Archive for September, 2007

senado comete harakiri e absolve renan

Wednesday, September 12th, 2007

este blog não é sobre política MAS a vida é política. tempos atrás, me alinhei com o movimento pela decência na política nacional e em prol de alguma [que seja] limpeza no senado, e que deveria levar à cassação de seu mais indiciado representante, renan calheiros. o escândalo de absolver renan é muito maior do que o próprio renan e pinta, de lama muito suja, as paredes da casa.

o senado -aliás, 40 de seus senadores que votaram contra a cassação e mais 5 que se abstiveram- jogou hoje uma carta muito perigosa. como se não bastasse, e como renan continuará sendo alvo fácil, o congresso ficará paralisado por muito mais tempo… deixando projetos importantes para a nação, inclusive os de inclusão digital, a ver a lama passar.

o renanGate entrará para as páginas da história do brasil, menos pelas falcatruas cometidas pelo senador do que pelo acinte à nação perpetrado por quem o absolveu, aí incluidos "grandes nomes" da política nacional, como o senador mercadante, agindo em nome do pt e quase que certamente do governo federal. curiosamente, é de mercadante a proposta de lei para liberar os recursos do fust para inclusão digital… que está parada por causa do escândalo.

e agora?… o que esta história vai ensinar pros nossos filhos e netos?… que padrões de comportamento ela indica?… para onde nos leva [mais uma vez]? o brasil é o país dos quarenta; são quarenta no mensalão, quarenta pela absolvição…são quarenta por cento do pib capturados como imposto, que desaparecem sabe-se lá como… [ou se sabe?]…

cruise, the [open] reuse book: 1500 downloads…

Wednesday, September 12th, 2007

CRUISE [component reuse in software engineering], the open reuse book written collaboratively by the RiSE [Reuse in Software Engineering] Group at c.e.s.a.r, has clocked 1.500 downloads from all over the world [and a few other places as well]. from the book’s homepage, CRUISE is… an extremely through review and analysis of the software reuse field, by collecting and organizing the major research works into a picture of the state-of-the-art. However, this book is much more than just a very thorough compendium of reuse research: this book focuses on issues ranging from technology to management and even human behavior. Each issue was reviewed by many experts, and with the benefit of the lessons and detailed information contained in the book, readers will step to a new level of understanding of the systematic processes and tools that are needed in order to successfully promote reuse in their organization.

rede da pesada: de esgoto [e inclusão digital?]

Tuesday, September 11th, 2007

o british medical journal começou a ser publicado em 1840. é o que poderia se chamar um venerando jornal científico. coincidentemente, foi nos anos 1840 que edwin chadwick [e outros] começou a propagar, na inglaterra, a noção de usar canos para trazer água para as casas, e em outros [espera-se, sem vazamentos para os primeiros] levar dali seu esgoto. pois bem: o jornal perguntou a seus leitores, comunidade majoritariamente de médicos, qual foi o maior marco da história da medicina nos 167 anos de sua publicação. não deu outra: esgoto, com antibióticos em segundo lugar.

no brasil, apenas a metade dos municípios tem "algum tipo" de tratamento sanitário; no nordeste, 30% coletam o esgoto  e uns 13% coletam e tratam. esta é uma das razões pelas quais temos que gastar verdadeiras fortunas em "saúde", sem os resultados esperados, porque a maioria das doenças continua aí. imagine na amazônia, onde menos de 7% dos municípios tem algum tipo de coleta e/ou tratamento. se a população aumentar, você já sabe o que vai [o]correr no rio amazonas…

e o que esta história está fazendo aqui? saneamento é uma rede de infra-estrutura básica da sociedade, como água, eletricidade, telefone. esgoto é assunto de interesse social há milhares de anos. os primeiros têm mais de 5.000 anos. vez por outra este blog dá uma dura na falta de políticas públicas reais, do tamanho do brasil, para incluir o povo inteiro na internet, que representa numa só infra as bibliotecas, enciclopédias, os jornais, diários, arquivos, TVs… do presente e do futuro, muitos deles escritos por nós mesmos. mas internet é, no máximo, tão importante como… saneamento. se não conseguimos controlar o fluxo de efluentes danosos à saude e ao ambiente em terrenos, lagos, rios e mares, de pouco adiantará termos internet. pois o mundo não vai estar aí mesmo pra gente -e, principalmente, as gerações depois da  nossa- viver nele.

a mega-crise de água que o planeta vai atravessar por causa do aquecimento global certamente aumentará a pressão, em países como o brasil, para o aumento da penetração da rede de saneamento, principalmente de esgoto tratado. não seria demais pensar que qualquer governo minimamente interessado no real futuro [e não em votos] estaria, nos estados e municípios, instalando esgotos a mil por hora. questão de saúde, de segurança pública, pois de sobrevivência.

que tal, pra aumentar nossas chances de futuro, universalizar o esgoto em todos os domicílios em 10 anos? considerando que eletricidade já chegou em quase todos os domicílios, assim como água, e isso aconteceu antes da possibilidade [e baixo custo] de levarmos, juntamente com alguma outra infra, a internet [e de fibra ótica?], a hora de universalizar a internet nas casas brasileiras [ou a possibilidade dela] é quando tomarmos a decisão de universalizar o esgoto…

o custo de instalação cairia pra perto de zero, pois já temos que levar o esgotamento sanitário para o país inteiro mesmo. e o problema seria localizado, cidade a cidade, cada uma decidindo o que fazer no seu espaço e com seu dinheiro. claro que muitos vão optar por redes aéreas como wi-max. mas isso não é banda larga de verdade… banda larga mesmo, por casa, no futuro, é algo na região de 100 megabit por segundo. instalando a fibra certa, agora, é só trocar as pontas, depois.

sonho? pode ser. mas que parece razoável, aqui no blog, como idéia, parece. só falta os prefeitos entenderem que banda larga é tão necessária como esgoto e um insumo fundamental para o desenvolvimento econômico. pensando bem, ainda falta mesmo é os prefeitos chegarem em 1840 e entenderem que esgoto universal é um item essencial da cidadania e até da humaninade como a entendemos hoje.

enquanto tal racionalidade e planejamento não chegam, pelo menos podemos contemplar as fotos da mega rede de esgotos de águas pluviais de tokyo [rios naka, ayase, edogawa], onde enchentes, tufões, furacões, maremotos e banda larga são levados muito a sério. clique na foto; há um monte na seqüência. sim, elas parecem tiradas de um vídeo game. mas são absolutamente reais…

ridley scott: “gadgets” arruinam o cinema

Monday, September 10th, 2007

sir ridley scott, responsável por alien e blade runner, filmes onde gadgets de todos os tipos, inclusive humanos, foram introduzidos [um camelô vende olhos em blade runner, por exemplo], disse no festival de veneza [onde apresenta uma versão digital {ou "gadget"?} de blade runner] que… "We try to do films which are in support of cinema, in a large room with good sound and a big picture. But we’re fighting technology." tecnologia como celulares, ipods, computadores… bem, ninguém é perfeito.

lutando contra tecnologia? cinema é tecnologia. as outras "coisas" [gadgets] também são. e nós, a humanidade, não lutamos contra a tecnologia hora nenhuma. nós somos mediados por ela. o tempo todo. desde que começamos a caçar, falar… desde o começo dos tempos. melhor esquecer a declaração; afinal, blade runner fica muito acima de tudo isso…

vida real se complica no mundo virtual

Sunday, September 9th, 2007

um monte de gente está na rede. bem mais gente, pelo que sempre pareceu, do que o povo real que está usando a rede. uma parte da galera concreta, de carne e osso, que mora aqui no planeta terra, tem mais de uma vida virtual e pode, nela, dar vazão a sonhos, instintos e aspirações irrealizáveis no velho e bom dia-a-dia.

pense na confusão em que thomas montgomery se meteu. ex-fuzileiro naval americano de 45 anos, casado, pai, montou um avatar de 18 anos, também fuzileiro, um deus grego. filho de alguém que parecia, sim, o próprio thomas. isso começou em pogo.com, um site de jogos muito usado nos eua. foi por lá que o "jovem" marine conheceu jessi, 17 anos, uma deusa [também]. que era na verdade a mãe da verdadeira jessica, uma "bem-casada" e quarentona dona de casa. montgomery -o piloto do avatar do jovem fuzileiro- se apaixonou -por jessi, na verdade, a dona de casa- e pôs tudo a perder.

rolo após rolo, um colega de trabalho bem mais novo [brian barrett] descobriu jessi on-line [e armou um rolo virtual com ela…], a mulher de montgomery descobriu [inclusive peças íntimas juvenis enviadas por emeio, por "jessi" a montgomery…], barrett espalhou pela fábrica onde os dois trabalhavam que estava "com" jessi e montgomery [?] andava com um par de chifres [virtuais?…] e, por fim, montgomery, o próprio, esmagado pela descoberta da mulher e pela humilhação que achava estar sofrendo do colega, matou barrett com três tiros. na vida real. está preso, esperando julgamento. bizarro.

pense numa confusão. pense quanta gente está metida em coisas parecidas, nem tão graves quanto [espero], mas potencialmente tão ou mais alopradas do que a quase ficção aí acima. as personas virtuais provavelmente serão, para sempre, válvulas de escape para uma legião de oprimidos que quer mudar de vida, aqui fora, mas não consegue. sem falar nos que querem voltar ao passado e enfrentam a impossibilidade nua e crua da realidade. montgomery talvez seja um destes casos. que deu completamente errado. deve haver muitos, bem mais do que talvez se imagine, que estão dando mais ou menos certo. capaz de você e eu conhecermos um monte, na vida real, sem nem imaginar o que eles estão fazendo enquanto dormimos…

feriando na web: william gibson no washington post

Friday, September 7th, 2007

"When I wrote ‘Neuromancer’ " almost 25 years ago, he [W. Gibson] says, "cyberspace was there, and we were here. In 2007, what we no longer bother to call cyberspace is here, and those increasingly rare moments of nonconnectivity are there. And that’s the difference. There’s no scarlet-tinged dawn on which we rise and look out the window and go, ‘Oh my God, it’s all cyberspace now.’ "

este é um dos parágrafos da entrevista [de 6/set] de william gibson ao washington post. segundo bruce sterling, é uma das melhores entrevistas de gibson em todos os tempos. cory doctorow concorda. humildemente, assino embaixo. vá ler. pode ser que tenha que assinar o WP, mas é grátis. e se você não sabe quem é gibson e porque ele é muito importante para a literatura mundial [moderna, de e sobre o mundo virtual], tá na hora de ler neuromancer, o livro que ajudou a criar um gênero e  influenciou toda uma geração de leitores e autores. ou idoru, que é uma viagem que pode acontecer a qualquer hora. ou já está acontecendo agora, aqui, com nossos "ídolos", fabricados, da e na tv. ou na rede.

gibson tem uma bola de cristal de verdade. duvido que alguém ainda chame, a sério, o espaço de ciber-espaço. é simplesmente o espaço, plano, interligado, com pedaços do mundo de cada um em todo lugar.  hoje, muita gente poderia escrever neuromancer. um quarto de século atrás, uns poucos. e ele era um dos melhores, entre estes.

se você não quiser ler, pode ouvir. há uma coleção de coisas cyberpunk por aí. vale a pena. bom feriado a todos. volto segunda, ou a qualquer momento, em edição extraordinária.

banda larga no brasil: lição de astronomia

Monday, September 3rd, 2007

estudo da telcomp, recém-publicado, mostra que os preços de banda larga, por aqui, podem ser quase 400 vezes mais caros em relação a lugares mais aquinhoados do planeta. a diferença entre o megabit por segundo em manaus e tokyo, segundo o estudo, é 395 vezes. isso se a gente tivesse renda japonesa. esqueceram de fazer as contas usando "ppp" [purchasing parity power, poder de compra paritário: veja neste link, página 23]; neste caso, como a hora trabalhada [básica] no japão vale quatro vezes mais que no brasil, ainda há de se multiplicar por 4 os 395 da razão anterior, o que nos leva a irracionais 1580 vezes mais moedinhas pela banda em manaus… isso é astrononomia digital…

o pior não é só que é mais caro, é também muito pior. um amigo que reclamou -recentemente- de seu provedor sobre a diferença entre o megabit que comprava e as poucas centenas de kilobit [ambos por segundo] que o provedor entregava, e usando como exemplo a velocidade real que tinha na frança, ouviu do atendente a cândida explicação de que… "o megabit de lá é mais rápido que o daqui". falta de competição dá exatamente nisso. aliás, a definição de banda larga que o estudo usa é a da união internacional de telecomunicações, que define uma velocidade mínima de 2 megabit por segundo para banda [verdadeiramente] larga. eu acho que isso é muito pouco: pelos tipos e usos de mídia que temos na rede, banda larga mesmo é acima de 10 mbps. o resto é conversa fiada.

enquanto isso, ficamos nos enganando e dizendo que o brasileiro passa MUITO tempo na rede… que estamos entre os primeiros do mundo no tempo de uso da internet segundo todas as medidas. uma razão primordial deve ser que levamos MUITO mais tempo pra fazer qualquer coisa do que a maioria das pessoas dos outros países. a poucas centenas de kbps [ou linha discada…], levamos horas pra pegar e instalar as últimas versões de software que têm quase 100MB [800 megabit, que podem levar de meia hora a duas, três horas na banda larga "nacional"]… sem falar nos vídeos, que não conseguimos ver, na maior parte dos casos, em tempo real. o que estamos, mesmo, é perdendo MUITO tempo, improdutivos, na rede… coisas do brasil.

educação superior: centralizada demais

Sunday, September 2nd, 2007

o título deste texto é o tema de um bom artigo do professor daltro nunes, da ufrgs, porto alegre, sobre o excesso de controle exercido pelo poder público federal sobre a educação superior no brasil. o texto de daltro começa assim: Nos países mais desenvolvidos como, por exemplo, os Estados Unidos, o Estado não se envolve diretamente com políticas de educação superior. Há uma regulamentação mínima nos estados da federação que difere de estado para estado. Igual constatação observa-se nos paises mais desenvolvidos da Europa. Em alguns paises da América Latina, no Peru por exemplo, o Estado já deixou de regular a educação superior.

dito por daltro, que está na estrada, há 30 anos, batalhando por qualidade na educação superior em informática, no país, o texto merece séria reflexão. a sociedade brasileira de computação, graças aos esforços continuados de daltro, roberto bigonha [ufmg] e muitos outros, tem sustentado, também por décadas, uma relativa independência do processo educacional superior em informática, sempre ameaçado por tentativas intervenção da burocracia federal, de regulamentação da profissão e criação de fábricas de diplomas e conselhos federais e regionais que assolam, atravancam e atrapalham o verdadeiro avanço do aprendizado de mais alto nível em pindorama.

citando timothy mulholland, reitor da unb, daltro diz que o brasil ainda é napoleônico pois, como na frança de 1800, todas as decisões vêm desta paris dos trópicos chamada brasília. ora paris… seria o caso se a política daqui fosse tão suja como a francesa. nas condições atuais, brasília é para ser comparada a harare ou caracas. mas isso é outra história.

em educação superior e muitas outras áreas, o brasil precisa sair de sua era napoleônica, ou pré-histórica, para o século 21, para aumentarmos as chances de nossa juventude competir globalmente na economia do conhecimento, que é o nome do jogo que está sendo jogado agora [e por muito tempo no futuro]. enquanto forças muitas do obscurantismo cartorial brasileiro tentam empurrar o país, o povo e sua economia ainda mais para o passado, é de se louvar o trabalho de gente como daltro e de instituições como a sbc, que tentam arduamente -e o tempo todo- empinar o papagaio do futuro por aqui. alvíssaras, daltro. tomara que muito mais gente como você ajude a encontrar um waterloo pra brasília. enquanto ainda houver brasil aqui fora.

brasil: pirataria de software diminui

Saturday, September 1st, 2007

segundo dados da idc global, a pirataria de software [no brasil] caiu de 64% [em 2005] para 60% [em 2006]. este é o tema de meu artigo no g1 hoje. o brasil anda um pouco melhor do que a américa latina e bem pior do que a alemanha, suiça e EUA, como era de se esperar. o difícil é explicar as causas da menor pirataria. aumento do uso de software livre explicaria os 4% de queda de uso de programas sem licença em apenas um ano?

ou isso é um erro estatístico? ou foi conseguido pela conjugação do governo legalizando parte de seu software pirata, através da compra de licenças e maior uso de software livre nos órgãos públicos?

ou será que já se começa a sentir o efeito [pelo menos por aqui, pois no mundo como um todo a pirataria não diminuiu] do uso de software como serviço?… mas parece ser muito cedo para isso dar um impacto tão grande nos dados anunciados pela business software alliance. talvez precisemos esperar a próxima ediçao da pesquisa, que sai ano que vem. pois o dado brasileiro para 2006 é o mesmo, basicamente, de 2003.