a [nova] feira do interior
a feira de taperoá -e do interior do brasil- mudou tanto, nos últimos vinte anos, que se meu avô inácio pequeno, falecido há exatos vinte anos, voltasse à vida no cariri da paraíba, não ia reconhecer o lugar.
a feira antiga foi para os [super]mercados. taperoá tem vários. um deles tem até vinho chileno. dos bons. onde era a feira há uma "sulanca", um mercado de roupas e trecos, com a presença das grandes marcas internacionais… adidas, nike, forum, rolex, tudo falsificado.
o departamento de áudio e vídeo é vasto, com cds a R$1.50 e dvds a R$2.50. tem tudo o que você quiser, e o último harry potter estava sendo prometido para semana que vem. no meio de uma dúzia de barracas que vendiam música e vídeo "genérico" havia, incrivelmente, uma, sozinha, vendendo coisas -segundo o dono- da gravadora. peguei, abri, olhei, eram "de vera" mesmo. o cd amor na internet, de dedim gouveia, custava R$14. passei um bocado de tempo lá, assuntando… e acho que meu amigo da barraca "legal" vai ter que mudar de ramo. não apareceu ninguém pra comprar um cd legal.
na última vez que estive aqui, em dia de feira [ano passado], consegui fotografar um cavalo inteirinho no meio da confusão. hoje, não havia nenhum. só motos. todas elas honda, cg125, o novo cavalo do interior. fazendo uma estatística informal, mais da metade parecia ser genérica, também. pagamento de ipva não tem muito ibope por aqui. e como a cidade não tem detran, ninguém usa capacete. afinal de contas, pra que esquentar a cabeça?…
amanhã a gente conversa sobre a internet em taperoá. e o que as pessoas estão fazendo com ela.
July 22nd, 2007 at 5:30 pm
Caro Silvio,
Fico feliz em encontrar no blog de um dos mais renomados cientistas do Brasil, tópicos interioranos. O que vem acontecendo com a vossa Taperoá, vem acontecendo também com boa parte das cidades do interior do nordeste. Mas se você prestar bem atenção, vai ver que muitos costumes continuam como antes. O melhor deles, a simplicidade.
As feiras mudaram é bem verdade, mas ainda mantém um charme desengonçado com sabor de macaxeira com galinha guisada, preparada ali mesmo, num tradicional “mosqueiro”. Foi muito bom ler esse tópico, pois um dos meus projetos para um futuro não muito distante é escrever um livro, cujo título será “Feira de Mangaio”. Uma espécie de romance amatutado misturado com a mais singela literatura empreendedora matuta.
Em meio as lamentáveis notícias do desmantelo aéreo brasileiro, num domingo chuvoso aqui em Santa Cruz do Capibaribe – onde a sulanca vendida na feira de Taperoá deve ter sido produzida – me fez bem receber via RSS notícias do cariri paraibano, da boa e velha Taperoá.
Lembre-se: alguém ou algo pode até ter tirado Silvio Meira de Taperoá, mas nada irá tirar Taperoá de Silvio Meira.
Abraço,
Bruno Bezerra
http://www.brunobezerra.com
http://www.brunobezerra.blogspot.com
August 4th, 2008 at 3:47 pm
[...] última vez que escrevi sobre taperoá foi em julho do ano passado e o texto está aqui; as impressões se confirmam a cada volta. um grande pedaço do brasil está desaparecendo, [...]