Archive for April, 2007

imagine cup: de 8 finalistas nacionais, 5 são de pernambuco

Monday, April 30th, 2007

2007-04-30_114404-imagine-cup.jpgjá é quase tradição: depois de ganhar duas vezes em categorias nacionais e, em dois anos, ganhar uma final no japão [2005] e ficar em segundo noutra, na índia [2006], cinco times de universitários de pernambuco [informação do blog de andré furtado, que está em um dos times e, pela segunda vez, na final] estão entre oito finalistas da imagine cup no brasil, competição mundial de programação promovida pela microsoft. resultado do ensino superior de informática em pernambuco e da excelência e comprometimento dos alunos que fazem parte dos times. parabéns a todos os oito grupos e muito boa sorte!…

semana do trabalho: empresas são… abstrações

Sunday, April 29th, 2007

está no título: empresas são abstrações. o que vale, de verdade, são as pessoas dentro delas e suas relações. fora da empresa, há uma imensa variedade de processos e tecnologias, todos implícitos, que levam as pessoas a incrementar suas relações e atritos [a maioria dos quais] construtivos. além dos bares, quadras e encontros do mundo real, isso tem a forma de blogs, chats, podcasts, redes sociais, bookmarking coletivo… e o que mais apareça pela nossa frente. nas empresas, a maioria destas tecnologias -em quase todas as empresas- é suspeita.

por quê? porque desafia, quando não desmonta, a hierarquia. mas e daí? o mundo não é plano mesmo? será que ainda é possível fingir que o comando-e-controle vai vencer a rede-articulada-que-entrega-resultados? pelo menos no trabalho que depende de aprender e desaprender, no trabalho inovador, acho que não.

as empresas -em sua vasta maioria- continuam tentando manter a ordem dentro de casa, uma ordem de cima pra baixo, que organize seus colaboradores a entregar resultados no fim do mês. só que a empresa, como organizador e ordenador do trabalho, parece estar com seus dias contados. empresas farão negócios. criarão marcas e reputações. nós faremos o trabalho, alguns de nós no miolo do negócio, dentro da empresa, porque senão ele não terá alma. e sem alma não há inovação, sem o que a economia e sociedade começam a andar de ré. mas a grande maioria de todos os trabalhadores de conhecimento, no futuro, fará parte de organizações virtuais, às vezes de muitas delas ao mesmo tempo, exercendo funções diferentes em cada uma.

qual seria a surpresa? já não é assim? quanta gente não é balconista num lugar, líder em sua comunidade, síndico de seu prédio e, ao mesmo tempo, o pior jogador da pelada e lá, de volta, está a reboque do time inteiro?

na vida real, concreta, estamos divididos, para somar e multiplicar, em muitos papéis e times diferentes. nas empresas, parte de nossa vida abstrata, vamos fazer o mesmo. e só nas empresas que sobreviverem. as que continuarem pensando que sua força de trabalho está sob controle centralizado, obedecendo a um mesmo comando uníssono e replicando suas ordens ao mundo inteiro… felizmente… não chegarão ao futuro. ainda bem. as que vão chegar estão procurando, hoje, atingir um efeito de escala interno-externo nas redes sociais em que o negócio e seus colaboradores, simultaneamente, fazem parte

microsoft, offline?

Friday, April 27th, 2007

sairam os resultados do trimestre da microsoft: o lucro da banda Windows foi US$4.3B, Office lucrou outros US$3.4B, Server tá US$0.9B no positivo. quase US$9B de lucro, aí. monte de dinheiro, performance impressionante, inclusive porque vista está vendendo acima das expectativas. as más notícias vêm de entretenimento (Xbox e Zune), com US$330M de prejuízo e o pior, dos negócios on-line: depois de perder US$29M no trimestre anterior, live & cia afundaram para um vermelho de US$205M. sete vezes mais prejuízo num faturamento que cresceu apenas 15%, de US$564M para US$622M. dia destes eu disse que está na hora da msft procurar um substituto para steve ballmer. há quem ache que isso é uma necessidade urgente. software está virando serviço e a falta de uma estratégia de software [e informação] como serviço -coerente, de longo prazo, perceptível hoje- é um grave problema da empresa. e não parece que a atual liderança mundial entende do assunto.

solução simples? quebrar o negócio em dois e deixar a banda internet tocar a estratégia de rede ou mudar o negócio todo. seja lá o que for menos difícil. mas… será que há alguma coisa fácil de ser feita em um negócio que fatura US$50+B por ano… e onde um pedaço do negócio [offline, windows] tem margem de lucro acima de 80%? pense nisso: algo que você vende por 100 e só lhe custa 20. se fosse na sua empresa, seria fácil lidar com o povo desta divisão, ainda mais se ela faturasse mais de US$5B num único trimestre?…

mais convergência: msn & xbox

Thursday, April 26th, 2007

a microsoft avisa: a partir de sete de maio, as listas de contatos do xbox live e msn serão uma só, fazendo a ponte entre a web e os jogos. este é mais um passo na estratégia faz-tudo da microsoft que comentamos em outro texto aqui em outubro passado. acabava assim:

…talvez a microsoft não esteja nem aí pro que está acontecendo nas comunidades da internet, a menos de sua própria família live.com, porque é de lá que espera construir o que talvez tenha sempre sido o sonho da empresa: uma “internet” dela. isso deu errado no começo da internet porque, na época, não havia nenhuma internet sobre a qual a internet da microsoft ia rolar. agora, muito ao contrário, há. e pode dar certo, pois a empresa está construindo “sua” rede a partir de princípios bem fundamentados de rede, usos, usuários e receitas recorrentes. dará certo? não sei. se redmond não cometer os mesmos erros da aol, talvez. talvez. veremos…

networked readiness index 2006-7: brasil é o 53o.

Wednesday, April 25th, 2007

acaba de sair o global information technology report 2006-2007 do world economic forum. parte do relatório trata de maturidade digital [uma medida da sociedade em rede], em termos de um networked readiness index, publicado agora pela terceira vez. no índice de 2004, o brasil estava em 46o. lugar; em 2005, saltamos direto para o 52o.; na avaliação atual, 2006-7, caímos mais uma posição, para 53o. a dinamarca está em primeiro lugar e os eua em sétimo.

talvez os dados ainda não meçam os efeitos dos incentivos fiscais para PCs e a penetração recente [e ainda escassa] de banda larga no brasil. em nosso caso, o resultado é coerente com outro índice, o e-readiness do economist, que este blog comentou em maio de 2006 [a áfrica do sul, nos dois, passa o brasil em muito]. neste link, leia e ouça os comentários de soumitra dutta, da INSEAD, co-produtor do relatório.

vamos ver qual será o efeito relativo do programa de inclusão digital das escolas, que dá sinais de vida, da penetração cada vez maior de computadores pessoais através do varejo e da inclusão digital das micro e peqeunas empresas. e a comparação é relativa mesmo: pouco adianta melhorarmos 10, 20% aqui se, lá fora, a média melhorar 30, 40%. a atratividade deles, para negócios dependentes de rede, continuará sendo maior que a nossa..

sinais do passado: barulho nas ruas

Wednesday, April 25th, 2007

r-20-proibido-buzinar.jpgdo lado de cá, carros com mães e pais dentro, ar ligado, quase fechando a rua. no meio, um muro de dois e muitos metros de altura, separando o lado de lá da incivilidade das ruas. lá, os filhos, na escola, sendo preparados para… tomara que para alguma coisa. do lado de cá, os pais, quase todos ao mesmo tempo, buzinam. do lado de lá, o ouvido nem tão seletivo dos filhos não consegue identificar a exasperação de seus genitores e genitoras e vir para a rua, o que diminuiria consideravelmente a tortura infligida à vizinhança. e os pais buzinam.

desço da bicicleta e espero para ver quem sai e, quando acontece, pingado, são adolescentes, quase todos com celulares à mão, pois se trata de uma escola da classe média pra mais. por que não se deu um toque nos celulares? só um toque, combinado, não precisava ser uma ligação… estaria entendido. por que não se mandou um sms? por que, aliás, os pais não estacionaram seus carros na rua de trás e não foram ao encontro de seus filhos, para ver o ambiente da escola, os amigos, os rostos, pra sacar se estava e continua tudo ok?

admirável mundo novo. não é o mundo tomado por máquinas. mas o mundo onde os seres humanos deixam de usar sua inteligência, racional e emocional, e se comportam como máquinas.

hardware como serviço: RIM virtualiza blackberry

Monday, April 23rd, 2007

o blackberry é um “celular” da research in motion [rim] cuja principal funcionalidade é acesso a emeio no modo push, onde o “celular” recebe informação da rede sem que usuário tenha que ficar verificando se há emeio no servidor [veja aqui como funciona]. este modo de comunicação e computação pode ser usado para uma infinidade de coisas. a agenda do “fone”, por exemplo, é outra funcionalidade que pode ser sincronizada sempre que alguém mexa nos seus dados no servidor. e você fica sabendo das mudanças quase na hora.

o conceito é antigo, mas as implementações competentes são poucas e a melhor é a da rim, que começou em 1999 com 25 mil clientes e tem, agora, mais de três milhões e meio de usuários, mais de 70% dos quais nos eua. a coisa é séria a ponto de uma falha no back office [onde se processa as informações dos clientes], semana passada, ter acabado nas manchetes de toda a imprensa americana. no caso do blackberry, a tele opera a rede de comunicações mas toda a computação é feita pela rim e, como a coisa é software como serviço, a introdução de código novo [e defeituoso] no sistema deixou os usuários, literalmente, sem nada na mão.

pois bem: mostrando a dinâmica de seu modelo de negócios, a rim acaba de anunciar a virtualização de seu hardware, transformando a maior parte da funcionalidade do blackberry [que já era boa parte software, de qualquer jeito] em software que vai rodar sobre a plataforma windows mobile da microsoft. assim, qualquer usuário de pda-fone windows poderá assinar os serviços que hoje são privativos de quem tem os tijolinhos da própria rim. mais um pequeno grande sinal de que informaticidade e software [e hardware] como serviço, um de seus principais habilitadores estão aqui para ficar.

monopólios… do bem?

Monday, April 23rd, 2007

meu artigo desta semana, no G1, é sobre google estar começando a se tornar um monopólio em busca e anúncios. a chamada é…

Google tem dinheiro, velocidade e corre riscos. A muitos, parece estar criando o que pode vir a ser o verdadeiro monopólio de “organização” de informação na web. Será que os competidores vão esperar sentados?

o mais interessante é que um número surpreendente de comentaristas está “de bem” com a idéia de que, se google virar um monopólio [e olha que eu nem falei de conteúdo], seria “legal”. isso nega toda a história dos monopólios, principalmente dos que têm ações na bolsa e cujos donos querem ver value for money. ainda bem que muita gente, lá nos comentários, não nasceu ontem.

[update: veja aqui uma comparação bem recente entre yahoo e google {primeiro trimeste 2007 de YHOO = menos da metade de GOOG}... e porque é possível que a batalha esteja perdida, pelo menos para terry semel, atual CEO de yahoo.]

sexo na rede vira sexo nas redes [sociais]

Saturday, April 21st, 2007

notícia recente em the economist [via computers.net]: do jeito que a coisa vai, muito breve o tráfego nas redes sociais será maior do que o dos sites de sexo e pornografia. como mostra o gráfico ao lado, a inversão deve estar acontecendo por estes dias. qual é a causa?…

a indústria do sexo é um first mover em relação a tecnologia: foi assim com texto, fotografia, cinema, vídeo… não foi diferente com a internet e web e não será [e não está sendo] diferente com redes sociais. estima-se que 30% [por baixo, pois há quem diga que é mais do que 50%!] de todas as transações financeiras de second life envolvem sexo e jogo, de longa data duas preferências da humanidade. ainda mais porque sexo é, naturalmente, uma rede social

à medida que a rede passa a ser usada como infra-estrutura social [as pessoas não precisam nem saber que é uma infra-estrutura de comunicação, computação e controle] mais e mais representações da atividade humana aqui fora acontecerão lá dentro. quem achava que mundos virtuais como second life iam ser um paraíso na terra, ou melhorar muito a vida no planeta, só por existirem, pode passar na linden labs e pegar seu diploma de ingenuidade summa cum laude.

enquanto os sistemas educacionais levarão anos pra entender e usar, apropriadamente, as novas tecnologias de redes sociais, as indústrias do sexo e jogo já estão lá. e a máfia também. bem vindos, pois, à real vida virtual.

corpos = plataformas programáveis

Friday, April 20th, 2007

chimeracientistas no mundo inteiro estão experimentando formas de modificar o comportamento de seres vivos. pode ser para atender necessidades humanas, como órgãos para transplante, foco da atenção de um grupo em nevada, EUA, que construiu um carneiro [uma "quimera"] com 15% de células humanas e que pode vir a ser usado [em escala, no futuro] para produzir órgãos a partir do próprio receptor humano.

outro grupo [johns hopkins/ucsb] está modificando a retina de ratos [que só têm dois fotorreceptores, ao invés dos nossos três] para que os bichos vejam o mundo a cores. futuros usos em humanos podem incluir a correção de retinas defeituosas em adultos e a redefinição de funcionalidades humanas a priori [estágios anteriores à gestação e parto].

o corpo, e não só dos animais, será cada vez mais uma plataforma programável, à qual serão subtraídas ou adicionadas funcionalidades. e aumentadas e diminuídas as expressões de algumas que já temos hoje. quem viver, verá.

quem precisa de um CIO?

Wednesday, April 18th, 2007

chris anderson, autor de the long tail [o livro], sobre o que muitos dos CIOs [chief information officers] de hoje estão a fazer, inclusive porque a maioria deles está encarregada de manter o que existe, tanto hardware como software, funcionando e fazendo a empresa funcionar:

…many CIOs [are] in the position of not being the technology innovator in their company, but rather the dead weight keeping the real technology innovators — employees who want to use the tools increasingly available on the wide-open Web to help them do their jobs better — from taking matters into their own hands.

o título do texto de anderson [quem precisa de um CIO?] é um pouco radical; mas serve para alertar sobre o estado atual de coisas na vida de um CIO. as empresas -e a economia e sociedade- estão começando a funcionar em tempo real e em qualquer lugar. e dependendo -de forma crítica e intensiva- de sistemas de informação que têm que funcionar 24/7/365. o resultado é que os CIOs estão tocando a “casa de máquinas”, mantendo no ar a organização, tentando garantir que nada dá errado. como cair o sistema de check-in da empresa aérea no fim da tarde de uma sexta. ou o sistema de check-out do supermercado no meio do sábado [de chuva]. ou o do motel no meio da madrugada da sexta…

acontece que o mundo lá fora está evoluindo muito rapidamente e, gastando quase todo o tempo para manter [manutenção = respostas!] não sobra tempo para inovar [inovação = perguntas...] e o resultado é a competição dos start-ups destruindo valor nas instituições mais antigas e estabelecidas… em alguns poucos lugares, porém, o I de information virou I de innovation e o CIO está, mesmo, ajudando a empresa a sobreviver. ao invés de estar mantendo o status quo que vai destruí-la, com o tempo, em pouco tempo. manuais como o livro ao lado ajudam a organizar a cabeça mas, por acaso, não vão ajudar muito a transformação… porque o CIO talvez sobreviva e a empresa, não.

os indianos “ainda” estão chegando…

Tuesday, April 17th, 2007

veja que dado interessante, publicado numa reportagem da bloomberg sobre o faturamento e lucratividade das grandes empresas de software da índia: Indian [software services] providers increased their share of the 100 largest computer-services contracts awarded worldwide to 6 percent in 2006, from almost zero in 2002, according to Houston-based consulting company TPI. The share of the six largest U.S. computer-services providers, led by IBM, dropped to 48 percent from 66 percent, TPI said.

os indianos “ainda” só têm 6% dos 100 maiores contratos feitos em um ano [2006] no planeta, contra zero em 2002; os americanos, que tinham 66% em 2002, caíram para 48% em 2006. 66-48+6=12. há 12% dos maiores contratos que não estão mais nem nos eua nem na índia. e os americanos continuarão declinando. nem precisa dizer do tamanho da oportunidade de trazer os contratos para… .

o livro de paul davies, ao lado, é um dos muitos que tentam explicar como seu negócio pode se beneficiar ao contratar empresas indianas para fazer parte de seu desenvolvimento e operações. nós bem que estamos precisando de um destes para o brasil. antes, era bom resolver algumas coisas básicas. como botar software e suas empresas no PAC. aliás, onde e como anda o programa?