sinais do passado: barulho nas ruas

r-20-proibido-buzinar.jpgdo lado de cá, carros com mães e pais dentro, ar ligado, quase fechando a rua. no meio, um muro de dois e muitos metros de altura, separando o lado de lá da incivilidade das ruas. lá, os filhos, na escola, sendo preparados para… tomara que para alguma coisa. do lado de cá, os pais, quase todos ao mesmo tempo, buzinam. do lado de lá, o ouvido nem tão seletivo dos filhos não consegue identificar a exasperação de seus genitores e genitoras e vir para a rua, o que diminuiria consideravelmente a tortura infligida à vizinhança. e os pais buzinam.

desço da bicicleta e espero para ver quem sai e, quando acontece, pingado, são adolescentes, quase todos com celulares à mão, pois se trata de uma escola da classe média pra mais. por que não se deu um toque nos celulares? só um toque, combinado, não precisava ser uma ligação… estaria entendido. por que não se mandou um sms? por que, aliás, os pais não estacionaram seus carros na rua de trás e não foram ao encontro de seus filhos, para ver o ambiente da escola, os amigos, os rostos, pra sacar se estava e continua tudo ok?

admirável mundo novo. não é o mundo tomado por máquinas. mas o mundo onde os seres humanos deixam de usar sua inteligência, racional e emocional, e se comportam como máquinas.

7 Responses to “sinais do passado: barulho nas ruas”

  1. g Says:

    pelo menos na classe media existe um padrão que caracteriza a maquina.

    na periferia, se comportam como entidades completamente caóticas e nonsense, um rebanho de figuras sem a menor organização, educação, inteligencia, que agridem, insultam, cospem, tudo isso as gargalhadas, num frenesi muito doido. quem ja viveu em periferia, ou perto dela sabe!

    recife está perdida, nao é uma cidade, é só um ambiente propicio a manifestação de todo tipo de incivilidade, milhoes de pessoas convivendo lado a lado, milionarios no 20 andar, miseraveis na porta do predio. ruas destruidas, sistemas publicos falidos. e tudo que se faz aqui é assistencialismo, dar esmola com os impostos que voce paga. produzir, trabalhar, estudar, ninguem quer. quer que caia do céu. todo mundo pensa local demais por aqui. como dizem, se uma cidade é um organismo vivo, recife tá com milhoes de tumores em metastase. tá agonizando. tá longe de ser civilizada.

  2. Alfredo Cavalcanti Segundo Says:

    Eu odeio esses profetas do fim do mundo!

  3. Fernando Says:

    É Silvio.. Aldous Huxley no seu mais famoso livro e um de meus preferidos ‘Admirável Mundo Novo’ justamente imaginava um futuro onde o homem se deshumanizava totalmente.. como vc disse, deixam sua inteligencia emocional e racional e passam a atuar como foram ‘programados’.. Bem que alguém podia fazer um upgrade nesses programas.. ;)
    Sobre a deshumanizaçao ou poshumanidade Francis Fukuyama tem um livro que a discute muito bem (mais um entre os preferidos) chamado ‘Posthuman society’, que li traduzido ao espanhol como ‘El fin del hombre’.. vale a pena!
    [] desde Assunçao

  4. h.d.mabuse Says:

    Muito bom o post Silvio! Alem do fetiche que se criou sobre a mercadoria *carro* agora a desumanizacao vem na forma dessa cultura da “bolha”, onde vc entra e o mundo desaparece lá fora. Qualquer regra de convivencia em sociedade eh sumariamente esquecida.
    Tem um texto bem bacana na carta capital sobre carros nessa semana:
    http://www.cartacapital.com.br/edicoes/2007/abril/441/o-totem-do-capital
    E parabens por usar mais a bicicleta e se negar a terceirizar completamente a educacao do teu filho! :) (como fazem esses pais em suas bolhas).

    Agora quanto ao que G falou, nao discuto nem o conteúdo claramente fascista do post (típico de quem vive na bolha), mas vamos lá:

    Já vivi na periferia, outras vezes perto e sou frequentador, onde tenho grandes amigos, e exatamente nesse processo de ” tornar-se maquina” acho que a periferia é um alivio dentro da sociedade. Vá prestando atenção nas ruas saindo do centro para a periferia, quanto mais longe do centro, mais pessoas vc ve nas ruas, nas calçadas e inclusive crianças brincando (coisa que as gerações de crianças criadas em ap infelizmente nao sabem o que eh). Pra mim, mesmo ciente de todas as dificuldades que existem, obviamente, isso é uma forte referencia de qualidade de vida :)

    E como dizia George Orwell, no apocaliptico 1984: “se existe esperança, ela está na periferia”.

    abs

  5. o que meus olhos vêem Says:

    Associar periferia com qualidade de vida ruim é uma visão mesquinha da coisa, talvez associada a falta de cultura de certas pessoas. Mas isso a gente entende, e releva.

    O fato é que as pessoas estão mais egoístas, egocêntricas…e MUITO menos “populares”. A política de boa convivência dos tempos antigos está desaparecendo…em algumas cidades do interior do Brasil até encontramos…mas dentro de uma capital está escassa.

    E grande razão disso deve-se ao fato (concordando com Silvio) das pessoas não usarem a inteligência para facilitar a vida. Exemplos não faltam: …para ir ao supermecado a dois quarteirões da minha casa, eu tenho que ir de carro e brigar para encontrar vaga no estacionamento….para estacionar na melhor vaga eu páro o carro no meio do trânsito, ligo o pisca alerta, e todos tem que desviar de mim até conseguir o que EU quero ( e fd-se as pessoas atras de mim)….

    O mundo é uma grande competição para ver quem chega primeiro …onde? Como dizia minha vó: “Calma meu filho, a única certeza é a morte, pratique o bem”. Sábia ela, e feliz tb pq viveu mais tempo no passado.

    abs

  6. g Says:

    mabuse,

    sem querer criar polêmica:

    digamos que hoje em dia eu viva numa bolha, mas vivi na periferia, minha vida toda, desde pequeno.

    na minha opinião, essa atitude, de reverenciar o oposto da civilidade, a malandragem, de passar a mao na cabeça e dar, em vez de pagar por, tá fazendo a cidade e a sociedade retroceder. é muito bom, massageia o ego de quem dá, mas vai de encontro a qq forma de avanço que possa ser sentido a curto, medio, ou longo prazo. um exemplo claro são as milhares de maes por aih, que estão tendo mais filhos para receber mais bolsa-esmolas. é impressionane como essa meme toma conta da sociedade, e mais impressionante ainda é como ninguem percebe que isso tá errado.

    outro exemplo que eu tenho é paulista, a cidade com mais favelas na regiao metropolitana, sabe por que? porque lá, o prefeito DÁ casa para o povo, eles vão até lá, montam uma favela, depois eles mesmos botam fogo e ficam esperando e COBRANDO uma casa da prefeitura.

    fascista? se quise chamar assim tudo bem… chame até de nazista se for o caso, sinceramente nao me importo, nao pretendo me inserir ou ter as ideias delimitadas por nenhum grupo politico ou filosofico. o que me dá nausea é essa ‘esperteza’ do povo.

    antes de chegar a essas (in)conclusões, eu pensava exatamente como voce mabuse. e sinto claramente que as ideias que eu tinha ao inves de retroceder, como vc deve estar pensando agora, evoluiram dessa coisa primaria e sem embasamento de que ‘a esperança está na periferia’. tem muita coisa boa na periferia sim, e todas elas fruto da organização dos membros daquela área. toda essa cultura que está extremamente inserida na bolha, atualmente, que veio da periferia, dou o maior valor pq eh muito boa!

    mas eu eu já acho que a esperança pode estar em todo lugar, na verdade ela tá no trabalho: da periferia, do centro, de cima, de baixo e dos lados. a esperança tá na educação desse povo, a esperança tá na capacidade de empreender, de trazer dinheiro, de produzir, de colocar pra frente, nao ficar nesse retrocesso infantil, nesse atraso que é DAR PARA USO PESSOAL O QUE MUITA GENTE PAGA DE IMPOSTO E QUE DEVERIA SER USADO EM PROL DA COISA PUBLICA.

    o país precisa amadurecer nas ideias, precisa ser menos tolerante, levar as coisas mais a sério, nao ficar nessa discussão sem pé nem cabeça do tipo “ae mano, so das quebrada exijo respeito, tá ligado?”/”eu sou classe media, moro num apartamento e dou um duro danado pra teus mano vir me roubar, tá ligado?”

    e chamar de referencial de qualidade de vida a vida numa favela, é no minimo forçado :)

    e pra fazer uma citação, certa vez li em algum lugar que joelmir beting, disse que “pagar imposto no brasil é o mesmo que fazer caridade”

  7. g Says:

    errata:

    e pra fazer uma citação, certa vez li em algum lugar que joelmir beting, disse que “pagar imposto no brasil é o mesmo que fazer caridade”

    trocar joelmir beting por PAULO FRANCIS rs..

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