grande [e velha] mídia: lá se vão os anúncios

reportagem na forbes desta semana dá conta de que há um novo boom no silicon valley. e a gente pode adicionar que o boom se estende pelo mundo afora, incluindo a china, índia, europa e há evidências de que até no brasil as coisas estão melhorando muito quando o assunto é negócios de e com tecnologias da informação e comunicação.

a mesma reportagem revela, também, um outro fenômeno: os anúncios estão indo embora, e desta vez da nova mídia para a novíssima mídia. no primeiro boom da internet, foram revistas como wired e business2.0 que tiraram verbas da velha mídia. mas tais veículos não duraram uma décadae, hoje, estão perdendo verbas de publicidade para blogs e engenhos de busca, e numa taxa muito altaveja parte do texto, abaixo:

Business 2.0 saw ad pages drop 21.8% through March from the same period a year ago; PC Magazine‘s editor in chief walked out the door after ad pages fell 38.8% over the same period; and one-time online powerhouse CNET is reporting growing losses even as the companies it covers flourish. It may be happening in tech first, but there’s no reason the same thing won’t happen, eventually, in every media niche.

e, claro, não há nenhuma razão para não acontecer em outros mercados. as evidências do fenômeno ainda são poucas, no brasil, mas é tudo uma questão de tempo: quando houver mais banda e mais gente em banda larga, os blogs de especialistas certamente começarão a atrair uma porcentagem significativa dos recursos que hoje se destinam à grande mídia. lá fora, a indústria de busca/blogs/anúncios já está "organizada"…

…Federated Media Publishing is selling ads on more than 100 blogs, giving ad buyers the ability to spend big money on a collection of highly specialized sites–many of them focused on tech–that suit their needs. "If Cisco has to spend, I don’t know, a couple of million dollars on a trade campaign, they are not spending it with Red Herring or Business 2.0. They are spending it with Federated Media, with bloggers who cover the sector," says Rafat Ali, editor and publisher of online media tracker PaidContent.org…

e os movimentos são rápidos… os tempos são de aventura, inclusive para quem tem um lugar ao sol…

…the vast majority of bloggers will never garner more than a few dozen readers. Then again, most of today’s print-heavy news outlets are scaling back in the face of the relentless online competition. Marshall’s father, Tyler Marshall, walked away from journalism after winning a Pulitzer Prize at The Los Angeles Times, bought out in a round of downsizing at the venerable newspaper. When Marshall told his father about his plan to launch his own publication, the older Marshall didn’t discourage him. After all, what did he have to lose?

no brasil, as mudanças têm suas próprias matizes: a falta de estrutura do mercado de serviços de internet acabou levando ricardo noblat, um estrondoso sucesso de jornalismo na forma de blog, a ser absorvido pela grande mídia e se tornar, de fato, uma agência de notícias quase horizontal, em tempo quase real. mas é só uma questão de tempo para as coisas mudarem. pouco tempo, talvez. muito menos do que a grande mídia pensa…

3 Responses to “grande [e velha] mídia: lá se vão os anúncios”

  1. Teófilo Says:

    Sílvio, todos nós somos diferentes. Por exemplo, à uns anos atrás eu procurava revistas com os conteúdos especializados que mais tinham a ver com os meus interesses. Mas acabava sempre por não ler metade da revista porque os restantes conteúdos não me interessavam. Hoje acompanho os blogs sobre os temas que me interessam. É mais prático e além disso a qualidade dos conteúdos vai mais ao encontro das minhas necessidades.

    Um dos problema para os antigos mídia é que os formatos tradicionais envolvem custos significativos para lançar um publicação especializada. Logo, para serem rentáveis têm que ter um público alvo largo, por isso tem metem conteúdos que interessam a maior número de pessoas. Até aqui tudo bem. Só que a abordagem perante a internet não foi a mais adequada. Já que o ambiente web não envolve esses custos, podiam ter ido mais longe e especializar ainda mais os seus conteúdos. Criar novos domínios para temas diferentes. Fazer uso de ferramentas de divulgação viral, etc. Por exemplo, é isso que o TechCrunch está a fazer, e à custa disso já tem dois blogs no Technorati 100…

  2. André Araújo Says:

    Silvio, a mudança está acontecendo agora, já, mas ainda há gente que nem viu a poeira que está engolindo em toneladas por segundo.

    Tem agência apostando nos mundos persistentes online como o Second Life. A leitura é até certa, mas o tiro tá um pouco pro lado.

    Exercícios de comunicação e marketing em comunidades online – isso sim.

    Blogs são uma das formas mais eficientes de criação de comunidades online hoje em dia. Baixo custo, setup rápido…Geralmente ao redor de um tópico específico, de um foco, um escopo que une o blogger e seus leitores/colaboradores. Isso agrega valor de uma forma imensa. Na WIRED nova (a dos Transformers na capa) tem uma entrevista com um blogueiro de Silicon Valley bem interessante, aliás, sobre seus projetos em blogs, que devem virar algumas dezenas em alguns anos.

    Sempre puxo a brasa para minha sardinha, mas games e coisas divertidas interativas na web também são um desses grandes produtos desse momento na comunicação. Não os vejo completamente consolidados no Brasil, mas isso é, como você disse, questão de tempo.

    Em conversa com Fred Vasconcelos, meu ex-sócio na Jynx, ele me disse que o investimento médio feito pelas agências e seus clientes em advergames aumentou 3 vezes do ano passado para cá. Isso indica uma disposição maior de recursos para esse tipo de ação, provavelmente baseada em resultados positivos de ações passadas como o Pimp My Ride da MTV, que teve 250000 cadastros de carros “tunados” em dois meses, entre outros. “Airtime” muito acima da média, bases de dados significativas, informações interessantes sobre o grupo extraídas, tudo de uma só vez.

    Ainda assim, no Brasil, os modelos de negócio ainda são muito verdes e totalmente “1.0″. Nada baseado em resultados, nada baseado em Content as a Service, nada dividindo riscos, resultados, como deveria ser.

    Essa estrutura faltante de que você falou acima também envolve mudanças na cabeça de quem faz negócios. Principalmente, talvez.

  3. Jairson Vitorino Says:

    Faz três anos a gente (www.elife.com.br) tá trabalhando com blog mining para acompanhar de perto o impacto dos blogueiros nas marcas. A velocidade com que estamos sendo procurados vem quadruplicando a cada seis meses. 2004 tinhamos 1 cliente, 2005 2, 2006 8 e agora estamos chegando a marca de 30 grandes multinacionais. O mercado de consumer generated media mesmo no Brasil está literalmente bombando.

Leave a Reply

You must be logged in to post a comment.

Subscribe without commenting