células tronco embrionárias: a petição
o STF está debatendo o uso de células tronco embrionárias, que podem vir a ser a única esperança de pacientes com lesões graves e incapacitantes. no centro da disputa, defendendo brilhantemente a posição científica a favor da liberação da pesquisa com as células tronco, está a geneticista MAYANA ZATZ [entrevistada por drauzio varella no link anterior: vá ler, vale a pena], pesquisadora de renome internacional, membro da academia brasileira de ciências e pessoa inatacável sob qualquer ponto de vista.
o subprocurador-geral da república, cláudio fonteles, entrou com a ação no supremo alegando que a lei das células tronco, aprovada no congresso por 96% dos senadores e 85% dos deputados, é inconstitucional. até aí, tudo bem. o procurador é pago para isso mesmo e está exercendo seu direito constitucional. pois não é que na discussão, no STF, sobre a motivação religiosa de sua ação, o procurador acusou a geneticista de ser motivada, em sua defesa da pesquisa com células tronco, por viés judaico?…
num ato de anti-semitismo explícito, que deveria estar banido, como muitos outros "anti-", de formas civilizadas de convivência humana, fonteles disse à folha de são paulo que… “A doutora Mayana Zatz, que é o principal elemento de quem pensa diferentemente da gente, tem também uma ótica religiosa, na medida em que ela é judia e não nega o fato. Na religião judaica, a vida começa com o nascimento do ser vivo. Então, ao defender a posição dela, ela defende a posição religiosa dela, que é judia e que a gente tem de respeitar”.
fonteles, primeiro, tenta fugir à discussão da inconstitucionalidade pura e simples da lei, que trata de um avanço científico inestimável para os seres humanos, inclusive os intolerantes. em segundo, ataca de forma virulenta uma pesquisadora, movida pelo método científico, trabalhando em prol do país e do bem estar das formas de vida no planeta. vez por outra, as sombras da ignorância parecem querer tomar o mundo de assalto. desta vez, você e eu podemos fazer alguma coisa: assinar uma petição pela liberdade da pesquisa e pelo direito à cura, dos povos de todas as raças e credos, ainda por cima combatendo focos de obscurantismo medieval situados bem alto na hierarquia do poder no país.
faça alguma coisa, rápido: assine a PETIÇÃO PRÓ CÉLULAS TRONCO EMBRIONÁRIAS. diga ao brasil e ao STF que nós somos pela liberdade da pesquisa, em prol da vida e CONTRA o anti-semitismo como instrumento pessoal ou de estado. eu já assinei. mayana tem todo meu apoio.
June 8th, 2007 at 8:12 am
O Brasil não pode, nem deve, perder o trem da história da ciência, impedindo a pesquisa com células tronco embrionárias que tantas curas poderá trazer para a humanidade, nem muito menos se calar diante de argumentos mesquinhos e medievais daqueles que estão em cargos que têm o poder de julgar as pessoas e que caminho deveremos seguir.
June 8th, 2007 at 9:57 am
Sílvio,
Veja bem, atenhamo-nos aos fatos:
Fato 1 - Zatz é judia.
Fato 2 - Fonteles é católico.
Por que raios afirmar que a posição da Zatz é a posição do judaísmo (*E É*, portanto não temos calúnia nenhuma aqui) seria anti-semitismo, ao mesmo passo em que a posição do Fonteles poderia ser legitimamente impugnada como “obscurantismo medieval” pelo fato de ser a posição da Igreja? Por que os dois pesos e as duas medidas?
E mais uma coisa: lendo esse texto, tem-se a impressão de que a audiência pública do Supremo versou somente sobre assuntos religiosos. E quanto aos debates científicos?
Seria mais imparcial [e faria, inclusive, um bem maior à sua causa] se, ao invés de focar o assunto numa afirmação periférica sobre religião, você expusesse o debate nos termos científicos em que ele foi tratado.
Sensibilizar a opinião pública através da veiculação de partes estrategicamente recortadas de uma polêmica atual, e querer depois fazer valer a própria opinião “na marra”, por meio de abaixo-assinados, não é uma maneira honesta de se exercer a cidadania numa democracia.
Atenciosamente,
Jorge Ferraz - Católico.
June 8th, 2007 at 10:31 am
Apoio as pesquisas com celulas tronco
June 8th, 2007 at 10:44 am
É preciso lembrar o conceito de cidadania para que os que estejam contra o projeto de células tronco deixem as suas “tocas” fisiológicas em nome de uma moral duvidosa e estranha e entendam que o direito à vida é para todos os cidadãos.
A saudação dos judeus quando fazem um brinde é “le chaim”, em hebraico. Quer dizer “à vida”. Todavia, é tão universal saudar “A VIDA”. Não é particular ao judaísmo!
June 8th, 2007 at 12:49 pm
Eu apoio!
June 8th, 2007 at 3:58 pm
Meu caro Silvio Meira,
pelo texto que escreveu e pelas opiniões que nele emitiu, parece-me que, além de muitas outras atribuições (muitas das quais eu admiro), o senhor deve ser um estudioso do tema abordado. No entanto, creio que esta sua defesa carece de algumas informações relevantes. Faço-lhe, desta forma, alguns pequenos questionamentos:
1- Quando começa a vida? Se possível, fundamente sua resposta.
2- Caso a sua resposta acima coloque em questão aquilo que podemos facilmente encontrar nos mais diversos livros de embriologia [o que faria dela apenas uma hipótese sem consenso científico], você realmente acha que deveríamos arriscar eliminar “algo que tem a possibilidade de ser uma vida humana” pura e simplesmente em nome do “avanço científico”? Então, a ciência deveria avançar a qualquer custo, inclusive em detrimento da vida humana?
3- Você realmente acha é preciso uma audiência pública para definir o que podemos encontrar já definido em qualquer livro de Embriologia?
4- O senhor chegou a assistir a audiência? Se assistiu, traga-nos seus comentários acerca do debate científico que rolou por lá. Seria interessante para alguém que pretende defender a opinião que você defende. Se não assistiu mas leu alguns artigos científicos sobre o tema traga-nos os argumentos apresentados em tais artigos e nos quais o senhor fundamenta sua posição. Se não assistiu e nem leu nada sobre o assunto, então, nos diga em que o senhor se fundamenta ao defender sua posição.
5- Em seu texto, o senhor deixa a impressão de que a audiência no STF girou em torno do debate “Ciência vs. Religião”. E, pelo que me parece isso não é dito dessa forma apenas pelo senhor, mas, os meios de comunicação, em sua maioria, assim retratam a audiência pública. Sinceramente, não acho que seja uma boa tática tentar desqualificar cientistas pelo simples fato de serem católicos, ou tentar tachar de *religiosos* seus argumentos *científicos* (pelo que me consta, não se falou de religião durante a audiência, mas, apenas de ciência). Creio que a religião não pode ser motivo para enaltecer ou denegrir a imagem de qualquer cidadão perante a opinião pública. Ademais, sabemos que não são apenas os cientistas que defendem a fecundação como sendo o início da vida que possuem religião (algo que todo mundo faz questão de ressaltar). Muitos dos demais, como a judia Mayana Zats, também possuem alguma religião, mas, o interessante é que ninguém se importa com esse fato! Se a religião importa para [des]qualificar os argumentos de uns, por que não dos outros? Sendo assim, o Sr. Cláudio Fonteles, quando questionado sobre “a motivação religiosa de sua ação” (sic.) , lembrando que do lado de lá também existem cientistas religiosos, ofereceu uma resposta (já mencionada no seu blog) na mesma moeda: questionou a argumentação “religiosa” da Dra. Mayana, que bate direitinho com a doutrina judaica do “pikuach nefesh” (veja aí o Rabino mais famoso do Brasil falando sobre isso: http://www.usp.br/jorusp/arquivo/2004/jusp677/pag0809.htm), coincidentemente ou não.
Daí podemos observar o seguinte: quando um cientista, religioso ou não, defende o valor da vida desde a concepção é logo chamado de “obscurantista medieval”, ignorante, intolerante, et cetera, pelo simples fato de defender a mesma opinião que a Igreja. E ninguém o defende destas acusações preconceituosas e anti-religiosas. Mas quem ousar apontar a semelhança entre a posição da *judia* Mayana Zats e a posição da religião judaica, é logo acusado de “anti-semita”. Qual o motivo desta disparidade de tratamento? E mais, convido-lhe a apontar onde o Sr. Cláudio Fonteles foi “anti-semita”. Pelo visto, o tal “ato anti-semitismo explícito” não está tão explícito assim. Temo que isso não passe de uma acusação barata, ou, na melhor das hipóteses, desatenta. Mas, creio que você possa nos esclarecer melhor.
Sei que são perguntas simples de serem respondidas por você, que é notoriamente um grande pesquisador e deve ter acesso a uma boa quantidade de material sobre temas do gênero. Peço, pois, em nome do respeito aos seus muitos leitores e admiradores, que fundamente a sua argumentação antes de recomendar a assinatura do tal abaixo-assinado. Dê aos seus leitores e admiradores a oportunidade de refletirem um pouco mais. A sociedade agradece.
Atenciosamente,
Claudemir Júnior.
June 8th, 2007 at 5:35 pm
COMMENT:IF GALILEO GALILEI WOULD BE LIVING IN BRAZIL NOW, MR. FONTELLES (VON TELLER??) WOULD FORBID HIS EXPERIMENT AND EINSTEIN FOR BEING A JEW WOULD BE ALSO BANNED BY MR. VON?
I AGREE ENTIRELY WITH SILVIO MEIRA CAMPAIGN AND COMMENTS.
SÉRGIO MASCARENHAS,MEMBER OF THE TWAS,BRAZILIAN ACAD. OF SCI. AND THE LATIN AMERICAN ACAD. OF SCI.
PLEASE TRANSLATE TO PORTUGUESE IF NEEDED.
June 8th, 2007 at 6:41 pm
jorge, claudemir:
eu apoio a peticao de MAYANA pelas razoes EXPLICITADAS na PETICAO; ha um link no blog. nao preciso defender de novo os argumentos de la; ao meu ver, sao mais que suficientes.
este blog, em particular, nao e sobre genetica, vida ou biotech; nao sou especialista nisso nem PRETENDI SER no post.
por outro LADO, mantenho a minha POSICAO [metafisica] de que um debate RELIGIOSO sobre a CIENCIA e OBSCURO, medieval, primario e INSUSTENTAVEL nestes tempos onde a CIENCIA e os METODOS cientificos nao precisam MAIS recorrer a supostos PODERES ou sistemas dos quais a humanidade nao PRECISA depender…
o debate, volto a dizer, e cientifico mesmo. as questoes eticas e morais envolvidas TEM que levar em conta o contexto social da nacao MAS nao podem estar circunscritas as religioes particulares dos debatedores. mayana NAO esta defendendo um ponto de vista JUDAICO nesta questao. eu a conheco e sei que passa longe dela esta -neste caso- questao menor.
o que e inaceitavel e que ela seja acusada de estar fazendo justamente isso.
e notem que eu NAO mencionei, no meu post, que fonteles e coroinha de uma igreja em brasilia. mesmo se ele fosse ateu, o ponto de vista que ele esta expressando seria condenavel da mesma forma. meu raciocinio e defesas, neste caso, NAO TEM LADOS.
por acaso, se querem saber, sou existencialista convicto; nao acho que a humanidade precisa de NENHUMA religiao. aceito, respeito todas. mas as entendo desnecessarias. e acho que o futuro vai me dar razao, como qualquer um que talvez tenha uma religiao deve estar certo de seu deus e credo. a mim me basta nenhum.
obrigado pelos comentarios e reflexoes. este e mesmo um tema candente.
s
June 9th, 2007 at 4:17 am
pelo amor de DEUS (que pra mim e’ shakespeare, seja dito), porque o (explicito) foco desse debate e’ a definicao de “onde comeca a vida”?
nao seria muito mais sao e honesto um questionamento acerca das possiveis tecnicas, focando no economico e social? — e caso haja equivalencias, pra ajuste popular, escolher aquela menos perniciosa a dinamica dos valores morais.
aqui, a unica definicao que, *analiticamente*, deduzo e’: ‘dogma’ => ‘pathos’
–tiago
June 9th, 2007 at 5:21 am
O que mais impressiona é que, teoricamente, o estado deveria ser laico e o Fonteles, representante do estado, jamais deveria levantar ESSE TIPO de acusação NESSE TIPO de debate. Mas no Brasil, em geral, as coisas não acontecem como deveriam acontecer mesmo…
June 9th, 2007 at 6:06 am
O anti-semitismo do procurador ficou explícito na medida em que associou a condição de judia da cientista às suas posições, na medida em que ela não usou postulados judaicos na defesa de suas idéias. Ao diferenciá-la da maioria e ATRIBUIR A ESSA DIFERENÇA a opinião supostamente inferior dela, este inquisidorzinho tenta reduzir a importância da posição científica dela a uma visão religiosa.
E simultaneamente generaliza a um grupo de pessoas (os judeus) uma opinião científica baseado na identidade cultural desse povo.
Parece-me que Silvio Meira et al. não o caracteriza (corretamente) como obscurantista por ser católico, o que seria igual. Mas por trazer razões religiosas a uma discussão científica e, principalmente, discriminar uma cientista pela sua bagagem cultural, ignorando a sua própria formação científica.
June 9th, 2007 at 8:37 am
Professor,
Sou contra o uso de células-tronco embrionárias, pelos os seguintes motivos:
1. Sou da ala religiosa. Logo quando se fala de embrião associo logo à vida. Para a retirada da célula-tronco do embrião, ele irá perder a sua vida. Logo não compartilho a idéia de que devemos evoluir a medicina e buscar a cura de doenças a “qualquer preço”, onde “qualquer preço” é às custas da vida de alguém.
2. Células-tronco adultas têm se mostrado melhor do que as embrionárias (http://www.portaldafamilia.org/artigos/artigo349.shtml).
3. Células-tronco adultas pode ter algumas proteínas ativadas, de forma a funcionarem (não se tornarem) como as embrionárias (http://br.today.reuters.com/news/newsArticle.aspx?type=worldNews&storyID=2007-06-06T193342Z_01_B280685_RTRIDST_0_MUNDO-CIENCIA-CELULATRONCO-NOVASFORMAS-POL.XML).
4. O risco de rejeição de células-tronco adultas é muito baixo, enquanto que células tronco embrionárias têm uma chance muito maior de causar rejeição ou até tumores em relação às células-tronco adultas.
Se futuramente me deparar com situações configuradas da mesma forma que a atual, eu acredito que me posicionarei da mesma forma. Hoje vejo outra forma emergir para resolver esse problema, e acredito que lá na frente verei outras para outros problemas.
Obrigado pelo o espaço.
[]’s
Emerson de Lira Espínola
June 9th, 2007 at 9:21 am
Apoiado! Sim à vida.
June 9th, 2007 at 9:26 am
Com a Dra. Mayana para o que der e vier. Le Chaim.
June 9th, 2007 at 10:40 am
ismar, o ponto e este mesmo… minha nota NAO e contra-fonteles, mas PRO um debate cientifico transparente, civilizado, honesto, verdadeiro. da forma que esta sendo conduzido hoje, no pais, e como se a gente comecasse a conversar com alguem dizendo que “considerando que voce e louro [ou preto, ou chines, ou de taperoa, ou funcionario publico…] minha opiniao sobre sua proposta e´”…
nos PRECISAMOS PARAR de catalogar pessoas e ideias. ha ideias MUITO BOAS vindas dos quadrantes menos esperados da sociedade. precisamos saber COMO AVANCAR, nao so no debate cientifico mas nas vertentes de atuacao e discussao social onde ainda estamos vivendo no ESCURO. usar capas e teias religiosas -ou de cor, ou pais…- para discutir fundamentos de CIENCIA e inaceitavel.
e disto que a peticao da mayana zatz trata. em particular, neste caso [digo de novo], pouco importa o que as religioes e culturas A, B, C “acham” que e a VIDA. a vida pode ser entendida cientificamente. e isso que precisamos fazer.
vai ser muito interessante quando entendermos -de verdade- que a MENTE humana e so um CEREBRO funcionando num corpo e CONTEXTO. ou seja, que nos humanos somos ANIMAIS como todos os outros. as consequencias disso para muitas dos achismos que hoje permeiam a sociedade serao muitas. chega nesta discussao aqui, inclusive. acho que vou escrever sobre isso aqui em breve…
s
June 9th, 2007 at 8:54 pm
Caro Silvio,
Neste embate de DOUTORES, acho que o Fonteles foi infeliz quando apimentou o debate (já apimentado) com uma dose de intolerância religiosa. O foco da questão é a POSSIBILIDADE de tratamento de pessoas (de GENTE como a GENTE) IMPOSSIBILITADAS de viver comumente.
GENTE viva, mas à margem da vida. E são muitas. Como se fossem vivos sem vida. Crianças (GENTE FINA), sobretudo, crianças cheias de vida, cadê a vida? Crianças que por diversas doenças, não podem realizar tarefas simples como escovar os dentes, caminhar, pular, vibrar, correr, cair e levantar. Crianças que nunca sentiram a maior energia do mundo, que é a energia de um afetuoso abraço com o pai, com a mãe, irmãozinho, irmãzinha, avô, amiguinho… Crianças que não podem sorrir. Crianças que não podem levantar as mãos para o céu e agradecer a Papai do Céu pela vida que levam.
É fácil ser contra, quando se está longe de uma cadeira de rodas, de muletas e da vigília da compaixão alheia. Mais do que um pensar religioso ou científico, o tema deve estruturar-se no pensar da criança privada de ser criança. Do pai e da mãe dessas doces criaturas. Eis o lado mais humano da questão. O debate das células-troco com foco meramente científico torna-se frio, o debate meramente religioso é míope. É preciso humanizar (GENTILIZAR) o debate. Estamos perdendo muito tempo, e tempo não é só dinheiro como muitos pensam, tempo é VIDA.
Tenho notado que muitos cientistas e doutores não estão sabendo estruturar e organizar os argumentos da causa. E muitos religiosos – católicos, judeus, protestantes etc. – neste tema específico, comportam-se como se gritassem: Sou ateu graças a Deus!!!
Grande abraço Silvio,
Bruno Bezerra
Santa Cruz do Capibaribe – PE
www.brunobezerra.blogspot.com
PS: A entrevista da Dra Mayana com o Dr Drauzio é maravilhosa. Todos deveriam ler antes de comentar algo.
June 10th, 2007 at 1:18 pm
Caro colega Silvio Meira,
parabens pela iniciativa da divulgacao da petica (a qual ja assinei).
todos que sao pela vida (quem nao é ???) e se importam com os semelhantes deveriam assinar e deixar de debates vazios que, enquanto bla bla bla, somente aumentam o sofrimento de pacientes e familiares.
Viva a vida e viva a pesquisa cientifica !
Ana
June 10th, 2007 at 11:06 pm
Silvio,
concordo 100% com a posição colocada tão bem por você e por Ismar,
apesar de cientificamente a discussão sobre o uso de células tronco terem muito a caminhar, a questão é o fato do uso da Dra. Mayara ser Judia em meio a esta discussão. e isto é ANTISEMITISMO explicito.
Parabéns e obrigado por nos abrir os olhos a esta questão.
June 11th, 2007 at 8:43 am
Achei infeliz que o Sr. Ministro tenha utilizado uma questão religiosa, para fundamentar o seu parecer (ao meu ver infundamentado!). Como católico, acho que ser a favor da vida passa também pelo fato de ser inteligente o bastante, para saber diferenciar entre: utilizar embriões congelados “descartáveis do ponto de vista de não serem utilizados para o fim de gerar um indivíduo” e matar seres vivos que “seriam extraídos (segundo outros) do ventre materno e que deixariam de gerar um indivíduo, para serem utilizados em pesquisas científicas”.
Infelizmente entre essa discussão existe uma linha tênue e que só o bom senso não deixará descambar para outras discussões tais como a gerada pelo parecer, fora anti - QUALQUER COISA !
Berg.
June 11th, 2007 at 8:46 am
Olá Senhores.
Existe o anti-semitismo, mas este caso foi uma sindrome de vitimas de anti-semitismo por parte de muitos de nós Judaicos. Se observarem o que ocorreu por completo, e nao apenas este trecho, irão notar que foi-se questionado dos propositos religiosos do procurador, pois afirmaram que ele mantinha sua posicao (contra) por que sua religiao assim pensava, e ao retrucar isso ele afirmou que ocorre entao da mesma forma com a Dra, que nao tinha qualquer empecilio religioso (crença) para que ela pudesse hesitar.
Sou judeu e nao vi anti-semitismo algum, afinal, a base da discussao TODA é 100% RELIGIOSA, pois se nao fosse, todos as culturas ja teriam adotado desde a clonagem de Dolly. Se fosse possivel abster-se das crenças, nao haveria tal problematica.
June 11th, 2007 at 2:34 pm
Silvio,
É completamente absurdo vc dizer que o debate em questão deve ser discutido à margem da moral e da ética! Todas as questões, sejam elas científicas, profissionais, pessoais ou de qualquer outra matéria devem ser submetidas a elas. O argumento usando por Fonteles não se baseia restritamente ao ensinamento da Igreja mas ao âmbito da Moral!
Fico perplexo em ver sua afirmação na qual coloca a ética e a moral em segundo plano e como algo relativo à cultura ou à religião A, B ou C. Fico imaginando por quantas vezes vc não deve ter deixando-as de lado em detrimento dos seus interesses.
É por conta desse de gente que pensa como vc que o Brasil é um país tão cheio de pessoas com valores deturpados e capazes de se corromper e ser corrompidas.
Dizer que a vida de alguém é mais importante do que a de outra e que portanto esta última deve ser sacrificada é a mesma coisa de Hitler fazia e ensinava no seu nacional-socialismo.
June 11th, 2007 at 5:22 pm
caro chara com-h,
dentre as importantes questoes faltantes para um brasil melhor, impressindivel, esta a possibilidade de educar pessoas como voce.
nao se preocupe, ha’ muita gente, como silvio meira, lutando por isso.
aproveite ao maximo,
–tiago
June 11th, 2007 at 7:24 pm
caro thiago guedes [no caso, o thiago SEM A., e com th],
voce nao deve ter lido direito NEM o post NEM os comentarios. eu nao estou desconsiderando etica e moral nao… meu comentario, acima, diz que… “o debate, volto a dizer, e cientifico mesmo. as questoes eticas e morais envolvidas TEM que levar em conta o contexto social da nacao MAS nao podem estar circunscritas as religioes particulares dos debatedores.”.
de resto, discordo que o brasil *esteja como esta* por causa *dessa gente* que pensa como eu. como voce nao leu o post, ou nao entendeu, nao sabe NEM o que eu penso sobre o assunto…
s
June 11th, 2007 at 9:15 pm
“o debate, volto a dizer, e cientifico mesmo. as questoes eticas e morais envolvidas TEM que levar em conta o contexto social da nacao MAS nao podem estar circunscritas as religioes particulares dos debatedores.”
Ética e Moral não são relativas para serem levadas em conta no contexto de uma nação. Elas emanam de princípios absolutos que independem de cultura, nação, período histórico, religião ou qualquer outro contexto.
Sacrificar a vida de uma pessoa inocente em detrimento de outra por considerar que ela é “melhor” ou “mais capaz” é um ato covarde e moralmente absurdo hoje, na idade média, na china, no alasca, na pobreza, na riqueza ou em qualquer outro contexto.
LI TUDO o que vc escreveu e repito que ao ser ralativista quando trata da moral vc a abandona.
Seja honesto nas suas argumentações!
June 11th, 2007 at 9:23 pm
Tiago Assumpcao,
Dentre as importantes questões faltantes para um Brasil melhor é IMPRESCINDÍVEL que as pessoas escrevam corretamente!
June 11th, 2007 at 9:30 pm
Caro Silvio
Apoio incondicionalmente o estudo, sabes que já o fiz, e sei quanto é dificil fazer ciencia nesta terra. Naturalmente, na história da humanidde é mais fácil tentar impedir a pesquisa até citando a religião. Como se ainda fosse um segredo que o catolicismo é uma cópia do judaismo. Prova-se também que nada impede o progresso do que se estuda (não há lei que impessa).Diga para eles que não se usa somente células de mórulas, podemos usá-las do sangue de cordão( como estudei) ou medula óssea. Estude Dra. Mayana. Estude e demonstre que pode demorar, mais a lei natural permanece como verdade. As leis dos homens?Elas mudam.
June 11th, 2007 at 11:42 pm
thiago guedes,
sobre moral e etica, olhe o link abaixo, de uma pesquisa usando google, com quase 500 apontadores para a encyclopaedia de filosofia de STANFORD. va ler. nao e um site qualquer. meus argumentos sobre este assunto [etica e moral] se encerrram aqui. inte…
http://www.google.com.br/search?q=ethics+moral+site%3Aplato.stanford.edu
June 12th, 2007 at 12:25 am
thiago,
estamos em acordo. foi uma daquelas lexicas-catastrofes resultantes de escrever impulsiva e emocionalmente; maldito “amateur” (eu) — avoco a falta.
em referencia a;
“”"Ética e Moral não são relativas para serem levadas em conta no contexto de uma nação. Elas emanam de princípios absolutos que independem de cultura, nação, período histórico, religião ou qualquer outro contexto.”"”
interessante.
cito, de “Grundlegung zur Metaphysik der Sitten” (ingles/h.j. paton), “The need for pure ethics”:
“”"If the distinction between “a priori” and empirical ethics is sound, it is desirable to treat each part separately. The result of mixing them up is bound to be intellectual confusion, but it is also likely to lead to moral degeneration. If actions are to be morally good, they must be done for the sake of duty, and only the “a priori” or pure part of ethics can show us what the nature of duty is.”"”
acima, e’ mencionada a essencial linha que separa etica normativa de descritiva.
ao afirmar que a moral floresce de “principios absolutos”, voce obriga o leitor a interpretar “sua etica” como algo estritamente “puro”, metafisico. desta forma, tal qual o categorico imperativo kantiano, este metodo seria de exclusiva concernencia ao dominio analitico (ou regressivo).
ademais de a conceitualizacao do “a priori” kantiano ser restrito ao ideologico — ou seja, a *atuacao* racional por sobre tal “conhecimento ‘a priori’”, que descreve a liberdade e o dever em kant, sempre sofrera influencias culturais e sociais, entre outras idiossincrasias –, o que leva tal teoria a debeis fins [veja, por exemplo, sobre o “paradoxo da deontologia”], o tema aqui discutido e’ de carater *pratico*.
acima dito, caso minhas inferencias relativas a seu texto sejam falaciosas, ou que haja discordancia acerca da pequena dissertacao aqua apresentada, e, finalmente, para que nao escorregue (voce) no charco relativista, seria todavia mais interessante a apresentacao de discorrimento sobre seus metodos, nao somente suas conclusoes, de acordo?
saldacoes,
–tiago
June 12th, 2007 at 12:27 am
nota: desta vez, o saudoso-lexico foi em carater estetico
June 12th, 2007 at 12:30 am
nota: desta vez o saudoso-lexicon foi em carater estetico
June 12th, 2007 at 4:09 pm
Caro Silvio Meira,
antes de mais nada, agradeço-lhe a atenção dada as minhas colocações. Sei que seu tempo deve ser bastante disputado pelas suas atribuições cotidianas (assim como o meu também é, e, por isso, peço perdão pelo atraso na resposta).
Vi que a discussão tomou outros rumos, mas, permaneceram dentro do tema. Contudo, voltarei a bater em algumas teclas novamente. Vou me ater, por agora, ao que propus inicialmente. Vamos lá, então. Colocarei algumas de suas considerações, não necessariamente em ordem, entre >.
>
Sim, eu já havia lido a petição anteriormente (não iria criticar sem ler). Apenas achei insuficiente, sem argumentos que pudessem sustentá-la. Não vou comentar cada um dos 9 pontos elencados na petição (em outra oportunidade, quem sabe) apenas para não perder o foco.
>
Percebe-se.
Perdoe se dei a entender algo diferente no post anterior.
>
Ok, mas, quem está levando a coisa pro lado religioso aqui? Acaso não é essa a tática dos dos pró pesquisas com embriões (e, também, dos abortistas): dizer que o argumento contrário é puramente religioso, desprezando qualquer dado técnico, científico ou estatístico que venha de lá? Não foi isso que insinuaram ao Fonteles ao perguntarem sobre suas “motivações religiosas”? Pois é. Como já havia dito essa é a tática mais cômoda de debater sobre tais temas, tentar distorcer e reduzir a opinião contrária tachando-a de “religiosa” ou de “irracional”.
>
Sim. É científico. Não foi preciso envolver religião durante o debate no STF, onde foram utilizados apensas argumentos científicos que provavam por a + b o que já sustentava Hipórcrates e ainda concordam os livros de Embriologia até hoje: a vida começa na concepção. É aqui que entram as questões de ética e moral (que, frise-se, são valores independentes de contexto; o que depende do contexto é a aceitação ou não destes valores por determinada sociedade; ética e moral são valores que não precisam de aceitação da maioria para subsistirem). Sendo assim, deixo agora duas das questões que havia colocado anteriormente e ficaram sem respostas claras:
1- Quando começa a vida? Se possível, fundamente sua resposta.
2- Caso a sua resposta acima coloque em questão aquilo que podemos facilmente encontrar nos mais diversos livros de embriologia [o que faria dela apenas uma hipótese sem consenso científico], você realmente acha que deveríamos arriscar eliminar “algo que tem a possibilidade de ser uma vida humana” pura e simplesmente em nome do “avanço científico”? ENTÃO, A CIÊNCIA DEVERIA AVANÇAR A QUALQUER CUSTO, INCLUSIVE EM DETRIMENTO DA VIDA HUMANA?
>
Não adianta bater o pé e negar. Ela está defendendo os mesmos argumentos do judaísmo sim. É fato inconteste. Mas, se ela argumenta desta forma simplesmente por ser judia ou se é mera coincidência, não vem ao caso. Assim como não vem ao caso o credo religioso de todos os outros envolvidos no debate. As questões que vem ao caso para o debate foram colocadas acima (é lícito sacrificar uma vida inocente em benefício de outra?).
>
Ela só foi acusada disso por conta da obstinação dela, de outros cientistas de mesma opinião e dos meios de comunicação diversos em querer reduzir as argumentações contrárias ao campo meramente religioso. Nada mais justo do que retribuir na mesma moeda. O que vale para um também deve valer para o outro.
Aliás, o Fonteles apenas demonstra a inconstitucionalidade de tal projeto, nada mais. Se pretendem contestá-lo, que contestem seus argumentos e não sua religião.
Outra coisa, você esqueceu de me responder o seguinte: onde está o fundamento para acusar o Fonteles de “anti-semita”? Exponha-os aqui, pois não é interessante e nem ético jogar acusações gratuitas no ar. Responda também à pergunta do Jorge Ferraz: “Por que raios afirmar que a posição da Zatz é a posição do judaísmo (*E É*, portanto não temos calúnia nenhuma aqui) seria anti-semitismo, ao mesmo passo em que a posição do Fonteles poderia ser legitimamente impugnada como “obscurantismo medieval” pelo fato de ser a posição da Igreja? Por que os dois pesos e as duas medidas?”
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Com todo respeito, nem o *presente* tem lhe dado razão, meu caro. Talvez lhe dê alguma razão quando você fala sobre os assuntos que conhece e domina.
Agora, peço licença para entrar rapidamente em uma questão secundária a este debate:
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Só uma dúvida, aqui você pretende colocar homens, chimpanzés, ornitorrincos e demais animais irracionais em pé de igualdade?
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Escreva mesmo.
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Eu é que agradeço o espaço aberto para a discussão.
Despeço-me dando graças a Deus por estar aqui postando em seu blog, pois, assim como você, não fui usado em nenhuma experiência científica quando ainda era um pequeno embrião.
Forte abraço.
Atenciosamente,
Claudemir Júnior.
June 12th, 2007 at 4:14 pm
Caro Silvio Meira,
antes de mais nada, agradeço-lhe a atenção dada as minhas colocações. Sei que seu tempo deve ser bastante disputado pelas suas atribuições cotidianas (assim como o meu também é, e, por isso, peço perdão pelo atraso na resposta).
Vi que a discussão tomou outros rumos, mas, permaneceram dentro do tema. Contudo, voltarei a bater em algumas teclas novamente. Vou me ater, por agora, ao que propus inicialmente. Vamos lá, então. Colocarei algumas de suas considerações, não necessariamente em ordem, entre “”.
“eu apoio a peticao de MAYANA pelas razoes EXPLICITADAS na PETICAO; ha um link no blog. nao preciso defender de novo os argumentos de la; ao meu ver, sao mais que suficientes.”
Sim, eu já havia lido a petição anteriormente (não iria criticar sem ler). Apenas achei insuficiente, sem argumentos que pudessem sustentá-la. Não vou comentar cada um dos 9 pontos elencados na petição (em outra oportunidade, quem sabe) apenas para não perder o foco.
“este blog, em particular, nao e sobre genetica, vida ou biotech; nao sou especialista nisso nem PRETENDI SER no post.”
Percebe-se.
Perdoe se dei a entender algo diferente no post anterior.
“por outro LADO, mantenho a minha POSICAO [metafisica] de que um debate RELIGIOSO sobre a CIENCIA e OBSCURO, medieval, primario e INSUSTENTAVEL nestes tempos onde a CIENCIA e os METODOS cientificos nao precisam MAIS recorrer a supostos PODERES ou sistemas dos quais a humanidade nao PRECISA depender…”
Ok, mas, quem está levando a coisa pro lado religioso aqui? Acaso não é essa a tática dos dos pró pesquisas com embriões (e, também, dos abortistas): dizer que o argumento contrário é puramente religioso, desprezando qualquer dado técnico, científico ou estatístico que venha de lá? Não foi isso que insinuaram ao Fonteles ao perguntarem sobre suas “motivações religiosas”? Pois é. Como já havia dito essa é a tática mais cômoda de debater sobre tais temas, tentar distorcer e reduzir a opinião contrária tachando-a de “religiosa” ou de “irracional”.
“o debate, volto a dizer, e cientifico mesmo. as questoes eticas e morais envolvidas TEM que levar em conta o contexto social da nacao MAS nao podem estar circunscritas as religioes particulares dos debatedores.”
Sim. É científico. Não foi preciso envolver religião durante o debate no STF, onde foram utilizados apensas argumentos científicos que provavam por a + b o que já sustentava Hipórcrates e ainda concordam os livros de Embriologia até hoje: a vida começa na concepção. É aqui que entram as questões de ética e moral (que, frise-se, são valores independentes de contexto; o que depende do contexto é a aceitação ou não destes valores por determinada sociedade; ética e moral são valores que não precisam de aceitação da maioria para subsistirem). Sendo assim, deixo agora duas das questões que havia colocado anteriormente e ficaram sem respostas claras:
1- Quando começa a vida? Se possível, fundamente sua resposta.
2- Caso a sua resposta acima coloque em questão aquilo que podemos facilmente encontrar nos mais diversos livros de embriologia [o que faria dela apenas uma hipótese sem consenso científico], você realmente acha que deveríamos arriscar eliminar “algo que tem a possibilidade de ser uma vida humana” pura e simplesmente em nome do “avanço científico”? ENTÃO, A CIÊNCIA DEVERIA AVANÇAR A QUALQUER CUSTO, INCLUSIVE EM DETRIMENTO DA VIDA HUMANA?
“mayana NAO esta defendendo um ponto de vista JUDAICO nesta questao. eu a conheco e sei que passa longe dela esta -neste caso- questao menor.”
Não adianta bater o pé e negar. Ela está defendendo os mesmos argumentos do judaísmo sim. É fato inconteste. Mas, se ela argumenta desta forma simplesmente por ser judia ou se é mera coincidência, não vem ao caso. Assim como não vem ao caso o credo religioso de todos os outros envolvidos no debate. As questões que vem ao caso para o debate foram colocadas acima (é lícito sacrificar uma vida inocente em benefício de outra?).
“o que e inaceitavel e que ela seja acusada de estar fazendo justamente isso.”
Ela só foi acusada disso por conta da obstinação dela, de outros cientistas de mesma opinião e dos meios de comunicação diversos em querer reduzir as argumentações contrárias ao campo meramente religioso. Nada mais justo do que retribuir na mesma moeda. O que vale para um também deve valer para o outro.
Aliás, o Fonteles apenas demonstra a inconstitucionalidade de tal projeto, nada mais. Se pretendem contestá-lo, que contestem seus argumentos e não sua religião.
Outra coisa, você esqueceu de me responder o seguinte: onde está o fundamento para acusar o Fonteles de “anti-semita”? Exponha-os aqui, pois não é interessante e nem ético jogar acusações gratuitas no ar. Responda também à pergunta do Jorge Ferraz: ‘Por que raios afirmar que a posição da Zatz é a posição do judaísmo (*E É*, portanto não temos calúnia nenhuma aqui) seria anti-semitismo, ao mesmo passo em que a posição do Fonteles poderia ser legitimamente impugnada como “obscurantismo medieval” pelo fato de ser a posição da Igreja? Por que os dois pesos e as duas medidas?’
“por acaso, se querem saber, sou existencialista convicto; nao acho que a humanidade precisa de NENHUMA religiao. aceito, respeito todas. mas as entendo desnecessarias. e acho que o futuro vai me dar razao,”
Com todo respeito, nem o *presente* tem lhe dado razão, meu caro. Talvez lhe dê alguma razão quando você fala sobre os assuntos que conhece e domina.
Agora, peço licença para entrar rapidamente em uma questão secundária a este debate:
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“ vai ser muito interessante quando entendermos -de verdade- que a MENTE humana e so um CEREBRO funcionando num corpo e CONTEXTO. ou seja, que nos humanos somos ANIMAIS como todos os outros.”
Só uma dúvida, aqui você pretende colocar homens, chimpanzés, ornitorrincos e demais animais irracionais em pé de igualdade?
“as consequencias disso para muitas dos achismos que hoje permeiam a sociedade serao muitas. chega nesta discussao aqui, inclusive. acho que vou escrever sobre isso aqui em breve…”
Escreva mesmo.
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“obrigado pelos comentarios e reflexoes. este e mesmo um tema candente.”
Eu é que agradeço o espaço aberto para a discussão.
Despeço-me dando graças a Deus por estar aqui postando em seu blog, pois, assim como você, não fui usado em nenhuma experiência científica quando ainda era um pequeno embrião.
Forte abraço.
Atenciosamente,
Claudemir Júnior.
June 12th, 2007 at 4:19 pm
Professor,
Querer que o debate seja científico e que as questões eticas e morais envolvidas levem em conta o contexto social da nação, mas não podem estar circunscritas às religiões particulares dos debatedores, pode acontecer, porém é natural que a religião (seja ela qual for) apareça. Vejo tranquilamente as duas coisas (Ciência e Religião) se completando e não o contrário.
Dizer SIM à vida, todos dizem. Tanto os que não crêem em Deus como os que crêem. Querer salvar a vida de uma pessoa da família, todos querem. Tanto os que não crêem em Deus como os que crêem. A questão toda gira em torno da pergunta: o que é vida? onde se encontra a vida? onde começa a vida?
Não dá pra falar de ética e moral sem falar da vida aí. Eu garanto que ninguém seria a favor de tirar a vida de uma outra pessoa para salvar a vida de um parente (vai levar em consideração a ética e a moral, porque tem gente tirando a vida de gente por aí a torto e a direita sem nenhum pesar), por exemplo. Por que? Porque a pessoa identifica que existe vida na outra pessoa. O que vai fazer essa mesma pessoa concordar ou não com uma célula-tronco embrionária é se essa pessoa vê ou não vê vida nessa célula. Se ele vê vida, provavelmente é contra. Se não vê vida, provavelmente é a favor.
Discutir se a ciência deve ou não servir o homem, é tentar morder o próprio rabo. Todos concordam que sim. A questão é se a ciência vai matar ou não uma pessoa pra salvar outra.
É por isso que é fácil entender o motivo que faz as pessoas trazerem o assunto religião em assuntos científicos.
Valeus.
June 13th, 2007 at 9:01 pm
Sílvio,
Como preâmbulo, duas pequenas coisas: (1) meus agradecimentos pela abertura do espaço e (2) minhas desculpas pela secura no meu primeiro comment e minha ausência após ele [as coisas aqui deram mais “pano para manga” do que eu supus em início].
Sem mais delongas: em que pesem a importância e a relevância dos temas abordados aqui, da questão ética, religiosa, cultural, etc, há um questionamento sem resposta desde o início, qual seja: *onde está o anti-semitismo* na declaração do Procurador-Geral da República?
O Fonteles não fez uma declaração gratuita, e sim deu uma resposta a um questionamento que lhe havia sido feito. Ele não usou termos depreciativos, tampouco utilizou a sua fala como “argumento” para encerrar o debate, e nem mesmo falou nenhuma mentira.
Onde está, portanto, o anti-semitismo?
Que se faça um abaixo-assinado em defesa do que quer que seja é compreensível, numa democracia de uma sociedade plural. O que não é aceitável é que essa manifestação seja feita com base em uma acusação falsa, e - pior ainda - se a divulgue nos meios de comunicação.
Reitero, pois, o que disse da vez precedente: é preferível defender a sua posição com base em argumentos, e não em calúnias.
Atenciosamente,
Jorge Ferraz - Católico
June 14th, 2007 at 10:38 am
Meira,
Ismar Kaufman,
quanto ao anti semitismo retiro do seu próprio texto, acima no blog (3o parágrafo):
num ato de anti-semitismo explícito (…) “A doutora Mayana Zatz, (…) tem TAMBÉM uma ótica religiosa (…) que é judia e que a gente tem de respeitar”.
quero evidenciar mais uma vez o “tem TAMBÉM uma ótica religiosa” e “que é judia e a gente tem que respeitar”.
Bem, podemos ver que não há declaração de ódio algum, a quem quer que seja, nos ditames de Fonteles (direta ou indiretamente). Que se inclui no “também” com o um detentor de ótica religiosa.O próprio Thiago A. declara que não viu anti-semitismo. Acalmemos os ânimos religiosos
Saulo Gorenstein,
Quanto ao cristianismo ser cópia do judaísmo, quero citar o fato de Cristo ser judeu e nunca deixado ser ou ter negado tal fato (salvo me falhe a memória). Mas para falar em cópia preciso saber as tradições judaicas e o que é igual (já que é cópia), Cristo pregava em parábolas e um amigo, que é muçulmano, falou que algumas também estão presentes na religião muçulmana. Mais abaixo há um link em que o João Paulo II (em 1978 e 2000) reconhece e pede perdão por algumas falhas cometidas pela Igreja católica em muitas épocas.
Marconi Madruga,
o Estado é laico, assim sendo o subprocurador tem a obrigação de defender a todos. Se uns serão atingidos pelas decisões ali tomadas, ele fez certo em agir. Assim como faria certo em agir se uma pessoa (de qualquer religião) fosse de encontro à vida de outra. Se para o judaísmo não fere em nada *respeitar* o que fere outras religiões, porque não o fazer? É direito, é democrático…
Sérgio Mascarenhas,
Quanto àquela época respondo somente com [um link http://veja.abril.com.br/especiais/papa/p_044.html]. (ler até segundo parágrafo)
Se fosse hoje ele seria cobrado pelo excessos. Ou vc acha que deveria estar acima do bem e do mal em nome da ciência? O programa atômico Brasileiro pode? O dos EUA, pode? a Rússia, pode? E o iraniano, pode? Por fim: ”’Os fins justificam os meios”’?
Caros,
Não há problema algum o enfoque religioso sobre tais discussões.
Aliás ela é necessária, pois acredito que o direito de um acaba onde o do outro principia.
Sendo assim todas as religiões têm o direito de entrar no debate político-científico e ouvir a todos.
Ainda mais se a política abre precedente para que a ciência entre numa esfera em que alguma religião seja levada a agir em DEFESA daqueles que não o podem fazer ou certamente iriam sucumbir à força dos poderosos: pobres, crianças, embriões, etc.
Quem é que lê um texto não se importa com os precedente do autor e suas bases para afirmações?
Quem acha que não toma posição alguma votando em branco lembro que o voto em branco fortalece a maioria e concentra o poder. O subprocurador deu o parecer dele, não podia? O argumento dele, mesmo que religioso, deve ser levado em conta, já que se trata de direito.
Chamar um leão de “esquilo” não o torna uma esquilo só porque o estamos chamando como tal. Mas dentro de uma perspectiva, talvez “esquilo” sirva para designar o que é leão em outra. Vamos definir os espaços uns dos outros, o que dói e o que não dói. O que é VIDA e o que não é.
Para isto serve o DEBATE como SILVIO mesmo reforçou em uma réplica.
Devemos procurar um conjunto mínimo dentro do direito e da política que permita o convívio de todos.
SILVIO falou em uma das réplicas que é a favor do DEBATE. Mas há um porém nesta mesma réplica colocada por SILVIO: ele fala somente da MENTE do ser humano. Quero lembrar que da perspectiva católica estamos querendo preservar (e também lembrar que existe) o ESPÍRITO. E este ainda não pode ser medido… (ou pode?… 21 gramas?) e por isso defendo a maior cautela nos estudos embrionários: para não ferir o que não se está vendo.
Por isso também acredito que é errado jogar no lixo os embriões, assim como usá-los de qualquer forma. Medieval? quero lembrar que estou na mesma época de todos que escreveram aqui.
Como católico defendo os princípios e deveres ensinados por Cristo e GUIADOS pela igreja.
São medievais? Será? O judaísmo, o budismo, o islamismo e tantas outras são mais antigas que o cristianismo. Nem por isso, ao se opor a um ponto de vista, uma pessoa deva ser rotulada de medieval ou outro termo injurioso por ser de uma religião. Falaram de calúnia, mas não lembraram da injúria…
Deve-se ter mais cuidado quanto as afirmações, que sem dúvida, algumas são injuriosas.
O Certo e o errado para os homens é uma coisa relativa. Absoluto só Deus. (para quem acredita)
Obrigado pelo ”cyber” espaço
June 14th, 2007 at 3:33 pm
Apenas uma breve (e descontraída) recomendação sobre o tema: http://diasimdiatambem.wordpress.com/2007/06/13/a-galileia/
Atenciosamente,
Claudemir Júnior.
June 16th, 2007 at 12:27 am
galera, grande discussao, esta; de longe, a mais longa e densa do blog ate agora. nao entrarei na discussao religiosa, pois ja afirmei antes que estou, por varias razoes, fora dela. entendo, no entanto, os argumentos religiosos, especialmente os catolicos. a argumentacao me e proxima, na familia. discordo, no entanto, em genero, numero e grau, e vejo gente com argumentos muito melhores que os meus para estudarmos aqui.
por exemplo, para o pessoal que esta envolvido na discussao etica/moral do problema de pesquisa com celulas tronco embrionarias: sugiro uma leitura de LISA BORTOLOTTI [filosofia, b´ham, uk, http://www.philosophy.bham.ac.uk/staff/Bortolotti.shtml]…
Stem cell research, personhood and sentience… no link abaixo:
http://www.philosophy.bham.ac.uk/staff/Bortolotti_RB-Bortolotti.pdf
do resumo do paper:
In this paper the permissibility of stem cell research on early human embryos is defended. It is argued that, in order to have moral status, an individual must have an interest in its own wellbeing. Sentience is a prerequisite for having an interest in avoiding pain, and personhood is a prerequisite for having an interest in the continuation of one’s own existence. Early human embryos are not sentient and therefore they are not recipients of direct moral consideration. Early human embryos do not satisfy the requirements for personhood, but there are arguments to the effect that they should be treated as persons nonetheless. These are the arguments from potentiality, symbolic value and the principle of human dignity. These arguments are challenged in this paper and it is claimed that they offer us no good reason to believe that early human embryos should be treated as persons.
isso NAO vai acabar discussao nenhuma, claro. mas meu argumento pode ser sintetizado ai. visitem a pagina de dr bortolotti. vale a pena.
June 16th, 2007 at 12:47 am
para o pessoal que esta interessado no debate secundario sobre MENTE e CEREBRO [e, sim: mentes SAO efeitos colaterais de CEREBROS, redes neurais naturais, computando; a tese se chama COMPUTACIONALISMO e tem cada vez mais evidencias que a sustentam]… vejam a tese de doutorado de Gualtiero Piccinini, Computations and Computers in the Sciences of Mind and Brain, neste link: http://etd.library.pitt.edu/ETD/available/etd-08132003-155121/.
do resumo…
Computationalism says that brains are computing mechanisms, that is, mechanisms that perform computations. At present, there is no consensus on how to formulate computationalism precisely or adjudicate the dispute between computationalism and its foes, or between different versions of computationalism. An important reason for the current impasse is the lack of a satisfactory philosophical account of computing mechanisms. The main goal of this dissertation is to offer such an account.
I also believe that the history of computationalism sheds light on the current debate. By tracing different versions of computationalism to their common historical origin, we can see how the current divisions originated and understand their motivation. Reconstructing debates over computationalism in the context of their own intellectual history can contribute to philosophical progress on the relation between brains and computing mechanisms and help determine how brains and computing mechanisms are alike, and how they differ. Accordingly, my dissertation is divided into a historical part, which traces the early history of computationalism up to 1946, and a philosophical part, which offers an account of computing mechanisms.
The two main ideas developed in this dissertation are that (1) computational states are to be identified functionally not semantically, and (2) computing mechanisms are to be studied by functional analysis. The resulting account of computing mechanism, which I call the functional account of computing mechanisms, can be used to identify computing mechanisms and the functions they compute. I use the functional account of computing mechanisms to taxonomize computing mechanisms based on their different computing power, and I use this taxonomy of computing mechanisms to taxonomize different versions of computationalism based on the functional properties that they ascribe to brains. By doing so, I begin to tease out empirically testable statements about the functional organization of the brain that different versions of computationalism are committed to. I submit that when computationalism is reformulated in the more explicit and precise way I propose, the disputes about computationalism can be adjudicated on the grounds of empirical evidence from neuroscience.
pra quem nao havia desconfiado ainda… sim, somos apenas versoes mais evoluidas dos menores e mais insignificantes seres vivos que tem uma rede neural qualquer, funcionando como mecanismo computacional para entender o universo e controlar nossas acoes enquanto participamos dele.
March 4th, 2008 at 12:13 pm
O que alguns interessados não dizem:
DESCOBERTA
No ano passado, dois grupos de cientistas de Japão e Estados Unidos conseguiram criar células-tronco por meio de células da pele.
A técnica consiste em fazer com que células humanas adultas da pele “voltem no tempo” e passem a agir como se fossem as versáteis células-tronco embrionárias, conseguindo posteriormente se diferenciar em outros tecidos do corpo.
A descoberta abre um caminho potencialmente ilimitado para a substituição de tecidos ou órgãos defeituosos e representa um avanço na utilização de pesquisas com células-tronco sem esbarrar em questões éticas.
March 4th, 2008 at 12:15 pm
Descoberta
No ano passado, dois grupos de cientistas de Japão e Estados Unidos conseguiram criar células-tronco por meio de células da pele.
A técnica consiste em fazer com que células humanas adultas da pele “voltem no tempo” e passem a agir como se fossem as versáteis células-tronco embrionárias, conseguindo posteriormente se diferenciar em outros tecidos do corpo.
A descoberta abre um caminho potencialmente ilimitado para a substituição de tecidos ou órgãos defeituosos e representa um avanço na utilização de pesquisas com células-tronco sem esbarrar em questões éticas.
March 13th, 2008 at 10:16 pm
Oras, sou a favor do uso de células-tronco. E olha que também sou católica.
É muito fácil ficar ‘com olhar torto’ pra idéia de pesquisa com células-tronco quando não se tem alguém na família que seria beneficiado no futuro por essa pesquisa.
É muito fácil ficar discutindo sobre ‘quando começa a vida’, quando não se tem que ver de perto a realidade de pessoas com as vidas ‘já começadas’. Vendo as angústias, medos e incertezas por que passam essas pessoas vítimas de lesões.
Não é fácil saber que seu filho sofre por ter algum tipo de necessidade especial devido a uma lesão.
Não é fácil saber que um irmão que está ao seu lado não pode ter as mesmas chances que você, não pode fazer as mesmas coisas banais que você.
E principalmente, creio que não é fácil ser essa pessoa, vítima de algum tipo de lesão, que deseja realizar coisas simples do seu dia-a-dia, porém, em muitos casos, tem que conviver com situações dolorosas.
Posso estar sendo muito sentimentalista e nada técnica no meu discurso, mas nós somos feitos disso, sentimentos.
Prefiro buscar pela melhoria do que ‘está na minha frente’. Daquilo que posso ‘ver’, ’sentir’. Uma vida que já está ali na nossa frente, que já começou, e seja lá que a afetou, não podemos voltar ao passado. Apenas melhorar a condição dessas pessoas através da inteligência do próprio homem.
Não deixem que o homem prive um semelhante de melhorias na qualidade de sua vida.
Acho que as pessoas que poderiam ser beneficiadas por tais pesquisas deveriam ser as principais ouvidas nesse caso…