deu na folha: país se comoditiza

cerca de 70% da indústria brasileira é de produtos de baixa ou média-baixa tecnologia, um aumento de 9% em dez anos. por outro lado, as empresas de maior conteúdo tecnológico encolheram19% no mesmo período e respondem, hoje, por 30% da indústria nacional. no setor de material eletrônico, a queda foi de 43% e o déficit comercial, só nos primeiros quatro meses deste ano, foi de US$4 bilhões, 27% a mais do que no mesmo período de 2006. pra gente se balizar, a indústria mineral nacional cresceu 100% nos últimos dez anos. exportamos pedras, importamos chips. e importamos software. e não conseguimos exportar.

fazer o quê? uma nova reserva de mercado e fechar os portos às nações "amigas"? não deu certo antes, por que daria agora? economistas alertam para a esclerose da indústria nacional. mas ninguém, nem na política industrial nem nos planos de crescimento, aponta alguma direção para renovar a indústria nacional.  isso quando já se sabe que vai ser muito dificil sustentar o país baseando nossa balança de pagamentos em commodities… seria de esperar que, face à gravidade dos dados, o governo estivesse dizendo que vai investir pesadamente em inovação [incluindo design], marca e reputação. para agregar valor. para ser desejado e, sendo, poder competir com a china, índia e os outros reis do pedaço fabril e de serviços. será que dá?

como este blog trata de tecnologias da informação, vamos olhar software, como exemplo das possibilidades nacionais de competir. não temos gente em quantidade suficiente, para começar. parte do software que está sendo feito para o brasil vem de fora, hoje. software é, em boa parte, gente educada, entendimento de problemas, mercados, empresas e cadeias de valor e a capacidade de resolver tais problemas no prazo, no preço, com a qualidade requerida pelo cliente. software é inovação. software é sociedade do conhecimento e métodos, regras, processos e ambiente de negócios de classe mundial, para competir globalmente.

aqui, além de não estarmos educando gente como deveríamos, nós ainda não fechamos a porta para que a lei de inovação inclua o setor de tecnologias da informação. parece brincadeira, mas é verdade. a política industrial do país é feita pela receita federal, pela dívida pública e pela ineficácia do estado. resultado: pouco investimento privado, baixas taxas de inovação e perda de competitividade. falando nisso, perdemos nove posições no último índice do fórum econômico mundial, o que nos põe em 66o. posição, 21 lugares atrás da áfrica do sul. lugar de onde, por sinal, vem ubuntu. breve, numa tela perto de você.

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