banda larga no brasil: lição de astronomia
estudo da telcomp, recém-publicado, mostra que os preços de banda larga, por aqui, podem ser quase 400 vezes mais caros em relação a lugares mais aquinhoados do planeta. a diferença entre o megabit por segundo em manaus e tokyo, segundo o estudo, é 395 vezes. isso se a gente tivesse renda japonesa. esqueceram de fazer as contas usando "ppp" [purchasing parity power, poder de compra paritário: veja neste link, página 23]; neste caso, como a hora trabalhada [básica] no japão vale quatro vezes mais que no brasil, ainda há de se multiplicar por 4 os 395 da razão anterior, o que nos leva a irracionais 1580 vezes mais moedinhas pela banda em manaus… isso é astrononomia digital…
o pior não é só que é mais caro, é também muito pior. um amigo que reclamou -recentemente- de seu provedor sobre a diferença entre o megabit que comprava e as poucas centenas de kilobit [ambos por segundo] que o provedor entregava, e usando como exemplo a velocidade real que tinha na frança, ouviu do atendente a cândida explicação de que… "o megabit de lá é mais rápido que o daqui". falta de competição dá exatamente nisso. aliás, a definição de banda larga que o estudo usa é a da união internacional de telecomunicações, que define uma velocidade mínima de 2 megabit por segundo para banda [verdadeiramente] larga. eu acho que isso é muito pouco: pelos tipos e usos de mídia que temos na rede, banda larga mesmo é acima de 10 mbps. o resto é conversa fiada.
enquanto isso, ficamos nos enganando e dizendo que o brasileiro passa MUITO tempo na rede… que estamos entre os primeiros do mundo no tempo de uso da internet segundo todas as medidas. uma razão primordial deve ser que levamos MUITO mais tempo pra fazer qualquer coisa do que a maioria das pessoas dos outros países. a poucas centenas de kbps [ou linha discada…], levamos horas pra pegar e instalar as últimas versões de software que têm quase 100MB [800 megabit, que podem levar de meia hora a duas, três horas na banda larga "nacional"]… sem falar nos vídeos, que não conseguimos ver, na maior parte dos casos, em tempo real. o que estamos, mesmo, é perdendo MUITO tempo, improdutivos, na rede… coisas do brasil.
September 4th, 2007 at 11:38 am
Fiz uma conexão em Tókio recentemente e a banda da rede sem fio *gratuita* no aeroporto era algo em torno de 2Mbps. Já ouvi de pessoas que moram lá que é muito comum ter um link de 10-20 Mbps em casa.
Mas se problema aqui é gravíssimo, não seria sua solução excelente oportunidade de negócio? É possível que esta situação seja resolvida pelo empreendedorismo de pequenos (financeiramente) como nós?
Grande abraço.
September 5th, 2007 at 10:43 am
a verdade é que nós enquanto consumidores e eles enquanto provedores demoramos *muito* a perceber as mudanças constantes na rede. estamos quase sempre apegados a modelos periféricos e antiquados. até pouco tempo meu provedor de acesso tinha planos “especiais” para internet discada. achamos o máximo sermos maioria no orkut, apesar de não protagonizarmos nenhuma inovação na área. moro no nordeste e não posso ter acesso a banda tão larga quanto no sudeste (e nem tenho contato de nenhum cara que faça um “workaround”). mesmo se o tivesse, custaria o preço de um rim no mercado negro. é, talvez devêssemos mesmo checar nossos “orkuts” e nada mais…
September 10th, 2007 at 12:02 pm
Internet no Brasil, a super exclusão digital
“…”
September 10th, 2007 at 12:17 pm
[..] Dei de cara com o Blog do Meira, no post banda larga no brasil: lição de astronomia. Vamos aos fatos, a internet no Brasil é uma merda. Pelo menos aqui onde eu moro, servido apenas pela Brasil Telecom empresa que eu tenho pavor, pelo péssimo […]
September 10th, 2007 at 5:01 pm
Silvio,
Muito obrigado pelo post, não podia ser melhor.
Gostaria somente complementar uma coisa: o custo elevadíssimo da banda larga no Brasil está acontecendo numa fase politica supostamente de social-democracia. O PT e os outros partidos aliados de esquerda deveriam se preocupar, sempre supostamente, de popularizar serviços básicos e de oferecer às classes mais pobres oportunidades sustentaveis (não subsidios) para melhorar a própria condição social.
Nesse sentido a comparação com a China seria ainda mais depressiva para o Brasil. Na China um mbps custa pouco mais que no Japão, provavelmente um 100 vezes menos que aqui no Brasil.
Uma, se não a maior razão, dessa situação desastrosa é a falta de ação da Anatel, que deveria abrir o jogo à competição na oferta de banda larga e assim gerar uma continua erosão nos preços oferecidos (o que está acontencendo na Europa, no Japão e em menor grau nos EUA), ou pelo menos impor a Telefonica e outros provedores de telefonia fixas standards elevados. Obviamente, isto não está acontecendo.
Eu fico com muita raiva destes políticos que se aproveitam e não se preocupem das classes medias e pobres do Brasil, e ficou muito muito tristes para estas classes inconscientes e exploradas.
Se alguem conseguir explicar isso para os milhões de brasileiros que votam estes políticos, por favor o faça.
Francesco
September 10th, 2007 at 7:16 pm
É, a coisa tá preta e não há um fóton sequer no fim do túnel.
Muito bom post.
Só uma dúvida. Porquê você não começa frases com letra maiúscula?
September 10th, 2007 at 10:22 pm
Esta é exatamente a questão. Infelizmente a falta de concorrência e a falta de visão por parte do ministério das telecomunicações fazem com que o processo de evolução ande a passos de tartarugas albinas (muito raras inclusive)…
Fora que todo o lixo tecnologico do primeiro mundo vem todo para o Brasil. As telecoms compram os equipamentos já ultrapassandos das telecoms do primeiro mundo e usam aqui.
E depois ainda dizem que o wimax no brasil vai pegar rapidinho.. heeheheh.
Um Abraçoooo.
Daibert.