educação superior: centralizada demais

o título deste texto é o tema de um bom artigo do professor daltro nunes, da ufrgs, porto alegre, sobre o excesso de controle exercido pelo poder público federal sobre a educação superior no brasil. o texto de daltro começa assim: Nos países mais desenvolvidos como, por exemplo, os Estados Unidos, o Estado não se envolve diretamente com políticas de educação superior. Há uma regulamentação mínima nos estados da federação que difere de estado para estado. Igual constatação observa-se nos paises mais desenvolvidos da Europa. Em alguns paises da América Latina, no Peru por exemplo, o Estado já deixou de regular a educação superior.

dito por daltro, que está na estrada, há 30 anos, batalhando por qualidade na educação superior em informática, no país, o texto merece séria reflexão. a sociedade brasileira de computação, graças aos esforços continuados de daltro, roberto bigonha [ufmg] e muitos outros, tem sustentado, também por décadas, uma relativa independência do processo educacional superior em informática, sempre ameaçado por tentativas intervenção da burocracia federal, de regulamentação da profissão e criação de fábricas de diplomas e conselhos federais e regionais que assolam, atravancam e atrapalham o verdadeiro avanço do aprendizado de mais alto nível em pindorama.

citando timothy mulholland, reitor da unb, daltro diz que o brasil ainda é napoleônico pois, como na frança de 1800, todas as decisões vêm desta paris dos trópicos chamada brasília. ora paris… seria o caso se a política daqui fosse tão suja como a francesa. nas condições atuais, brasília é para ser comparada a harare ou caracas. mas isso é outra história.

em educação superior e muitas outras áreas, o brasil precisa sair de sua era napoleônica, ou pré-histórica, para o século 21, para aumentarmos as chances de nossa juventude competir globalmente na economia do conhecimento, que é o nome do jogo que está sendo jogado agora [e por muito tempo no futuro]. enquanto forças muitas do obscurantismo cartorial brasileiro tentam empurrar o país, o povo e sua economia ainda mais para o passado, é de se louvar o trabalho de gente como daltro e de instituições como a sbc, que tentam arduamente -e o tempo todo- empinar o papagaio do futuro por aqui. alvíssaras, daltro. tomara que muito mais gente como você ajude a encontrar um waterloo pra brasília. enquanto ainda houver brasil aqui fora.

3 Responses to “educação superior: centralizada demais”

  1. Engenharia da Computação Says:

    Frase do dia #23

    em educação superior e muitas outras áreas, o brasil precisa sair de sua era napoleônica, ou pré-histórica, para o século 21, para aumentarmos as chances de nossa juventude competir globalmente na economia do conhecimento, que é o nome do jogo …

  2. JCC Says:

    Silvio,

    Este governo federal tem pregado que a Educação Superior é um Bem Público (e vários Reitores das IFES têm seguido esta distorção conceitual), e, por isso, o Estado tem que meter a mão o quanto puder!
    Tenho tentado (bem como alguns pocuos economistas) corrigir esta falha de entendimento há algum tempo (ver http://www.sectma.pe.gov.br/artigos_detalhe.asp?artigo=75&secao_artigo=4&menu_sub=5), mas parece que isto virou ideologia.
    Se Educação Superior é bem público, por que então no seu acesso vários são excluídos?
    Por definição um bem público é um bem não excludente e não-rival (não rivaliza no consumo), como o ar que respiramos!
    JCC

  3. Jairson Vitorino Says:

    Eu recebi uma comissão do MEC em Recife (nos vellhos tempos em que era professor de faculdade particular) que queria que eu colocasse Cobol no currículo. Belos reguladores estes de Montparnasse, BSB…

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