a revista info de agosto publica uma lista de 50 nomes que estão na linha de frente da inovação em tecnologias de informação e comunicação no brasil.
o autor deste blog está lá. junto com muita gente boa. grato, info…
mas o bom mesmo é que o brasil está começando a acordar para o fato de que COMPETITIVIDADE deriva de INOVAÇÃO e que a última, por sua vez, não pode ser aferida usando as métricas da revolução industrial, como instalação de novas máquinas em linhas de fabricação de alguma coisa. acredite se quiser, esta ainda é uma das medidas que o país usa.
nós fizemos muito no que toca ao aumento da performance da ciência brasileira nos últimos 25 anos. mais doutores e mestres, mais papers, mais recursos e instituições. mas o descasamento do esforço acadêmico com a iniciativa privada, tanto do ponto de vista das empresas como investidores pôs o brasil, também, numa posição única.
pra se ter uma idéia do fosso entre papers e prática, residentes no brasil obtiveram 2490 patentes nos estados unidos [procure no uspto.gov] de 1976 pra cá. a galera da áfrica do sul, no mesmo período, garantiu 3639. a boa notícia é que, nos últimos cinco anos, tivemos duzentas patentes a mais. o que é parte da solução, apenas.
peter drucker ensinava que inovação não é ciência ou tecnologia, nem pesquisa ou desenvolvimento. inovação é sociedade & economia, é mudança de comportamento de pessoas, fornecedores e consumidores. às vezes, fornecedores e consumidores de tecnologia. mas pode muito bem ser de modelos de negócio, de processos…
precisamos criar, aqui, as verdadeiras bases da inovação. isso passa por um ambiente mais convidativo ao empreendedorismo, onde o risco possa ser bem remunerado e o fracasso aceito, inclusive por quem fracassou, como aprendizado e ponto de partida para uma nova tentativa. é preciso mudar regras, na sociedade e economia [leis trabalhistas e tratamento fiscal do capital empreendedor, por exemplo] que nos levem a pensar -vez por outra- como empregadores e não, permanentemente, como empregados.
aqui no nordeste, uma das regiões do país onde mais se precisa de risco e empreendedorismo pra mudar o estado quase indigente da economia privada na maioria dos estados, uma renomada estatal fez um concurso público [para vagas futuras… não há nenhuma vaga agora] e mais de 850 mil pessoas se inscreveram. conversei com umas duas dúzias de candidatos e muitos me disseram que estavam fazendo o concurso porque entrar lá "era como se aposentar"… e performance? e inovação? e risco? num lugar onde se quer gente nova para oxigenar o negócio, muitos estão tentando entrar para "se aposentar"?… onde foi que erramos?
o sistema de equações que define inovação, no brasil, é de alta ordem e muito complexo. e vai levar décadas até que tenhamos realmente criado as bases para um país internacionalmente competitivo. não vai ser pouco trabalho, pois vamos precisar de muita mudança em todos os recantos da vida nacional. incluindo novas e muito mais sofisticadas noções de perfomance [humana, inclusive] no setor público. e uma redefinição quase completa do relacionamento entre investidores, academia, empreendedores e governo.
nesta corrida, ainda estamos no comeco do começo…