Archive for July, 2007

rádio digital [pela porta dos fundos?]

Tuesday, July 31st, 2007

segundo o globo [via telesíntese], uma reunião em brasília, neste 1o. de agosto, vai bater o martelo sobre o padrão que o país deverá adotar para rádio digital. esquisito, muito esquisito. levamos anos debatendo o padrão de TV digital, que inclusive passou de um governo para outro face aos insistentes apelos da sociedade por mais debate, mais esclarecimentos e transparência.

no caso de rádio digital, até agora, eu não vi nenhum documento resumindo o que está sendo discutido, muito menos alguma notícia de que uma decisão de tão grande importância para o futuro da convergência digital no brasil, vá entrar em debate através de audiências públicas.

muito menos se tem notícias de documentos de proposição, análise, síntese ou argumentação, como este aqui [australiano, onde aac+ tá pegando, transmissões melhores que fm, a 64kbps] e este outro [europeu], que possam nos fazer entender um pouco mais do processo ou da decisão. rádio digital é um mercado imenso. gigantesco. por que é que não está sendo discutido de forma mais transparente? será que é a ressaca do debate ao redor do padrão de TV digital? será que é por isso que não organizamos uma consulta pública como a frança fez?

falando nisso, porque é mesmo que estamos escolhendo [pelo que parece] IBOC [entenda o padrão iboc aqui], o padrão americano, ao invés de DAB+/AAC+, parte do padrão mpeg4 que já escolhemos para TV digital no brasil? aliás, aac+ é uma evolução da codificação aberta usada em iTunes/Pods, sucesso mundial sob qualquer aspecto… ainda mais, um passarinho me soprou que estamos indo [se é que estamos mesmo…] para IBOC AM, que as avaliações mundo afora dizem ser inferior a IBOC FM… por que, mesmo?

independentemente das discussões entre IBOC AM e FM, será mesmo que o país vai cair de novo na armadilha [como nos celulares CDMA, tecnologia da qualcomm, que deu no que deu] de escolher um padrão de rádio que é proprietário de UMA empresa, a ibiquity, que cobra royalties, por estação?… no que faz, aliás, muito bem. o problema é nós ficarmos dependentes disso… o que me leva a concluir que, se a direção for esta, mesmo, este país não aprende nunca. além do mais porque o mundo parece estar escolhendo DAB+…

rádio digital é parte essencial da discussão e da plataforma de convergência digital. rádio digital não transmite só áudio. pode transmitir imagens, mapas, jogos, software. rádio digital é digital, não é rádio. mas… como isso aqui é o brasil e como a discussão anda meio [!] fechada, não há muito mesmo a comentar. talvez, só, lembrar que é exatamente por causa de processos como estes que os aviões andam caindo [demais] no brasil…

[ps {1/8}: veja aqui {em .pdf} o texto da frente de tv e rádio digital, indicado nos comentários por mabuse, onde se discute justamente o fechamento das alternativas de decisão em torno de IBOC e os males que isso pode causar à evolução do ecossistema brasileiro de rádio…]

 

os consoles brasileiros [estão chegando?]

Monday, July 30th, 2007

não se fabrica consoles de jogos no brasil. aliás, consoles são fabricados em poucos lugares do planeta. seja lá onde são feitos, saem de lá para o mundo. a indústria digital local precisa de competitividade global. aqui no brasil, os consoles são trazidos por quem viaja, "importados" do paraguai, contrabandeados em containers e, em muito última análise, se você quiser mesmo contribuir para a fúria arrecadatória do governo, comprados em algum lugar onde se paga imposto.

o projeto de lei 300/07, do deputado carlito merss, quer mudar isso, estendendo os benefícios da lei da informática ao setor de jogos eletrônicos. já não era sem tempo, dado que o cenário corrente de ilegalidade [estima-se o contrabando de consoles em mais de 90%] se dá por causa de impostos de importação que chegam a 275% em certos casos.  coisa realmente de quem não quer deixar nenhum produto legal em qualquer prateleira de loja no brasil.

mas temos que pensar também no negócio [de hardware] como um todo. onde é feito um console, hoje, para o mundo?… nos países que se prepararam, por décadas, para exercer o papel de fábrica do mundo. china, taiwan, coréia, malásia, filipinas… e o que estes países têm, para todos os fabricantes produzirem lá?… na china, por exemplo, será que os fabricantes estão lá por causa da infra-estrutura do delta do rio das pérolas [pense em meia dúzia de grandes aeroportos, e dos que funcionam, num raio de 100km], combinado com disponibilidade de trabalho [com muito poucas regras], empreendedorismo e tradição comercial da população local, apoio massivo [interno e externo] do governo [incluindo a manipulação de mercados, dumping, taxas de câmbio e tudo mais], investimentos internacionais nunca vistos em nenhum outro lugar… combinado com, muito em breve, inovação em uma escala nunca vista?

por que uma nintendo, sony ou microsoft iria fabricar consoles no brasil, mesmo com o apoio da lei de informática? o resumo da lei é o seguinte: a] isenção de IPI para fabricação no brasil se b] uma certa porcentagem do faturamento for investida em inovação no pais, articulado com escolas e centros de pesquisa nacionais. SE este incentivo tornar a produção globalmente competitiva, levando a ásia em conta, qualquer um viria. se o mercado brasileiro de qualquer coisa tornasse a produção local viável, do ponto de vista de escala, garantindo que o preço local depois dos outros impostos não criasse condições para o contrabando continuar dominando o mercado, alguns viriam. mas não acho que este é o caso dos três fabricantes de consoles. nem o mercado local é suficiente para justificar o investimento nem a lei de informática dá competitividade global.

para ligar o assunto com outro tema de um dia destes, aqui no blog, a apple, que domina o mercado local de tocadores de mp3 com o iPod, não está nem aí para fabricar qualquer coisa aqui. e quero ver alguém começar a exigir [de novo, pois era assim no começo dos celulares no brasil…] a nota fiscal dos iPhones para que possamos usá-los com nossos chips GSM. e os iPhones virão da mesma fábrica dos iPods, no paraguai. que é de onde vêm os consoles, se é que algum menino ou menina, entre os jogadores, quer saber…

eua: mobilidade confusa, iPhone limitado

Thursday, July 26th, 2007

o lançamento do iPhone expõe a fragilidade da infra-estrutura de mobilidade dos eua. segundo reportagem bem recente da business week [iPhone’s Network Hang-Up]…

Given the muddled state of 3G networks in the U.S., Apple’s decision to go with slower technology in the first edition of the iPhone was understandable. But right now we are stuck having to choose between the iPhone, with a good browser and a painful network, and rivals such as the Palm Treo 700p from Verizon or the HTC Mogul from Sprint, with fast networks and lousy browsers. Apple and AT&T have their work cut out for them.

rodando em uma só operadora, e em 2G, talvez o iPhone não vá ser este sucesso todo nos eua. e há quem ache que o iPhone não vai pegar na europa, por um monte de boas razões. a mais complexa delas é a diversidade das redes e o estilo de uso de celulares na europa versus os eua. a mais simples é que muita gente já está descobrindo [nos eua…] que um celular não é um produto [como um iPod quase é] mas um serviço… e que a operadora é mais importante do que o fornecedor de telefones.

a apple, especialista em experiência do usuário, está fornecendo a pontinha de cá da cadeia de valor. se o meio não se ajustar  e não entregar o serviço que vai ser exigido pelos usuários, pode ser que a coisa não dê tão certo quanto steve jobs espera. e os usuários [e não proprietários] do iPhone vão exigir muito. e da apple. e talvez acabem vendo seus iPhone funcionando sobre software [e serviços] dos fabricantes "tradicionais" [ver post logo abaixo…].

firefox quase lá…

Wednesday, July 25th, 2007

pelo menos entre os visitantes deste blog, firefox está pegando ie. neste 25 de julho, 48% de todos os visitantes usavam alguma versão de firefox. ie ficou não com os outros 52, porque houve 3% de outros browsers [como opera e celulares]… assim, firefox ficou a um ponto percentual de ie, pela primeira vez, pelo menos aqui no blog, ie 49 vs 48 firefox. sinal dos tempos.

se e quando passar, aviso a todo mundo. será um feito histórico.

os movimentos do mundo móvel

Tuesday, July 24th, 2007

a feira de negócios de internet não é só no mundo fixo, onde negócios web2.0 estão trocando de mãos quase todo dia. no mundo móvel, a nokia acaba de pagar perto de US$100M pela twango, um start-up formado por cinco ex-funcionários da microsoft mais parcos 10 empregados. tipo assim… 10 milhões de dólares por colaborador. a história é do wall street journal [ele próprio alvo de aquisição por rupert murdoch]. twango, segundo ela própria, é uma comprehensive media sharing destination and platform, e o casamento de um competidor do flickr, como twango, com a nokia, dá o que pensar.

isso porque a empresa está indo às compras há algum tempo: a loudeye, que queria ser um rival de itunes, foi comprada ano passado por US$60M; em 2005, tinha sido a vez da intellisync, cujo negócio é sincronizar aparelhos com fontes de informação, o que pode ser muito útil se você está se movendo, por aí, e seus serviços não estão exatamente dentro de seu celular. o fato do espaço móvel, por limitações [e vantagens] dos celulares e operadoras não funcionar do mesmo jeito da web [pelo menos por enquanto] cria um monte de oportunidades de negócio [raramente percebida por gente da periferia como nós, brasileiros].

mas não é so a nokia: a motorola comprou a good technology, um rival da RIM [que faz o blackberry], no fim do ano passado, e neste primeiro semestre trouxe pra dentro de casa a modulus video, que tem um codec de mpeg4 muito bom, e a leapstone, que faz uma… unified platform for creating, managing and delivering converged video, voice and data service bundles across multiple networks and devices. sem falar que em junho a empresa já tinha investido  US$140M na compra da terayon… dedicated to creating video solutions that enable content to be localized and delivered “on-demand” based on the regional and local interest of viewers.  e tem mais, como tut [iptv], symbol [por US$3.9B, enterprise mobility], netopia [acesso digital, por US$208M], kreatel [linux set-top box para iptv]…

resumo: a nokia está indo pra comunidades [e não só] e a motorola pra convergência digital e localização [e não só]. os dois, e todos os outros do cenário estão interessados em prover o que mario cesar araujo, da tim, está dizendo que vai fazer: “Temos que oferecer toda a convergência a partir do móvel, como fez a Vodafone na Europa”. no caso da moto, em particular, há uma grande aposta em mídia convergente, especialmente em localcast iptv móvel, mercado que, segundo uns, pode crescer a taxas de 100% ou mais nos próximos anos.

ainda mais interessante é ver que negócios até pouco tempo atrás identificados por muita gente como sendo "de hardware", como nokia e motorola, estão se transformando em software e, principalmente, serviços. é fácil imaginar que a nokia não vai "vender" uma cópia de twango pras operadoras…. até porque o valor do "sistema" seria muito menor que o "da rede". logo, as teles comprarão o "serviço"… a mesma coisa vale para algumas aquisições da motorola, senão todas.

e, como este blog já cansou de anunciar aqui… pena que, com tanta gente inteligente e criativa no brasil, ninguém comprou nada aqui. porque quase não há o que vender! uma das coisas que nos falta é mais investimento em inovação em volumes muito maiores do que o velho, puro, simples e às vezes competamente irrelevante e pouco efetivo, do ponto de vista de futuro do país, financiamento, pela via da "demanda qualificada", à ciência… para fins de publicação de papers e elevação do país no ranking mundial de "criação de conhecimento".

pra quê, se nos falta uma cadeia de valor de investimento pra transformar o conhecimento em negócio? mesmo que seja para ser comprado pelas grandes transnacionais do setor, pois isso também faz parte do negócio. como diz josé carlos cavalcanti, o caso do brasil, certas horas, é de um isolamento e exclusão tão extremos que queremos, sim, ser explorados, para voltarmos à roda, para participar mais e entender como, inclusive, não ser mais explorado ou, pior, ignorado… e, muito lá na frente, ter empresas [de conhecimento] nossas -pra variar- comprando algumas deles também…

pra congonhas não vôo mais.

Sunday, July 22nd, 2007

se você ainda não leu, vá ver este post daqui deste blog. saiu logo depois de assessores do governo serem flagrados em franca e obscena comemoração dentro do palácio do planalto, mas foi muito enriquecido por cometários e discussões nos últimos dias. vale a pena ver de novo

a [nova] feira do interior

Saturday, July 21st, 2007

a feira de taperoá -e do interior do brasil- mudou tanto, nos últimos vinte anos, que se meu avô inácio pequeno, falecido há exatos vinte anos, voltasse à vida no cariri da paraíba, não ia reconhecer o lugar.

a feira antiga foi para os [super]mercados. taperoá tem vários. um deles tem até vinho chileno. dos bons. onde era a feira há uma "sulanca", um mercado de roupas e trecos, com a presença das grandes marcas internacionais… adidas, nike, forum, rolex, tudo falsificado.

o departamento de áudio e vídeo é vasto, com cds a R$1.50 e dvds a R$2.50. tem tudo o que você quiser, e o último harry potter estava sendo prometido para semana que vem. no meio de uma dúzia de barracas que vendiam música e vídeo "genérico" havia, incrivelmente, uma, sozinha, vendendo coisas -segundo o dono- da gravadora. peguei, abri, olhei, eram "de vera" mesmo. o cd amor na internet, de dedim gouveia, custava R$14. passei um bocado de tempo lá, assuntando… e acho que meu amigo da barraca "legal" vai ter que mudar de ramo. não apareceu ninguém pra comprar um cd legal.

na última vez que estive aqui, em dia de feira [ano passado], consegui fotografar um cavalo inteirinho no meio da confusão. hoje, não havia nenhum. só motos. todas elas honda, cg125, o novo cavalo do interior. fazendo uma estatística informal, mais da metade parecia ser genérica, também. pagamento de ipva não tem muito ibope por aqui. e como a cidade não tem detran, ninguém usa capacete. afinal de contas, pra que esquentar a cabeça?…

amanhã a gente conversa sobre a internet em taperoá. e o que as pessoas estão fazendo com ela.

o brasil é uma grande zona aérea

Saturday, July 21st, 2007

radar [sem backup] do cindacta 4 [manaus] vai para o espaço e tráfego aéreo do brasil com os estados unidos e america central é interrompido. aviões que trafegavam entre as regiões voltam para aeroportos de partida ou pernoitam na amazônia. é a zon[i]a total. 

a "presidência de animação" talvez faça,outra vez, uma reunião de emergência sobre o caos aéreo, sem convidar o ministro da defesa, esperando que ele se demita. a presidência não sabe demitir, algo absolutamente essencial para quem administra uma padaria, que seja. o ministro, como já se sabe, disse que isso não tem nada a ver com ele… logo…

ainda bem que eu estou em taperoá [que agora tem internet!]. e só cheguei, talvez, porque vim de carro…

é [mesmo] o fim da picada

Thursday, July 19th, 2007

vejam neste link do blog do noblat, num texto intitulado "Gestos obscenos celebram defeito no avião da TAM" [o vídeo que retrata um ministro e seu assessor comemorando está neste link ], o tipo de gente que está no governo. nem todos são assim, ainda bem. há razão e sentimento no país, e no governo também. mas este aí, de quem noblat fala, diz pra quem quiser ouvir coisas como… vamos agüentar essa tal de democracia… depois a gente toma conta… estamos, como se pode ver, muito bem de, digamos, assessores…

lá fora, também, tem gente apavorada com o estado de coisas no brasil. por aqui, a sociedade se organiza, e resolve, como pode: o superintendente do c.e.s.a.r proibiu colaboradores de voar para são paulo via congonhas [com passagens do c.e.s.a.r]. eu próprio já tinha tomado esta decisão. decolar de lá, talvez. aterrissar, nunca mais; tenho uma vida a viver, e ela não é uma loteria. se muita gente fizer isso, não por puro e simples medo, mas por dever cívico, é capaz de resolvermos um problema que governos sucessivos vêm varrendo para baixo do tapete há mais de vinte anos

game: nintendo 1 vs. 0 sony

Thursday, July 19th, 2007

o ps3 levou 8 meses para vender um milhão de unidades no japão. o nintendo wii, dois. o ps3 sofre de falta de jogos e é muito caro. a sony teve que baixar o preço. o wii está mudando a face do mercado de jogos eletrônicos e, breve, veremos gente muito bem preparada, fisicamente, que treinou só no wii. segundo reggie fils-aime [ceo da nintendo US, mas o nome parece de um avatar!] "Nintendo is not a fad. It is the future and it is little surprise the developer community is responding accordingly."  e há muito mais em estoque.

resultado até agora: você pode perder o mercado por estar à frente dele [sony…] ou por estar atrás [como a nintendo andava]. para ter o mercado, você tem que estar no tempo, qualidade, complexidade e preço do mercado. como a nintendo está agora. the game goes on.

apagão aéreo mata. de novo.

Wednesday, July 18th, 2007

foi uma tragédia anunciada. com muito tempo de antecedência. tanta informação e conhecimento sobre a impossibilidade da infra-estrutura aérea nacional lidar com o atual estágio da demanda por assentos e o número de vôos e absolutamente nada de concreto sendo feito. o resultado aí está. inocentes mortos. assassinados, na verdade, pela incompetência de quem deveria estar trabalhando justamente para garantir nossa segurança. o país está de luto. de novo. pela segunda vez em dez meses.

lúcia hippólito, hoje pela manha, na cbn, definiu muito bem o atual governo: segundo ela, trata-se de um presidencialismo de animação, onde o mais alto mandatário age como se discursos, opiniões e desejos, desacoplados da realidade nua e crua [às vezes cruel, como agora], fossem resolver problemas. minha impressão é que o presidente, como muita gente de todas as matizes em qualquer tipo de governo, acha que os problemas de um país do tamanho do brasil são simples, e basta um "entendimento" para que eles se resolvam. pois não são. e entendê-los, que seja, é muito mais complexo do que parece.

o número de mortos no acidente do 3054 [que eu costumava pegar de porto alegre a são paulo, quando estou por lá] pode passar de 200, depois de computados os mortos em terra. muita coisa vai ser discutida e -talvez- feita por causa do acidente. mas quer ver uma tragédia do mesmo tamanho, ou maior, porque cotidiana, que já parece "entendida", e que sofre o mesmo tipo de apagão da ação governamental? a cada mês, só em pernambuco [população: cerca de 8 milhões], mata-se mais gente do que no acidente do 3054 [entre 01/05 e ontem, foram mortas 877 pessoas]. só em junho foram 361 assassinatos. em média, 12 por dia.

como chegamos neste ponto, tanto na violência genérica quanto na específica, que derruba aviões? acho que fomos "deixando pra lá". nas ruas, era, no começo, os pobres se matando "e ninguém tinha nada a ver com isso". da mesma forma, a violência aérea matava nos garimpos do amazonas e, de novo, "ninguém tinha nada a ver com isso". acaba que tudo chegou às nossas portas e vidas e vôos e passeios de automóvel e à pé, no parque. o apagão brasileiro não é aéreo, apenas. é geral, genérico, pode matar qualquer um, qualquer dia, no aeroporto, no posto de gasolina, hospital, escola e estrada. mais do que em qualquer outro lugar, pra morrer, aqui, basta estar vivo.

e não vamos resolver isso com o tal presidencialismo de animação [que já começa a procurar culpados fora do governo…] muito pelo contrário, precisamos de muita ação, capacidade de decisão e de pessoas competentes e responsáveis onde elas são necessárias. este não é um país de idiotas. temos muita gente boa em todo canto e faceta da sociedade. mas precisamos, de uma vez, levar o brasil muito mais a sério do que estamos levando. ou então, de vez, botar marta "relaxa e goza" e guido "preço do sucesso" à frente das investigações do acidente do 3054. e depois, destacá-los para tratar para resolver o imenso, dantesco, problema da criminalidade no brasil. e deixar pra lá de vez, também, o futuro da nação.

acorda, brasil!

grande [e velha] mídia: lá se vão os anúncios

Tuesday, July 17th, 2007

reportagem na forbes desta semana dá conta de que há um novo boom no silicon valley. e a gente pode adicionar que o boom se estende pelo mundo afora, incluindo a china, índia, europa e há evidências de que até no brasil as coisas estão melhorando muito quando o assunto é negócios de e com tecnologias da informação e comunicação.

a mesma reportagem revela, também, um outro fenômeno: os anúncios estão indo embora, e desta vez da nova mídia para a novíssima mídia. no primeiro boom da internet, foram revistas como wired e business2.0 que tiraram verbas da velha mídia. mas tais veículos não duraram uma décadae, hoje, estão perdendo verbas de publicidade para blogs e engenhos de busca, e numa taxa muito altaveja parte do texto, abaixo:

Business 2.0 saw ad pages drop 21.8% through March from the same period a year ago; PC Magazine’s editor in chief walked out the door after ad pages fell 38.8% over the same period; and one-time online powerhouse CNET is reporting growing losses even as the companies it covers flourish. It may be happening in tech first, but there’s no reason the same thing won’t happen, eventually, in every media niche.

e, claro, não há nenhuma razão para não acontecer em outros mercados. as evidências do fenômeno ainda são poucas, no brasil, mas é tudo uma questão de tempo: quando houver mais banda e mais gente em banda larga, os blogs de especialistas certamente começarão a atrair uma porcentagem significativa dos recursos que hoje se destinam à grande mídia. lá fora, a indústria de busca/blogs/anúncios já está "organizada"…

…Federated Media Publishing is selling ads on more than 100 blogs, giving ad buyers the ability to spend big money on a collection of highly specialized sites–many of them focused on tech–that suit their needs. "If Cisco has to spend, I don’t know, a couple of million dollars on a trade campaign, they are not spending it with Red Herring or Business 2.0. They are spending it with Federated Media, with bloggers who cover the sector," says Rafat Ali, editor and publisher of online media tracker PaidContent.org…

e os movimentos são rápidos… os tempos são de aventura, inclusive para quem tem um lugar ao sol…

…the vast majority of bloggers will never garner more than a few dozen readers. Then again, most of today’s print-heavy news outlets are scaling back in the face of the relentless online competition. Marshall’s father, Tyler Marshall, walked away from journalism after winning a Pulitzer Prize at The Los Angeles Times, bought out in a round of downsizing at the venerable newspaper. When Marshall told his father about his plan to launch his own publication, the older Marshall didn’t discourage him. After all, what did he have to lose?

no brasil, as mudanças têm suas próprias matizes: a falta de estrutura do mercado de serviços de internet acabou levando ricardo noblat, um estrondoso sucesso de jornalismo na forma de blog, a ser absorvido pela grande mídia e se tornar, de fato, uma agência de notícias quase horizontal, em tempo quase real. mas é só uma questão de tempo para as coisas mudarem. pouco tempo, talvez. muito menos do que a grande mídia pensa…