os movimentos do mundo móvel
a feira de negócios de internet não é só no mundo fixo, onde negócios web2.0 estão trocando de mãos quase todo dia. no mundo móvel, a nokia acaba de pagar perto de US$100M pela twango, um start-up formado por cinco ex-funcionários da microsoft mais parcos 10 empregados. tipo assim… 10 milhões de dólares por colaborador. a história é do wall street journal [ele próprio alvo de aquisição por rupert murdoch]. twango, segundo ela própria, é uma comprehensive media sharing destination and platform, e o casamento de um competidor do flickr, como twango, com a nokia, dá o que pensar.
isso porque a empresa está indo às compras há algum tempo: a loudeye, que queria ser um rival de itunes, foi comprada ano passado por US$60M; em 2005, tinha sido a vez da intellisync, cujo negócio é sincronizar aparelhos com fontes de informação, o que pode ser muito útil se você está se movendo, por aí, e seus serviços não estão exatamente dentro de seu celular. o fato do espaço móvel, por limitações [e vantagens] dos celulares e operadoras não funcionar do mesmo jeito da web [pelo menos por enquanto] cria um monte de oportunidades de negócio [raramente percebida por gente da periferia como nós, brasileiros].
mas não é so a nokia: a motorola comprou a good technology, um rival da RIM [que faz o blackberry], no fim do ano passado, e neste primeiro semestre trouxe pra dentro de casa a modulus video, que tem um codec de mpeg4 muito bom, e a leapstone, que faz uma… unified platform for creating, managing and delivering converged video, voice and data service bundles across multiple networks and devices. sem falar que em junho a empresa já tinha investido US$140M na compra da terayon… dedicated to creating video solutions that enable content to be localized and delivered “on-demand” based on the regional and local interest of viewers. e tem mais, como tut [iptv], symbol [por US$3.9B, enterprise mobility], netopia [acesso digital, por US$208M], kreatel [linux set-top box para iptv]…
resumo: a nokia está indo pra comunidades [e não só] e a motorola pra convergência digital e localização [e não só]. os dois, e todos os outros do cenário estão interessados em prover o que mario cesar araujo, da tim, está dizendo que vai fazer: “Temos que oferecer toda a convergência a partir do móvel, como fez a Vodafone na Europa”. no caso da moto, em particular, há uma grande aposta em mídia convergente, especialmente em localcast iptv móvel, mercado que, segundo uns, pode crescer a taxas de 100% ou mais nos próximos anos.
ainda mais interessante é ver que negócios até pouco tempo atrás identificados por muita gente como sendo "de hardware", como nokia e motorola, estão se transformando em software e, principalmente, serviços. é fácil imaginar que a nokia não vai "vender" uma cópia de twango pras operadoras…. até porque o valor do "sistema" seria muito menor que o "da rede". logo, as teles comprarão o "serviço"… a mesma coisa vale para algumas aquisições da motorola, senão todas.
e, como este blog já cansou de anunciar aqui… pena que, com tanta gente inteligente e criativa no brasil, ninguém comprou nada aqui. porque quase não há o que vender! uma das coisas que nos falta é mais investimento em inovação em volumes muito maiores do que o velho, puro, simples e às vezes competamente irrelevante e pouco efetivo, do ponto de vista de futuro do país, financiamento, pela via da "demanda qualificada", à ciência… para fins de publicação de papers e elevação do país no ranking mundial de "criação de conhecimento".
pra quê, se nos falta uma cadeia de valor de investimento pra transformar o conhecimento em negócio? mesmo que seja para ser comprado pelas grandes transnacionais do setor, pois isso também faz parte do negócio. como diz josé carlos cavalcanti, o caso do brasil, certas horas, é de um isolamento e exclusão tão extremos que queremos, sim, ser explorados, para voltarmos à roda, para participar mais e entender como, inclusive, não ser mais explorado ou, pior, ignorado… e, muito lá na frente, ter empresas [de conhecimento] nossas -pra variar- comprando algumas deles também…
July 24th, 2007 at 6:01 pm
Pois é Silvio, assim como você, GigaOM desde 2005 que vem falando disso. Leia e aqui. É um caminho sem volta.
No caso do Brasil, não há dúvida que falta investimento em inovação por parte das empresas e, por outro lado, o acesso a capital de risco para engrenar start-ups inovadoras é quase nulo. É a história do ovo e da galinha.
July 24th, 2007 at 6:04 pm
Faltou um link. Segue http://gigaom.com/2005/04/18/my-phone-is-different-from-yours/
July 24th, 2007 at 9:35 pm
Alguém esqueceu das letras maíusculas!
July 24th, 2007 at 9:57 pm
ayrton: nao, ninguem esqueceu as maiusculas nao. e muito fais facil e rapido escrever sem elas e as ditas nao fazem falta. poderia ser sem acentos tbem, como nos comentarios. mas complica um pouco mais. o que nao poderia ser era sem pontuacao…
abs
s
July 25th, 2007 at 9:11 am
O problema do investimento em idéias nacionais é velho, assim como velho é o roubo por parte dos politicos. Existem muitas coisas para serem consertadas no Brasil além dos investimentos, a começar pela cultura onde a máxima “otário é quem trabalha” reina em todos os níveis da sociedade, e graças a isso perdemos o potencial de uma nação que quem sabe poderia estar ditando junto as potencias mundiais as tendencias tecnologicas do mundo.
E tenho dito.
July 25th, 2007 at 9:14 am
afinal compras de empresas de tecnologia/inovacao aqui no brasil nao se tem noticia a um bom tempo. falta investimento? falta conhecimento? (esse ultimo acho que nao). so descobriremos tentando algo no mercado.
July 25th, 2007 at 12:05 pm
estamos falando em inovação em um país que ainda está aprendendo a fazer o bê-a-bá, pra vergonha nossa.
nossas empresas sequer conseguem entregar produtos (ou serviços) com grau suficiente de qualidade (falo da minha percepção)… e queremos fazer o filet mignon, por assim dizer.
ah sim, seria excelente poder lidar com inovação (cientifica e comercialmente), e isso deveria começar dentro das universidades. entendo que o foco deveria ser, primariamente, a formação das “mentes brilhantes” do nosso país, para que não se tornassem apenas “arquitetos de soluções”, mas também “cientistas do novo”.
nossos melhores seres pensantes, hoje, usam a tecnologia importada da melhor maneira possível, porque não têm sequer espaço (e grana) para criar a nossa tecnologia. quem de nós não conhece 1 louco de TI que gera soluções excelentes e atende à toda uma empresa? eu, pelo menos, conheci vários até hoje, que fizeram e fazem coisas fantásticas, mas que infelizmente são “meros analistas”, quando poderiam ser grandes cientistas.
July 26th, 2007 at 6:28 pm
Seu penúltimo parágrafo diz tudo… o nosso sistema de financiamento das pesquisas, com demandas induzidas e mais um monte de nome bacana, resulta em quase nada… publicação de papers somente para justificar o uso dos recursos. Sem contar que os recursos invariavelmente são canalizados invariavelmente para os mesmos grupos de sempre, e sem chance de os que estão abaixo subirem nem que seja um degrauzinho. Como coordenador de mestrado em computação nível 3 (novinho em folha), aqui na UFV, sei bem o que é isso tudo… parabéns mais uma vez, zeluis
July 26th, 2007 at 6:56 pm
[…] a apple, especialista em experiência do usuário, está fornecendo a pontinha de cá da cadeia de valor. se o meio não se ajustar e não entregar o serviço que vai ser exigido pelos usuários, pode ser que a coisa não dê tão certo quanto steve jobs espera. e os usuários [e não proprietários] do iPhone vão exigir muito. e da apple. e talvez acabem vendo seus iPhone funcionando sobre software [e serviços] dos fabricantes "tradicionais" [ver post logo abaixo…]. […]
July 27th, 2007 at 10:08 am
Nos EUA, mesmo sem um plano de negócios e, aparentemente, sem um *modelo* de negócios, o Twitter acaba de receber investimento.
http://paul.kedrosky.com/archives/2007/07/26/the_twitter_les.html
Como você diz, já aqui em Pindorama…