputtered. "I get ads for Ann Coulter ring tones whenever I get e-mail from my friend in Coulter, Iowa!"

The man nodded. "I understand, sir. And that’s just why I’m here talking to you. Why do you suppose model rocket ads show up so frequently?"

it is the sort of world that might be chasing us quite soon indeed. beware.

essa eu não sabia: tatuagens & copyright

Tuesday, October 30th, 2007

a batalha entre tattoo masters, tatuados, donos de copyright de fotos e arte em geral está começando a pegar onde detentores de propriedade intelectual têm à sua disposição um arsenal de advogados interessados em transformar qualquer coisa em processo legal. num caso recente, um atleta está sendo processado por um tatuador porque a imagem de seu braço está aparecendo em primeiro plano em uma cena de propaganda na TV. coisa de louco.

o próximo passo talvez  envolva os cirurgiões plásticos cobrando royalties por peitos, narizes e outras partes do corpo, no cinema e na televisão… depois, certamente pagaremos por cada aparição pública de cada roupa que compramos, no mais puro roupa-como-serviço non-sense. depois, talvez, nossos nomes serão registrados por algum aproveitador e cada assinatura precisará de sua autorização e um depósito de alguns centavos em suas contas.

em última análise, talvez os professores, ao fazerem a chamada na sala de aula, tenham que pagar pelo "uso", literalmente, da palavra. claro que não chegaremos nem perto disso. SE tomarmos MUITO cuidado. o mundo, lá fora, está ficando ao mesmo tempo estranho, protegido e litigioso. todo cuidado -na presevação de nossas liberdades e sanidades essenciais- é pouco.

time killer: luminara

Saturday, October 27th, 2007

 

menos de 300 mil pontos? comece de novo…

se a coréia for uma bola de cristal…

Friday, October 26th, 2007

se você quiser saber o que vai acontecer no mundo [digital, banda larga, móvel], no futuro próximo, tem que olhar pra uns dois ou quatro lugares. japão e coréia, mais longe, e finlândia [e vizinhos] e inglaterra, mais perto. se a coréia for uma bola de cristal, algumas das coisas que veremos aqui, em breve, são… 90% dos coreanos têm acesso a banda larga [e larga, aqui, -lá- quer dizer entre 50 e 100 megabit/segundo!]; 63% fazem [já] algum tipo de pagamento usando celular; 99% dos celulares têm câmeras e 40% dos estudantes enviam SMS enquanto assistem aula… mais de 30% dos estudantes enviam mais de 100 SMS por dia!

e tem mais: 25% dos cartões VISA do país estão em telefones celulares e [quase como conseqüência desta e de outras coisas] 45% de toda a música vendida na coréia é transacionada com telefones celulares. o mundo é móvel e a coréia já está lá. alguma hora, vai acontecer em todo lugar. você sai de casa sem a carteira, mas leva o celular. o celular chama a carteira, mas não dá pra falar com ninguém "pela" carteira. a não ser que ela tenha se casado com o celular.

você e eu somos nossas redes, e somos móveis. não andamos com nosso guarda-roupas, podemos até andar nus no centro de nova iorque, mas não vamos deixar para trás, de jeito nenhum, o celular. se a coréia for uma bola de cristal…

inovação [3]: mudança

Wednesday, October 24th, 2007

[este texto é parte de uma série; para ver o anterior, clique aqui].

o mundo não muda todo do mesmo jeito, nem sua -ou minha- instituição mudam quando querem e entendem que estão preparadas para tal. nós vivemos em rede e cada instituição tem seu tempo. raramente o tempo de cada um está no tempo do mercado. é às vezes necessário, para inovar, criar seu tempo, seu próprio tempo. o que significa, muitas vezes, convencer o mercado e a empresa de que o tempo é agora. mudar, no tempo do mercado, significa reescrever a rede do seu negócio. em tempo real. enquanto o mundo, lá fora, continua rodando…

a literatura de gestão corporativa está contaminada por uma mania de gestão de mudança, para a qual quase todo teórico de plantão tem sua versão. na prática, pouco do que se lê se aplica, ispsis litteris, a um negócio qualquer. e isto, claro, não é -e não poderia- ser novidade, pois é claramente impossível se ter uma teoria geral da mudança.

mas isso está longe de ser o pior: os manuais de mudança e os discursos de auto-ajuda corporativa e pessoal são a pior faceta das sucessivas ondas de mudança que os gurus -autores por trás das teorias e práticas de gestão- e os evangelistas impingem à sociedade e aos negócios. resultado de uma máquina de publicar e de consultoria que precisa, para sobreviver, de novidades [não necessariamente de inovação], estes discursos, dirigidos via de regra aos fracos de espírito, àqueles para os quais uma frase de efeito no birô dá a impressão de que estão fazendo tudo o que podem para mudar o mundo ao seu redor, não mudam nada e pioram, em muito, o ambiente… pois fazem parecer que tudo já está mudado.

a mudança real é quase suicida. quase sempre, quem realmente está tentando mudar alguma coisa sabe que, de todas as cabeças, a sua está a prêmio em primeiro lugar. por que? simples: se somos parte da estrutura atual e vetores de mudança, e se esta, afinal, pode acabar destruindo a rede de poder [e performance] que está funcionando agora, não há nada que garanta os lugares e poderes de quem, hoje, está liderando a mudança. muito ao contrário. é só olhar as conseqüências pessoais para os líderes da revolução francesa para entender o espectro de efeitos colaterais aos quais cada um -principalmente os líderes- dos envolvidos em processos de inovação está sujeito. por outro lado, se não somos parte do poder corrente, não só podemos ser evaporados pela oposição [que está no poder...] antes de atingirmos qualquer objetivo e, mesmo que consigamos, nada garante que não teremos gasto, para chegar lá, toda a nossa história e futuro na instituição.

muito se pode escrever sobre mudança… mas eu não sou um daqueles gurus de quem falei antes. logo, vou resumir aqui e agora minhas três regras básicas para os agentes de mudança. diga-se de passagem que o elemento essencial de um mudante é a combinação de coragem, desprendimento e energia. coragem para sair do lugar, energia para ir longe, se for preciso, ou perto [se as forças contrárias forem muito fortes] e desprendimento para entender [mesmo!] que o objetivo não é assumir o poder [ou uma coroa de louros] quando a mudança ocorrer. a vitória terá sido a mudança em si e talvez nada mais.

quais são, pois, as diretrizes que eu próprio uso para mudar e induzir mudanças?

  1. faça de conta que você é o líder, mesmo que não seja; se calhar, é você mesmo. se não, você há de saber logo, logo…
  2. não tema as conseqüências; no melhor dos casos, do outro lado da mudança, você será relevante, ainda; no pior, você está fora do jogo; se a instituição mudou e você não cabe mais no figurino, ainda assim sua mudança é um sucesso e as portas do futuro lhe estão abertas, exatamente por causa de sua saída do negócio atual, em muitos outros. se nada mudou, ou até piorou [como reação ao processo que você e outros iniciaram], não era lá mesmo que você iria querer passar muito tempo. seu dna e o dna daquele negócio não combinam mesmo…
  3. não tente mudar, ou continuar mudando, só porque você [e quem está ao seu redor] acha bonito. entenda o negócio, as demandas, o mercado, os porquês… e proponha e lidere as mudanças no que, onde, como e quando precisar ser mudado.pense nos limites naturais do que você está propondo e tenha pelo menos uma idéia dos riscos e recursos necessários. mudar para o caos não é solução para nada [a menos que você conheça a saísda, a priori]. e tem mais:  fora do contexto, ou pior, da necessidade, mudar por mudar pode ser burrice, pura e simples.

além disso, é bom ter sorte, muita sorte. o que não vem por acaso: lembre-se de que só os muito bem preparados têm, sistematicamente, sorte. boa sorte.

ABL APRESENTA: o homem na era das novas mídias

Tuesday, October 23rd, 2007

pra quem estiver no rio, na quinta, às 17:30h, na abl.

inovação [2]: poder

Sunday, October 21st, 2007

[este texto é parte de uma série; para ver o anterior, clique aqui].

inovação é poder. tanto para mandar como para mudar… o próprio poder, inclusive. o poder para mandar não inova em escala social, em escala organizacional. pode até ser que uma -ou muitas- inovações organizacionais derivem do cérebro de algum líder iluminado, que manda seus liderados cumprirem alguma agenda verdadeiramente inovadora. mas teremos, aí, o caso de um líder limitando a instituição, que dele depende e que padecerá seriamente de sua falta, quando ele um dia deixar o lugar.

poder para mudar, para mudar-se, pode muito bem ser usado, também, para não mudar nada. porque mudar é perigoso; sempre -e principalmente no brasil- há uma tendência exarcebada a não se mexer em time que está ganhando. a pátria do futebol, por outro lado, tem sofrido muito nos últimos tempos exatamente por causa disso. como sabemos que é chegada a hora de mexer?

no meu entender, exatamente quando tudo está muito bem e o todo equilibrado, quando as perspectivas são as melhores possíveis, quando os pequenos -e os grandes- nichos de poder estão estabilizados na instituição. aí, por mais incrível que pareça, é chegada a hora. por que? porque os recursos organizacionais que podem e devem ser usados para inovar estarão à sua melhor disposição; as tensões pessoais e institucionais estarão [com maior probabilidade] baixas; porque seu negócio, se está muito bem, terá se tornado alvo de quem quer ser melhor do que você e nada melhor do que, lhe imitando, corrigir suas falhas e aprofundar seus acertos pra ser melhor, maior ou mais eficaz e eficiente do que você.

mas nunca é fácil mudar. como dizer à sua organização ou, mais radical, como mover sua organização para mudar-se, no auge do sucesso? mas isso é tratar de motivação e é outra história. aqui, na conversa sobre poder, o mais interessante talvez seja notar que o momento de ouro para inovar, para reescrever o poder, seja exatamente o o tempo em que sua organização -e dentro dela, as pessoas- tenham mais poder. exatamente por isso é que vai ser muito difícil. sempre.

e é por isso que, do auge, a maioria das organizações, por mais criativas e competentes que tenham sido para chegar lá, só têm um caminho a seguir: o do seu próprio fim. tomara que, no nosso caso, consigamos escapar da armadilha do poder instável e que ele, o poder e sua instabilidade, nos sirvam sempre como ponto de partida, e não de chegada.

informática: falta gente. e vai faltar mais.

Wednesday, October 17th, 2007

o orçamento brasileiro de TI aumenta, este ano, 8.3%, contra 3.1% no resto do planeta, segundo a IDC. olhando só para software e serviços, o mercado brasileiro cresceu 13% em 2006 e vai continuar crescendo, em média, 12% ao ano até 2010. danado vai ser achar gente pra rodar esta máquina toda. não só já falta gente no brasil mas há uma demanda mundial absurda por capital humano especializado em TICs, com a china [por exemplo] fazendo feiras, mundo afora, pra atrair engenheiros de software, analistas, gente de qualidade e arquitetura para lá.

mas a falta de capital humano no setor é uma boa notícia que deve ser espalhada aos quatro ventos. primeiro, porque havendo um mercado contratador de curto, médio e longo prazo, nos interessa, a todos, atrair mais gente para aprender e adquirir competências e certificações [dentro e fora do sistema formal de educação] em informática. se isso acontecer, vai aumentar a presença do país no cenário internacional e aumentar as chances de exportarmos mais serviços e menos gente. segundo, porque havendo mais gente "de" informática na sociedade como um todo, certamente haverá mais gente empreendendo em e com informática. e isso pode ter conseqüências muito interessantes para a economia nacional.

pode até não parecer, mas está começando a sobrar dinheiro para investir em boas propostas de negócios de TICs no brasil. as grandes empresas e investidores estão conversando com praticamente todo mundo pequeno que está precisando de investimento e/ou pode ser ser comprado para fazer parte de uma rede de negócios mais sofisticada. mas o fato é que não há uma densidade de novos empreendimentos de informática, na economia, que permita uma seleção de oportunidades com a qualidade que os investidores acham aceitável.

só que atrair mais gente para informática não vem sendo um problema trivial. em muitos centros, as mulheres estão desaparecendo. há muitos cursos [são mais de 1400, no total, segundo o último censo publicado pelo inep] mas o números de professores com doutoramento é baixo e o número de candidatos por vaga, país afora, é bem abaixo do que deveria ser para -face às deficiências da formação secundária no brasil- fazermos uma seleção de gente que tenha uma base de conhecimento apropriada para uma boa formação em TICs. em ciências da computação, os números de 2005 eram de 149.257 candidatos para 88.846  vagas, mas só 42.653 se matricularam. em processamento de informação, houve 107.472 candidatos para 69.220  vagas, mas só 37.977 novas matrículas no primeiro ano.

em grandes números, 250 mil candidatos, 160 mil vagas, 80 mil matriculados. metade das vagas boiou. precisamos MESMO ter políticas e ações, nas empresas, escolas e instituições de ensino superior, para atrair mais gente para informática. mas o danado mesmo é o que o número de formados, em 2005, foi de 15.604  em ciências da computação e outros 14.050 em processamento de informação. pelo menos nessa conta simples [o cálculo real é um pouco mais complexo, pois estes formados são da entrada de 4-5 anos atrás] 80 mil na entrada viraram 30 mil na saída. é muito, muito pouco.

tudo isso, claro, é uma grande oportunidade. para levar mais e melhor matemática ao secundário. para incluir lógica lá, também. para migrar programação -básica- também para o secundário. para usar jogos no processo de atração da galera pra estudar informática. fazer o mesmo com mídia e graphics. envolver mais a universidade no ensino pré-universitário dos fundamentos da computação [que não são, por sinal, este mistério todo]…

software e serviços podem ser uma gigantesca oportunidade de mercado local e mundial, numa área de negócios que, hoje, cresce como a china e é intensiva em capital humano. precisamos ligar empresas, governo, academia e terceiro setor para criar uma política pública [e não só de governo] para capital humano em TICs no brasil. esta gente, em particular, vira dinheiro, e muito, no mercado mundial. mas precisa existir, na quantidade e qualidade que o mercado necessita. e o melhor é que ainda é tempo de acelerar e aprofundar as ações de formação de capital humano nesta área. senão vai faltar MUITO mais gente, no futuro.

 

duas perguntas sobre a confusão da cisco

Wednesday, October 17th, 2007

depois do rapa da polícia federal na cisco do brasil e em parte de seus parceiros e distribuidores [veja nota e links abaixo e mais aqui e aqui] há duas perguntas no mercado [detectadas nos aeroportos de são paulo e brasília, hoje pela manhã. a primeira: que outras empresas estão fazendo a mesma coisa? pois se diz no mercado que a cisco ïmportava seus equipamentos para o brasil através de um laranjal há uma década... e observadores do setor de informática duvidam que a cisco tenha o monopólio de tal tipo de operação.

a segunda pergunta é: como a cisco [pelo que se diz] tem 80% do mercado nacional de infra-estrutura de rede, qual será o impacto de, na prática, a empresa ficar fora do mercado, pelo menos por um tempo? por alguns meses, pelo menos, não vai haver roteadores da companhia no mercado nacional e os projetos que dependiam deles para reposição ou expansão em plantas de rede vão sofrer -potencialmente- um sério impacto.

rapa pega rede da cisco

Tuesday, October 16th, 2007

a PF prendeu mais de 40 pessoas envolvidas com uma mega-operação de sonegação de impostos [segundo os investigadores responsáveis pelo caso] envolvendo a cisco systems [que, segundo declarações da própria companhia, está cooperando com as investigações]. a fraude pode enrolar dezenas de empresas e representa um grande baque para a credibilidade dos negócios da companhia americana no brasil, caso se comprove o crime fiscal. vale a pena lembrar que ações pirotécnicas deste tipo, envolvendo políticos e empresários, têm acabado quase sempre com todo mundo solto por falta de provas ou coisa parecida. é esperar pra ver.

in rainbows: radiohead pelo *seu* preço

Monday, October 15th, 2007

a indústria de música está por aí, viva e muito bem… sem os antigos industriais da música. veja neste artigo aqui como radiohead resolveu o problema. no primeiro milhão de downloads de um novo álbum que está na web para você copiar e pagar o preço que quiser, alguma coisa entre US$5 e US$10 foi arrecadado [mesmo?], por pessoa que pegou in rainbows no site do mesmo nome. você pode pegar o disco grátis. e pagar depois, se gostar [isto é, trate como uma demo e, se gostar, pague quanto quiser].

se a moda pega, e pra pegar de vez talvez gigantes como radiohead tenham mesmo que fazer o que estão fazendo, sua banda é um portal, cada "disco" é um site, cada visitante um consumidor ou, se não pagar, um copiador. pirataria deixa de existir e, se ninguém que gostar da música pagar, talvez a banda se acabe também. a combinação de "preço opcional" [depois a gente volta ao assunto] com a remuneração por performance [sim, porque pode ser que uma parte do "público" seja remota e jamais tenha a oportunidade de pagar por um show] pode ser o caminho para as carreiras musicais de futuro. sem as gravadoras. ainda bem.

inovação [1]: ideal inconsistente

Monday, October 15th, 2007

[nota do autor: já faz um tempo que estou tentando escrever um pequeno manual de idéias, propostas e ações de/para/sobre inovação em ambientes corporativos, e o danado é que minhas mútliplas ocupações não estão deixando o livro progredir. resolvi, então, blogar partes do texto, até pra testar se fazem sentido ou não.

o texto é de jeans, camiseta e havaianas, em oposição aos documentos sérios e acadêmicos, de paletó e gravata já no mercado. e não é de auto ajuda ou prescrições, mas de dúvidas e suposições, quase o tempo inteiro. boa parte do que vai aparecer aqui é o que vem sendo discutido no c.e.s.a.r e em outros ambientes onde o c.e.s.a.r e parceiros estão tratando de inovação e articulando ambientes para o desenvolvimento de trabalho inovador. vamos ver se faz sentido... boa leitura...]

inovação é um ideal inconsistente: os discursos que servem de suporte a processos de inovação, na maior parte das instituições -e feitos por boa parte dos autores- são descrições articuladas de casos de sucesso e suas análises. também se usa muito, para exemplificar, os cases de instituições inteiras como modelos de estratégias e processos de inovação a serem seguidos.

olhados mais de perto, nem os casos individuais nem os cases institucionais nos dão, na quase totalidade das vezes, uma direção segura a seguir. por quê? porque cada instituição é diferente, é um caso à parte; mesmo dentro de uma mesma organização mundial, uma inovação que tenha dado certo no japão não dará necessariamente certo no brasil.

apesar disso, livros e mais livros de [quase] auto ajuda, descrevendo as melhores práticas, são consumidos avidamente por quem tenta construir, instalar e manter processos inovadores nas empresas, com resultados vários e, dificilmente, replicados a partir de grandes sucessos descritos na literatura. pois uma coisa é olhar para a inovação na microsoft ou google, companhias que dispendem vários bilhões de dólares por ano em inovação, e outra é pensar numa pequena companhia de software de 50 pessoas e ver, aqui, como inovar nos processos produtivos e nos produtos que o negócio desenvolve. ainda por cima, dentro dos limites próprios do negócio.

o ideal inconsistente da inovação é a criação e manutenção de um ambiente de insatisfação institucionalizada com o status quo de um negócio qualquer. não se quer dizer com isso que inovar é criar insatisfeitos, gente que estará de mau humor com o trabalho sendo realizado no lugar, por conseguinte disposta a abandoná-lo na primeira oportunidade. muito pelo contrário. a insatisfação pode -e deve- ser uma busca alegre de oportunidades de mudança, promovida e recompensada pela organização, que estará sempre refletindo, em termos pessoais e estratégicos, que há mudanças que podem ser realizadas, o tempo todo, no atual estado de coisas.

inovação é sempre impermanente, imperfeita, incompleta. e aqui é onde as pessoas e sua tendência a querer estabiliade, no médio e longo prazo, mais sofrem em instituições inovadoras ou em instituições que estão começando a levar inovação a sério. pois normalmente se pensa, quando se sai de um ponto de partida p, em um processo de inovação qualquer, que haverá um destino final f que, quando atingido, dar-se-á a mudança por completa. mas não.

inovação é impermanente. seu resultado é temporal e não leva muito tempo até que o resultado de um processo se desvaneça, deixando uma tênue lembrança dos resultados alcançados a tanto custo. inovação ocorre em ciclos. ao se caminhar de p até f, normalmente à custa de sacrifícios institucionais e individuais dos quais nos lembraremos por algum tempo, ao invés de se chegar num ponto final, f, chega-se num novo ponto de partida, o mesmo f. pois, à medida que estamos mudando, o mundo está mudando ao nosso redor e pode muito bem ser que, mesmo que nós tenhamos feito revoluções na nossa mudança, o novo estado institucional para onde estávamos indo já seja obsoleto na metade do nosso processo, em função da entrada de novos -e muito mais eficientes ou eficazes, ou os dois- concorrentes no nosso mercado. ou porque o nosso mercado foi redefinido. ou porque a redefinição foi tamanha que ele -o tal nosso mercado- desapareceu.

inovação é imperfeita. toda inovação é parte de um processo de insatisfação que guarda as sementes de sua própria renovação. quando tratamos de processos institucionais, isso é ainda mais verdade: mudar, em uma organização, não é apenas o processo de transitar entre uma estrutura, velha, e outra, nova. é criar as bases para que a mudança seja permanente, entre formas de ação e organização [que já foram muito] boas e outras [que pretendem ser ainda] melhores. daí porque, ao invés de tantarmos alcançar a execução perfeita do conhecido, estamos à busca -em processos inovadores- da execução imperfeita do desconhecido. a interlocução entre os estados institucionais de saber-se imperfeito e entender-se temporal é uma das conjuções motrizes dos processo inovadores. mas não é só.

inovação é incompleta. não estamos atrás de mudar tudo e todos ao mesmo tempo. partindo do princípio dual de que a perfeição, no nosso caso, é inatingível e que tudo se desvanece sob o impacto das mudanças efetuadas aqui e algures, adicionamos à equação a iimcompletude dos processos de inovação. vai estar sempre faltando considerar alguma faceta, algum aspecto externo, algum modelo de mudança nos cenários de nosso interesse.

impermanência, imperfeição e incompletude são características básicas, pensando bem, de todas as coisas. vivas ou não. principalmente das vivas. uma organização qualquer é uma estrutura viva, criada e “habitada” por pessoas, que sofrem, pela sua própria natureza, destas três limitações. quanto à consistência… melhor deixar prá lá. afinal de contas, uma das belezas do mundo real é que sua consistência, no máximo, é só aqui e ali. e vez por outra.