vírus computacionais: 25 anos depois, para sempre

há um quarto de século, um aluno do segundo grau chamado richard skrenta escreveu e começou a disseminar o primeiro vírus de computador, para o apple ][. "elk cloner" era benigno, do tipo "boot sector". e foi o primeiro de uma longa, infinita série. em todos os tipos de dispositivos computacionais: PCs, celulares, TVs digitais e, se tudo correr mal, painéis de automóveis, robôs, casas… qualquer coisa programável. até você, um dia. pra saber um pouco do que está acontecendo, veja a dissertação de mestrado de xin li. li trabalhou na suécia, em linköping, de onde vem o trabalho de martin karresand, que tenta uma ontologia [uma "classificação"] para software weapons, ou malware. leitura interessante para os mais inclinados ao estudo dos vírus computacionais.

pra gente não gastar muito tempo com teoria, história e futuro, há duas coisas que precisamos saber, na prática: em 1987, fred cohen demonstrou que é impossível construir um detector [um algoritmo] que encontre, de forma perfeita, todos os vírus possíveis. em 2000, pra fechar o milênio velho e abrir o novo, david chess e steve white, do ibm t j watson research center, escreveram um pequeno paper [oito páginas] que piora em muito, e definitivamente, o cenário: segundo eles… This brief paper adds to the bad news [Cohen’s], by pointing out that there are computer viruses which no algorithm can detect, even under a somewhat more liberal definition of detection.

o resultado, em bom português, é que na vida virtual, como na real, viveremos com vírus; eles em nós e nossas máquinas, para sempre. somos hospedeiros. talvez seja da nossa natureza, humana e virtual. no lado das máquinas, nós mesmos fabricamos as coisas. no mundo real. ainda não. pelo menos não em escala industrial. resta saber por quanto tempo.

pensando bem, não é preciso fabricar nenhuma coisa nova: procurando, você encontra, na rede, o genoma do vírus da gripe espanhola de 1918, aquela que matou mais de 20 milhões de pessoas [há quem ponha a conta em 50 milhões, por causa dos efeitos colaterais, na economia, da pandemia]. bill joy e ray kurzweil escreveram um editorial do ny times, em 2005, dizendo que publicar o genoma do vírus tinha sido uma grande besteira e que "despublicá-lo" era mais ou menos como tentar reconduzir as abelhas à colméia, depois de deitar fogo pra assanhá-las. isso porque um porta voz da revista science, onde o genoma foi publicado, disse que "Both the authors and Science’s editors acknowledge concerns that terrorists could, in theory, use the information to reconstruct the 1918 flu virus" . notícia bem pior, por sinal, do que a de chess & white aprofundando o resultado de cohen. estima-se que, só nos eua, uma epidemia do tipo da gripe de 1918 mataria dois milhões de pessoas.

resta trabalharmos todos para estabelecer padrões de comportamento, GLOBAIS, que não levem o conhecimento cada vez maior sobre vírus -reais e virtuais- a causar impactos destrutivos e de muito grande porte no ambiente. terminais, talvez. o que exige reflexão e pensamento mundiais sobre o assunto e não controles dispersos, aqui e ali, enquanto acolá uns malucos possam estar achando que podem salvar o mundo pela via da destruição. para os computadores e redes, há backups e podemos dar um reboot. já o planeta…

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