rádio digital [pela porta dos fundos?]

segundo o globo [via telesíntese], uma reunião em brasília, neste 1o. de agosto, vai bater o martelo sobre o padrão que o país deverá adotar para rádio digital. esquisito, muito esquisito. levamos anos debatendo o padrão de TV digital, que inclusive passou de um governo para outro face aos insistentes apelos da sociedade por mais debate, mais esclarecimentos e transparência.

no caso de rádio digital, até agora, eu não vi nenhum documento resumindo o que está sendo discutido, muito menos alguma notícia de que uma decisão de tão grande importância para o futuro da convergência digital no brasil, vá entrar em debate através de audiências públicas.

muito menos se tem notícias de documentos de proposição, análise, síntese ou argumentação, como este aqui [australiano, onde aac+ tá pegando, transmissões melhores que fm, a 64kbps] e este outro [europeu], que possam nos fazer entender um pouco mais do processo ou da decisão. rádio digital é um mercado imenso. gigantesco. por que é que não está sendo discutido de forma mais transparente? será que é a ressaca do debate ao redor do padrão de TV digital? será que é por isso que não organizamos uma consulta pública como a frança fez?

falando nisso, porque é mesmo que estamos escolhendo [pelo que parece] IBOC [entenda o padrão iboc aqui], o padrão americano, ao invés de DAB+/AAC+, parte do padrão mpeg4 que já escolhemos para TV digital no brasil? aliás, aac+ é uma evolução da codificação aberta usada em iTunes/Pods, sucesso mundial sob qualquer aspecto… ainda mais, um passarinho me soprou que estamos indo [se é que estamos mesmo…] para IBOC AM, que as avaliações mundo afora dizem ser inferior a IBOC FM… por que, mesmo?

independentemente das discussões entre IBOC AM e FM, será mesmo que o país vai cair de novo na armadilha [como nos celulares CDMA, tecnologia da qualcomm, que deu no que deu] de escolher um padrão de rádio que é proprietário de UMA empresa, a ibiquity, que cobra royalties, por estação?… no que faz, aliás, muito bem. o problema é nós ficarmos dependentes disso… o que me leva a concluir que, se a direção for esta, mesmo, este país não aprende nunca. além do mais porque o mundo parece estar escolhendo DAB+…

rádio digital é parte essencial da discussão e da plataforma de convergência digital. rádio digital não transmite só áudio. pode transmitir imagens, mapas, jogos, software. rádio digital é digital, não é rádio. mas… como isso aqui é o brasil e como a discussão anda meio [!] fechada, não há muito mesmo a comentar. talvez, só, lembrar que é exatamente por causa de processos como estes que os aviões andam caindo [demais] no brasil…

[ps {1/8}: veja aqui {em .pdf} o texto da frente de tv e rádio digital, indicado nos comentários por mabuse, onde se discute justamente o fechamento das alternativas de decisão em torno de IBOC e os males que isso pode causar à evolução do ecossistema brasileiro de rádio…]

 

7 Responses to “rádio digital [pela porta dos fundos?]”

  1. JCC Says:

    Silvio,

    Muito bom! Alertas como este reforçam minha hipótese que estamos vivendo uma “Síndrome Macunaíma” (mais sobre isso no meu artigo de hoje no blog da Folha de Pernambuco- http://www.blogdafolha.com.br/ver_post.php?id=4934&secao=artigos) e que precisamos, como você, pensar e nos aculturar em termos globais.
    Ou seja, tudo que fizermos daqui para frente deverá ter um benchmarking global, para não errarmos. E os governos precisam pensar assim. Otherwise, não sairemos do século 20.
    JCC

  2. h.d.mabuse Says:

    A bronca aih eh grande, e eh bem defendida pelos donos das grandes emissoras que jah “escolheram” o IBOC, entre outras razoes, para diminuir a chance de pequenos players no mercado e continuarem com seus monopolios.

    Em 14/05 a Frente da TV e do Rádio Digital, formada por mais de 130 entidades, publicou um documento em resposta à Consulta Pública nº 771, da Anatel, que propõe critérios e Procedimentos para Avaliação do Sistema de Rádio Digital IBOC. http://www.direitoacomunicacao.org.br/novo/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=237

    O documento alerta sobre o potencial “fato consumado”, na medida em que as grandes emissoras já estão comprando equipamentos pertencentes ao padrão norte-americano. As entidades da Frente afirmam que “num futuro próximo, esse parque de transmissores ‘já instalados’ pode se tornar um argumento para inviabilizar a definição por qualquer outro padrão”.

    Helio Costa, como sempre do lado do patrao dele, estah negociando com a ibiquity para reduzir os royalties, no lugar de pensar em novas saidas, aih sim, olhando para o mundo, mas essa elite nao olha pra alem do umbigo.

    E o pior eh que nisso ninguem entendeu ainda que Radio Digital eh Software.

  3. Bruno Bezerra Says:

    Caro Silvio e José Carlos,

    Lendo os vossos textos (Rádio digital - Silvio Meira, e Uma Teoria de Políticas – José Carlos Cavalcanti) percebo que no nosso Brasil, a estrutura é “pensada” apenas com a ótica do poder pelo poder. O artigo de José Carlos expressa bem isso.

    No caso das rádios digitais, a obscuridade dos debates deve ter suas raízes nas viciadas concessões das rádios tradicionais, verdadeiras moedas oficiais de compra de votos entre políticos tupiniquins em Brasília. Uma nova concepção de rádio perturba essa estrutura viciada e podre de concessões (e nessa estrutura viciada Silvio, rádio tem que ser sempre rádio).

    Para eles o grande problema reside não na melhor tecnologia para as rádios digitais, mas sim, na perpetuação das valiosas e sujas moedas que são as concessões. A rádio digital mais do que um avanço tecnológico representa uma ameaça ao sistema de troca de “favores” políticos.

    Rádio digital deve representar uma inovação, mas uma inovação no sentido mais produtivo do termo, ou seja, uma inovação que represente mudança de atitude. Independentemente do debate entre IBOC AM e FM, a rádio digital pode e deve ajudar a quebrar as estruturas viciadas do poder pelo poder.

    Arrocha o nó nessa discussão!!!
    abraço,

    Bruno

    www.brunobezerra.com
    www.brunobezerra.blogspot.com

  4. Chantinon Says:

    Se até cubanos que pedem asilo estão sendo deportados na velocidade da luz, quem sou eu para discutir sobre padrões de rádio.
    Mas vou discutir assim mesmo… Ainda acho que vai ocorrer o mesmo que está acontecendo com a TV Digital, veremos primeiro as TVs IP e radios IPs.
    Além do governo, nosso empresariado também são mamutes.
    Já pensou se nos dias de hoje existissem sujeitos como Chatô ou Mauá?
    Eles até existem, só não estão no Brasil.

  5. Fausy Says:

    O que o Estado está deixando transparecer é o jogo econômico sobre o fato científico. O mesmo ocorreu na TV Digital, quando em 2001 havia sido escolhido o padrão europeu, e “forças ocultas” estadunidenses adiaram a escolha. No entanto, o tiro errou o alvo, pois o padrão escolhido após cinco anos a primeira decisão foi o japonês.
    Porém, o que me preocupa além da convergência, a qual irá acontecer a curto prazo, é o que será feito com os espaços economizados no espectro de radiofreqüência com a utilização da tecnologia digital na radiodifusão. O que o Estado, em nosso nome, fará? “Doará” para os atuais detentores ou criará novos canais?

  6. João Marino Says:

    Eu gostaria que a passagem do Radio atual para o Rádio Digital, fosse feita com a maior brevidade possível, em vista que as transmissões em AM geralmente são de pouca qualidade. No carro, por exemplo, há muita interferência de ignições do motor ou de linhas de energia elétrica. No Rádio Digital, creio que estas interferências não vão aacontecer.

  7. Edison Says:

    Quando soube que o Ministro das Comunicações seria um ex-funcionário família Marinho, eu fiquei muito preocupado.
    Parece que meus receios estão se concretizando.

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